Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
A Origem Oculta
onde tudo se origina
Moisés Gomes de Aquino

Resumo:
Essa estória passasse em na cidade de centrue town, onde os personagem vão presenciar misteriosos acontecimentos, experiências surreais e uma enxoradas de emoções. Embarque neste roteiro enigmático. Obs.: Publiquei uma parte da obra, espero o feedback dos leitores sobre melhorias e prosseguimento com a conclusão do texto.


A ORIGEM OCULTA
Autor: Moisés Gomes de Aquino

Capitulo 01


The Metropolian Museum of History. – 07h35min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.
     The Metropolian Museum of History era o maior museu da cidade de Centrue Town e um dos maiores do Mundo. Famoso por suas peças raras, atraia milhares de turistas todos os anos.
     Aquela noite, no entanto, foi atípica. Devido à manifestação marcada para às 07h00min p.m., do Greenpeace contra a possível aprovação da nova lei de exploração de recursos hídricos que seria apreciada pelos parlamentares. O Museu foi obrigado a fechar suas portas mais cedo, para evitar qualquer tipo de transtorno, graça a sua proximidade ao prédio do Congresso de Centrue Town.
     Dentro do Museu, a equipe de segurança noturna, composta por Canteiros, Chris e Wilson, fazia a patrulha rotineira de todas as noites.
     Canteiros e Chris vistoriavam o setor B e C, respectivamente, enquanto que Wilson, chefe de segurança do Museu, conferia os monitores e ouvia, ao fundo, pelo rádio, o jogo de futebol entre o time local contra o Atlas de Novacaa na sala de segurança.
     Na proporção que inspecionava o setor C, percorrendo os corredores que o compunham, Chris verificava compulsoriamente seu celular, com esperança de receber alguma mensagem de sua noiva Amy, garota com a qual programava se casar na próxima primavera, porém estavam brigados desde a última terça-feira.
     Distraído com suas reflexões, Chris, sem perceber, cruzou por um dos artefatos fosseis que apresentava alterações no recipiente transparente que o revestia, demonstrando aspecto embaçado, o que resultou no surgimento de uma película nebulosa por toda sua área, obstruindo, quase por completo, a visão do objeto protegido.
     Ante o fenômeno que se sucedia no interior do receptáculo, o vidro blindado que o envolvia se enfraqueceu, apresentando rachaduras em sua superfície, fazendo com que a nevoa que o preenchia começasse a escoar por todo corredor Alfa do setor “C”.
     Já perto do elevador, Chris percebeu o elevar repentino da temperatura, circunstância que o fez afrouxar um pouco a grava a qual usava. Acreditou que os aparelhos de ar condicionados que atendiam o setor tivessem se danificado mais uma vez.
     Ansiando para regressar à sala de segurança, para desfrutar do clima fresco que lhe era peculiar, pressionou o botão solicitando a presença do elevador. Enquanto aguardava, Chris observou que o ar que o rodeava estava se escurecendo, afigurando-se a uma fumaça de coloração estranha, tornando-se mais denso, o que imediatamente dificultou sua respiração, fazendo com que começasse a tossir freneticamente.
     Durante esse tempo, na sala de segurança, Wilson, observando pelos monitores, percebeu que a porta dos funcionários, situada no setor “A” que dava acesso aos fundos do museu, estava aberta. Deliberou que um dos faxineiros se esquecera de fechá-la.
     Doravante, Wilson, pelo rádio comunicador, ordenou a Chris que comparecesse ao respectivo local para fechar a referida porta, informando, inclusive, que, pelos monitores, nenhuma movimentação fora do comum foi constatada no setor em questão.
Ao escutar tais ordens, Canteiros, imediatamente, prontificou-se para missão em lugar de Chris, sem que houvesse qualquer tipo de objeção.
     Minutos antes, Canteiros, no piso B, espiando ao seu redor, posicionou-se na lateral da estátua de cera de Abraham Lincoln, ponto cego da câmera de segurança do Museu, evitando, assim, que essa o observasse. Retirou do bolso um pequeno frasco metálico, cujo conteúdo era composto por Uísque, após tomar alguns goles, o guardou.
     Canteiros apresentava certa fraqueza quanto à bebida, por mais que desejasse se livrar deste vício, ainda não tinha encontrado um modo de lograr êxito em sua empreitada.
     Em meio à culpa que o acometia, Canteiros ouviu, pelo rádio comunicador, os dizeres de Wilson a Chris, para que esse providenciasse fechar a porta e averiguar o setor “A”, parte inferior do prédio. Trabalho que se dispôs a realizar.
-x-
     Contornado por aquela inexplicável névoa, Chris, com uma das mãos, pressionou seu nariz e boca, buscando evitar inalar a bruma ali presente, fitou ao seu redor com escopo de descobrir a origem daquele estranho fenômeno, todavia todo o corredor no qual estava já se encontrava tomado, o que impediu a visualização de qualquer coisa.
     Com a respiração ainda mais prejudicada, Chris percebeu sua visão ficar turva, além da fraqueza, repentina, que atingira suas pernas e braços. Inaugurou a rota para deixar o local, ocasião que o fez concluir, pelas suas condições, que não alcançaria a saída de emergência, pois já estava muito debilitado e à distância até essa era de aproximadamente quinze metros.
     Caído ao chão, ouviu-se o sinal sonoro do elevador informando sua chegada, arrastando-se, Chris adentrou neste e, com uma dificuldade extrema, conseguiu acionar o comando para se dirigir ao térreo.
-x-
     Já no setor “A”, Canteiros avistou a porta dos funcionários entre aberta. Após a fechar, virou-se com a intenção de avançar até a sala de segurança.
     Durante o percurso, ao passar pela ala dos artefatos egípcios, avistou o espelho de Cleópatra, ao centro do salão, envolto por uma caixa de vidro blindado sobre um púlpito de mármore preto, peça que sempre chamou sua atenção, ficava, às vezes, minutos a admirando.
     Com intuito de contemplar aquela raridade mais uma vez, parou em frente ao espelho da famosa rainha, quando pode ver o reflexo de um homem desconhecido ao seu detrás.
     Sem se virar, Canteiros buscou com uma das mãos a arma que tinha acoplada ao cinto em sua cintura, contudo, antes que pudesse pega-la, teve seu braço seguro pelo homem.
     - Acho melhor não fazer isso. Não quero te machucar, apenas preciso pegar uma coisa e, até eu a ter em meu poder, vou precisar de você – disse o misterioso homem encostando a arma nas costas de Canteiro.
- Preciso ter acesso ao setor “C” e você ira me ajudar.– continuou.

