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Politicas Linguísticas Em Angola
Língua Oficial e Linguas Nacionais Cumplicidade ou Glotofagia?
Prof.Eduardo David Ndombele

Resumo:
A presente investigação que agora foi transformado num livro Ça disposição dos estudantes de Letras Modernas do Instituto Superior de Ciências de Educação do Uíge ISCED tem como objectivo mapear manifestações de identidade sociolinguística de Angola, a fim de aferir assunção da língua portuguesa em Angola ao lado das línguas nacionais e caracterizar as políticas linguísticas vigentes no território angolano. No referencial teórico, foram pesquisados e analisados temas como: A situação sócio-histórica das línguas de Angola, Políticas linguísticas bem como a diversidade linguística no espaço lusófono. Como recurso metodológico, utilizou-se a pesquisa quantitativa e qualitativa; a população escolhida para investigação foi constituída de 466 informantes oriundos de 5 Províncias de Angola, nomeadamente: Uíge, Luanda, Benguela, Lubango, e Namibe; estas pessoas foram questionadas sobre a frequência do uso de língua portuguesa em Angola, a prática de língua portuguesa nos lugares públicos, estatuto político e social de língua portuguesa e o lugar das línguas angolanas de origem africana no sub-sistema de ensino. Como resultado deste questionário constatou-se que a língua portuguesa tem vindo a conhecer uma dinâmica traduzida num crescente número de falantes. A língua portuguesa é usada para exercer, além de outras funções, a função de ser o principal veículo de informação. O uso das línguas bantu de origem angolana no contexto do ensino nunca teve qualquer expressão de realce tendo sido reservado às mesmas o simples papel das línguas nacionais.

Palavras-chave: Angola, políticas linguísticas, português, línguas nacionais


A origem da Pesquisa

Sabe-se quando estamos face à necessidade de elaborar uma investigação nem sempre é fácil forjar ideias concretas sobre a área a direccionar ou descobrir um tema interessante a se investigar. De acordo com a Professora Alvarenga (2012:23): “Toda investigação parte de conceber a ideia o que investigar e as ideias de investigação podem ser geradas em distintas fontes, entre as que são mencionadas: revisão das áreas de conhecimento científicos, que constituem o currículo do curso do estudante; experiências diárias, transcorridas dentro ou fora da actividade profissional; a própria curiosidade do estudante: sobre algum tema que lhe interesse; conversas com colegas, professores, com profissionais, os quais poderiam sugerir temas interessantes; investigações já realizadas por outros profissionais, abrem a possibilidade de penetrar em algum aspecto que não foi tratado, ou que não tenha ficado claro no estudo realizado.”
Estes aspectos apresentados por Alvarenga docente de Metodologia de Investigação Científica, no seu livro “Metodologia da investigação quantitativa e qualitativa” (2012) ajudou-nos a aprofundar mais o presente trabalho, uma vez que a ideia que inicialmente se tinha era difusa, dentro de uma área problemática para tal era necessário se familiarizar com área de conhecimento realizando além de uma revisão bibliográfica, manter conversa com alguns profissionais balizados na área que nos ajudaram a abrir a possibilidade de penetrar em alguns aspectos importantes.
Pese embora esta pesquisa tenha sido iniciada em 2002, no âmbito das Jornadas Científicas do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED) do Lubango, na Província da Huíla, suas raízes e motivações mais genuínas vinham sendo construídas em minha trajectória como estudante, fundamentalmente nas minhas investigações sobre a sociolinguística e, em questionamentos sobre adopção de língua portuguesa como língua oficial e a sua tendência actual de estar a ganhar o estatuto de língua nacional em Angola.
     Entretanto, a verdadeira intenção de investigar no presente trabalho surgiu de várias constatações e observações sobre a realidade do quadro sociolinguístico de Angola mormente na cidade do Lubango, Província da Huíla quando inúmeras vezes a comunicação com os meus colegas do grupo etnolinguístico ovimbundo era interrompida com a presença dos colegas de origem Bakongo, Tchokwe ou Ambundu, a presença de um dos elementos destes grupos etnolinguístico revelava uma certa insegurança ou seja a intercompreensão, porque o ovimbundu não conseguia conversar com o mucongo usando a sua língua materna no caso umbundu, era imperativo fazer recurso à língua portuguesa. Questionei-me na senda destas observações porque os angolanos têm dificuldade de comunicar-se uns com os outros sem fazer recurso à língua portuguesa?
O angolano da Província de Cabinda não consegue dialogar directamente com o angolano da Província do Cunene e o da Província do Moxico não consegue conversar com o angolano da Província de Luanda sem o uso da língua portuguesa. Após ter amadurecido essas ideias através de debates, participações nas Jornadas Científicas, eis que surgiu a ideia de escrever sobre as políticas linguísticas desenvolvidas em Angola antes e depois da Independência Nacional conquistada em 1975.
           A minha língua materna é a minha casa e a língua estrangeira é a janela através da qual observo o exterior.
A respeito desta problemática o Professor Gregório Firmino (2012) da Uni- versidade Eduardo Modlane explica: “Uma questão que muitos analistas da situação linguística na África pós-colonial têm levantado com frequência refere-se à necessidade de uma redefinição de políticas linguísticas, de modo a se fazer uma gestão mais adequada do tipo de diversidade linguística prevalecente em muitos países do continente. Tal necessidade deriva do pressuposto mantido por vários observadores de que em África existe uma “questão linguística”, relacionada com o contínuo uso e/ou oficialização das línguas ex-coloniais, usadas por segmentos sociais minoritários, ao mesmo tempo que as línguas locais são relegadas para um plano secundário, apesar de faladas pela maioria dos cidadãos.”
É por isso que Heine (1990) informa que “na África sub-sahariana, predominam políticas linguísticas exoglóssicas, isto é, em muitos países africanos, línguas de origem europeia como o português, francês, inglês ou espanhol, são as línguas oficiais. Assim, não é surpreendente que, em muitos países africanos, as línguas ex-coloniais continuem a desfrutar de um estatuto superior, atendendo a que estão associadas a ambientes oficiais, meios urbanos, vantagens económicas, mobilidade social ascendente ou prestígio social, o que para alguns observadores da cena africana é problemático”.
A língua é a principal fonte do conhecimento do outro, e não deveria se reduzir a um código despersonalizado. Ela pode se relacionar com realidades objectivas, mas também transmite, na comunicação interpessoal, a memória, valores, sensibilidades, sentimentos, comportamentos, tudo aquilo que dá originalidade a uma relação e sua força relacional e cultural. Além do mais, as línguas exprimem conceitos que nem sempre são equivalentes de uma língua a outra, em certos casos intraduzíveis sem uma reconstituição dos quadros de referência intelectual e culturais. A língua não é apenas uma ferramenta de comunicação, é também criadora de sentidos e geradora de representações.
O linguista moçambicano Gregório Firmino esclarece: “A política linguística oficializou o Português sem o nacionalizar, e nacionalizou as línguas autóctones sem as oficializar…” É na senda deste pensamento que questionamos se na verdade existe uma cumplicidade entre o português e as línguas nacionais em Angola?






Este texto é administrado por: Eduardo Ndombele
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Monografias Politicas Linguísticas Em Angola Prof.Eduardo David Ndombele


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