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Olá! Se realmente tem alguém lendo, obrigado. De coração, muito obrigado.
Você já se perguntou o que quer da vida?
O que você quer fazer, o que quer sentir, o que quer viver...?
Sabe, eu quero andar de moto pelas estradas sem destino algum. Quero pegar minha Harley Davindson e correr sem destino, apenas, sentindo o vento no meu cabelo.
Não quero ter limites, quero ter uma vida.
Não quero companhia, quero alguém que me ame.
Quero ser livre pra fazer o que eu sentir vontade de fazer na hora que eu quiser fazer.
Quero ouvir minha moto acelerando e o vento batendo no meu rosto.
Me disseram uma vez, que a vida é só uma, que temos que fazer o que desejamos...
Me disseram que meu sonho é inútil, que eu tenho que estudar pra ser alguém.
Me disseram que nada pode ser tão burro quanto o meu sonho.
Eu digo que eu faço o que eu quiser.
Eu quero viver, ter minha Harley, amar, sorrir e morrer.
Não quero ficar preso num lugar o dia todo ouvindo merda de um chefe.
Eu sou meu chefe. Ninguém me manda fazer nada.
Eu quero ter minha garupa ocupada pela minha garota. A garota que realmente me ama.
Se eu já encontrei ela? Claro que sim. Só ela não me encontrou. Esse amor pode levar a minha morte, e acabar com tudo que eu sonho. Mas faria diferença? Seria só menos um humano na terra. O que me mantém vivo, o que me mantém respirando, são meus sonhos. Eles são tudo que eu tenho e tudo que eu mantenho.
Ao menos eles não podem me fazer sofrer, me magoar, me fazer chorar, ou mandar eu me ocupar.
Pense na vida como uma vadia. Uma vadia que diz que fode bem, mas na verdade tudo que ela quer, é pegar seu dinheiro e te matar. Mas toda vadia tem um cafetão. Eu sou o cafetão. Eu sou o cara sem limites, o que não se importa com nada. Apenas sigo meu objetivo.
A vida um dia vai morrer, apesar dos cuidados que eu dou pra ela. A vida já fodeu com muita gente. Ela fode comigo até hoje. E enquanto você tá lendo isso, provavelmente tá me fodendo de novo.
Mas apesar da vida ser uma vadia traiçoeira, ela tem a amiga dela, a noite. A noite é sempre muito curta com suas palavras, ela diz pouco, mas você sente muito. A noite é a melhor amiga que você pode ter, ela é fiel, sincera, e nunca, mas nunca mesmo, vai mentir pra você.
Com a noite você pode conversar, com a noite você pode pensar e acreditar no que quiser. Apesar dela já me ter feito chorar muitas vezes, eu ainda confio nela. Ela é a minha amiga fiel, ela me faz bem até quando me faz mal. Enquanto muitos dão as costas pra a noite, eu fico sempre com ela. Prefiro ela que o seu amigo, Dia. Cara grosseiro, ele é sempre claro, mas te esconde a verdade com a luz dele... Já a noite, a noite sempre me visita sempre, mas ela vai embora muito cedo. Agora imagina, noite, Harley, garupa, vento e liberdade! A equipe que ninguém pode derrubar! A equipe que apesar de ser difícil de juntar, quando eles vêem, não há como ficar triste.
Agora deixando o nosso irmão Sr. Futuro de lado... Eu já te contei a minha história de vida? Não né?
Vou tentar ser breve, pra não ocupar muito seu tempo.
Bom, vamos começar antes do começo. Quando eu ainda era um pequeno sêmen que ganhou a corrida mortal, minha existência foi notada quase dois meses depois. De acordo com a minha mãe, a barriga dela era gigante, as pessoas viam e perguntavam se eram gêmeos. E não ria não, não tem graça! Meu pai insistia que eu era um homem. Já minha mãe, ela dizia que eu era pra ser menina...
Pai 1 X Mãe 0
Antes de eu nascer, meu irmão dizia que meu nome seria "Wily", (sim, com só um L mesmo), Ele tinha um macaquinho de pelúcia com esse nome. Ele tinha só dez anos na época. Então meu pai e minha mãe concordaram. Meses depois, no dia 26 de Junho de 2000, às 5 horas da manhã em São Paulo, na cidade de Jandira, eu nasci. Como eu ocupava muito espaço, eu basicamente tive que nascer de parto Cesário. E quando eu saí... Cara, eu era grande, pesava 4 quilos. Nem precisei receber uma porrada pra chorar, já saí chorando. Minha mãe e meu pai me viram, e viram como eu era gordo, daí confirmaram o nome. Por quê? Ora, por causa do filme, Free Willy, de 1993. Qual nome dar pra seu filho gordo? De uma baleia, é claro!
E eu lá, com poucas horas de vida já sofrendo bullying...
Quando eu fiz 1 ano, já sabia andar, e nesse mesmo ano, meu pai voltou pra a ex mulher dele. Mas calma, não pense que ele é um canalha que me abandonou com minha mãe e meu irmão sozinhos. Como eles não eram casados, foi tudo bem fácil. Minha mãe já tinha passado por uma situação parecida antes com o pai do meu irmão. Então não foi tão difícil pra ela desapegar do meu pai. Com três anos eu entrei pra a escola, uma escola particular bem simples perto da minha casa, lembro que ela se chamava "Ursinho Panda", lá nós usávamos um uniforme com um Panda na camisa branca e um short cinza, todos os dias nós cantávamos uma música, "Comer, comer! Comer, comer! É o melhor para poder crescer!" Eu adorava fazer fila segurando nas costas dos meus colegas e cantar isso. Apesar de ter várias crianças lá, eu só falava com minha prima que era de uma sala diferente. Lá eu não fiz amigos nem nada, naquela época, minha prima era minha única amiga. Lembro até do dia em que ela perdeu um dente comendo pastel de carne. A cara de feliz daquela criança é inesquecível.
Quando eu fiz cinco anos, minha mãe perdeu contato com meu pai. A partir dali, eu não recebia pensão e nem se quer via ele mais. Era minha mãe sozinha cuidado de mim e do meu irmão com o trabalho de doméstica dela. Acha que a história tá ficando dramática? Calma que ainda vai piorar muito.
Com cinco anos eu era uma criança muito agitada. Eu gostava de correr e pular em todos os lugares possíveis. Apesar da minha mãe querer me controlar e me educar 24hrs. A gente morava no fundo da casa da minha prima, minha mãe tinha comprado um terreno lá. Sempre que eu ouvia o som do carro ligando na casa da minha prima, eu corria pra lá e já subia no carro pra ficar no banco de trás com ela e ir pra seja lá onde. E minha mãe brigava muito comigo por causa disso. Até porquê ninguém quer uma criança mal educada entrando no seu carro, não é?
Um certo dia quando eu estava indo pra a igreja com a minha mãe, eu estava correndo brincando de aviãozinho com os braços abertos. Quando eu cheguei na frente da igreja, eu tropecei na escada e caí de boca no chão, eu desmaiei instantaneamente, eu só abri os olhos e vi minha mãe quase chorando querendo me acordar. Depois eu vi luzes, tipo aqueles corredores de hospitais. De acordo com minha mãe, eu caí no chão e cortei a boca, ela disse que saia tanto sangue que parecia que meu fígado tava saindo pelo corte, daí um cara da igreja dela me colocou no fusca dele e me levou com ela pra o hospital. Daí lá fizeram o curativo, e até hoje eu ainda tenho a cicatriz na minha boca...
Agora voltando pra a escola, com cinco anos eu não tinha mais idade pra ficar no Ursinho Panda, eu precisava de uma escola de verdade agora. Foi assim que eu comecei à ir em uma escola do meu bairro ainda, só que mais distante de casa. Lá eu conheci uma garota, linda. Apesar de ter só cinco anos, eu reconheci isso. Eu ia todos os dias na escola e ficava olhando o rosto dela. Ela falou comigo algumas vezes, mas nossa quase amizade não durou muito tempo. E hoje em dia, eu nem se quer lembro do nome ou rosto dela.
Um tempo depois eu viajei pra a Bahia com a minha mãe, lá é a terra natal dela. Lá eu conheci alguns sobrinhos dela, irmãos e a mãe dela. Minha mãe precisava de alguém pra cuidar de mim quando ela fosse trabalhar no novo emprego dela, agora ela trabalhava em uma farmácia, ela começou na área da limpeza lá, com o tempo foi aumentando o cargo. Voltando pra a Bahia, lá minha mãe disse que queria levar uma das sobrinhas dela pra SP pra cuidar de mim. Eu por algum motivo não identificado, escolhi a Niele, ela na época tinha 13 anos. Eu não conseguia pensar em outra pessoa pra ficar comigo à não ser ela. Então beleza, minha mãe levou a Niele com a gente pra São Paulo.
