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Talvez,como eu quero morrer
APkov

Resumo:
Uma de minhas breves tentativas de criar um texto, no momento sem começo e sem fim

Como todos os dias, fazia sempre o mesmo caminho da estação até seu trabalho. Ruas movimentadas mas se sentia sozinha no meio da multidão.
Ao redor a multidão começa a correr e a gritar, mas destraída, perdida em pensamentos, nem percebe até um sujeito esbarrar em metade de seu corpo e derruba-la no chão.
Despertou do automático e percebeu que se tratava de um assalto, correu ate uma rua vazia e parou para recuperar o fôlego, seu pulmão não era um dos melhores.
Parou e pensou consigo mesma “Ok Aurora, ok.. você não pode voltar, pensa.. PENSA. Certo, logo a frente tem um shopping, corra para la”
E correndo sem olhar para trás entrou no shopping, sentia uma dor horrível no corpo e só queria se trancar no banheiro, respirar, secar o suor e seguir outro caminho para ir ao trabalho. Chegando ao banheiro certificou de que a porta estava realmente trancada, se encostou na porta e parou para analisar tudo que tinha acontecido, não acreditava no que aconteceu.
Seu coração palpitava no ouvido, o suor escorria, a respiração estava a mil.
-Certo Aurora, relaxa, esta tudo bem, você esta segura ta?Respira -pensou consigo mesma.
Quando foi se acalmando, sentia um frio tomando conta de seu corpo, achou estranho pois fazia 35º naquela tarde. Abaixou a tampa da privada e se sentou, no mesmo instante teve que tampar sua boca para não escapar o grito, quando olhou para o chão estava com sangue, muito sangue, mas da onde veio esse sangue?Pensou.
Tomando coragem foi levantando sua camisa, a pele de sua barriga tinha uma cor estranha e logo perto do umbigo, tinha um corte. Não um simples corte, tinha 9cm..talvez 15cm de largura?E a profundidade?Não fazia ideia, só sabia que estava perdendo muito sangue.
Junto do sangue veio um mix de emoções, medo, tristeza, dor, frio, enjoo, mas a felicidade foi a que tomava conta dela. Felicidade pois contava o dia para isso acontecer, não tomar uma facada de um bandido na rua, mas sim a morte.
Não queria sentir dor, só queria morrer e dar um ponto final nisso tudo, e a morte ja estava ali, vindo ao mesmo tempo que seu sangue ia embora.
-Certo Aurora, você não vai morrer dentro desse banheiro não..
Com a dor, seu amigo veio-lhe na cabeça, era a única pessoa que ela sabia que merecia um Adeus, não podia partir e deixá-lo, fazia semanas que não o via..
Levantou, tirou sua blusa, amarrou em volta do corte, uma tentativa de ter mais tempo. Abriu sua mochila e pegou um casaco preto, vestiu. Limpou o chão que estava com sangue,ainda ficou uma mancha, mas isso em banheiro feminino seria entendido como um acidente, jamais pensariam que alguem teria sido esfaqueada.
Aurora saiu do banheiro, lavou as mãos, o rosto, prendeu o cabelo.
Parecia perfeitamente normal, a não ser pelo rosto super pálido, mas ninguém perceberia.
Se olhando no espelho, sentiu um medo terrível, medo de morrer ali sem ninguém para dizer uma palavra, queria dizer arduamente que amava Mark, seu amigo, queria abraça-lo, se declarar depois de 9 anos de amizade que o amava mais que um irmão e ia fazer isso.
Saiu do shopping e fez uma longa caminhada de 45 minutos, se sentia enjoada, fraca, com muita dor.Queria correr, gritar, chorar, desistir do caminho..mas olhando para frente, logo viu o prédio preto com azul e na varanda, estava ele com sua camisa verde e sua bermuda preta, deitado na cadeira e ouvindo música. Vê-lo ali trouxe um calor, uma força gostosa em seu corpo e seguiu em frente.
Chegando lá, estendeu a mão trêmula no interfone e tocou, ap 202.. nunca amou tanto esses três números e a voz em seguida do toque do interfone:
-Oi, quem é?
Sentiu um aperto no coração, juntou as forças e tentou falar na melhor voz possível
-Ark, é a Aurô, pode abrir?
-Nossa, que voz terrível mulher, sobe que vou chamar uma ambulância. - mal sabia que devia ter feito isso mesmo.
Sorte a minha que é o primeiro andar, subi algumas escadas e logo estava no corredor, e ele lá, sorrindo escorado na porta me esperando.. apertei o passo corri e abracei, seu corpo quente me aquecendo do frio terrível que eu estava sentido, seu cheiro doce me dava um aconchego.
-Nossa, você esta muito gelada, está se sentindo bem?Doente?Gripada? Não vai me dizer que tomou aquelas pílulas para emagrecer que a Luiza estava distruibuindo, eu lhe disse que..
