Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
O Sindicalismo
O Sindicalismo no contexto social dos trabalhadores Rurais
José Carlos Ribeiro

Resumo:
RESUMO

Nas últimas décadas a sociedade mudou o seu comportamento procurando cada vez mais buscar maiores lucros. Essa busca por aumento de produção ocasionou a modernização da agricultura, acarretando as modificações nas relações de trabalho. Os pequenos produtores que não tinham alternativas de competir no mercado foram forçados a deixar o meio rural formando filas de desempregados na cidade. Essa fila de trabalhadores fez surgir os primeiros movimentos operários no Brasil e, por conseqüência estruturando sindicatos de trabalhadores rurais no espaço agrário do país. Em Anicuns, mais especificamente o movimento sindical surge no ano de 1976, não sendo diferente do processo do surgimento em nível nacional. Com a modernização da agricultura inicia a chegada de implementos agrícolas no município e em seu entorno. O resultado disso foi a alteração do uso da terra e das relações de trabalho no espaço agrário anicuense. Nesse sentido, o nascimento das lideranças sindicais começa a agir em prol da categoria dos trabalhadores, sejam eles pequenos proprietários e ou assalariados temporários do campo. Apesar dos avanços e retrocessos nas/das ações políticas e sociais ao longo de sua história, o Sindicato dos trabalhadores Rurais de Anicuns acumula importantes vitórias para a categoria, entre elas a implantação do Assentamento Ribeirão do Meio, em seguida, junto com as lideranças do assentamento começa a conscientização dos trabalhadores assentados para a implantação da Cooperativa de produção no assentamento. Nosso objetivo nesta pesquisa é compreender o papel desenvolvido pelo movimento sindical dos trabalhadores do campo em Anicuns e a influência do sindicato na organização do espaço agrário do município e região.


PALAVRA-CHAVE - Sindicalismo - Cooperativismo - Agricultura Familiar - Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns

O Sindicalismo







LISTAS DE ABREVIATURAS
ANL – Aliança Nacional Libertadora
CGT – Central Geral dos Trabalhadores
COB – Confederação operária brasileira
CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
COOPERVARB - Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Rio dos Bois
CPT _ Comissão Pastoral da Terra
CUT – Central Única dos Trabalhadores
FETAEG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Goiás
FUNRURAL – Fundo Rural
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e estatística
INSS – Instituto Nacional de Seguro Social
MSTR – Movimento Sindical de Trabalhadores Rurais
PA – Projeto de Assentamento
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PRAFICAR – Programa de Reordenamento da Agricultura Familiar Integrada em Cooperativas de Atividades Rurais
PRONAF – Programa Nacional de Fortalecimento Agricultura Familiar
STR – Sindicato dos Trabalhadores Rurais
STRA – Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns
ULTAB _ União dos Trabalhadores Agrícolas do Brasil











LISTA DE TABELA

Tabela 1: Distribuição das propriedades em Anicuns_______________29
Tabela 2: População de Anicuns de 1970 – 2005__________________ 32
























LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Sede da CONTAG ___________________________________ 14
Figura 2 - Sede da FETAEG____________________________________ 22
Figura 3 - Sede da COOPERVARB_____ _________________________ 27
Figura 4 - Mapa de Uso da Terra_________________________________31
Figura 5 - Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns____ 35
Figura 6 - Trabalhadores na Lavoura de Cana do Grupo Farias________ 42
Figura 7 - Matriz de Suíno da COOPERVARB______________________45
Figura 8 - Tanque de Resfriamento de Leite da COOPERVARB________45




















José Carlos Ribeiro








SUMÁRIO



INTRODUÇÃO_____________________________________________01
1. ORIGEM DO SINDICALISMO NO BRASIL _________________ 06
1.1.     O sindicalismo rural no Brasil_____________________ _______12
1.1.1 Os obstáculos internos enfrentados pelo MSTR__________________ 18
2. SINDICALISMO DE TRABALHADORES RURAIS EM GOIÀS__21
2.1 A História e as conquistas do MSTR em Goiás ________________ 21
2.2 O Cooperativismo na Agricultura familiar em Goiás: uma conquista do MSTR _________________________________________________ 24
3. PERSPECTIVAS PARA AÇAO DOS SINDICATOS DE TRABALHADORES RURAIS NO ESPAÇO AGRÁRIO ___________29
3.1 A relação entre a modernização da agricultura e o MSTR________ 29
3.2 Origem e ações do STR de Anicuns _________________________ 33
3.3 os avanços e retrocessos nas/das ações políticas do STR de Anicuns___________________________________________________ 36
3.3.1 A década da crise política do sindicato: 1986 –1996__________ 37
3.3.2 A ascensão política do sindicato: 1997-2003________________ 40
3.3.3 O retorno ao movimento de luta pela terra __________________ 43
3.3.4 O cooperativismo e o fortalecimento da agricultura familiar viam reforma agrária______________________________________________43
3.3.5 Tendências e perspectivas de ação do sindicato em 2006 _______46
CONSIDERAÇÕES FINAIS__________________________________ 49
REFERÊNCIAS ____________________________________________51






     

















































INTRODUÇÃO




Com o avanço do capitalismo, nas últimas décadas tornou – se necessário produzir cada vez mais. A sociedade não se satisfaz com o que possui, levando, principalmente os países ricos e em desenvolvimento, preocupações cada vez mais com a produção, almejando lucros maiores. A alternativa para tal aumento alimenta-se, sobretudo, da exploração da mão-de-obra, do desrespeito das relações trabalhistas e, outras vezes da coação dos trabalhadores através automatização dos meios de produção (situação cada vez mais presente nas indústrias e no campo).
Diante deste contexto, os movimentos sociais têm posicionado frente ao avanço do capitalismo e têm lutado pela construção de um mundo mais justo, igualitário e democrático.
Os movimentos de trabalhadores no Brasil começaram a se desenvolver, a partir do inicio da industrialização, na década de 1930, sendo que os primeiros movimentos de trabalhadores surgiram no Rio de Janeiro e estes foram vitoriosos em suas reivindicações.
A partir desses movimentos, muitos outros surgiram até que em 1955 os trabalhadores rurais começam a se organizar de forma mais concreta. Nesse período, os trabalhadores se organizavam em movimentos chamados ligas camponesas, que tinham como principal objetivo a luta por preços menores nos arrendamentos; e posteriormente pela necessidade de lutar pela terra.
Nessa luta por seus interesses, as lideranças das ligas iniciaram um movimento mais abrangente para a criação de sindicatos de trabalhadores rurais. Segundo Moreira (2004) as ligas se multiplicaram em todo o nordeste fazendo necessário a formação de entidades sindicais pelo Brasil.
No ano de 1963 já existiam inúmeros sindicatos de trabalhadores rurais por todo o Brasil e juntos com as ligas camponesas, os congressos de trabalhadores criaram a CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.
Apesar da grande vitória dos trabalhadores rurais na criação de uma entidade de representação nacional, em 1964, com o golpe militar, quase todos os movimentos trabalhistas foram barradas pelo governo. Muitas lideranças foram caçadas e outras foram mortas por não concordarem com as práticas políticas adotadas pelos governos militares.
Durante os anos de governo militar, o movimento dos sindicatos rurais -MSTR, sofreu muitas perseguições, mas este período serviu para sua organização e fortalecimento. Segundo Oliveira (1996) apesar das perseguições o MSTR se organizou de forma silenciosa para no futuro posicionar em favor da sociedade.
Neste sentido, os reflexos do sindicalismo dos trabalhadores rurais também influenciaram o espaço agrário de Anicuns. Instalado no município desde em 1976, através do MSTR no Brasil, o sindicato vem construindo sua história de luta e retrocessos frente aos interesses da categoria.
Assim, o nosso objetivo é compreender o papel do sindicato de trabalhadores rurais, bem como destacar os avanços e retrocessos das ações do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns nos movimentos políticos e sociais da categoria na região.
A escolha se justifica pela necessidade de compreender a influência do movimento sindicalista dos trabalhadores rurais no Brasil na organização e ação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns no espaço agrário local. Além de servir como um referencial teórico sobre a temática, a pesquisa trata-se de um registro e/ou uma sistematização do movimento sindical em Anicuns e região.
A escolha do tema se deve à nossa experiência vivenciada pelo pesquisador como ex-sindicalista ex-presidente e secretário geral do STR de Americano do Brasil e de Anicuns em dois mandatos respectivos. Esta experiência nos possibilitou a abertura de novos conhecimentos, tanto no sentido pessoal como também para a classe dos trabalhadores rurais. Estes últimos puderam, a partir de ações políticas e sociais, puderam sentir o abrandamento da exploração de mão-de-obra e conquistarem seus direitos trabalhistas.
Para a realização da pesquisa, utilizamos fontes diretas tais como: leituras dos livros de atas do Sindicato de trabalhadores rurais de Anicuns e de Americanos do Brasil, no qual pudemos reconstruir o histórico de representação da entidade frente à categoria. Análise de documentos de arquivo do sindicato em Anicuns; entrevistas para esclarecer dúvidas com ex-sindicalistas, dirigentes do STR e dirigentes da FETAEG. O trabalho de campo possibilitou, sobretudo, a compreensão do processo de funcionamento da COOPERVARB no Assentamento Ribeira do Meio, símbolos da conquista dos trabalhadores rurais via sindicato.
As fontes indiretas utilizadas são basicamente leituras de referencias teóricos como dos autores Antunes (1980), Oliveira (1993), Silva (1996), Moreira (1990), Graziano da Silva (1996) entre outros. Também as pesquisas em internet sobre os dados da FETAEG, da CONTAG e do IBGE contribuíram para a construção desta monografia.
As fotos, as tabelas foram utilizadas para visualizar a discussão apresentada. E o uso de material cartográfico teve por objetivo situar regionalmente o objeto de estudo e relacioná-lo com as particularidades do espaço geográfico local.
     Assim a partir da metodologia utilizada apresentamos os resultados em três capítulos.
Iniciamos o nosso primeiro capítulo analisando o surgimento do sindicalismo no Brasil, sua relação com os movimentos sindicais surgidos no campo e sua influência na criação da CONTAG. Destacamos também o papel da FETAEG no avanço do movimento sindical no campo brasileiro e em Goiás.
No segundo capítulo, apresentamos a discussão sobre o Movimento Sindical em Goiás. Nele apresentamos um levantamento histórico das conquistas movimento sindical de trabalhadores rurais no território goiano, em destaque o fortalecimento da agricultura familiar via cooperativismo.
No terceiro e último capítulo, localizamos espacialmente o município de Anicuns e discutimos a influência do processo de modernização na territorialização do STR na região. É importante ressaltar que os resultados, sobretudo deste capítulo, são frutos da experiência vivida pelo pesquisador.
Portanto, apresentamos idéias para que possa ser objetos de estudos em outras pesquisas e dessa forma fechar algumas lacunas sobre a questão do espaço agrário regional. Para tanto organizamos a monografia em três capítulos

