O ano era 2007, minha mãe, eu, meu irmão e a sobrinha da minha mãe na cidade de Itapevi, no fundo da casa da minha prima. A vida tava começando à ficar difícil. Meu irmão já tinha 17 anos, a sobrinha da minha mãe com 13 e eu com 7. Minha mãe era a única que trabalhava, tudo que ela podia fazer pra sustentar a gente, ela fazia com o pequeno salário de 500R$. Minha mãe tinha se inscrito num concurso do governo pra ganhar um apartamento em um bairro melhor, essa era a nossa chance de conseguir sair daquele bairro e mudar de vida. As aulas estavam quase começando, então minha mãe tinha que matricular três pessoas em escolas. Até que um dia uma carta chegou lá, minha mãe abriu e começou à dançar de felicidade, nós tínhamos ganhado o apartamento, já tínhamos ganhado antes, mas um cara pegou a chave de alguma forma ilegal, e ocupou o apartamento antes de nós. Mas agora tava tudo bem, já tínhamos o apartamento pra nós. Fomos no apartamento ver como era e minha mãe já estava levando a mudança junto.
Lembra daquela garota que eu disse? A que era da minha escola! Eu descobri onde ela morava, e essa foi a última vez que eu à vi...
Chegamos no apartamento, com a ajuda de alguns "irmãos" da igreja da minha mãe e do meu irmão. E quando chegamos lá, eu já fui escolhendo meu quarto, e fiquei admirado como era tudo muito branco e tinha piso no chão. Já que nossa antiga casa se quer tinha reboco, o reboco que nós tínhamos era o limo preso na parede.
Agora voltando pra quando eu ainda tinha 1 ano... Minha mãe tinha percebido que eu tinha alguns machucados estranhos que não saiam com o tempo. Ela me levou no médico pra saber o que era, de acordo com o médico, eu nasci com uma doença rara, que o máximo que podíamos fazer, era controlar ela, mas ela só iria embora com o tempo. Quando eu fui pra a Bahia, um médico disse que o nome da doença era "Eczema Crônico", eu passei em VÁRIOS médicos diferentes ao longo do tempo, e todos eles diziam que era essa doença, mas cada um deles recomendavam remédios diferentes. Já cheguei à usar pílulas e pomadas pra isso passar. Todos eles tinham o mesmo efeito, me deixavam melhor da doença, mas ela é incurável. Quando eu voltei pra São Paulo, um médico disse que isso era causado por alergia à cachorros. Eu tinha um cachorro, Spike, ele era macho mas tinha esse nome mesmo, meu irmão que escolheu.
Daí graças aquele filho de uma puta arrombada do médico, minha mãe e meu irmão queriam se livrar do Spike pra melhorar minha doença. Meu irmão tinha um amigo da igreja que se mostrava... "Interessado" pela minha mãe, o nome dele era "Dirceu", e meu irmão meio que shippava eles dois. Ele conhecia um cara de Osasco, uma cidade um tanto longe de Itapevi, esse cara tava interessado em pegar o Spike pra ele. Meu irmão e o Dirceu levaram o Spike até a casa do cara, naquele dia eu chorei muito, eu era só uma criança de 7 anos que tinha que ver seu cachorro indo embora por causa de um erro médico. Eu chorei por dias e dias com saudade dele. Até que um dia ele voltou. Spike correu aproximadamente 22 quilômetros pra voltar pra casa. Spike foi único...
E quando eu pensei que as coisas iriam melhorar com ele de volta, minha mãe e meu irmão arrumaram outro cara pra ficar com ele. Só que dessa vez, ele não voltou mais.
...
Sempre vou lembrar de você, Spike. Sinto sua falta.
...
Voltando pra 2007, mesmo depois de já ter escolhido meu quarto, o Dirceu disse que o quarto que eu tinha escolhido era melhor pra a minha mãe usar, porque ele era mais próximo do banheiro, e minha mãe tem a bexiga curta. Então tudo bem, fiquei com o outro quarto.
As aulas começaram, meu irmão tinha achado um emprego em um supermercado que aceitava menores de idade, minha mãe tinha sido promovida, agora recebia 600R$ por mês (grande diferença), a sobrinha dela cuidava de mim quando não tinha ninguém em casa, e me levava na escola que era bem próxima do apartamento. Lá na escola em conheci uma garota, o nome dela era Luana, ela era loira, tinha olhos verdes, e claro, linda. Novamente eu só tinha ela como amiga na sala, eu e ela éramos a dupla imbatível, nós sempre tirávamos nota "A" em todas as matérias, e nada, nada mesmo que a professora passava conseguia ser difícil pra nós dois. Nossa matéria preferida era matemática, eu aprendi tudo que sei assistindo um desenho animado, chamado "Cyber Chase". Tudo na escola era tão perfeito pra mim, que parecia um paraíso. Eu não queria faltar um dia se quer.
Mas quando eu voltava da escola... O paraíso acabava. A sobrinha da minha mãe tirou minha virgindade quando eu tinha apenas 7 anos. Ela me forçava à fazer tudo que ela mandava, e dizia que se eu falasse algo pra minha mãe ou meu irmão, ela iria matar eles dois com uma faca. Eu só tinha 7 anos, e claro, acreditei.
Em 2008 minha vida realmente começou à ser como é agora. Eu fui separado da sala da Luana, agora eu tinha uma professora má, o nome dela era "Marcia". Ela por algum motivo me perseguia em todas as aulas. Eu não tirava notas melhores que "B" e sentava no fundo da sala, isolado de todos. Eu fiz um amigo novo, o nome dele era "Daniel", ele era minha única razão pra ir na escola naquela época.
Ainda com os abusos da sobrinha da minha mãe, eu cheguei no meu limite e contei pra minha mãe o que a sobrinha dela fazia. Minha mãe mandou ela de volta pra a Bahia, mas ainda tava com sangue nos olhos por causa dela. Parecia que o inferno em casa tinha acabado. Eu ainda era horrível na escola, e tinha medo de ir pra lá. Eu disse o que a Marcia fazia na escola pra a minha mãe, ela falou o que tinha acontecido em casa e a Marcia se justificou dizendo que "Desculpe, Mãe! Eu não sabia disso, eu queria que seu filho produzisse mais! Mas já que você me falou e agora eu sei porque ele é tão fechado, eu vou indicar vocês pra um psicólogo, tá?!" Beleza, a filha da puta deu a pior desculpa que ela podia dar, mas ao menos me mandou pra um psicólogo. Eu comecei a ir em uma psicóloga da prefeitura mesmo, o nome dela era "Luciana", mais conhecida como "Dra. Luciana". Ela era simplesmente incrível, era mais uma amiga do que uma psicóloga. Eu passei quase cinco meses indo falar com ela. Até que um dia ela teve que sair dessa profissão, daí eu fiquei sem psicólogo. Mas acho que eu já tava bem o suficiente. Ou não...
Em 2009 eu precisei mudar de escola, fui pra uma escola mais longe de casa. Nesse ponto da vida eu não tinha mais minha prima Mayara, Daniel, Luana ou a menina do antigo bairro. Agora era uma nova escola, uma nova vida. Lá eu tinha uma professora chamada "Valéria", outra filha da puta. Ela não me perseguia tanto como a Marcia, porque ela era horrível com todos os alunos. Eu conheci um garoto chamado "Eliseu", na base da porrada. A gente brigava na sala quase todos os dias. Eu descia a porrada nele porque meu irmão me ensinava "Aikido" desde os cinco anos. Desde essa época ele me ensinava inglês também. E graças à isso, eu basicamente cresci como um gringo no meu próprio país. Meu irmão e minha mãe trabalhando agora, nós conseguimos comprar nosso primeiro computador. Um da Positivo que tava em promoção nas Casas Bahia. Eu jogava MUITO um jogo chamado "Mundo da Lua" que era exclusivo dos "PCs da Família" da Positivo. Naquela época, era difícil alguém ter internet em casa. Então eu e meu irmão íamos em Lan Houses quase todos os dias. E além de saber falar em inglês e lutar, agora eu tava aprendendo à usar um computador também. Meu irmão fez um trabalho melhor do que meu pai. Ele basicamente foi um pai pra mim.
Lá na escola, eu bati tanto no Eliseu um dia, que tiveram que chamar nossos pais, no caso, nossas mães. E assim minha mãe conheceu a Neide, mãe do Eliseu. A partir daquele dia, eu e o Eliseu virámos melhores amigos. Apesar de eu ter quase enfiado a cara dele na privada;
Todos os dias quando eu levantada pra ir pra a escola, desde 2008, meu irmão me acordava ouvindo Ne-Yo e Michael Jackson. Naquela época, os sucessos eram 50 Cent, Michael Jackson, Ne-Yo, Chris Brown, Akon... E por aí vai. E meu irmão simplesmente amava ouvir esses caras. Agora eu sabia mexer em computadores, falar inglês, lutar e tinha um bom gosto musical.
Em 2010 eu ainda estava na mesma escola, e tinha uma professora que por algum motivo estranho, insistia que nós tínhamos que aprender português porque quando nós fôssemos pra o "estrangeiro" (odeio essa palavra por culpa dela), nós tínhamos que saber falar bem a nossa língua. É bem sem sentido, nem eu nunca entendi. Nesse mesmo ano, teve a copa de futebol, e foi a primeira copa que eu pude lembrar. Tudo nas ruas era verde e amarelo, todo mundo ficava idolatrando o futebol e eu pegando mais raiva dele. Apesar de torcer pra o São Paulo, eu nunca vi um jogo completo na minha vida. Nem se quer o primeiro tempo. Eu ainda estava sem internet em casa, meu irmão saia comigo pra ir em Lan Houses também, mas dessa vez, ele começou a me levar em Osasco, lá a gente passeava, via produtos e brinquedos que a gente sonhava em ter, e como toda pessoa que vai em Osasco, ele me comprava Cachorro-quente. Era sagrado ir em Osasco e comprar isso. Meu irmão novamente sendo um pai pra mim. Apesar de ele ser o mais velho, e normalmente ser chato, no meu caso eu tive sorte de ter um ótimo irmão.
