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Aurora.
leonardo lorenzoni vieira

O reflexo do meu espelho não está me refletindo verdadeiramente. Ele não me acompanha. Estou frágil, sensível, me segurando em um galho torto e apodrecido nessa vida. Na coreografia da vida eu sou aquele passo errado, aquele deslize que de salto alto faz estrago. Não estão vendo que o brilho nos meus olhos não é de alegria, é reflexo das lâmpadas incandescente nas lágrimas que estou impedindo de cair. Todos dizem: Seja você. Mas não está dando! Minha alma grita para que eu me permita. Permita-me ser feliz, passar aquele batom novo, que comprei na promoção da farmácia, quando fui comprar aspirina, e comprei, porque achei a cor bonita. Meu reflexo vai se distanciando de mim mesma, quero fugir daqui, sem deixar vestígios. Mas porquê fugir? É pra chamar a atenção e alguém vir atrás? Sinceramente, não sei se quero que alguém venha atrás, minha vida se estacionou de tal forma que não ligo se tiver alguém aqui comigo ou não. O vazio se tornou presente em meus dias, que eu me contento com o que me tornei. Já não sou mais a garota que se arrumar pra sair, até porque não tenho o menor interesse em estar noutro lugar que não seja minha cama. Aqui é seguro, posso ser eu mesma sem que ninguém menospreze a minha dor. Eu vou sofrer aqui, chorar tudo que tenho para chorar, vou chegar ao fundo do poço sem esperar que alguém venha me tirar. Eu aceito as conseqüências de ter me deixado chegar a esse grande nada que está minha vida. Só eu sei das minhas dores. E já nem sei os motivos que me deixaram assim, eu procuro tais razões e não as encontro, sou um ponto branco que ninguém enxerga, e também não quero ser vista, pouco me importa a felicidade que me cerca, eu não quero ver, estou esgotada de sorrisos falsos e de razões mesquinhas, eu quero é ir para algum lugar, onde ninguém me conheça, e que talvez alguém me encontre porque enxerga algo de bonito em mim, pois eu já não vejo há muito tempo.
Aqueles olhos que brilhavam através do espelho a cada amanhecer eu já não procuro ver. Eles estão desgastados, quando os olho sinto medo, só queria me encontrar novamente, ver meu sorriso engrandecer aos poucos ao meu reflexo e poder ter um motivo para sorrir de volta para a vida, pelo menos para agradecer por fazer parte dela. Talvez o tempo me mostre o que eu busco, o que não encontrarei. Mas talvez ele me traga alguém melhor do que sou hoje, talvez ele me traga a vontade de viver, a vontade de sorrir e o desejo de amar

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