1 ORIGEM DO SINDICALISMO NO BRASIL



Segundo Antunes (1980, p. 48) as primeiras formas de organização de trabalhadores no Brasil surgiram no Brasil em 1858, foram de sociedades de socorro . Os trabalhadores se uniam para auxiliar outros trabalhadores que estavam passando por dificuldades. Foi dessas associações que surgiram as uniões operárias. Com a chegada da indústria, esses movimentos cresceram e se tornaram insuficientes para atender a demanda dos operários. Devido à necessidade de atender melhor o trabalhador foi preciso organizar por ramo de atividade, assim facilitaria as ações desses movimentos.
Com a organização por categoria, as uniões operárias se tornaram mais fortes e no Rio de Janeiro surgiram as primeiras greves no ano de 1858. Trabalhadores da tipografia insatisfeitos com as injustiças patronais reivindicaram aumento salarial e conseguiram sair vitoriosos. Após a vitória dos tipógrafos outros grupos de trabalhadores fizeram reivindicações e também marcaram seu nome nas conquistas da classe trabalhadora no Brasil.
Em 1892, acontece o I Congresso Socialista Brasileiro. Seu objetivo era a fundação do Partido Socialista, que significava a possibilidade dos trabalhadores assumirem cargos políticos na defesa da categoria, mas este objetivo não foi alcançado, pois um grupo de lideranças do sindicalismo, chamado anarco sindicalistas, não concordava com a participação política das lideranças sindicais na política. (Antunes, 1980. p.49)
O II Congresso Socialista Brasileiro foi realizado em 1902, onde foi lançado o manifesto aos proletariados do Brasil. O discurso neste congresso direcionava para a conscientização dos trabalhadores: era preciso se unir. A retórica assumida no manifesto pautava-se na manutenção dos diferentes ofícios da categoria, pois, com o avanço das relações capitalistas, estavam sendo extintos da sociedade os artesãos, os parceiros agrícolas e muitos outros.
Apesar da organização dos trabalhadores naquele período, as introduções dessas relações acabaram se fortalecendo, restando apenas duas classes antagônicas: a classe dos empregadores e dos trabalhadores. Nesse sentido, aos representantes da categoria dos trabalhadores surgia a necessidade de se organizarem contra as amarras dos empregadores.
Assim surgiram os sindicatos cujo objetivo principal, era a conquista de direitos trabalhistas. Foram realizados vários congressos sindicais e operários e muitas manifestações. O I Congresso Operário Brasileiro teve presença de 43 delegados sindicais representando o estado do Rio de Janeiro e São Paulo e como resultado do mesmo foi criado a COB – Confederação Operária Brasileira em 1906. (Antunes, 1980, p. 50).
Nesse congresso havia a participação de duas tendências do Movimento Sindical Brasileiro: o Anarco-sindicalista, que idealizava ações só no trabalho ignorando e não aprovando a participação política de suas lideranças; e a tendência composta por socialistas que por sua vez idealizava um movimento de trabalhadores instruídos politicamente, defensores da organização partidária.
Em 1913 e 1920, aconteceram o II e III Congresso Operário Brasileiro. O objetivo desses congressos foi reativar a COB. Parte do movimento sindical nesse período já era controlado pelo governo, pois algumas lideranças ao perceber a complexidade da luta na defesa da classe concluíram que era mais fácil ficar ao lado do governo recebendo ordens que muitas vezes prejudicavam a classe como administrar os movimentos sociais, em contra partida recebiam privilégios do governo. Apesar disso, aconteceram muitas manifestações, greves em municípios do interior em solidariedade aos trabalhadores, mas a resposta do governo veio imediatamente e a repressão foi utilizada com todo rigor.
Este período de 1818 a 1920 representou o auge do movimento sindical Anarquista, que era mais representativo junto aos trabalhadores brasileiros. Mas apesar de ter maior representatividade o movimento era limitado, pois não participava da política.
Algumas lideranças começaram a perceber a necessidade de participação política partidária e resolvem formar um grupo político partidário, criando em 1922 o PCB - Partido Comunista brasileiro, superando o Anarco-sindicalismo.
A partir de 1930 inicia um novo momento na política brasileira e junto com essa nova política surge também um novo momento para o sindicalismo. Assim, com a posse do novo Presidente Getúlio Vargas, a Revolução Industrial brasileira define-se como um novo marco da história do sindicalismo no país.
No seu governo, Vargas procurou controlar o movimento sindical e operário trazendo-o para dentro do governo. Criando o Ministério do Trabalho, órgão responsável pelo controle das ações do movimento sindical e operário, o Estado passou a controlar os ânimos dos operários e atender os anseios dos empregadores.
O objetivo do governo era fazer dos sindicatos órgãos de conciliação entre trabalhadores e empregados. Para isso criou em 1931 o decreto 19.770 que estabeleceu normas para associação sindical, controle das finanças dos sindicatos. Os sindicatos teriam de prestar contas junto ao Ministério do Trabalho e ainda permitia a participação dos delegados do trabalho nas assembléias realizadas pelo movimento sindical. (Antunes, 1980 p. 58-59).
De acordo com o autor citado, mesmo com essa lei de repressão da categoria de trabalhadores, 25% dos sindicatos aderiram a nova lei e as outras muitas lideranças não deixaram se abater. O movimento grevista durante esse período foi intenso, apesar das dificuldades, muitas conquistas foram alcançadas entre elas a jornada de 8 horas, a regulamentação do trabalho da mulher o direito de férias e a proibição do trabalho infantil.
Em 1934, as tendências sindicais existentes no Brasil se dividiam em correntes ligadas ao Anarco-sindicalismo (já em decadência), ao Socialismo (lutavam pela autonomia sindical) e o Comunismo. A partir do pensamento desta última corrente criou-se a Federação Sindical Regional e em 1935 realizou pela primeira vez a Convenção Nacional de Unidade dos Trabalhadores reunindo 500.000 operários. Nesse ano, também aumentou a militância do movimento sindical juntamente com as lideranças do Partido Comunista Brasileiro - PCB. Destaque para a ação de Luis Carlos Prestes que criou a Aliança Nacional Libertadora (ANL) .
    Com receio de que a organização dos trabalhadores chegasse a ameaçar sua estrutura, o governo inicia uma série de repressões contra os trabalhadores. O Estado decreta a lei de segurança nacional que proibia o direito a greve, dissolveu a Confederação Sindical Unitária, intensificando ainda mais a repressão, decretou Estado de Sítio.
O governo criou uma comissão de combate ao comunismo, e muitas lideranças sindicais foram presas e outras foram mortas. Nesse período o movimento sindical viveu uma de suas maiores derrotas. Com toda essa repressão muitos dirigentes aceitaram as condições do governo que no momento tinha objetivo de controlar as reivindicações dos trabalhadores.
Sem outra alternativa, militantes sem compromisso com os trabalhadores aceitam a ideologia do capitalismo, nascendo dessa forma lideranças pelegas influenciadas pelo sistema. E essas lideranças foram assumindo as direções dos sindicatos com ideologia organizada pela elite, conforme afirma a idéia abaixo:
Com a industrialização, o sectarismo ideológico das correntes sindicais, com a organização dos empresários, dos latifundiários, dos banqueiros, dos industriais e com a influência norte americana, os movimentos sindicais foram enfraquecidos e o sistema, sorrateiramente, começou a formar lideranças‘pelegas’ (http://pt.wikipedia.org/wiki/Sindicato, p. 1 de 29/08/06 ).