Agora minha mãe trabalhava no turno da tarde até a noite, e nós tínhamos que ir busca-la na Farmácia. Lá eu conheci alguns amigos dela, e um deles, uma moça chamada "Ana", que também é o nome da minha mãe, me levou no McDonalds pela primeira vez. E lá eu ganhei meu primeiro boneco, um boneco do Sherek que tava em lançamento no mês.
No final do ano a mãe da minha mãe ficou doente e a gente foi lá pra cuidar dela. Ela não ficou bem à tempo das férias da minha mãe acabar, então eu e meu irmão ficamos lá. E essa talvez, tenha sido a pior escolha que nós fizemos até hoje.
O ano é 2011, é ano novo, eu e meu irmão tínhamos acabado de fazer nossa primeira viagem de avião na vida. Minha mãe já tinha voltado pra São Paulo pra trabalhar, e nos mandava dinheiro todo mês pra nos ajudar.
Com a mãe dela melhor, nós ficamos lá na Bahia, eu entrei numa escola e conheci pessoas novas. Agora já era 5º série, os modos de notas tinham mudados, agora eram por números, e tinha um professor diferente pra cada matéria. Assim que eu entrei na sala, vi uma garota simplesmente linda. Fiquei distante, não queria falar com estranhos. Conheci três garotos, Ezequias, Gabriel e Daniel. Um dia, após o intervalo, o Daniel colocou uma lixeira em cima da porta, quem entrasse depois disso, iria receber uma lixeira de graça na cabeça. E adivinha quem foi que entrou?! Claro! Ela! A menina linda. E puta merda, quase toda a sala rui dela, eu só fiquei olhando e não fiz nem falei nada. A amiga dela, Bruna, era mais forte que muitos meninos da sala. Ela disse que se descobrisse quem fez isso, iria espancar. Teve um momento em que quase todos saíram da sala, ficaram muito poucas pessoas lá. Dentre elas, eu e a menina. A menina me chamou e me disse o nome dela. O nome dela era Clara. Eu tinha acabado de ter minha primeira paixão. Ela era branquinha, magra, tinha um jeito bem específico de andar, tinha os olhos castanhos, cabelos pretos, e um perfume doce de maracujá. Assim que ela me disse seu nome, ela me perguntou se eu sabia quem tinha colocado a lixeira lá em cima. Eu como um bom amigo neguei 3 vezes que não sabia. Mas não consegui resistir aqueles olhos e aquela voz doce. E acabei falando que foi o Daniel. Mas relaxa. Nada aconteceu com ele. A Bruna se quer tocou o dedo nele.
Após eu ter voltado pra casa, eu vi minha prima, Milena, mascando chiclete. O chiclete tinha o mesmo cheiro do perfume da Clara. Eu perguntei de que sabor era o chiclete, e ela me disse que era de Maracujá. A partir daquele momento, eu queria por tudo achar um perfume igual ao da Clara. E achei, o perfume era o "Echos da Natura" com exatamente o aroma de Maracujá. Eu tenho o frasco desse perfume até hoje, e não uso ele porque o que me atrai é o cheiro da Clara.
Um dia eu conversava com o Ezequias, e ele me disse gostar da Clara. Na hora eu já pensei na que aquela situação iria dar merda. Mas não, ele percebeu que eu era apaixonado por ela, e deixou. Um dia nós começamos à seguir ela até a casa dela todos os dias depois da escola. Sempre ficamos de longe, mas não tinha nada que me agradava mais que aquilo. Na nossa sala tinha um garoto chamado Gustavo, e como todo Gustavo tem que ser, ele era lindo, ele sentava quase do lado da Clara, e falava com ela todos os dias. Eu pensava: "Não posso competir com um loirinho de olhos azuis", mas apesar disso, a Clara tava pouco se fodendo pra ele. Quando tinha atividade em dupla, ele queria fazer com ela, mas ela mesma me chamava. Lembro de cada abraço que ela me dava. Pena não lembrar da voz.
Um dia na sala, a Bruna mandou eu sentar de lado, e como eu não era louco de não obedecer uma menina que tinha força de me partir no meio, eu fiz o que ela mandou. Ela sentou no meu colo e olho pra a minha cara perguntando se tava pesado. Eu falei que não, porque realmente não tava. Daí ela chamou a Clara. Quando a Clara se aproximava de mim, eu ficava nervoso, e o coração acelerava. Mas naquele dia, eu mantive o controle e fiquei calmo. E então, a Clara se aproxima e senta no colo dela. Ela olha pra trás e... E sorri pra mim. Essa é uma das memórias mais nítidas que eu tenho dela. Minha primeira paixão, acho que já era de se esperar.
Fora da escola as coisas não eram tão boas. Eu desde criança me dava bem com a Mayara, nós se quer brigamos uma vez com 15 anos nos conhecendo. Já a Milena, com ela eu brigava todos os dias, nós realmente nunca nos demos bem. Chegou um dia em que a mãe da minha mãe foi passar um tempo com a irmã da minha mãe, esse tempo foi quase 2 meses...
Daí a outra irmã da minha mãe, a mãe da Milena, saiu da casa também, e assim ficou apenas eu e meu irmão sozinhos. Essa foi a pior situação que a gente passou juntos. E graças aos "nossos" parentes, que nos deixaram sozinhos sem se quer dar um apoio. A comida começou à acabar, o dinheiro também, e tudo que nós tínhamos, era um ao outro. Chegou um momento em que nosso almoço, café da manhã e janta era pão doce com água com açúcar. Sim, isso foi tudo que nós tínhamos pra comer durante 2 meses. Minha mãe não podia mandar muito dinheiro por causa das contas em SP, e mesmo se mandasse, a gente precisava comer, não dava pra ficar sempre comendo pão doce com água e açúcar. A partir desse momento, eu comecei à ser quem eu sou agora. Eu fiquei sério, não brincava mais, fiquei mais violento... Teve momentos que eu joguei mesas em pessoas na escola, ou outros que eu bati em 6 garotos ao mesmo tempo. Com tudo fodido em casa, ver a Clara e ir na escola era minha única distração. Até que um dia... Ela teve que mudar de horário, ela começou à estudar de manhã. Eu chorei muito naquele dia. Chorei na sala de aula mesmo. O Ezequias sabia o real motivo, mas disse pra todos que eu tava chorando porquê meu primo tinha ido pra o hospital.
Até que me surgiu uma esperança de ver a Clara. Lá tinha um programa chamado "Mais educação", onde quem estudava de tarde fazia ele de manhã, e quem estudava de manhã, fazia ele de tarde. Fazendo ele você ganhava notas extras e tals... Eu acordava todos os dias 8 horas da manhã com um sorriso no rosto pra ver a Clara... Quando era meu último dia naquele lugar, eu ia voltar pra casa. Eu tentei falar com a Clara, mas, ela... Ela simplesmente não quis ir falar comigo. Nunca soube o real motivo, só sei que nunca pude dizer "adeus" pra ela...
No final de Outubro do mesmo ano, eu finalmente voltei pra casa. Já tinha perdido toda a compaixão que me restava dos meus "parentes", e queria manter distância deles. Eu tinha o perfume da clara comigo, e eu sentia seu cheiro quase todos os dias pra reviver memórias com ela.
Como ainda faltavam dois meses pra o ano acabar, eu ainda precisava ir pra uma escola. Daí minha mãe me colocou numa escola nova em pleno final de ano. Meu primeiro dia já foi com as pessoas me perguntando como era a Bahia. No mesmo dia já fiz dois amigos. Rodrigo e Gabriel. Mas tinham dois "Grabriels" na sala, então esse era mais conhecido como "Lima" por seu sobrenome.
Finalmente internet em casa e o inicio da popularização do Facebook no Brasil. Meu PC antigo sofrendo com o Windows Vista, mas rodando o navegador ainda.