Capital do Leste, Centrue Town, às 07h55min do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

O céu estava mais estrelado do que o habitual naquela noite. O contraste da luz da lua, das estrelas e das luzes artificiais da imensa metrópole de Centrue Town, conjugados com a canção “nessun dorma” de Pavarotti era o cenário perfeito para uma noite inesquecível, presumiu Sophia Spencer.
     Depois de um dia exaustivo de trabalho na Queen’s University Excellence, Sophia somente queria apreciar um bom vinho a companhia do historiador, Ryan Lemore, que tinha chegado à cidade há cerca três dias.
     O pretexto do encontro era definir os tópicos da palestra que ambos iriam ministrar no dia seguinte, no evento anual dos historiadores contemporâneos marcada para o teatro Louise Carten, mas, na verdade, as intenções de Sophia extrapolavam os assuntos profissionais.
     Separada há mais de um ano, ela acreditava que era hora de se abrir novamente para conhecer novas pessoas e, quem sabe, um novo relacionamento. Lemore lhe pareceu um ótimo começo.
     O jantar estava marcado para às 08h:00min p.m., faltava cinco minutos para o prazo estipulado. Entre olhadas no relógio; goles de vinho e mexidas na fita amarrada em um de seus pulsos, Sophia aguardava o tempo fazer o seu papel, quando ouviu a campainha tocar.
     - É ele – disse ela a si mesma.

The Metropolian Museum of History. – 08h01min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