Em 1939, o governo Vargas homologou o decreto 1.402, que criava o enquadramento sindical. Nele uma categoria para ser reconhecida precisava da aprovação do ministério do trabalho. Nessa lei era criado também o imposto sindical, contribuição dos trabalhadores, que foi criado para manter serviços assistenciais do governo para a categoria, mas sobre administração do sindicato que, precisava ter os projetos aprovados pelo ministério do trabalho.
Dessa forma, nasce o sindicato assistencialista, mantido pela contribuição compulsória. Muito das ações que inicialmente era função do sindicato, deixa de ser exercida para que o sindicato fizesse assistência social para o trabalhador.Assim dirigentes passam a dedicar tempo integral ao assistencialismo, perdendo seu objetivo principal que era a luta pelos direitos do trabalho.
No período de 1945 - 1964, o movimento sindical se fortalece, enquanto o Estado Novo mostra sinais de enfraquecimento as forças democráticas lutam para derrotar a ditadura militar do Estado Novo e implantar a democracia no Brasil. As duas tendências democráticas, uma com ideais burgueses, a outra, nacional e popular que era liderada por partidos de esquerda como PCB e outros aliados. O movimento sindical também participava inclusive, elegendo novos dirigentes e empossando as diretorias eleitas pelos trabalhadores, que também caracterizou o enfraquecimento do estado novo dentro do MSTR, com a substituição das lideranças pelegas no movimento sindical.
Assim, no inicio dos anos de 1950, o presidente aos poucos devolvia a autonomia aos sindicatos. Sob novo governo de Getúlio Vargas o movimento sindical avançou muito nesse período dobrou o número de sindicalizados nas bases atingindo 1.500.000 trabalhadores. (Antunes, 1980, p. 67).
No inicio dos anos de 1960, foi criado o Comando Geral dos trabalhadores - CGT. Nesse período foram realizadas muitas manifestações onde os trabalhadores brasileiros unificaram suas ações, fortalecendo ainda mais a classe. O CGT foi durante o Governo de João Goulart o órgão de maior representação dos trabalhadores. No campo, o movimento de trabalhadores também já tinha representação, embora o sindicalismo de trabalhadores estivesse apenas começando.
Ressaltamos que apesar da pouca expressão no início da história do sindicalismo no Brasil, o movimento sindicalista no espaço agrário brasileiro adquire forças na década de 1960, diante do avanço das relações capitalista no campo e do processo de industrialização do mesmo. Assunto que discutiremos a seguir.


1.1      O Sindicalismo Rural no Brasil

Em 1955, a União dos trabalhadores agrícolas no Brasil – ULTAB, e as ligas camponesas participavam dos movimentos sociais em defesa dos trabalhadores. Foi nesse período que surgiram as primeiras ligas camponesas no engenho da Galileia, no nordeste brasileiro.

[...] Ali se multiplicaram as ligas camponesas de Francisco Julião, com sede pública; primeiro para impor aos senhores de terra condições explícitas e menos espoliativas nos contratos anuais de arrendamento; depois, para pleitear a própria posse da terra, através de uma reforma agrária. (Moreira. 2004 p. 362).    

Esses movimentos lutavam em defesa dos pequenos agricultores e também lutavam por preços mais em conta no arrendamento. Aos poucos as ligas camponesas se formavam em outros locais do Brasil, multiplicando-se em todo país. (Moreira, 2004. p. 362).
Como podem observar às ligas camponesas foram as primeiras formas de organização dos trabalhadores rurais. A partir da organização por categoria, o homem do campo percebe que é preciso lutar para conquistar seus direitos. Pouco a pouco foram surgindo organizações trabalhistas sindicais, o campesinato entrava de forma decisiva na busca por uma melhor estrutura para o meio rural. O objetivo dos sindicatos dos trabalhadores rurais era a conquista pelo direito do trabalho, mas buscava também, o acesso a terra.
Por ser um movimento de reivindicações e oposição à desigualdade no campo, as ligas estiveram sempre relacionados à repressão e violência no campo. O autor Oliveira (1993, p.29-30) destaca que em uma das greves entre os cortadores de cana da usina Estreliana no Pernambuco em agosto de 1963, muitos trabalhadores foram mortos por repressão dos usineiros.
As Ligas Camponesas e os Sindicatos de Trabalhadores Rurais -STR fundaram em 1963 a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura - CONTAG, sendo elaborado também o Estatuto do Trabalhador Rural. O objetivo da CONTAG era a união das lutas entre trabalhadores do campo e da cidade. A seguir, a atual sede da CONTAG em Brasília (figura 1).




     





Figura 1 Sede Confederação Nacional da Agricultura – Brasília
Fonte: www.CONTAG.com.br/2006


Os movimentos dos trabalhadores rurais e os outros movimentos de trabalhadores deixavam ainda mais preocupada a elite conservadora do Brasil. Em 1964, quando o movimento sindical estava se organizando para implantar uma reforma de base e formação - a Unidade da Frente Popular e Democrática - setores da elite brasileira avançam contra essas reformas, assim em 31 de março de 1964 foi deposto o presidente João Goulart, assumindo a presidência o primeiro presidente militar Castelo Branco. Essa foi sem dúvida uma derrota para o movimento sindical muitos dirigentes foram presos e os movimentos sociais não souberam preparar suas bases para uma resistência.
Nesse novo período do Brasil, todos os movimentos foram silenciados. O governo militar de Castelo Branco, após tomar posse, enviou ao congresso o Plano de Reforma agrária. A intenção era acalmar os movimentos no campo, levando os trabalhadores a acreditarem que os militares fariam Reforma Agrária, contudo, sem a interferência dos partidos comunistas.
Os trabalhadores, na esperança da reforma agrária esperam o plano do governo, só que o próprio ministro da Reforma Agrária Roberto Campos, garantiu aos congressistas que o plano apresentado não ia acontecer. Era só mais uma forma de diminuir a euforia dos trabalhadores que sonhavam com a Reforma Agrária no Brasil.
Além de inviabilizar a Reforma, com o golpe militar, os trabalhadores rurais também tiveram seus direitos caçados.
Mesmo no período da ditadura militar, o movimento sindical de trabalhadores e trabalhadoras rurais - MSTR continuou lutando pelos direitos da categoria, combatendo as injustiças sociais.
Apesar de muitos dirigentes preferirem ficar no assistencialismo, os movimentos sociais no Brasil têm uma importância fundamental e o seu principal papel é contribuir para uma formação dos trabalhadores e reivindicando os seus direitos.
Na década de 1970, o sindicalismo no Brasil cria uma nova forma de ação, o novo sindicalismo. Esse novo sindicalismo tinha como ponto de partida o rompimento com o passado. Apesar da iniciativa, havia uma falha esquecer das origens não foi um bom começo para o sindicalismo brasileiro, mas ao perceber que estaria cometendo um erro o movimento sindical novamente busca suas origens, para continuar a luta na defesa dos trabalhadores.
No sindicalismo rural, essa ruptura não foi menos impactante, haja vista que o movimento sindical de trabalhadores rurais estava apenas começando. A Confederação de Trabalhadores Rurais tinha apenas sete anos de fundação, como estava sob intervenção do governo militar o movimento dos trabalhadores não tinha uma ação via CONTAG. Entretanto as lideranças de trabalhadores tinham um trabalho voltado para as bases e este trabalho não foi deixado de lado.
Mesmo enfrentando as dificuldades, os trabalhadores rurais não desistiram de se organizar, mesmo nesse período de interferência militar, o MSTR, conseguia aos poucos organizar-se.
A estrutura sindical dos trabalhadores rurais, foi se formando e suas lideranças, enfrentaram a fúria militar, as reuniões para a formação dos sindicatos nos interiores, eram feitas nas praças, com a presença de três ou quatro trabalhadores, pois onde se reuniam grupos maiores, ali aparecia os militares proibindo a movimentação de trabalhadores.
Quando as lideranças eram descobertas pelos militares, eram presas e muitas eram mortas, pois eram tratados como subversivos. O ex-dirigente da FETAEG e do STRA, Sr. Eliezer Alves "Bento", relata em entrevista, as dificuldades enfrentadas pelos sindicalistas naquele período de repressão:
Oh! nóis fazia a reunião tinha que ser na praça [...]numa distância [...] cê sabe a praça o tamanho que é! Reunia de três a seis. [...] Não podia ter mais de três pessoas que a policia [federal] vinha para investigar. Aí [nós] ficava conversando [reunidos na praça], oiando pros lado. Se ia vino [a polícia] nóis largava, parava [a reunião na praça] e depois vortava para concluir o assunto. Era difícil, muito difícil.

Apesar de muitas lideranças terem sofrido perseguições, o dirigente Eliezer Alves Bento, liderança sindical de Anicuns e Região, afirma que enquanto as lideranças lutavam pela organização estrutural do MSTR, a CONTAG, os trabalhadores rurais também faziam sua parte.
Desde sua fundação, a CONTAG teve uma posição clara quanto a sua meta principal, que sempre foi à reforma agrária. Em 1979, durante o III Congresso de Trabalhadores Rurais, as deliberações em assembléia reafirmam o compromisso do movimento sindical da categoria:
Reafirmamos que a reivindicação máxima do MSTR é a reforma agrária, ressaltando que quaisquer medidas adotadas, sem sua efetiva realização, constituirão meras paliativas. (3º.CNTR – CONTAG, 1979)

No quarto congresso da CONTAG no ano de 1988 é reafirmada a posição dos trabalhadores, quanto à questão agrária. Neste congresso foram deliberados assuntos como a unicidade sindical, com a existência de uma central única de trabalhadores. Essas deliberações mostram a direção nacional que o MSTR pretende seguir.
A unicidade Sindical foi pensada por um grupo de liderança que juntamente com o governo de Vargas teve como objetivo a permanência na frente do sindicalismo sem nenhum tipo de concorrência com outras entidades classista da mesma categoria.
Por outro lado um grupo de sindicalistas continuam defendendo a unicidade sindical que não aceita em um mesmo município mais que um sindicato representando a mesma categoria.
Os argumentos deste grupo de lideranças, é que surgiram muitos sindicatos sempre quando houver desentendimentos entre os empresários e as lideranças, pois as próprias empresas estimularam os trabalhadores a criarem seu próprio sindicato.
Ainda existe um grupo que acredita ser importânte, normas para que seja extinta a unicidade sindical visto que os trabalhadores não poderão ficar a mercê da própria sorte.
O resultado de todas essas tendências é que enquanto se constrói uma nova estratégia de luta para a classe trabalhadora no Brasil uma grande quantidade de lideranças continua se reelegendo e fazendo de tudo para se manter no poder.