Finalmente 2012, as coisas parecem ter mudado, as músicas atuais já são funk, mas de leve, como o "Cabaré" e "A mina top, capa de revista". Apesar de sequelas do passado, como saudades do Spike, e eu com o perfume da Clara na minha mesa do computador. Em 2012 um garoto novo chegou na sala, o nome dele era Danilo. Ele ficava no fundo da sala e era sempre calado, mas perturbado. Um dia ele começou à empurrar as mesas que ficavam atrás de mim, fazendo eu ficar sem espaço. Eu me irritei uma hora e mandei ele ir se foder e xinguei ele de filho da puta. (Aprendi à xingar na Bahia), ele ria da minha raiva, como se não tivesse medo. Uma hora ele jogou uma bolinha de papel em mim, esperei ele se aproximar pra pegar a bolinha e peguei antes dele. Quando eu fui jogar nele, ele desviou e acabei acertando na garota que estava atrás dele. Ela automaticamente me xingou de filho da puta e ele riu. Ou seja, ele é um filho da puta perturbado. Com o tempo a gente foi conversando e eu fui esquecendo de como aprendi à ser no ano passado, quando eu vi, ele se tornou meu melhor amigo. Ele tinha um Xbox 360, e na Bahia eu jogava muito PS3 e X360 em lan houses. Ele me convida pra ir na casa dele no outro dia depois da escola. Eu falo com a minha mãe e ela deixa. A gente joga GTA IV por horas depois de eu ter jogado há muitos meses atrás. Ele tinha um PS2 e queria vender. Como eu não tinha, eu falei com a minha mãe pra ela comprar. Ele me vendeu por 250R$, e acredite, a gente tava tão pobre que teve que parcelar em 6 vezes com a mãe do Danilo. Mas enfim, comprei meu PS2. E já jogo ele por horas e todos os dias, quase deixando o PC de lado.
Minha mãe começou a vender perfumes para quem ela conhecia. E nisso, ela conheceu uma vizinha do andar de cima e vendia perfumes pra ela também, quem vinha aqui entrar o dinheiro da vizinha era a filha dela. E advinha... Sim, a filha dela era incrivelmente linda e simpática. Eu não falo muito com ela porque fico nervoso. Então ela sempre vem aqui entrar o dinheiro e eu fico sem jeito, apesar de ter uma enorme vontade de falar com ela.
Ainda nesse ano eu criei um Facebook com o nome de "Carl Johnson CJ", eu entendia praticamente tudo sobre GTA San Andreas e outros jogos da saga. Mas eu jogava TODOS os dias o GTA San Andreas online. No Facebook do Carl eu fiz mais amigos do que já fiz na vida real. Lá eu conheci um cara chamado "Skill Park", ele me mostrou o primeiro Metalcore de muitos que eu iria conhecer. Ele me enviou 3 músicas do Asking Alexandria. Sendo elas "A Prophecy, Closure e Reckless & Relentless", eu odiava músicas com gritos na época, mas aquelas três músicas me conquistaram. Eu simplesmente adorei. Depois fui pesquisando músicas do GTA San Andreas e descobri que a música do trailer do jogo era do Guns N' Roses, a Welcome to The Jungle. Depois eu ouvi a Sweet Child O' Mine, e assim fui conhecendo e viciando mais e mais. Nesse momento, eu tava iniciando meu próprio gosto musical.
Um tempo depois na escola, eu conheci a irmã do Lima, Barbara, ou só Babi. Pensei amar ela, pensei que eu gostava dela, e um dia eu enviei uma mensagem pra ela no Facebook falando que à amava. Ela entendeu que depois daquilo, nós éramos namorados. Dois dias depois, eu tava indo na casa da Mayara com minha camisa do Guns N' Roses que ficava gigante em mim por ser tamanho M. E no caminho pra lá, eu passava na frente da casa da Babi. Uma garota me parou na rua quando eu tava em frente a casa dela. A garota me perguntou se eu tinha namorada. Eu como não me lembrava da Babi no momento, disse que não. E o pior, é que a Babi tava bem atrás da menina... Eu em vez de mentir e falar que tava zoando com a cara dela, só disse um "Oi Babi!". E assim eu estraguei meu primeiro quase namoro. Mas talvez tenha sido melhor assim, eu me enganei com meus sentimentos e acabei falando o que não deveria. Ao menos aprendi com meu erro, e me obriguei à pensar mil vezes antes de falar que amo alguém de novo.
Na casa da minha prima, eu ficava repetindo mil vezes a letra da música "Many Men" do 50 Cent, e por conta disso ela me deu o apelido de "Wilyman". Quando eu fui criar uma conta no YouTube, já havia alguém com esse nome, então eu usei o nome de "WilymanII".
Jogando GTA San Andreas Online eu fiz dois melhores amigos, o nome deles eram Wellin e Matheus, ou mathfw5 como era seu nick no jogo.
Bem no final do ano, meu irmão me deu uma camisa de tamanho P do Guns N' Roses. Minha primeira camisa oficial.
E assim acaba 2012, Wily agora é WilymanII, um mini rockeiro aprendendo sobre a música que escuta ainda.
2013 Se inicia, o ano em que tudo realmente iria mudar...
Agora conhecendo mais sobre o rock, eu me declaro um "rockeiro de verdade", agora eu já gosto de bandas como Asking Alexandria, Guns N' Roses, Scorpion, Slipknot e futuramente o Ghost. Ainda com o perfume da Clara na mesa do computador.
Num dia de Sol onde eu usava minha camisa tamanho M do Guns, eu vou sair com meu irmão. E então eu resolvo voltar pra pegar o meu dinheiro também, peço pra ele esperar na portaria, já que eu não iria demorar muito pra voltar. Quando eu volto, vejo uma garota familiar ouvindo música e subindo. Apesar de eu ainda ser tímido, eu parei ela e perguntei se o que ela tava ouvindo era rock, ela me diz que sim e pergunta porque como se esperasse uma crítica. Mas eu falo que é porquê eu também gosto de rock, e então quando ela diz que eu sou foda e manda eu tocar na mão dela, eu lembro quem ela é, a filha da vizinha que trazia o dinheiro pra minha mãe. Apesar de eu reconhece-la, eu não falo nada, e continuo tratando-a como uma completa estranha. Então eu volto pra onde meu irmão estava e vou embora. Quando eu volto pra casa, pergunto pra a minha mãe qual o nome da garota, e ela me diz o nome que se tornaria impossível de esquecer... Thalita é o nome dela. Eu procuro ela no Facebook, eu encontro ela e mando solicitação de amizade, ela aceita, mas como eu sou tímido, deixo quieto por uma semana. Até que um dia eu tomei coragem e mandei uma mensagem com letras árabes dizendo "Eu sinto algo por você", ela fica confusa, e eu digo que é apenas uma brincadeira, que o Carl que ela vê é o vizinho dela, após isso ela pergunta se eu posso sair, eu digo que sim, e pergunto se não é pra ficar lá embaixo com as amigas dela, ela ri e diz que não, ela só precisa ir no mercadinho, ela aparece na minha casa me chamando pra ir no mercadinho com ela. Eu aceito prontamente, sem pensar duas vezes. E cada momento que ela fala, cada detalhe eu eu vejo dela, eu me apaixono mais. E assim se iniciou minha segunda grande paixão. Maior até do que da Clara. Eu sinto que preciso me manter perto da garota, sinto que preciso conversar com ela. Só não sei como eu faria isso.
Ela é magrinha, tem olhos castanhos escuros, uma forma incrivelmente fofa de falar e andar, sua pele é macia e estranhamente agradável pra acariciar, te fazendo ter vontade de abraça-la à todo momento. Ela cheira à algo doce, sua boca é a parte que mais me chama a atenção, quando eu chegava perto dela, e via a boca dela se movimentando à cada palavra, eu tinha uma ENORME vontade de beija-la. Mas quem eu tava pensando que era? Só um babaca de 13 anos que mal sai de casa, querendo conquistar uma garota com traumas de ações de outras pessoas, eu pensei, eu não posso ganhar ela, mas vou tentar, só vou saber se tentar, eu sei que à amo, mas não quero estragar tudo. E bom, eu tentei. Eu era amigo de um garoto, Felipe, que sabia que eu gostava dela... Ele fez de tudo pra estragar a minúscula chance que eu tinha. E conseguiu, no outro dia, eu só via mensagens dela me chamando de falso e coisas assim, apesar de eu não ter feito nada. Apesar dela me odiar, eu ainda à amava. Eu encontrei o perfume que ela usava, comprei e guardei... Onde era o perfume da Clara, agora está o dela. Far Away da Avon. Ela um dia pediu meu colar do Slipknot emprestado por um dia. Eu dei, quando ela devolveu, eu guardei ele num pano pra manter aquele cheiro...
Já na escola, eu tinha feito amizade com Marcos, e com o tempo, Danilo não estava mais sendo o meu melhor amigo, Marcos estava ocupando esse lugar. Marcos falava com uma garota, Elisamara, que falava com uma garota... Ana Julia... Um dia eu entrei na escola com minha camisa do Guns tamanho P, e procurei pelo Marcos, não o encontrei, e fui falar com a Elisamara que estava junto com a Ana. Elisamara disse não saber onde Marcos estava. E quando eu estava quase saindo, A amiga dela, Ana, elogiou minha camisa. E adivinha... Exato, outra paixão. Com a Thalita me odiando, eu queria de alguma forma esquece-la. E qual a melhor forma de esquecer alguém? Se apaixonando de novo, certo? Errado. Como eu achei Ana apenas bonita e simpática, e ainda estava com a Thalita na cabeça, eu fiquei longe da Ana, e comecei à observa-la. Todos os dias na escola, via sua forma de falar, de andar... E a garota era fofa demais.