-Mark, não.Estou bem, é que vim correndo e não comi nada ainda é fraqueza de fome sabe?
-Quer que te prepare um sanduíche?A mãe fez compras hoje, tem aquela sua manteiga de amendoim que você tanto ama.
-Pode ser Mark, seria ótimo
Estava me segurando para não chorar, a dor era terrível, sentia minha camisa amarrada ensopada de sangue, quanto tempo a mais eu tenho?É melhor me apressar..
-Aurô, sabe a Rebecca?Lembra que eu disse que gosto dela?
-Lembro - porque você tinha que tocar nesse assunto agora?
-Segui seu conselho e falei com ela, disse que gostava muito dela e queria uma chance. Mas ela começou a me dizer que não podia fazer isso contigo porq você gosta muito de mim, que loucura não?
-Eu gosto de você.. -susurrei
-Então eu disse que não, que foi você quem me deu a ideia, disse para falar com ela, mas ela começou a ficar agitada falando e eu fui e a beijei..e ela me beijou também e ficamos ali um bom tempo, foi maravilhoso Aurora, muito.
Ele colocou o prato com o sanduíche na minha frente, como ele sempre fez.. cortava em varios triângulos e colocava a manteiga de amendoim na borda.. abaixei a cabeça e comecei a chorar.
-Nossa Mark, que ótimo que isso aconteceu, fico muito feliz,era o que você queria não é? Desculpe, estou bem atrasada para trabalhar, so vim de cumprimentar. - me levantei correndo e fui direto a porta, quando abri, senti uma dor terrível e dei um grito que mais parecia um urro de um urso tomando uma paulada na cabeça, mas era só Mark me segurando pela cintura, seus dedos apertando em cheio o corte.
-Meu deus Aurora, o que é isso?O que você tem? - ele olhou para seus dedos e viu sangue.
-AURORA- acho que senti ele levantando minha blusa, vi de relance seu rosto apavorado e seus olhos enchendo e água, em seguida caí no chão.
-O que você fez? O que houve? Como pode vir para minha casa e não ao médico?A quanto tempo você esta assim?Oh Meu Deus..
Não sei se o q eu ouvi foi tudo isso, mas eu me sentia péssima, uma ardência tomando conta de mim, sede, uma sede imensa..medo..
-Me..me desculpe- tentei falar mas acho que gaguejei mais.
-Não fale nada, espere aqui, vou pegar meu celular.
Com minhas poucas energias, apertei seu braço com força
-Não vá Mark, não ligue para ninguém, deixe..
-Deixe?Deixar você morrer?Ah claro, sua idiota, vou fazer isso mesmo - ele se levantou correndo, ouvi varias coisas caindo, talvez ele tenha tropeçado em algo.
Nesses segundos que pareceram horas, eu pensei.. agora Aurora, é agora..
-Pronto, eles estão a caminho, calma meu amor, calma..você vai ficar bem - ele falava entre lágrimas e soluços
-Ark, me escute ta?- me impressionei com minha voz saindo um pouco mais clara.
Sua amizade para mim foi a melhor coisa que eu ja tive,eu..
-Cale a boca, não venha se despedir, não diga essas coisas, por favor
Ele puxou minha cabeça para perto do seu queixo, pude sentir suas lágrimas quentes na minha cabeça e seu corpo tremendo, talvez de medo..continuei
-Me desculpe por isso, mas eu só senti que devia vir te ver, eu queria te ouvir..te sentir.. todos esses anos Mark, você nunca percebeu nada?
-Percebi o que?
-Nada Mark?
-Que somos praticamente irmãos?Eu sei toda sua preocupação comigo e..
-Não, para você eu sou uma amiga, amiga para certos momentos que você precisa..mas para mim, você é meu príncipe encantando..igual da Aurora mesmo sabe?A bela adormecida..eu amo você, sempre amei e vou amar ate meu último segundo aqui tá?Pena que na vida real o beijo não vai poder me acordar.
-Não Aurora, não diga isso, nem pense nisso.. eu amo você, amo, amo.. você é minha princesa Aurora, eu pensava que você poderia não sentir o mesmo por mim,sempre pensei..por isso eu..ah, que droga porque eles não chegam?Precisam te salvar..
Eu estava ali, mas eu já não tinha mais forças para continuar falando, sentia meu coração esmagando, se esforçando para bombear o sangue que não existia mais. O corte já não doía, não sentia mais medo, meu corpo estava frio, uma imensa felicidade tomou conta do meu corpo, estava finalmente indo embora, não ia mais sofrer, não vou mais me sentir sozinha, por favor, continue desligando corpo, continue..
Senti minha boca quente, Mark estava me beijando, me senti mais viva, talvez valesse a pena..eu me levanto, fico em pé ao lado do sofá, olho para o chão e vejo Mark gritando apertando meu corpo perto do dele, nunca me senti tão feliz ao ver que estava morta.


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