Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
VER O PESO DA HISTÓRIA
BENEDITO JOSÉ CARDOSO

Hoje tentei encontrar um marco.
Resolvi sair,
buscar com esperança.
Pois na minha santa ignorância:
Coisa boa iria achar.
Pura fantasia ao primeiro olhar
naquele monumento.

Um ar de espanto,
vou te confessar.
Tomou conta de mim
naquele momento.

A Cabanagem
estava ali tão presente;
mas apagada
bem à minha frente,
se recente de atenção,
para não chorar.

Segui
pela estrada do trem.
Seguindo mais além
o caminho da história.
Um pouco da memória
na próxima estação.
Praça da leitura
sei que iria encontrar.

Na chegada
qual minha surpresa
estava por lá.
O Chapéu do Barata.
Confesso fiquei estático.
Ao ver
o interventor do Pará
tomado pelo descaso;
num espaço
nobre da capital.

Com tanta podridão
que exalava,
abandonado.
Servindo como morada
àqueles moribundos;
sem identidade,
sem noção.
Juro!
Cheguei a passar mal nesta cidade.

Seguindo mais adiante;
o mercado de São Braz .
Com traços arquitetônicos
e influência europeia.
Um passado rico,
hoje tristonho.
A fachada coitada;
pichada,
abandonada,
deteriorada.

Das três lindas peças de Floriano;
inspiradas em elementos neoclássicos.
Resta apenas um vazio negro
do descaso clássico .

À sua frente
o cidadão Lauro Sodré
se assustava;
pensativo,
sentado,
meditando.
Não aguentava mais.

Ao líder republicano
lhe perguntava:
o que estás a pensar ?,
guardava naquela hora
a pergunta que o fez calar.

Caminhando cabisbaixo;
as lágrimas
molhavam a tristeza.
Para não chorar.

Continuei a caminhada
pela antiga estrada.
Passando por Plácido
em Nazaré.
Andando mais um pouco à pé.

Encontrei com Waldemar.
Vi
o quanto estava entristecido
naquele espaço fétido,
mal cuidado
e esquecido.

Ao som do silêncio,
abatido sem dó,
ré mi, fá, sol, lá, si,
se pondo a chorar.
Na pedra do peixe
em frente ao guajará.

Na feira popular do açaí.
Ver o peso da memória;
tanto descaso com a história.
De um pouco que ainda resta
para contar .
À futura geração
um dia poder admirar;
nunca esperei encontrar.


Biografia:
"As obras do artista só têm valor, quando consegue atingir a sensibilidade daqueles que entendem"
Número de vezes que este texto foi lido: 64238


Outros títulos do mesmo autor

Poesias FEITO ARTESÃO BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias GELECA BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Crônicas MUTAÇÃO BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Crônicas MUTAÇÃO BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias PRONOME BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias CRONICA BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias POESIA BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias HEXA BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Cordel CENSURAR, PRA QUÊ ? BENEDITO JOSÉ CARDOSO
Poesias LENTES DO TEMPO BENEDITO JOSÉ CARDOSO

Páginas: Próxima Última

Publicações de número 1 até 10 de um total de 170.


escrita@komedi.com.br © 2026
 
  Textos mais lidos
MEU DENTE CAIU - ELÁDIA CRISTINA TEIXEIRA DOS SANTOS 73374 Visitas
SONHANDO EM ALFA CENTAURO - Luciane Vasconcellos Néglia 69822 Visitas
AA-XVI - Antonio Ayrton Pereira da Silva 69143 Visitas
A RIMA DO REINO ANIMAL - Simone Viçoza 69117 Visitas
O pseudodemocrático prêmio literário Portugal Telecom - R.Roldan-Roldan 69021 Visitas
MENINA - 68886 Visitas
Você nunca vai saber - Roberta Yoshino 68683 Visitas
Tchau Fraldinha - Carina Manuela da Rocha de Oliveira 68443 Visitas
Encontro Holístico Gaúcho - Terezinha Tarcitano 68379 Visitas
O ensino brasileiro na educação básica - Marciana Caciano Damasceno 68167 Visitas

Páginas: Próxima Última