Em casa as coisas ficaram de mal à pior, comecei a me afastar da minha família, percebi que eu não era mais quem era antes, percebi que eu estava mudando. Então fui aceitando minhas mudanças e me tornando quem eu realmente era;
Um belo dia, eu estava no Facebook inocentemente, e eu vi uma postagem com um cara que parecia um padre, só que ele tinha uma caveira desenhada no rosto. Eu procurei saber quem ele era e descobri. Papa Emeritus II, da banda Ghost. Eu ouvi o Ghost pela primeira vez com a música "Year Zero", a música já começa citando seis demônios diferentes, apesar de eu só ter reconhecido o nome de dois, eu tentei me afastar da música, já que eu era cristão. Mas depois comecei a me questionar... Por que não? Será que isso tudo é real? Se deus é real e justo, por que inocentes morrem? E assim fui pensando, cada vez mais, e me tornei ateu, não tenho limites que religião alguma me impõe, sou livre pra fazer o que eu bem quiser... Dois meses depois, a Thalita voltou à falar comigo, eu expliquei pra ela o que tinha realmente acontecido, e ela me perdoou, no momento eu senti que ainda à amava. Mas também senti que ela não tinha um pingo de sentimento sobre mim. Eu tinha medo de perdê-la de novo, era sempre delicado com minhas palavras. Ou ao menos tentava ser... Um dia eu falei com ela sobre o Ghost, e ela disse que não gostava da banda, já que ela era cristã. Eu disse que era ateu, e... Bom, acho que se você quiser conquistar um cristão, não diga que é ateu. Porque isso sempre vai foder você. SEMPRE. Infelizmente, é a realidade... Enfim, eu pude sentir o desprezo vindo dela no momento exato, e se eu tinha alguma pequena chance com ela, eu perdi toda naquele momento. Sendo que pensando bem, eu nunca tive nenhuma. Ela é incrível demais pra mim. Ela merece coisa BEM melhor.
2014 se inicia, ainda com a Thalita na mente, com seu perfume na minha mesa e dessa vez, com uma internet melhor.
Eu começo a postar vídeos no YouTube, fazendo gameplays.
Eu ainda querendo esquecer a Thalita, conheço uma garota, Amanda. Ela parece legal e eu tento coloca-la em todos os lugares possíveis pra mantê-la na mente e tirar a Thalita de lá. Agora Danilo voltou à ser meu melhor amigo, disparado entre todos eles. Thalita me deixou na friendzone, e eu entendo bem o porquê. No meio do Ano eu começo a assistir gameplays de um jogo chamado Beyond Two Souls no canal do excelenciagamer, por algum motivo místico, eu vejo a protagonista e começo a procurar coisas insanamente sobre ela. Descubro que a protagonista do jogo existe, o nome dela é Ellen Page. Ellen é linda pra caralho, tem 1,55 de altura e é fofa. Descubro que ela é atriz, e começo à assistir filmes dela. Depois começo à baixar wallpapers dela e entro em fan clubs... Ela tem minha total admiração. Depois de descobrir que ela é lésbica, eu magicamente perco todo o meu preconceito, e abro minha mente. E se um dia eu virar ator mesmo, nas entrevistas que perguntarem em quem eu me baseio, ou admiro, vou dizer que é a Ellen Page, Al Pacino e Leonardo DiCaprio.
Um dia depois da aula, eu e o Danilo fomos na escola ficar olhando o por do Sol. Enquanto estávamos em cima da muro olhando, nós falamos um pra o outro "Mano, eu quero ter uma namorada, cara..." Parece que o Por do Sol é mágico.
Já em outubro, dia 15, eu começo à namorar com a Amanda. Ela um um perfil fake como o meu, o nome dela era Amanda Auditore. Com o sobrenome do protagonista do Assassin's Creed II, Ezio Auditore da Firenze.
Eu tinha acabado de iniciar o meu primeiro namoro e nem tinha me dado conta. Quando a Thalita soube, ela demonstrou ciúmes, apesar dela nunca admitir que é ciúmes, ficou bem na cara. Como ela me deixou na friendzone, e era minha melhor amiga, pensei que ela fosse ficar feliz, ou não dar a mínima. Um tempo depois eu conheci a Kat, amiga da Amanda. Kat parece inocente e legal. Começo à dar atenção pra ela. Meu namoro com a Amanda parece perfeito, apesar dela morar muito longe... Mas eu demonstro amar ela e tudo que ela responde é quase um "Obrigado!", mas tudo bem.
Eu à amo.
É isso que importa, né?
Não.
O que é um namoro sem os dois se amarem?
Não é um namoro.
Um dia minha conta do CJ foi bloqueada pelo Facebook. Eu tinha um jogo no celular, do Assassin's Creed III, eu baixei o jogo só pra entender da história, já que a Amanda era tão apaixonada por essa saga. Eu adorei o personagem Connor Kenway. Ele é frio, é rápido, bom de luta e tem uma roupa muito foda. Então eu criei o Facebook com o nome de "Wily Kenway", mas eu já tava cheio desse nome. Se você lembra o porquê eu tenho esse nome, vai entender o porquê eu odeio esse nome. Então mudei pra Connor Kenway. Adicionei a Amanda e todos os outros amigos importantes que eu tinha. A partir daquele momento, meu nome era Connor. Pra todos que me conhecessem. E assim faço pra todo mundo novo que conheço. Meu nome é C O N N O R ! E nunca, mas nunca tente me chamar pelo outro nome.
No meio do ano, a Thalita veio aqui em casa e me apresentou uma amiga, quase meia irmã dela. O nome dela era Bianca. De acordo com a Thalita, a Bianca entendia de jogos e gostava do YouTube, assim como eu. Eu vi uma nova amizade na Bianca. Então nós descemos pra jogar vôlei. Nós ficávamos conversando até ficar de noite, e sempre que a Thalita se afastava um pouco, pra conversar com as amigas delas, eu e a Bianca ficava conversando sobre qualquer coisa. Sempre foi uma amizade bem distante. Mas mesmo assim a Thalita não gostava quando ficávamos sozinhos.
Um tempo depois, o Danilo veio dormir aqui em casa, a gente tava zoando tudo aqui, brincando e ouvindo música, até que uma hora, eu liguei o aspirador de pó, que deu curto nas tomadas do quarto e queimou o PC...
No meio do ano, minha mãe tinha se casado, um cara da igreja, que de acordo com ela, "deus confirmou", tá beleza. O cara se chama Flávio, parece ser legal no começo, mas uma semana depois de casado, já começou a demonstrar que é um bosta. O cara é um completo idiota infantil. Ele se quer merece estar aqui de tão filho da puta que é.
Mas meu irmão se casou também, no começo do ano, a mulher dele se chama Luana. E eles já fizeram uma filha na lua de mel. Nome dela é Nayana...
É fim de ano, Danilo me chamou pra passar o final do ano na casa do vô dele, em Mongaguá, eu aceito, mesmo sabendo que lá não terá conexão com a internet e que vou ficar distante da Amanda e da Thalita. Assim que eu chego na casa do vô dele, meu celular toca com uma mensagem da Amanda dizendo "sdds"... Eu também senti saudades, Amanda. Até mesmo quando você estava perto, parecia que não estava.
Não se passa um dia que eu não esteja com saudade da Amanda, não tem um minuto que eu não pare de pensar nela. Agora eu apeguei, realmente amo a Amanda.
Quando eu volto, vou imediatamente tentar falar com a Amanda. Mas parece que pra ela, não faz diferença eu estar lá ou não. De alguma forma, eu senti que ela tinha alguém mais importante pra ela. Senti que ela não me queria mais.
Então deixei o tempo passar pra ver se ela sentia minha falta...
Ela não sentiu.
Resumo, de 2013 pra cá, as coisas ficaram cada vez piores. E ainda vai piorar mais.
2014 foi um ano de descobertas pra mim. Uma das únicas coisas que era legal fazer mesmo, era sair com meu irmão e a mulher dele, em 2014 nós fomos pra muitos lugares de noite. E não tem nada que me faça me sentir mais vivo que a amiga noite.
2015 chegou já se mostrando como um primo tarado. Bem no primeiro dia do ano, eu estou de volta da casa do vô do Danilo, e eu vou na casa de um amigo meu. Juan (J mexicano, ou seja, Ruan), lá eu vejo a Mayara, que agora só vem uma ver por ano, porquê ela está morando na Bahia, e passa as férias da escola aqui. Quando eu chego lá, já conheço uma amiga dela, Thamires, ela insiste que eu gosto de anime gay, e diz que eu tenho cara de quem curte isso. Apesar de eu falar que nunca se quer tinha assistido um anime desse, ela dizia que eu gostava... algumas horas depois, na casa da Mayara, ela disse que se eu e o Juan se beijar, ela deixaria nós beijarmos ela também. Eu e o Juan claro, queríamos mais que um beijinho. Nosso trato era, nós iríamos nos beijar, mas um selinho bem rápido. Se ela fosse liberar pra nós dois. Você sabe o que queríamos que ela liberasse, né? e.e
Mesmo depois de horas de conversa, nós não chegamos em acordo algum. Então fomos pra a sala assistir filme. Até aí tudo bem. Só que a Thamires olhava pra eu e o Juan te uma forma... Estranha. Juan se aproximou dela e ficou do lado. Ela começou à passar a mão na minha perna, e eu tentando me afastar por causa da Amanda. Daí quando eu olho pra o outro lado, ela tá lá pegando no... No pênis do Juan (Eu tô rindo muito disso). Eu não fazia nada, já que tava namorando com a Amanda. Só queria afastar a Thamires, porque, bom, tava foda. Ou tava quase virando uma. Então chega as 18 horas, e eu vou pra casa.