1.1.1     - Os obstáculos internos enfrentados pelo MSTR
A unicidade sindical enfrenta muitos problemas, aqui podemos citar algumas que evidencamos durante nossas observações e também durante as leituras. A categoria de trabalhadores rurais abrange, segundo o sistema sindical vigente, os trabalhadores assalariados rurais; os aposentados rurais; os agricultores familiares; os diaristas que trabalham no campo e os trabalhadores parceiros agrícolas.
O problema é que estes trabalhadores muitas vezes têm interesses diferentes. Vejamos os agricultores familiares e os assalariados e aposentados, enquanto os agricultores defendem a melhoria dos preços de produtos agrícolas e pecuários, os assalariados defendem um preço mais em conta, pois quanto mais alto o preço menor será o poder de compra dos seus salários e dos salários dos aposentados.
Existem problemas também relacionados com os direitos trabalhistas. Percebe-se que parte dos agricultores familiar não tem o mesmo interesse quando se trata das questões salariais, muitas vezes não se posicionam a favor dos direitos trabalhistas.
O MSTR no Brasil já realizou nove congressos, e quando se prepara para discutir estrutura não consegue discuti-la, como se deve, pois a democracia sindical ainda é igual à democracia no país, atrelada aos mais fortes, muitos têm medo de discutir e contrariar interesse.
A partir do ano de 1997, o MSTR brasileiro tem procurado discutir questões de suma importância, entre elas a estrutura sindical e o desenvolvimento rural sustentável, mas sabe-se que assuntos de tamanha relevância levam tempo para serem resolvidos.
Diante destes problemas, o MSTR propôs um grande debate sobre a unicidade sindical, mas normalmente os encontros que foram realizados apresentaram grandes discussões políticas e a divisão interna entre os dirigentes. Como resultado, durante o seminário realizado em Goiânia em 2000 as lideranças se articularam para que a unicidade sindical continuasse.
Neste seminário de Goiânia, as lideranças alegaram que o governo estava por traz das reformas propostas para o MSTR. As lideranças da Central Única dos Trabalhadores - CUT se posicionaram contra o Projeto de Emenda Constitucional 29/2001, que trata da reforma sindical enfocando a questão unicidade ou pluralidade sindical por categoria.
É evidente que discussões nesse nível vai sempre repercutir muito entre os trabalhadores, mas se espera que o amadurecimento político do brasileiro possa aos poucos evidenciar a necessidade de mudanças na estrutura sindical. Não que essa mudança seja de acordo com as propostas unilaterais, seja elas do governo ou da categoria, mas que seja discutida com toda a sociedade, observando os direitos e deveres de cada um.
Segundo a estrutura democrática que o MSTR apresenta é possível que sejam discutidos esses assuntos, mas é preciso que os trabalhadores participem das discussões. para que os rumos da categoria não sejam discutidos apenas em nível de liderança, senão as mudanças podem não corresponder às expectativas da maioria dosa representados.
Seguindo, estaremos direcionando ao MSTR no estado de Goiás, onde a estrutura também é um problema sério e questões de direcionamento das ações sindicais nem sempre correspondem à categoria dos trabalhadores rurais.
























2. O SINDICALISMO DE TRABALHADORES RURAIS EM GOIÁS

2.1 - A história e as conquistas do MSTR em Goiás
No final dos anos de 1960 foi criada uma delegacia sindical no estado de Goiás que ficou responsável pela articulação e criação de sindicatos dos trabalhadores e também para defender os interesses dos trabalhadores rurais.
O primeiro sindicato fundado no estado foi o STR de Anápolis. Este sindicato foi criado em 04 de junho de 1967, depois muitos sindicatos foram fundados como o de Pirenópolis, Nova Veneza, Caturaí e Catalão. Em 1970, esses Sindicatos reuniram-se na capital do estado de Goiás e criaram Federação dos Trabalhadores na Agricultura do estado de Goiás - FETAEG. Na figura 2 pode ser observada a sede da FETAEG, que desde a sua criação permanece com sede no mesmo local. .( www.fetaeg.com.br. 2006).

Figura 2: Sede da FETAEG em Goiânia -2006
Fonte: RIBEIRO, José Carlos – dez/2006.

Essa Entidade de representação dos trabalhadores rurais do estado de Goiás teve como finalidade coordenar e defender os interesses dos trabalhadores rurais. A partir da fundação da FETAEG muitos outros sindicatos foram criados no estado, todos com uma grande participação da igreja católica, que através da Comissão Pastoral da Terra -CPT teve um papel de assessora dos trabalhadores e das lideranças na formação do movimento sindical em Goiás.
O primeiro presidente da FETAEG foi o Sr. Antonio Ferreira Bueno que presidiu a entidade até 30 de março 1981. Pressionado pelos dirigentes sindicais do estado, que alegaram que o mesmo não pertencia efetivamente a categoria dos trabalhadores rurais, o vice-presidente assumiu a entidade e se reelegeu de 1983 até 1986. Sobre este marco na história da FETAEG o ex-presidente da entidade, Bento, relembra o seguinte:
[...]o sindicato verdadero era de pelego! Na FETAEG, [...] Antonio Bueno era fazendeiro, tudo era ligado ao Ministério do trabalho e ao Governo. Era peixinho [...] fazia o que o governo queria. Nóis não ia fazer o que o governo queria, pois não prestava! Oh, foi quatro anos sem reconhecer o nosso Sindicato[de Anicuns] com o Antonio Bueno na FETAEG[...].

Como se percebe na entrevista, a oposição sindical foi um movimento que algumas lideranças sindicais organizaram para direcionar novos rumos para o movimento sindical em Goiás. A partir da queda de Antonio Bueno (que representava para os trabalhadores rurais de Goiás o peleguismo na direção da entidade recém criada para defender o direito dos trabalhadores rurais) o movimento sindical dos trabalhadores rurais em Goiás começa a se fortalecer.
No período de 1986 até 1989 foi presidente o sr Divino Goulart da Silva, que também foi reeleito para o triênio 1989 a 1992. No triênio de 1992 até 1995 foi eleito para presidente o Sr. Guilherme Pedro Neto, reeleito de 1995 a 1998 A partir 1998 a 2001 foi eleito pra a Presidência o sr Alair Luis dos Santos, em 2001 foi eleito para três anos de mandato o Sr Wilson Hermuth Gottens e reeleito pra o quadriênio 2003 – 2007. Todos os dirigentes da FETAEG até 2007 têm origens do setor agrário, mais precisamente da agricultura familiar assentamentos de reforma agrária.
Desde a fundação da delegacia sindicais em Goiás, até 2006, muitas ações foram colocadas em pratica no estado, das quais pode citar as seguintes: a greve dos cortadores de cana conhecida como a greve das sete linhas na década de 1970; a conquista da aposentadoria no valor de um salário mínimo na assembléia constituinte em Brasília, no ano de 1988, para todos os trabalhadores e trabalhadoras rurais, a mulher aos 55 anos de idade e o homem aos sessenta anos; o auxilio doença; o auxilio maternidade; o PRONAF-Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, e muitas outras conquistas que as lideranças sindicais conseguiram através da mobilização dos trabalhadores. (Lucas, 2003)
   A década de 1990 foi marcada por muitas mudanças no MSTR no Brasil Uma das principais inovações foi à desvinculação da prestação de conta dos sindicatos para o Ministério do Trabalho. Outro destaque para o período foi a implantação do cooperativismo nos assentamentos Goianos, nesse sentido a FETAEG, encampou a idéia articulando os trabalhadores rurais nos assentamentos para a criação das cooperativas de produção e de crédito.
Diante das dificuldades apresentadas pelos trabalhadores, a direção da FETAEG, apresentou na assembléia com os dirigentes sindicais de Goiás em agosto de 1996, a criação do Programa de Reordenação da Agricultura Familiar Integrada em Cooperativas de Atividades Rurais - PRAFICAR, que é responsável pela organização das Cooperativas de agricultores familiares do estado de Goiás este projeto também tem como objetivo a formação de lideranças para dirigir as cooperativas.
A seguir uma breve explanação do resultado do programa em Goiás e em específico em Anicuns.


2.2 - O cooperativismo na agricultura familiar em Goiás: uma conquista do MSTR
De acordo com o Sr. Olavo Daicena, atual presidente de COOPERVAB, o PRAFICAR contou com o apoio do Governo do estado e do ministério do planejamento do governo federal, contou também com apoio das lideranças sindicais de 15 municípios goianos, entre eles o município de Anicuns .
A seguir listamos as cooperativas implantadas no estado (FETAEG – 2006).

