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E cale-se, cale-se, cale-se!
Possível brincar com o rumo certo e expor-se ao ridículo
Que ainda vigora a esperar ainda a respeito,
Gravíssimo
José no seu leito de morte, sorve o azedinho da morte
E a dor no seu peito comove, pelo visível estranho
Sofrer satisfeito com tanto esforço e falta de paz,
Qualquer impossível corrente feita de tudo aquilo
Que possa saber, por querer lançar-se nos braços.
Estranho
José bebe o leite da morte leve na noite,
Pois ele
Não sabe daquilo que tem resposta afinal,
Nem concorda
Com esta ciência sublime,
Nem simplesmente transcende
Alguma, soberba, ou alguma sala vazia; José,
José atrevido, habita em si a exata resposta
Da culpa em si própria,
Enquanto espera diante de si
A mesma desculpa,
Sozinho entre amigos já mortos,
Já morto por entre murmúrios vagos,
Jamais vai poder se
Mover,
Mais alto ou mais longe que a distância de um corpo
Que insiste em sonhar com outonos rosa e em quando era vivo
E a infância se foi, sem sentido,
Há muitíssimos poucos
Instantes.
José no seu leito feito de trapos — flutua,
José no seu ninho de rato (e esquece a jura secreta),
A glória da vida advinda sob as estrelas,
Cuidados
Perdidos, inúteis em alguma prática longa e esquiva,
Realça primeira a face dura,
Depois a coloca
À força naquilo que nunca teve verdade ou memória.
Sentir como parte em sua mão descarnada acusando
Apenas a força escassa,
Novo tesouro oculto
Transpassa, diante de tudo com insistência maior
Que as farsas amáveis dos seres, falso o alarme, constatem,
Terminam a seu lado,
Ausente
Em tudo, embora não diga
Que todas as coisas costumam ser desvendadas no rosto.
Ainda que seja, uma vez ou outra, ao lado da pouca
Lembrança, um dia, o próprio fato primeiro ou o próprio
Viver, sucumbindo à cilada muito indecente de vários
Começos, inúmeras vezes vivo e inúmeras vezes,
José, com seu jeito de morto, canta um pouquinho, sorriso
No canto da boca, não move os lábios, calado, contudo.
José com seu jeito de vivo, dorme e parece que sonha,
Ou fecha os olhos apenas.
Morto e não sabe que está.
Ou finge olhar sem olhar: calado, calado, calado.
Ou mesmo, morrer, por que não? Pois isso acontece, cem vezes
Por dia e se for permitido tudo que possa servir-se
De tal sentimento, traduz-lhe o caos da visão infinita
De tudo que há.
Abre para além da presença do corpo,
Aqueles mil anos de uma vida entrevada, no leito
Em torno de seus pensamentos vãos: Sivananda nos mundos
Simplórios dos vivos,
Enfrenta cães em silêncio e apenas
Porque desiste de si, ainda uma vez nesta vida,
Mais outros dez anos de uma vida elevada à morte
Em torno de monstros, qual vira-lata, que como uma lata
Delata outra lata, é assim; late e late e, depois, late.
E late.
E todo o Hades abre para sempre, às almas, herança
Final nesta terra fortuita.
Longe ainda o bastante
Do sangue e da carne e imóvel entre fantasmas que riem
Da soma dos homens imóveis entre moinhos de vento.
Comuns eles são intrigantes, juntos e um recomeço
Se dá ao chão numa fração a menos que o sol.
Repentino
Destino dos seres humanos, vale saber, só se pode
Viver, vez ou outra, a verdade mesmo.
É o que se conquista
Por meio do homem precário e seu bom mocismo ou cegueira.
José com seus olhos somente, ainda resiste tranquilo
Por meio da fé.
É o José em meio à noite!
Transpira
Por meio do medo.
José em outras palavras, ainda
No mundo, ainda no ar, ainda no chão formidável,
Prefere supor que não seja a última vida, tão como
Esquecem de toda a verdade, este país, tantos anos
Exposto ao perigo até chegar um messias, o herói
Mais forte:
El Cid atado sobre o cavalo, o macabro
José.
Mas é quando se morre a morte de vez, que se fica
Mais próximo à vida real: mais bem explicando, contudo,
De vez, a verdade-verdade mesmo.
A verdade, verdade,
Verdade.
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