Meu namoro tava indo por água abaixo mesmo, Amanda não se importava mais comigo, não dizia mais que me amava, parecia mais que era minha amiga. Ela tava diferente... Pessoas vão, e com elas, vão seus sentimentos também.
Lembra da Kat, amiga dela? Então, eu tava cada vez mais próximo da Kat, e tava vendo um futuro namoro já. Ainda querendo esquecer a Thalita, e meu namoro indo embora... Eu pensei, por que não?
Eu deveria ter pensado em uma resposta pra isso também. Terminei com a Amanda no dia 15 de janeiro, exatamente no nosso aniversário de três meses de namoro. Eu ainda tinha em mente, se ela disser que quer uma segunda chance, é porque ela me ama, se ela lembrar do nosso aniversário, ela ainda me ama...
Ela não fez nenhum dos dois.
Certo, eu tava magoado por ela apenas ter respondido um "ué ;-;"
E nem se quer dizer algo sobre.
Então, pedi a Kat em namoro, quase cinco minutos depois. E esse foi mais outro GRANDE erro. Você deve estar pensando agora que eu fui insensível, não é? Naquele momento, eu não tinha sentimento algum. E mesmo assim, cometi o erro de dizer novamente que eu a amava. Dois erros em um dia só, por que não errar mais?
Um dia o Danilo disse que ia na minha casa às 13hrs. Eram 13hrs e eu estava ansioso. Então o que eu fiz? Fui na casa dele. Quando cheguei lá, ele tava dormindo. Eu fiquei cerca de 15 minutos sentado na cadeira do PC dele, esperando ele acordar. Ele acordou e ainda zoou, dizendo "Ué, eu disse que ia na sua casa e acabou você vindo aqui".
Ele se arrumou, tomou café da manhã, e jogamos um pouco. Daí fomos no meu prédio, a gente zoou um pouco, tentou fazer um parkour meio fail, mas tentamos. Ele me disse que tinha comprado um celular melhor, e agora tinha dois, então o que ele tinha antes, ele iria me dar, porque ele sabia que meu celular apesar de ser smartphone, não tinha Wi-Fi. E depois ele disse que precisava ir no centro. Daí eu fui com ele.
Na volta, ele citou o celular novamente e disse pra eu já passar na casa dele pra pegar. Então lá fomos nós, eu peguei o celular e fui pra casa. Na hora já instalei o que eu precisava e comecei à usar o Wi-Fi pra conversar com a Kat.
A Thalita nunca gostou da Kat, ou de qualquer outra amiga que eu tivesse, algumas pessoas diziam que ela gostava de mim, mas eu acho que ela só tinha medo de perder o lugar como melhor amiga. Mal sabia ela que ninguém poderia substitui-la. A personalidade da Thalita era inigualável, ela é explosiva, bate em tudo e todos, grita com tudo e todos, mas não se engane. Ela é a amiga que mais vai te ajudar quando você precisar. Apesar de ser grossa, ela também poderia ser carinhosa. E isso ao mesmo tempo. Quando o Danilo brincava sobre nós dois namorarmos, ela dizia algo como "Não acho que isso vá acontecer". Mal sabe ela que eu posso ser um bom namorado também. Ela nunca vai me ver dessa forma. Então antes que você comece à shippar nós dois, sinto em estragar sua esperança.
Um dia eu não tinha nada pra fazer, então fui pra o YouTuber ver vídeos. Lá eu tinha encontrado um jogo chamado "Life is Strange" no canal do LuckySalamand3r. Eu assisti o primeiro episódio e achei a trilha sonora dele foda. Procurei as músicas que tocavam nele e baixei no celular. A banda principal era a Syd Matters. Amei cada música que baixei.
E assim minha vida foi indo, ouvindo Syd Matters todos os dias e deitado na cama conversando com a Kat.
Lembra do Cassio, o dono da loja de rock? Então, ele foi mudando de endereço em 2014. Mudando e mudando, até que no começo de 2015 ele me disse que ia fechar a loja...
Não tinha notícia pior pra mim do que essa. Não tinha nada que eu pudesse fazer. Apenas aceitar. E assim perdi um amigo. Sempre que eu tinha dinheiro, eu ia na loja dele pra me distrair. Já teve momentos em que eu ia lá só pra conversar mesmo, chegava lá às 14hrs e só ia embora às 20hrs. Eu vivia a melhor época da minha vida e nem percebia.
Eu tinha a Amanda, a Thalita, o Danilo e o Cassio. Eram meus amigos, os melhores que eu poderia ter, os melhores que eu poderia querer.
Muitas vezes, eu ia pra a casa do meu irmão, eu lembro de passar debaixo das folhas molhadas das árvores. Lembro de senti o vento no meu rosto e a noite em cima de mim, ouvindo sempre Evanescence, Ghost ou Slipknot... Eu era feliz e não sabia. Fui feliz e não sabia.
Cassio tinha ido embora, eu não tinha mais motivos pra sair de casa.
Agora quando eu voltava pra casa, era só eu e a Kat. E foi assim durante quatro meses. Apesar de eu estar namorando a melhor amiga da Amanda, ela nunca deu a mínima. Ela nunca me amou, eu acreditei em algo que não era real.
Era maio, minha mãe finalmente comprou um computador novo pra mim. Agora eu não precisava mais esperar ficar de madrugada pra usar o PC do meu irmão. Eu abri meu Facebook, e estava CHEIO de notificações e solicitações. Eu aceitei todas as solicitações que eu tinha. Dentre elas, uma garota chamada Fernanda Scarlet e outra chamada... Ana... Ana Luisa Lins.
E falando em Ana, eu ainda observava a Ana Julia na escola. Mas mantive distância.
A Fernanda veio falar comigo, já chegou me chamando de gato, lindo, gostoso... Ela se referia ao Connor do Assassin's Creed. Eu apenas entrei na brincadeira. Ela me chamava de "amor", mas era só a forma dela de chamar as pessoas. Ela chama todo mundo assim. Com os passar do tempo, ela me passou músicas de bandas como Arctic Monkeys, Gotye, Lana Del Rey, Lucy Rose, Youth, Katatonia, etc... Scarlet tem um ótimo bom gosto pra música. Principalmente musica sad. Se quiser ficar triste só ouvindo música, fale com a Scarlet, ela vai te dar uma depressão de presente. Com o tempo a Scarlet tinha virado minha melhor amiga também. A quando eu falava da Scarlet pra a Thalita, a Thalita mostrava quase ter vontade de matar eu e a Scarlet juntos. Com ciúmes novamente, mas claro, apenas medo de perder o lugar de melhor amiga. A Thalita não tinha muitos amigos, e os que tinham, deixavam ela, ou brigavam por algo sempre. Eu fui um dos poucos que apesar de brigar umas quatro vezes, sempre voltava. Não era um simples amizade.
Na escola eu me tornei o cara que eu deveria ter sido desde os 11 anos, se olhassem errado pra a minha cara, eu descia a porrada. Eu não era brigão, um soco era o suficiente pra deixar as pessoas com medo. Eu era sério, eu ficava no fundo da sala de cabeça baixa e não sorria por nada. Nesse ponto, eu já tava cansado de deixar me zoarem, depois de todas essas decepções, era minha hora de causar. Já comecei o ano jogando cadeira em babacas que tentavam mexer comigo. As pessoas tinham medo de mim. E medo leva ao respeito.
Eu tinha um namoro de mentira, perdi amigos e pessoas que eu amava... Eu não tava feliz.
Quando eu chegava em casa, eu só queria ouvir música e chorar.
Lembra da Ana Luisa? Então, eu vi que ela gostava daquele jogo, Life is Strange. Daí esse foi meu motivo pra começar a falar com ela. Ela era alegre, escrevia tudo errado de propósito, ela me fazia sorrir quando eu só conseguia chorar. Virou minha amiga. E infelizmente, comecei à ama-la também. Outro grande erro. Pensei em me fixar em apenas uma pessoa. Apesar de eu ter 15 anos e ela 12, eu não dava a mínima. Era um amor, mas dava pra ser alimentado com amizade.
Tempos se passaram, era outubro... Eu resolvo falar com a Ana Julia, lembra? A garota da escola.
Eu encontrei o Facebook dela, e por algum motivo, eu sentia que ela iria ser uma Thalita parte 2. Eu falei isso pra o Danilo, ele disse que a única forma de eu saber era tentando. Eu não queria sofrer como sofri com a Thalita. Mas eu pensei com o coração de novo. Não com a razão. Então eu adicionei ela mas deixei lá, nem se quer dei um oi.