1.     Cooperativa dos Produtores de são Carlos e entorno da serra Dourada - Projeto de Assentamento São Carlos – Goiás – Go, nome Fantasia COOPERSAN.
2.     Cooperativa Agropecuária dos produtores Familiares –do projeto de assentamento Tijunqueiro – Morrinhos – GO. Nome Fantasia – COOPERFAT.
3.     Cooperativa integrada dos produtores familiares do projeto de assentamento são Manoel – Mundo Novo Go.Nome de Fantasia: COOPARMN.
4. Cooperativa Agropecuária Integrada dos Produtores Familiares do Assentamento Ases do Araguaia e Região – Doverlândia – Goiás nome Fantasia: COOPERASES
4.     Cooperativa Agropecuária Integrada dos produtores Familiar do Assentamento Boa Esperança – Piracanjuba – Go. Nome Fantasia: COOPABE.
6. Cooperativa Agropecuária Integrada dos Produtores Familiares do Assentamento Asses do Araguaia e região projeto de Assentamento Lebre – Doverlândia – GO. Nome Fantasia: COOPERLEBRE.
7. Cooperativa Agropecuária dos Produtores Familiares de Pombal, Engenho da Pontinha e Lagoa Seca Santa Rita do Novo Destino – Go. Nome Fantasia: COOPEL.
8 Cooperativa Agropecuária Integrada dos produtores Familiares do Vale Taquari do Projeto de Assentamento Retiro – Itapirapuã – Goiás Nome De Fantasia: COOPERVAT.
9. Cooperativa Mista Agropecuária Vale do Rio dos Bois Projeto de Assentamento Ribeirão do Meio Município de Anicuns – Go. Nome de Fantasia: COOPERBARB.
10. Cooperativa Agropecuária Integrada dos produtores Familiares de Perolândia _ Assentamento Lagoa do Bonfim _ Perolândia _ Goiás Fantasia: COOPERFAP
11. Cooperativa Mista Agropecuária Integrada dos Agricultores Familiares do projeto de Assentamento Cantoneiras:
12. Cooperativa Mista Agropecuária integrada dos produtores familiares de Minaçú _GO Fantasia: COOPERFAN
13. Cooperativa de agricultura familiar de Itapuranga comunidades Rurais de Itapuranga – Itapuranga _ GO. Fantasia: COOPERAFI
14. Produtores Familiares do assentamento Mosquito e Região do Vale do rio vermelho – Projeto de assentamento mosquito _ GOIÁS_GO. Fantasia: COOPVARIVE
15. Cooperativa Agropecuária Rio Paraíso limitada – COPARPA – Projeto de Assentamento Rio Paraíso – Jataí Go. Fantasia: COPARPA
Abaixo pode se observar na figura da sede da COOPERVARB, localizada em Anicuns mostra que se os trabalhadores se unem em torno de um projeto existe grandes possibilidades do projeto ser vitorioso.




Figura 3 Sede COOPERVARB – P. A Ribeirão do Meio - ANICUNS/GO.
FONTE: RIBEIRO, José Carlos Ribeiro. Dez/2006.

A COOPERVARB – Cooperativa Mista Agropecuária do Vale do Rio dos Bois, está em funcionamento desde o ano 2000, iniciou com um empréstimo do governo federal, de origem do PRONAF, este recurso era destinado para a implantação de cooperativas não podendo ser aplicado em outros investimentos.
De acordo com seu presidente, no ato de criação da cooperativa muitos assentados eram contrários a criação da cooperativa, muitos foram convencidos e dos 42 assentados apenas 8 ficaram de fora da COOPERVARB, o valor do empréstimo era aproximadamente de R$ 6.500,00 multiplicando este valor pelo numero de assentados que assumiram o cooperativismo como forma de produção familiar com esse valor por cooperado a cooperativa conseguiu aproximadamente R$ 255.000,00 Essa dívida preocupou muito os assentados no inicio do projeto, mas após a implantação da cooperativa, poucos meses depois o retorno começou a chegar, segundo dados da cooperativa em 2006 além de não ter débitos relevantes, a cooperativa tem um patrimônio passivo de aproximadamente R$ 900.000,00 .
Também é importante salientar que a cooperativa tem gerado renda para os assentados do projeto, o cooperado segundo informações em entrevista tem conseguido duplicar e até triplicar sua renda familiar.
Também há duas cooperativas de Credito para facilitar os créditos para os trabalhadores rurais cooperados são elas:
1.     Cooperativa de crédito rural de Jataí
2.     Cooperativa de crédito Rural de Rio Verde
O que se espera destas cooperativas é a melhoria da renda familiar e isto pode ser comprovado em pesquisas feitas nas cooperativas segundo as informações que recebemos da FETAEG, que é responsável pelo projeto das cooperativas, todas conseguiram melhorar o ganho médio dos agricultores familiares.
Em todas as cooperativas do estado foi possível melhorar a renda do trabalhador cooperado. Muitos Sindicatos acreditaram no cooperativismo e tiveram uma participação importante na fundação das cooperativas.
No próximo capítulo, faremos um estudo sobre o papel político e social do Sindicato frente aos movimentos sociais estará aprofundando um pouco mais nosso estudo sobre os movimentos sociais em Anicuns e o papel das lideranças no dia a dia dos trabalhadores.









3. O PAPEL DO SINDICATO DOS TRABALHADORES RURAIS DE ANICUNS NO ESPAÇO AGRÁRIO REGIONAL: avanços e retrocessos



3.1 - a relação entre a modernização da agricultura e o MSTR


O município de Anicuns está localizado a 75 km de Goiânia e tem uma ocupação fundiária diversificada e distribuída de maneira desigual. Dados do IBGE (2003) mostram que do total de 93.782,90 ha de terras referente às propriedades rurais de Anicuns, mais um terço delas estão nas mãos de apenas 50 grandes proprietários, ou seja, de 3,79 % do total de propriedades. Dos 195 donos de médias propriedades, que correspondem a 14,78 % do total de proprietários do município, dominam também um pouco mais de um terço das terras do município. O restante das terras, pouco menos de um terço do total de hectares, está nas mãos de 1074 proprietários, ou seja, de 81,42 % das propriedades oficiais do município. (tabela 1).
Tabela 1: Distribuição das Propriedades em Anicuns - 2003
     Quantidade     Classificação     Total em Hectares
Pequenas propriedades     1074     0 - 88     29.007.30
Medias Propriedades     195     88 - 230     32.410.00
Grandes Propriedades     50     acima de 230     32.974.60
Total da área do Município     1319          93.782.90
FONTE: IBGE - 2003
A partir da análise dos dados, percebe-se uma desigualdade muito grande em relação à questão fundiária no município e uma acentuação dos problemas agrários na região. Percebe-se o que significa muita terra nas mãos de poucas famílias, seguindo, portanto uma tendência nacional.
Com o inicio da modernização do campo, o cerrado passa a ser objeto de interesse de grandes investidores e os governantes iniciam uma série de investimento de infra-estrutura na região, para facilitar o transporte de grãos.
Com os investimentos feitos na região e as novas tecnologias, o cerrado passa a ser produtivo e o município recebe muitos equipamentos agrícolas, principalmente tratores, que era utilizado para desbravar a região rural de Anicuns. (Anuário Estatístico, 2003).
A chegada da monocultura da cana de açúcar, acelerou o processo de modernização do espaço agrário no município, sobretudo após a década de 1980. Como resultado, além de modificar o uso da terra, também alterou as relações de trabalho no campo: ficam os agricultores familiares que sem terem recursos para modernizar suas pequenas propriedades, resolvem alugar suas terras ou vende-las para outros que têm condições de implantar a tecnologia; aumentam drasticamente o fluxo de trabalhadores temporários na cidade para trabalharem nas lavouras.
A figura 4 representa o uso e a ocupação do solo do município de Anicuns no ano de 2003. Mostra, portanto, as áreas utilizadas para as grandes monoculturas de canas-de-açúcar no município.



Figura 4 Mapa de uso da terra no município de Anicuns
FONTE: SOUZA, Cinval Divino - 2004

Aliadas às transformações da modernização destacam as mudanças no quadro populacional de Anicuns. Os dados do IBGE, nos anos de 1970, 1999 e 2005 do IBGE, retratam a mudança que a inserção do capitalismo impôs para o desenvolvimento da agricultura, do comércio e da industria no município. Na tabela 2, pode ser observado a decréscimo da população no município de Anicuns aconteceu com a queda da população rural. A população rural do município no ano em 1970 era predominante. Em 1999 e 2005 a situação se inverte e a população urbana torna-se predominante no município.
Tabela 2: A população de Anicuns: 1970 e 2005
POPULAÇÃO - 1970     POPULAÇÃO - 1999     POPULAÇÃO - 2005
urbana     rural     total     urbana     rural     total     Urbana     rural     Total
7.495     15.099     22.819     14.729     4.025     18.754     14.729     4.025     19.035
FONTE: IBGE 1970/1999/ 2005.

O crescimento da população urbana no município aumentou a reserva de mão de obra nas regiões pobres das cidades formados por antigos pequenos proprietários e por trabalhadores temporários, oriundos de várias partes do estado de Goiás e do Nordeste brasileiro. Diante dessa situação os trabalhadores rurais que foram para a cidade, por se sentirem prejudicados com a modernização da agricultura, articularam-se e criou, em 1976, o sindicato dos trabalhadores rurais de Anicuns.



3.2 - A origem e ações do STR de Anicuns

De acordo com as informações de "Bento" (2006), os trabalhadores rurais de Anicuns, na década de 1970, ao perceberem que no Brasil passava por um movimento em torno da organização dos trabalhadores por categoria, assumem que a organização faz necessária também no município.
Inicialmente as ações sindicais eram voltadas para o assistencialismo, devido à política brasileira de repressão, as primeiras lideranças de trabalhadores em Anicuns, segundo Argemiro, filho de um dos fundadores do Sindicato, o trabalho social do Sindicato era muito importante para os trabalhadores.
Socialmente o STR de Anicuns, desde a sua fundação exerceu um papel de grande relevância para os trabalhadores rurais de Anicuns e região. Desde 1976, muitos trabalhadores foram beneficiados, com as atividades desenvolvidas pela entidade.
Nesse período de 1976 o governo federal criou, para funcionar sob responsabilidade do sindicato, o Fundo Rural (FUNRURAL). Este objetiva fazer uma triagem nos trabalhadores rurais que requeriam o beneficio previdenciário (INSS).



