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O diabo não tem cara…
suzana zandamela

Ate onde um pai iria por um pedaço de pão para seu próprio estômago?, a resposta chega a arrepiar me, vou narrar a minha historia assim terão certeza que o diabo não tem cara. Sou fruto de um relacionamento que nunca percebe, meu pai grita minha mãe abaixa a cabeça, ele não faz nada para ajuda-la nas despesas e ela dá o melhor prato, ele é violento e ela doce, desde sempre a nossa família tem funcionado assim. Quando a fome começou as necessidades também vieram, meu pai cada vez mais violento, bêbado e mandão e minha mãe cada vez mais submissa aos seus abusos, nunca fomos a escola porque tínhamos que trabalhar na machamba para ajudar a mama a sustentar-nos, com a chegada da adolescência minha irmã estava cada vez mais bonita.
Meu pai sempre que chegava a casa dizia que ela estava pronta para casar, não tardou meu pai trouxe um homem velho, barbudo com hálito do demónio para se casar com a minha irmã, ela chorou, gritou , pediu para que a mãe não a deixa-se ir. Ela Não defendeu a filha apenas disse baixinho que seu pai esta certo.
Minha irmã apenas gritou: Você ajudou-o a matar me…. Desde aquele dia nunca mais a vi sorrir, sempre que a visitava dava para ver seu corpo machucado e o velho barbudo sempre a rir se das moscas que matava ao posarem na baba dele…Em casa minha mãe cada vez mais pálida. Passado alguns meses meu aniversario de 10 anos chegou….No meio da noite minha mãe acordou me e disse fuja, fiquei assustada com atitude dela e comecei a chorar, ela fechou minha boca com a mão e entregou me um bolo de notas e disse..leva isto agora e fuja…desesperada perguntei para onde vou? Apenas me abraçou e disse não quero matar te também. Saí pela janela e corri com todas as minhas forças ….Quando estava distante o suficiente me permite chorar…chorei pela minha irmã, pela minha mãe….quando o sol nasceu percebe que tinha duas escolhas, traçar meu caminho ou ser violentada para sempre, escolhi traçar meu destino, enquanto caminhava percebe que no bolso do meu casaco tinha um pedaço de papel, não sabia ler por isso optei por perguntar a pessoa adulta que por ali passava o que estava escrito….Ela leu e me olhou por alguns minutos..curiosa perguntei a razão …Ela explicou que no pedaço de papel minha mãe contava a nossa historia e pedia para que ajudassem a minha irmã também.
Passado algumas semanas voltei para meu distrito para mostrar a polícia a casa dos meus pais, os vizinhos ficaram assustados quando me viram chegar…A casa estava fechada com aspecto de abandonada, perguntei pela minha mãe..eles disseram que meu pai a matou quando soube da minha fuga… chorei… gritei vocês nunca perceberam que ele a mataria a qualquer dia, nunca responderam ao seu grito de socorro quando era severamente castigada por ele…apenas limitavam se a expiar pela fresta da porta…sem forças ajoelhei de dor…apesar de ser criança sabia que não teria força para sair da escuridão….não sei quanto tempo dormi quando despertei na cama do hospital com minha irmã ao lado tive a certeza que tínhamos vencido..ela estava diferente ..o seu olhar brilhava…o mais espantoso é que ela sorriu…e disse baixinho…ela não nos matou…lutou por nos…naquele momento nos permitimos viver o luto..chorar por ela e ao mesmo tempo agradece-la por ter sido mãe mesmo quando a vida dela dependia disso.

Suzana Zandamela



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