Enquanto isso, a Ana Luisa tinha curtido um vídeo de uma amiga dela, Uma Gabriela. No vídeo a amiga dela dançava a música Lean On. Eu achei foda e mandei solicitação pra ela. Falei com a Ana Luisa, e disse que eu tinha uma pequena quedinha pela Gabriela. Nessa época, como a Ana usava a foto da protagonista do Life is Strange, eu chamava ela de "Max". Quando eu falei o que sentia sobre a Gabriela, a Max me disse uma frase que eu deveria ter me lembrado. Deveria ter escrito em todos os lugares possíveis. "É, eu sei. Todos tem uma quedinha por ela."
...
Um tempo depois, a gente tava conversando sobre um shipp do LiS. O pricefield. Em um post, eu floodei imagens desse shipp. O que de acordo com a Gabriela, era o suficiente pra eu entrar no grupo secreto do Pricefield. Talvez essa tenha sido uma das melhores coisas de 2015. Ela me colocou no grupo. Lá tinha eu, Max, Gabriela, Jess, Mariana e Laís. Minhas novas futuras amigas. Três pessoas pra conhecer. Jess é tipo de pessoa que tem muito o que ensinar pra as pessoas, mas muitas vezes pega muita influência do que falam em páginas em vez de criar sua própria opinião. A Mari é calada, ela é a pessoa com quem eu menos vou conversar. Laís parece legal, mas, não vou conseguir me aproximar dela nem se eu quiser, digamos que eu sou o total contrário dela.
O tempo vai passando e as coisas vão mudando, eu resolvo falar com a Ana Julia, tento conhecer ela. Ela parece bem simpática, gostei de como ela é.
Vou tentar adiantar mais, eu havia terminado com a Kat, chegou o momento em que eu já tava apaixonado pela Ana Julia, a Thalita e a Bianca não estavam mais tão próximas. Scarlet ainda era minha amiga, as meninas do grupo tinham me conhecido melhor, e agora nós éramos amigos de verdade. Ou não.
Eu escondia minha real identidade da Ana Julia, apenas dizia que eu era da escola dela e que observava ela à dois anos. Ela ficou encantada em vez de espantada. Um dia eu resolvi me revelar. Ela parecia não estar decepcionada, o que era uma surpresa pra mim. Cada coisa que aquela garota fazia eu me apaixonava mais. Eu sofria por eu saber que o nosso futuro juntos seria apenas na minha mente. Eu queria estar errado, mas não estava.
Todo dia depois da escola, eu falava com ela no Facebook. Eu tava apaixonado, ela me chamava de príncipe e eu a chamava de princesa. Um olhar diferente dela era o suficiente pra acabar com toda minha esperança. Eu chegava em casa e chorava por horas dentro do meu quarto, eu tinha escrito o nome dela no meu braço... Com uma Lâmina. Eu mostrei pra ela. Ela disse que fazendo isso "eu perdia a moral". Ana 1 x Connor 0.
Um dia ela me perguntou sobre minha religião, eu falei que era ateu. E disse que não gostava muito de falar sobre isso porque tinha perdido amigos por esse motivo. Ela disse que era cristã, e iniciante na igreja. Naquele momento eu já senti que ia perdê-la. Mas continuei conversando.
Como era final de ano, tinha muitos dias sem aula. Eu fiquei alguns dias sem falar com ela. Isso foi o suficiente pra eu sentir vontade de morrer. Eu cortei o pulso, e tomei remédios. Nem um dos dois foi forte o suficiente pra me matar. Ana 2 x Connor 0.
Ela sentiu minha falta e me chamou no Facebook. Me chamou de sumido e perguntou porque eu sumi. Disse que eu tinha tentado me matar, mas não disse o motivo. Ela ficou preocupada, e disse que não era pra eu fazer de novo. Me fez prometer de caveirinha, e por todas elas...
Tempos depois eu estava morrendo de amor por ela. Morrendo literalmente.
Eu pedi ela em namoro.
Ela disse que não, porque a igreja dela não permitia.
...
Eu perdi o controle, soquei portas, paredes tudo que vinha na minha frente, eu soquei. me cortei até não ter mais espaço no meu braço.
Eu estava sofrendo, estava morrendo. Mas quem liga?
Ana 3 x Connor 0.
Eu deixei uma despedida automática no Facebook pra ela. Programei pra ser enviada no momento em que eu já deveria estar morto.
Deixei pra cada um dos meus amigos também.
Eu cortei o pulso em uma posição não possível de costurar. Tomei remédios, e me enforquei. Não tinha como falhar. Mas claro, falhou. A corda soltou do meu pescoço, minha mãe viu que eu não tava bem e me levou no hospital. O atendimento lá tava uma bosta, então em convenci ela de que eu tava bem e queria ir pra casa. Quando cheguei em casa, a Ana Julia respondeu minha mensagem, dizendo que eu deveria conversar com deus, que ele me livraria de tudo. Jess e a Max postaram na minha timeline que estavam preocupadas comigo. Nesse momento eu pensei que tinha visto quem realmente me amava. A Max. Esse tempo todo eu dizia que amava ela, e ela respondia que também me amava, mas será que ela realmente sentia isso por mim?
Depois de eu ter respondido a Ana, ela disse que me viu na rua, me viu com a minha mãe. E pensou que eu tinha inventado tudo pra chamar a atenção dela...
A pior parte de voltar de uma tentativa de suicídio, são as pessoas que acham que você tava brincando.
Apesar de eu suplicar, tentar explicar o que realmente aconteceu, ela não queria acreditar. "Eu não menti pra você, Ana..." Eu nunca menti pra você, princesa.
A Ana Julia me odiava, eu não tinha mais esperança de ela falar comigo. Então eu tentei me matar de novo? Não. Eu já morri. Morri duas vezes. E você não pode matar algo que já está morto. Ana 3 x Connor 1.
O tempo se passou e a Max demonstrava me amar. Mas as coisas estavam ao contrário. Eu era quem sempre dava o ponta pé de inicio. Até porque, eu sempre fui o trouxa que ia atrás delas. O tempo foi passando, por mais que eu quisesse, não teria como esquecer a Ana, ela tava no meu braço. Pela Max eu fui me apaixonando, relembrando o sentimento que eu já sentia no começo do ano.
Nesse meio tempo, eu falei com uma garota chamada Luisa Kurth, ela tinha uma foto de perfil bem antiga. Eu vi que ela não postava nada com uma descrição, ela era sempre silenciosa. Não comentava nada, e não tinha se quer uma foto mostrando o rosto. Mas ela não era fake, ela era real. Ela tinha amigos reais, que falavam que era milagre ela ter a foto de perfil com o próprio rosto, apesar de só conseguir ver o queixo dela. E então eu chamei ela dizendo "Me ensina a ser igual à você?"
Eu esperava que ela fosse ser grosseira ou nada amigável.
Mas como sempre, eu estava errado. Ela foi muito simpática e perguntou do que eu tava falando. Expliquei que era pela forma que ela é, ela sempre era silenciosa e misteriosa. Daí iniciou uma amizade.
Outra amizade que iniciou foi com a Katoka. (Sim, eu quase só tenho amiga mulher). Katoka tem o nome japonês, eu a chamo carinhosamente de Kotoko, ou só Koto. Com o passar do tempo, de dois desconhecidos, viramos melhores amigos que jogava jogos online. Sendo que eu jogava com ela e o Danilo todos os dias.
Meus amigos foram minha distração pra não tentar me matar de novo. Minha família já tinha se perdido em 2013, eles não aceitavam a forma que eu estava ficando, queriam que eu fosse sempre uma criança inocente. E isso eu não podia fazer.
Ainda em 2015, a Bianca que a Thalita tinham brigado, e claro, se afastado. Eu não podia ver nada pior do que aquilo, minhas duas amigas brigando... A Bianca é uma garota fofa, ela é simples, bonita, engraçada, e negativa. Muito negativa mesmo. Se você quiser apoio sobre algo, NÃO PROCURE A BIANCA! Se você quiser se matar, ela será a primeira à te dar a corda. O jeito dela é calmo. Apesar dela ser muito explosiva e mandona, ela conseguia ser calma e explosiva ao mesmo tempo. Ela é o tipo de pessoa que grita falando baixo.
Fez sentido mas não fez. Você entendeu.
Mas a Bianca apesar de ser explosiva, ela nunca, mas NUNCA iria partir pra a porrada com alguém. Ela se quer faz ameaças violentas. Diferente da Thalita, que é sempre muito irritada, ela grita, é desequilibrada... E naquele dia, aquele dia foi horrível. As duas começaram a discutir e... Bam! Do nada elas começaram a brigar. Eu sozinho seria incapaz de separar as duas, então vieram duas amigas da Thalita que já estavam perto pra ajudar. Elas tiraram a Thalita de perto da Bianca, e subiram pra o apartamento da Thalita. Apesar da Thalita ser ciumenta, e ser minha amiga à mais tempo que a Bianca, eu não podia deixar a Bianca lá sozinha. Esse foi um dos únicos momentos em que eu fui piedoso com alguém. A Bianca ficou com três marcas no pescoço, e marcas de sangue. Eu tava com uma jaqueta de couro e uma luva. Enquanto eu tentava acalmar a Bianca, eu também tentava curar os ferimentos dela. Eu parei o sangramento no rosto dela. E depois acalmei ela... A Bianca pode ser negativa, mas ela não iria te deixar na mão se você precisar.