O STR de Anicuns, mesmo sem uma estrutura que correspondesse às expectativas dos trabalhadores e lideranças, conseguiu avançar em questões importantes para a categoria. Foram desenvolvidas ações relacionadas à previdência social, onde o Sindicato conquistou inúmeras vitórias para os trabalhadores rurais que tiveram problemas para se aposentarem e a interferência do sindicato conseguiu provar que muitos trabalhadores que estavam sendo vitimas de injustiça, fossem aposentados.
Politicamente, desde a fundação do STR em Anicuns, muitas lideranças contribuíram para o fortalecimento da categoria. O sindicato, no decorrer de sua existência, em vários momentos participou ativamente das atividades políticas do município, dando sua contribuição na formação política dos trabalhadores rurais.
Por muito tempo de sua história, a sede do STR de Anicuns localizou-se em muitos endereços. Este fato era uma agravante para a participação dos trabalhadores, pois muitas das vezes estes vinham na cidade e não encontravam a sede. Diante dessa problemática o sindicato, na administração de 2000 a 2003, em dezembro comprou a sede onde está localizada a sede da entidade. A figura 5 pode mostrar como está em 2006 a sede da entidade de representação dos trabalhadores rurais de Anicuns, localizado na rua Trindade Centro de Anicuns.





Figura 5: Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns
Fonte: RIBEIRO, José Carlos - Jan/2006

O STR de Anicuns atendeu muitos trabalhadores rurais durante a administração 2000- 2003, em conseqüência manteve um número de associados razoável, aproximadamente 535 associados aposentados com desconto em folha , 200 trabalhadores da área canavieira e aproximadamente 200 trabalhadores na agricultura familiar. Além destes associados em dias cerca de 500 trabalhadores rurais estavam com suas mensalidades atrasadas .
Muitos trabalhadores rurais comparecem no sindicato faz sua sindicalização paga a primeira mensalidade e não voltam mais para continuar pagando as mensalidades.
Às vezes estes trabalhadores só queriam algum tipo de beneficio oferecido pelo sindicato, após conseguir seu intento não comparecem mais para continuar pagando as contribuições.Outros mudam de categoria, deixam de ser trabalhadores rurais e vão exercer outras funções.
Essas variações no numero de associados acabam prejudicando nas ações direcionadas a categoria uma vista que nem sempre pode contar com o que é previsto na previsão orçamentária
A seguir será descrito um pouco do que representa a instituição dos trabalhadores rurais para o município de Anicuns.

3.3. Os avanços e retrocessos nas/das ações políticas do STR de Anicuns

As lideranças sindicais que estiveram na direção do STR de Anicuns contribuíram para o crescimento político ideológico da categoria, mas enfrentou durante muito tempo um embate com a elite local, em especial no período da ditadura militar.
Durante a ditadura várias ações trabalhistas foram encaminhadas para a FETAEG e de lá seguia, quando não era possível um acordo com o empregador, a ação ao Ministério do Trabalho. Mas o problema que as lideranças mais enfrentavam eram as perseguições dos governos militares. Muitas delas foram intimadas a comparecer nas delegacias de polícia para esclarecer os motivos das reuniões com trabalhadores.
Após 1980, o sindicalismo em Anicuns vivia uma crise financeira, pois se por um lado renascia um sindicalismo livre por outro as lideranças não sabiam trabalhar sem o poder (Peleguismo). As lideranças que eram acostumadas a receber do governo a deliberação das ações, começam a traçar seu próprio caminho em busca de ações mais consistentes, pela democracia no país.
Um dos exemplos que retratam o fortalecimento da discussão política do sindicato e sua busca pela democratização do espaço agrário do município foi a implantação do Assentamento Ribeirão do Meio em 1985. Duas alternativas distintas permeavam o uso da fazenda devoluta. O governo tinha a intenção de implantar uma escola agrícola para formação de profissionais tratoristas e gerentes para as fazendas da região. Contudo, os líderes dos trabalhadores cobravam a implantação de um assentamento para fins de reforma agrária naquela mesma área. Com a intenção de agradar os trabalhadores o prefeito da cidade Sr. Getúlio Natividade dos Santos, resolveu atender o pedido dos trabalhadores e intercedeu junto ao governo do estado de Goiás, na época o Sr. de Íris Rezende Machado, para que fosse implantado o assentamento rural, atendendo os anseios da categoria.
Entretanto, segundo relatos dos trabalhadores rurais que participaram do processo de criação do Assentamento Ribeirão do Meio, a conquista do MSTR de Anicuns não atendeu apenas a categoria. A estratégia adotada pelo governo foi não somente satisfazer os trabalhadores, mas aumentar sua popularidade na região. Como a fazenda pertencia ao Estado, o governo concordou e o prefeito ficou responsável pelas inscrições. (FETAEG, 2005).
De acordo com Sr. Olavo, também líder do assentamento, a partir da aprovação do governo as lideranças trabalhistas foram avisadas da decisão das parcelas de terra e o prefeito mesmo fez as inscrições para os interessados em receber uma parcela de terra na fazenda Ribeirão do Meio.


3.3.1 - A década da crise política do sindicato - 1986/1996

Desde a fundação do Sindicato dos trabalhadores rurais de Anicuns, a entidade dividiu entre momentos de vitória para os trabalhadores e decepção, por duas vezes o STRA, fechou suas portas, a primeira vez em 1986, segundo informações de Bento, por falta de filiados, mas logo após reabriu. A partir daí, o sindicato conseguiu ficar por 10 anos aberto. Porém, as políticas locais para envolvimento da categoria fizeram com que em 1996, o STR de Anicuns fechasse novamente suas portas. Desta última vez o motivo foi falta de lideranças dispostas a assumir a entidade.
A partir de 1980 os sindicatos começaram a enfrentar muitos problemas, pois muitos benefícios fornecidos para estas instituições (médicos e os benefícios previdenciários do FUNRURAL), foram retirados como forma de frear as ações concretas que as novas lideranças implantavam no MSTR. Segundo Oliveira (1996) mesmo passando por represálias o MSTR conseguiu avançar em várias partes no Brasil.
Em Anicuns, entretanto, as questões sociais ficaram a quem da demanda exigida pelos trabalhadores, que por sua vez, não reconhecendo o papel político do STRA, afastou-se do movimento dos trabalhadores deixando que o Sindicato fechasse suas portas, no ano de 1996 .
O STRA, no ano de 1995, estava com muitos problemas, dentre estes podemos destacar a falta de representatividade junto aos trabalhadores rurais, os trabalhadores filiados deixaram de contribuir com o sindicato e com o fim da contribuição compulsória o sindicato passa a ter muitas dificuldades financeiras. A partir de junho realizou várias assembléias para a formação de uma equipe para formar uma direção para o STR de Anicuns, mas todas foram em vão e a direção que estava a frente do STR de Anicuns, teve que ficar mais um período na tentativa de organização do Sindicato.
Segundo os documentos de registro do STR de Anicuns, em 1996 foi devolvida a FETAEG, R$ 9.500,00 mais uma maquina de escrever que no período era único patrimônio que o Sindicato possuía.
No ano de 1996, no mês de abril, foi realizada uma assembléia onde a direção do Sindicato juntamente com os representantes da FETAEG, Srs. Antonio Pereira chagas e Divino Goulart, discutiram os problemas enfrentados pela direção e não tendo outra alternativa decidiram fechar o STRA, por tempo indeterminado .
O motivo alegado pela direção do STR de Anicuns e FETAEG foi a falta de trabalhadores rurais dispostos a assumirem a direção do sindicato. Nesse ano, o sindicato tinha apenas 7 associados em dia, o que significa que nem a própria direção estava em dia com a entidade dos trabalhadores.
Nesta observação entre as duas vezes que o STR de Anicuns fechou podemos concluir que, fechou por falta de uma política de formação de lideranças, pois nos dois momentos o sindicato ficou sem lideres para uma articulação entre os trabalhadores.
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) e as lideranças do Assentamento Ribeirão do Meio tentaram ajudar a direção do STR de Anicuns, mostrando o verdadeiro papel do movimento sindical. Segundo Santana , ex-presidente do Sindicato em 1996, a ação do sindicato deve desenvolver políticas de proteção para a classe trabalhadora e também desenvolver uma consciência critica entre os trabalhadores do campo.

3.3.2 - A ascensão política do STR de Anicuns - 1997 a 2003

Em agosto de 1997, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Americano do Brasil, liderados pelo então presidente José Carlos Ribeiro e seu Vice-presidente Dílson Pereira, ambos cortadores de cana, apoiado pela FETAEG, e pelos trabalhadores rurais do Projeto Ribeirão do Meio, criou-se uma extensão de base do Sindicato dos trabalhadores rurais de Americano do Brasil no município de Anicuns.
A intenção da FETAEG, era a organização dos trabalhadores de Anicuns, pois no período existia uma grande demanda que acreditava nas lideranças do Sindicato dos trabalhadores rurais de Americano do Brasil, pois essas lideranças no período iniciaram um trabalho junto aos cortadores de cana que chamou a atenção dos outros trabalhadores rurais do município de Americano do Brasil e Também de Anicuns, a direção da FETAEG, também acreditou muito nas lideranças dos cortadores de cana que assumiu a direção do Sindicato.
Com o tempo, muitos trabalhadores rurais, começaram a identificar um trabalho diferenciado na direção do sindicato após o ano de 1996. Um grupo de trabalhadores rurais da área da cana, juntamente com trabalhadores familiares, desenvolveu um novo papel social e político as categorias: a necessidade de reivindicar os seus direitos como ter moradia, ter uma parcela de terra, receber seus salários em dia, receber benefícios previdenciários.
O movimento de associados foi tão grande que trabalhadores assalariados da área da cana, insatisfeitos com medidas patronais de pagamento de salário incompleto, medidas consideradas pelos trabalhadores injustas, se associaram. A extensão de base em Anicuns, já estava com um número de associados quase o dobro dos associados do município de Americano do Brasil, sede do Sindicato.
Diante disso os trabalhadores autorizam o presidente do Sindicato através de procuração, a mover uma ação trabalhista em nome de todos os trabalhadores da usina Vale Verde, localizada na GO – 156 km 05 saída para Americano do Brasil, que a partir de 2003 passou a chamar Grupo Farias.
Em janeiro do ano de 2000 um grupo de lideranças entre os quais podemos citar Divino Quintino e José Carlos Ribeiro, juntamente com o presidente do STR de Anicuns, vendo que era necessária a reabertura do Sindicato dos trabalhadores rurais pela importância política do município para os trabalhadores reabriu no dia 14 de fevereiro de 2000 o STRA. A direção começou muita acesa na primeira negociação da área da cana, fizeram uma greve que teve duração de sete dias.
Depois de ter se esgotado os argumentos dos usineiros do estado, Anicuns, Goianésia e Indiara municípios de usinas onde as lideranças contavam com respaldo dos trabalhadores resolveu em Assembléia fazer a greve para forçar o aumento. No sexto dia de greve a classe patronal resolveu negociar e o aumento foi concedido de acordo com as reivindicações laborais.



Figura 6: Trabalhadores na Lavoura de Cana Do Grupo “Farias”
Fonte: SOUZA, Cinval Divino - 2004.

Com essa ação sindical realizada em 2000, o sindicato se firma com de grande relevância para os trabalhadores rurais e inicia uma fase de ocupação do espaço entre os trabalhadores do município de Anicuns e também de outros municípios que acompanharam as ações do STRA.
A ação pode não ter surtido grande efeito trabalhista, mas efeito político foi muito importante visto que as lideranças sindicais dos trabalhadores voltam a ser respeitadas pela comunidade local.
As lideranças sindicais de trabalhadores rurais de Americano do Brasil resolveram em comum acordo que um dos diretores, mudaria para Anicuns, o diretor escolhido para mudar para Anicuns Foi o Presidente José Carlos Ribeiro, Pois o mesmo estava disposto a fazer um trabalho em Anicuns e já mantinha um bom relacionamento com os trabalhadores rurais do município.
A intenção era fazer ações cada vez mais fortes, inclusive movimentos a favor da reforma agrária. Em pouco tempo a extensão de base de Anicuns tinha 480 trabalhadores rurais sem terra filiados no Sindicato. As lideranças dos trabalhadores adeptos do Diretor que atendia a extensão de base estavam preparadas para assumir um trabalho na questão agrária.

3.3.3 - O retorno ao movimento de luta pela da terra
Na década de 1990 a 2000, as entidades sindicais perdem parte da renda do imposto compulsório (Imposto Sindical) após as deliberações do 7º congresso Nacional de trabalhadores rurais. Tal fato reforçou o tema reforma agrária como prioridade do MSTR, sobretudo após as últimas ações realizadas pelos movimentos de trabalhadores por todo Brasil, (Chagas, 2006).
Em Anicuns durante os anos de 1997 a 2003, existiam movimentos pela reforma agrária que eram coordenados pelo secretario geral do STRA e também pelo Sr. Divino Quintino, além de outras lideranças que colaboravam com o movimento de luta pela terra no município. O resultado da luta foi a territorialização dos trabalhadores sem terra em projetos de assentamento em outros municípios de Goiás.
Em dezembro do ano 1999, os trabalhadores rurais sem terra filiados a extensão de base do STR em Americano do Brasil conquistam o direito de ter uma parcela de terras no município de Rialma: 74 famílias passaram a ser proprietários do seu local de trabalho; e também saiu um grupo de Anicuns com 40 famílias aproximadamente para o município de Porangatu, onde estão assentados .
3.3.4 - O cooperativismo e o fortalecimento da agricultura familiar via Reforma Agrária
Em 1997 em uma reunião de jovens no assentamento Ribeirão do Meio a FETAEG, trouxe um palestrante para falar a respeito do cooperativismo em assentamentos rurais e durante à tarde lideranças da extensão de base Sindicato de Americano do Brasil e as lideranças do Assentamento discutiram juntamente com a FETAEG, possibilidades da implantação de uma Cooperativa no Assentamento Ribeirão do Meio.
Houve uma grande manifestação em defesa da implantação da cooperativa no assentamento por parte dos moradores locais, mas depois, houve um certo desânimo, outras pessoas começaram afirmar para os trabalhadores que o cooperativismo não daria certo porque as lideranças que assumem a direção ficam com o dinheiro do lucro e só passam para os trabalhadores os prejuízos, durante os cursos que foram feitos para as lideranças do assentamento Ribeirão do Meio tentaram barrar a fundação da cooperativa.
No ano de 2000, finalmente foi inaugurado a COOPERVARB - Cooperativa Mista Agropecuária do Vale Rio dos Bois - Projeto de Assentamento Ribeirão do meio. (COOPERVARB-2006).
De acordo com Silva (2006) . Além das atividades tipicamente de subsistência dos assentados, existe na cooperativa:

"Um tanque de resfriamento de leite com capacidade para armazenar 4 mil litros de leite [...]. A cooperativa recolhe não apenas a produção leiteira dos cooperados. Ela também negocia com demais produtores do assentamento e da região. Além da atividade leiteira a COOPERVAB mantém ainda uma granja de suínos (113 matrizes e 05 reprodutores)"

As figuras 7 e 8 demonstram as atividades acima citadas.


Figura 7: Matriz de suíno da COOPERVARB – ANICUNS-GO.
Fonte: RIBEIRO, José Carlos. - 2006

Figura 8: Tanque de resfriamento de Leite da COOPERVARB.
Fonte: RIBEIRO, José Carlos. Dez/ 2006

Durante o exercício anterior a direção do sindicato tinha uma maior proximidade com o assentamento e pelo visto, nesta administração 2003 – 2006, existem problemas de relacionamento entre as lideranças da cooperativa e do Sindicato.
Durante trabalho de Campo para realização desta pesquisa, Silva (membro do Conselho fiscal do STR de Anicuns) e demais lideranças afirma que os problemas de relacionamento existentes entre o presidente do STR de Anicuns, Manoel Vicente da Silva (Mané Peteco) e a cooperativa, deve-se ao fato do inespressível posicionamento classista deste. Ele completa sua opinião dizendo que a atuação do referido presidente é para ascensão política local.
Dessa foram, estes problemas só vêm a prejudicar o STR e também a Cooperativa, principalmente para quem acredita que o movimento Sindical é uma alternativa viável para o combate as injustiças que são cometidas contra os agricultores familiares, temos por exemplo, a dificuldade aos créditos oficiais e de adquirir insumos em razão do auto custo.

Assim sendo, o cooperativismo pode ser muito importante, pois facilita a compra em quantidades maiores fazendo com que os preços baixem. O MSTR no município de Anicuns, pode estar contribuindo para a expansão da agricultura familiar incentivando a criação de cooperativas no município, indiretamente estará fortalecendo os movimentos sociais, mas para isso é preciso que os trabalhadores também participem das ações desenvolvidas pelas lideranças do STR de Anicuns.


3.3.5 - Tendências e Perspectivas da ação do STR de Anicuns em 2006

Apesar dos avanços a partir da segunda metade da década de 1990 até 2003, aproximadamente, o movimento sindical dos trabalhadores parece retomar o ciclo da crise.
O Sr. Francisco José da Silva é Diretor do STRA, membro do conselho fiscal do sindicato nas duas últimas administrações, tem essa preocupação. Segundo ele, os trabalhos do sindicato nos últimos anos, tem encontrado dificuldades por falta de companheirismo. No seu depoimento ele nos leva a entender que existem problemas que necessitam ser resolvidos no STR com o máximo de urgência, pois a entidade está próxima a uma eleição e muitos trabalhadores não estão satisfeitos com as ações desenvolvidas pela entidade vejamos o que ele afirma:

Filiei no Sindicato por ser uma entidade que ajudava o trabalhador e sempre tive vontade de ajudar o trabalhador, a gente trabalhava um período que eu me dispus, o trabalhador e acho que ajudei bastante os trabalhadores, mais por questão de oportunidade afastei um pouco, hoje vejo que o Sindicato cresceu financeiramente mais no social, no meu ponto de vista ainda deixa a desejar. A assistência para o trabalhador hoje não é igual, na época que a gente iniciou os trabalhos no Sindicato em 2000, hoje muitos trabalhadores estão reclamando da ação do Sindicato.


Para ele, o sindicato está deixando a desejar, principalmente com os trabalhadores do setor sucroalcooleiro. Segundo sua opinião, os trabalhadores não estão mais procurando o sindicato, estão buscando soluções alternativas, como advogados e outros dirigentes sindicais que não estão a frente na direção do sindicato.
O que se vê é que os problemas enfrentados pela direção do STR são de ordem interna, pois as lideranças pensam em política partidária e esquecem da política sindical, dessa forma a preocupação das lideranças é de não deixarem outras lideranças aparecerem.
A direção não tem um planejamento para políticas sindicais trabalhando sempre para resolver problemas imediatos que surgem sem levar em conta a necessidade de programar uma política para melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores rurais.
Outro ponto que deve ser respeitado e levado em conta, é o descumprimento do Código de ética do MSTR, principalmente o artigo a segundo inciso V, que fala sobre a formação de novas lideranças, o artigo 2 inciso VI, que cita a elaboração e construção do desenvolvimento rural sustentável, o inciso VIII do artigo segundo, que fala da reforma agrária , também deixa a desejar o inciso XIII, que fala da questão da mulher no MSTR.
Esses pontos que precisam ser aprimorados pelo STR de Anicuns. É preciso que a direção seja mais flexível para que os trabalhadores possam participar das atividades sindicais.