Dias se passaram, a Thalita estava com uma pequena raiva por eu ter ficado próximo da Bianca naquele momento, eu não me arrependi de ter feito isso, já que ela era minha amiga também, e quem tava sangrando era a Bianca, não a Thalita.
E então, um belo dia no Facebook, eu recebo uma solicitação de amizade de uma mulher chamada "Fernanda Souza", a mãe da Bianca. Eu na hora pensei que ela fosse me perguntar sobre o que tinha acontecido ou algo assim. Mas não, ela só queria alguém pra conversar. Assim como a Bianca, a Fernanda também é simpática e legal. Já passei noites conversando com ela.
Um dia ela me chamou pra ir na casa delas. Eu fui lá e no dia tava tendo uma espécie de festa no prédio. Ficamos conversando no apartamento dela até chegar a hora da Fernanda ir trabalhar. Daí eu e a Bianca descemos e ficamos junto com as irmãs mais novas dela, Heloisa e Isadora. Lá nós ficamos conversando até umas 18hrs, a hora de eu ir embora. Infelizmente, a Bianca mora perto de onde é a casa do meu irmão. Então toda vez que eu vou lá, eu lembro de 2014, Amanda, noite, vento, folhas molhadas...
...
Final de ano, ano novo vida nova, né? Não. Eu tinha medo de 2016, desde 2013 as coisas ficaram horríveis pra mim. Em 2015 eu tentei me matar, e em 2016 eu provavelmente iria conseguir.
O final é apenas um novo começo. 2016 chega, Eu não menti pra você Ana. Eu te amo Max, perfume da Thalita, perfume da Clara, Bianca e Fernanda novas melhores amigas, por favor alguém me mata, Koto viciada em BVB, Danilo melhor amigo que se pode ter, saudades Cassio, Ellen Page ainda no meu coração, sério, alguém me mata.
Lembra das meninas do grupo do Pricefield? Então, Eu começo a conversar com a Mari um pouco mais agora. Ela passa por tantos problemas como eu, ouvi musica folk, e tem tendências sociopatas assim como eu. Mari me fala de pessoas que ela não gosta e pede pra eu falar de pessoas que eu também não gosto, nós planejamos a morte de cada uma delas com cada pequeno detalhe pra faze-las sofrerem. Nossa sede de sangue vai longe, desde costurar pedaços de pessoas em outras, até torturar tirando dedo por dedo e dente por dente.
Eu fico excitado só de imaginar.
Eu sinto que amo a Max mais ainda a cada dia que se passa. Mas não quero ter uma segunda Ana ou uma segunda Amanda, então o que eu faço é apenas dizer que à amo, ela diz que também me ama e já era, somos felizes assim.
Até que um dia, uma fonte mais que confiável me diz algo acidentalmente, o assunto nem era esse mas a fonte acabou soltando a informação. A Max sempre espera que eu diga que à amo porque na verdade, ela gosta da Gabriela. Lembra que ela disse, "É, todos tem uma quedinha por ela." Todos mesmo... Quando eu pensei que eu finalmente estava sendo esperto, vejo que tá acontecendo tudo de novo. Então agora como eu tenho cérebro, eu me afasto da Max pra não me apegar como foi com a Ana Julia. Apesar de magoado, eu me afasto.
Me pergunto todos os dias, por que mentiu pra mim, Max?
Agora no grupo Pricefield, as coisas mudaram. Antes eu conversava com a Max, Gabriela e Jess. Agora é Mari e Max.
Mari me chama pra jogar No More Room In Hell na steam, eu baixo a Steam só pra jogar isso, e chamo o Danilo pra jogar comigo também. O jogo roda com muito lag no meu PC, mas lag é algo que eu já tô acostumado mesmo. Eu, Danilo, Mari e Max jogamos uma partida. Mari e Max saem, resta apenas eu e o Danilo, jogamos por horas e dias esse jogo. Nos fazendo até mesmo esquecer do GTA San Andreas Online.
A Fernanda me chama pra ir na casa dela de novo. Eu vou lá, assistimos filme, conversamos por horas e ela me convida pra ir num passeio no Vila Lobos com ela, a Bianca e mais 12 fuckings pessoas. Eu apesar de ser um puta dum antissocial que mal sai de casa, aceito.
18hrs, hora de ir pra casa. Eu vou embora e no caminho passo de novo naquele lugar... 2014, Amanda, noite, vento, folhas molhadas... Eu não escolhi lembrar disso.
Dois dias depois chega o dia de sair. Eu encontro a Fernanda e a Bianca na estação de trem.
Muita, mas muita gente mesmo tava naquele lugar, mesmo assim eu me controlo e imagino que as pessoas não estão lá, está apenas eu, a Fernanda e a Bianca.
Encontramos as 12 pessoas que eram apenas 7, entramos no trem, e encontramos mais um. Agora são 8.
Chegamos no Vila Lobos e começamos a jogar um jogo estranho lá que a Bianca escolheu. Bianca como sempre histérica, só sabia ficar nervosa e gritar com todo mundo. Pena que com aquela voz e expressão, não dá pra sentir medo, tudo que parece é que ela está sendo fofa. Depois de a gente cansar, resolvemos relaxar sem suco de laranja.
Conversamos por bastante tempo, mas nem me aproximo dos amigos da Bianca.
A Bianca tem um ciúmes nível 2000 sobre eu e a mãe dela. Ela por algum motivo acha que a mãe dela fica roubando as amizades dela. E que eu só posso ser amigo dela ou da mãe dela. Sempre que eu e a Fernanda começamos à conversar, eu sinto o olhar da Bianca quase querendo dizer "SEU TRAIDOOOORRRRR", é sinistro, mas ela continua fofa.
Meu dia já tá completo, saí com amigos, brinquei, e zoei muito.
No caminho de volta, a Bianca me provoca perguntando se eu alguma vez já cantei "Comer, comer!" na escola, ela parecia saber disso. De acordo com ela, eu não poderia ter cantando isso e feito fila quando era criança porque eu sou sinistro e tenho um olhar sinistro. Se ela estivesse lendo isso, ela iria entender o porque eu sou sério assim, e sim, eu cantei comer comer sim. Ou talvez ela esteja lendo, vai saber. Onde esse texto vai parar...
Alguns dias depois a Thalita me chama pra ir na casa dela. Faz um certo tempo que a gente não se vê.
Eu vou lá e alguns minutos depois, umas amigas delas aparecem. As garotas me fizeram umas perguntas do tipo:
"Você já gostou da Thalita?" -Sim.
"Você já quis pegar a Thalita?" -Sim.
Quando eu respondi que sim na segunda pergunta... meua migo...
Elas começaram a pular e chamaram a Thalita que tava na cozinha. Já perguntaram pra ela por que a gente nunca se pegou. Daí a Thalita nos deu a seguinte resposta: "Ele é meu melhor amigo, não quero estragar a amizade".
Daí eu te pergunto, como que uma coisa boa pode estragar uma amizade? Não consigo pensar numa resposta lógica pra isso.
Mas tudo bem, Thalita já foi superada, minha friendzone com ela é mais que confirmada. Ela nunca vai entender que eu posso ser um bom namorado.
Voltando pra o meu mundo, cada dia que se passava, eu sentia que amava a Max mais e mais. E eu sabia que isso iria me foder. Mas eu queria estar errado.
Até que chegou o dia em que eu resolvi perguntar pra a Max, se ela realmente me amava ou se ela só respondia que me amava por medo de eu me matar...
Então ela me respondeu... "Amar como um amigo :c"
Acho que eu deveria ter morrido na segunda vez que tentei. Teria evitado muita merda.
Lembra da Luisa? Então, agora estamos mais amigos. Quase melhores amigos já. A Luisa é muito legal e fofa. E fofa. Agora eu já à chamo de Lu, e ela apesar de ser tão misteriosa, eu já consegui fotos dela fazendo cosplay do Zelda. Digo, Link. Ela tem a pele bem branca e os olhos do mesmo forma do dos olhos do Link, é um cosplay perfeito.
E aqui estou eu. Dia 28 de Janeiro de 2016 às 07:26 da manhã escrevendo esse texto. E depois de tudo isso ter acontecido, eu acho que já aprendi. Nunca diga que ama alguém. Nunca ame ninguém. Amor é um sentimento lindo, mas também pode causar sua morte. Muitas vezes quando eu pensei que tinha encontrado minha luz do fim do túnel, eu descobri que era o trem.
É, cara. Tenho apenas 16 anos, mas sinto como se tivesse 30.
Agora é a sua vez, qual é a sua história, qual é o seu sonho?
O meu vai ser sempre o mesmo. A vida diz que fode bem, não é? Eu sou o cafetão, não é? Acho que tá na hora de fazer a vida sofrer depois de todo o prejuízo que ela me deu.
Você pode estar se perguntando o que resta do meu amor, como é que eu estou agora. Bom, eu tô namorando.
Sim, tô namorando. Ela é linda, apesar de ser bem triste e de algumas pessoas rirem ou chorarem quando eu digo seu nome... O nome da minha namorada é Solidão. Eu sou amigo do Morte, e da Tristeza. Acho que tenho um bom futuro com eles.
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