Diante do número de trabalhadores rurais que possui o município o que se percebe é a necessidade de repensar a forma que as lideranças trabalham, nos últimos anos o STR, teve um grande esforço e segundo as informações do IBGE - 2005, ainda existem mais de 4.000 trabalhadores rurais em Anicuns, no entanto o número de filiados não chega a 20% deste numero e isto é preocupante, pois não se representa uma categoria com uma menoria.
As lideranças sindicais ao serem entrevistadas, nos afirmaram que o STR perdeu um pouco sua função social que é a de representar o trabalhador, diante dessa declaração se observa que na direção não existe um planejamento conjunto, o que faz surgir problemas de comunicação entre as lideranças.















CONSIDERAÇÕES FINAIS


A questão da expansão do capitalismo, sem dúvida, atinge todos os movimentos sociais, o sindicalismo também recebe as influencias é exatamente nessa influência que os trabalhadores se sentem prejudicados.
É necessário que o sindicalismo continue a avançar nas questões sociais, porém sem deixar de lado as ações de politização da categoria representada. Atuar em todas as frentes na busca de solucionar problemas deve ser a meta do sindicato.
Nesse sentido, é preciso reconhecer a importância de todas as atividades laborais defendidas pelo sindicato, mas a atividade desenvolvida na agricultura familiar é sem dúvida uma das atividades que mais chama a atenção da sociedade.
Essa atividade é responsável pela produção de alimentos para consumo interno e a agricultura de grande porte é destinada a exportação, apesar de ter muitos agricultores familiares que também conseguem exportar através de cooperativas. É certo que os produtos de origem familiar em quase toda totalidade se destina ao consumo interno.
Em Anicuns e região, é preciso mostrar que a reforma agrária faz as famílias trabalharem juntas diminuindo o número de desempregados.
Quando se trata do papel sindical frente aos movimentos sociais em Anicuns podemos dizer que a cooperativa de Anicuns é juntamente com associação do projeto de assentamento Ribeirão do Meio são os únicos movimentos sociais efetivos do campo.
É preciso, portanto, que as lideranças e os movimentos sociais lutem juntas para fortalecer o movimento dos trabalhadores. Cada ação desenvolvida na base torna os trabalhadores mais fortes.
Com a nossa exposição textual, podemos concluir que o MSTR está quotidianamente presente no município, ajudando a construir a identidade do sindicato local. Muitos problemas são enfrentados, como podemos observar, as adversidades apresentadas são de ordem pessoal, como as disputas internas entre as lideranças, e devido a grande complexidade política e social do MSTR.
Assim, estudar o sindicalismo é sem dúvida um meio de buscar alternativas para uma melhor qualidade de vida da classe trabalhadora. Sabemos que outros estudos devem ser feitos, detalhando as lacunas aqui deixadas e assim colaborar não só para a construção de um referencial teórico, mas também produzindo resultados que contribuam para organização da categoria estudada.












REFERÊNCIAS



ANTUNES, Ricardo C. O QUE É SINDICALISMO 3ª ed. São Paulo, Brasiliense, 1980.

ANAIS, 8º Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras rurais. Avançar na construção do Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável. Brasília, 2001.
BRANCHER, Paulo César. Plataforma para o desenvolvimento e sindicalismo no Brasil. Brasília, CUT/CONTAG, 1998.
CARVALHO NETO, Antônio e NEVES, Magda de Almeida. O sindicalismo mineiro frente aos desafios dos anos 90. Sociologias [online]. Jul./dez. 2000, no.4 [citado 29 Junho 2006], p.226-257 Disponível na Word Wide Web: http://www.scielo.php?script=sci arttext&pid=S1517- 45222000000200009&Ing=pt&nrm=isso.ISSN 1517-4522.
CONTAG – Confederação Nacional dos trabalhadores na Agricultura. Auto-sustentação do Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais. Brasília, Sindical Gráfica, 1994.
CONTAG. CNTTR (Congresso Nacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais). Documento base. Brasília, 2001.
COSTA, Carla Barroso da. E TORRES, Patrícia Lupion. Org. Cenário Rural. Serviço nacional de Aprendizagem Rural SENAR – Brasília DF 2003.
Discutindo Geografia. Ano 01 N. 06, Escala educacional, MST Conheça as Origens do movimento de luta pela terra. São Paulo, Oceano ind. Gráfica, 2005.
Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça Social. Repartir a Terra Para Multiplicar o pão. Campanha pela emenda constitucional que limita o tamanho da propriedade da terra no Brasil. Goiânia, Visual Gráfica, S/D/P.
FRAGMENTOS de Cultura, V. 14 n.9 set. 2004 instituto de filosofia e teologia/ sociedade goiana de cultura/ universidade católica de Goiás. 2004
GARCIA, Afrânio. A sociologia rural no Brasil: entre escravos do passado e parceiros do futuro. Sociologia.[on-line]. 2003 no.10 [citado 29 de junho 2006], p.154-189. Disponível na Word Wide Web: www.scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1517-452220030006&ing= pt&nrm=isso ISSN 151-4522.
GRAZIANO, Francisco. Qual a reforma agrária?terra pobreza e cidadania. São Paulo, geração editorial, 1996.
JORNAL, da FETAEG. Presidente Lula revoluciona o meio rural. Ano V no. 34 Fevereiro de 2006. p.8.
JORNAL. o Popular, Agronegócio familiar cresce mais que o patronal. Goiânia, Domingo 2 de outubro de 2005. p13 Economia.
LEITE, Márcia De Paula. Trabalho e Sociedade em Transformação. Sociologias. [oline]. Jul./dez. 2000, no.4 [citado em 29 de junho 2006], p.66-87. Disponível na Wold Wide Web: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=s1517-45222000000200004&Ing=pt&nrm=isso. ISSN 1517-4542.
MELO, José Luiz Bica. Fronteiras: da linha imaginária ao campo de conflitos. Sociologias.[online]. Jan. /jun. 2004, no.11 [citado 29 de junho 2006], p.126-146. Disponível na Wold Wide Web: http://www.scielo.br/scielo.php/script=sci_arttext&pid=S1517-45222004000100007&Ing=pt&nrm=isso. ISSN 1517-4522.
MOREIRA, Rui. O espaço agrário capitalista. Formação do espaço agrário brasileiro. 1edição, São Paulo, Brasiliense, 1990.
TEIXEIRA NETO, Antonio et. al. O espaço Goiano. Abordagens geográficas. Goiânia, AGB, 2004.      
OLIVEIRA, Ariovaldo U. A geografia das lutas no campo. Conflitos violência movimentos sociais e resistência a “nova republica” e a reforma agrária. 5 ed. São Paulo, Contexto, 1993.
OLIVEIRA, Mauro Márcio. Pequenos Agricultores e Reforma Agrária, no Brasil. Brasília, Publicação do Autor, 1997.
RIBEIRO, Ana Maria. O Terror e o Tigre Peru, Chile e Reforma Agrária na América Latina. Rio de Janeiro, FASE, 1994.
SANTOS, Milton. Pensando o espaço do homem. 5 ed. São Paulo, EDUSP, 2004.
Secretária do trabalho do Estado de Goiás. A vida da trabalhadora rural e sua organização sindical. Goiânia, Departamento de Assuntos Sindicais, S/D/P.
SILVA, José Gomes. Caindo Por Terra. Crises da Reforma Agrária na Nova República. São Paulo, Busca Vida, 1987.
SILVA, Paula Junqueira. Entre as Lavouras cafeeiras a conquista da terra: territorialidade do assentamento Nova Bom Jardim em Tapira_ Alto Parnaíba – MG. Disseratção de Mestrado. Goiânia 2002.
_____O Cooperativismo no Assentamento Ribeirão do Meio em Anicuns. Projeto de Assentamento Ribeirão do Meio Município de Anicuns – GO. UEG Iporá 2006
SOUZA, Candice Vidal E. A Pátria Geográfica sertão e litoral no pensamento social brasileiro. 1a.ed. Goiânia, UFG. 1997.
UCG, Estudos Humanidades. Movimentos Sociais: Goiânia, v. 30 n. 12 dez. 2003.


Entrevistas:

SILVA, Francisco José. Entrevista sobre o papel do Sindicato de Trabalhadores Rurais de Anicuns. Outubro, 2006.

DAICENA, Olavo. Palestra Sobre o Cooperativismo no Assentamento Ribeirão Do Meio, Entrevista sobre o papel social do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Anicuns. 2006.

BENTO, Eliezer Alves. Entrevista Sobre o histórico do MSTR em Anicuns e o papel do STRA, Frente aos movimentos sociais, Anicuns - 2006

Filho, Argemiro da Silva. Entrevista Sobre o Papel do Sindicato. E os movimentos sociais, Anicuns – 2006

SANTANA, Valdemar Bento de. Entrevista sobre o Papel do Sindicato E os movimentos sociais, Anicuns - 2006.

FILHO, Antônio Lucas. Entrevista sobre as conquistas do sindicalismo no Brasil e os movimentos sociais em Anicuns – 2003.










Biografia:
José Carlos Ribeiro, Separado judicialmente, pai de 2 filhos uma adolescente de 13 anos e um adolescente de 11 anos, tenho 38 anos nascido no municipio de Itaberaí estado de Goias, sou formado em geografia, e tenho especialização em mineração, adoro escrever textos diversos.
Número de vezes que este texto foi lido: 29120


Outros títulos do mesmo autor

Discursos Ano Eleitoral José Carlos Ribeiro
Monografias O Sindicalismo José Carlos Ribeiro

Páginas: Primeira Anterior

Publicações de número 11 até 12 de um total de 12.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2020
 
  Textos mais lidos
Ruim - ANDERSON CARMONA DOMINGUES DE OLIVEIRA 1 Visitas

Páginas: Primeira Anterior