     Amedrontado pelo episódio vivenciado, Canteiros caminhava a mira da arma do estranho que vinha ao seu detrás.
Mesmo com a tensão da situação, perguntava-se o que tanto interessaria a um criminoso no setor citado, área reservada aos répteis pré-históricos no museu.
     À medida que avançavam, Canteiros percebeu que a direção tomada por eles não se destinava ao setor “C”, mas sim, caminhavam em sentido a sala de segurança. Sem saber mensurar se tal fato lhe era favorável ou não, continuou calcorreando com a esperança de que Wilson e Chris pudessem o salvar.
     Ao chegarem à porta da sala, o homem indicou, apenas com um aceno de cabeça, que Canteiros deveria abri-la.
Antes do termino do giro da maçaneta, Canteiros pensou como que Wilson não percebeu tudo que estava acontecendo ali, até porque, ele tinha visão de toda extensão do Museu por intermédio das câmeras espalhadas por este.
     Quando abriu a porta por completo, o que se viu foi Wilson caído ao chão, morto, com um tiro no peito e o rádio, ao fundo, ainda ligado, transmitindo o jogo de futebol.
     - O quê está acontecendo aqui? - disse o homem irado.
     - Ei, tinha mais alguém aqui com seu amigo, não tinha? Vejo três copos sobre a mesa, onde está o outro guarda? – Perguntou.
     Perplexo, Canteiros estava estático e mudo, apenas mirava Wilson caído ao solo e não esboçava nenhuma reação.
     - Ei, estou falando com você, responda-me ou preferi morrer? – esbravejou o homem.
     - Não, era somente eu e Wilson que fazíamos a vigia está noite. – Respondeu Canteiros com objetivo de salvar Chris ou, quem sabe, ganhar tempo para um possível resgate.
     - Não minta pra mim. Sabe que não está em condição de brincar comigo. – retrucou o homem apontado a arma para Canteiros.

Capital do Leste, Centrue Town, às 08h03min do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

Sophia, ao caminhar em direção à porta, passou em frente ao espelho que ficava na sala, situação que a proporcionou dar uma última conferida no visual. Ao constatar que estava tudo em ordem, continuou a andar até a porta e a abriu.
     - Oi Mrs. Spencer, estou atrasado? - perguntou Lemore.
     - Não, bem na hora. Aliás, como lhe disse antes, pode me chamar só de Sophia – respondeu.
     - Desculpe-me, é à força do hábito.
     - Entre, por favor.
     - Trouxe-lhe uma garrafa de vinho, não sei se era oportuno para um jantar de trabalho, mas decidi trazê-la mesmo assim.
     - Obrigada, vou pegar as taças, pode ficar à vontade, já retorno. – Disse Sophia, deixando Lemore na sala de seu apartamento.
     Enquanto ela se dirigia à cozinha, Ryan Lemore analisava o recinto onde estava atentamente, como se buscasse conhecer a fundo o local.
     Em uma de suas corridas de olhos pela sala, avistou uma foto recente de Sophia ao lado de uma jovem garota sobre o aparador ao canto do cômodo. Caminhou em direção a ela, pegando-a e a fitando como se tentasse visualizar algo além da imagem captada no retrato.
     - Essa é Laura, minha filha. Eu te falei dela ontem – disse Sophia, já retornando a sala.
     - Sim, você comentou comigo sobre ela. Uma bela moça, assim como a mãe.– afirmou Lemore.
     O constrangimento de Sophia era evidente, nem tanto pelo grau do elogio, mas sim por toda expectativa que ela tinha criado sobre esse encontro.
     - Mas que lugar é esse? Deixe-me adivinhar? Tailândia? – Disse Lemure apontando para foto.
     - Como sabe? Não me lembro de ter contado a você sobre minha viagem. - Retrucou Sophia.
     - Não contou, mas pude perceber, ao te conhecer, que você tinha ido para Tailândia recentemente, bem recentemente eu suponho.
     - Como? Perguntou ela instigada.
     - O fio de algodão surrado, amarrado no seu pulso direito, é uma pulseira tailandesa, que é usada para entrar em um templo budista local. Feita para se desgastar e cair ao longo do tempo e, pelo desgaste da sua, assumindo que você toma banho regularmente, diria eu que você a comprou há cerca de 20 dias. – completou Lemure.
     - Impressionante – expressou Sophia.
     - Você está certo, cheguei da Tailândia há duas semanas. Disseram que a pulseira duraria em média 30 dias, mas acredito que irá durar menos, pois está quase se rompendo – acrescentou.

The Metropolian Museum of History. – 08h04min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

     Mesmo sabendo que poderia ser o seu fim, Canteiros manteve sua história, afirmando que somente ele e Wilson faziam a ronda do Museu naquela noite.
     Visivelmente irritado, o homem apontou a arma para Canteiros, dizendo a ele para se posicionar perante a armação de ferro, fixada ao chão, que suportava as prateleiras, situadas atrás do painel dos monitores.
     Canteiro, parado, por um instante, pensou em lutar contra o invasor, mas percebeu que era suicídio, logo decidiu obedecê-lo;
     Chegando ao local indicado, o homem pegou uma algema que trazia em um de seus bolsos e prendeu Canteiros a estrutura. Uma vez certificado que ele não seria mais problema, o invasor postou-se ante os monitores, procurando ver algo que lhe interessava.
     Enquanto o homem observava os vídeos, pode-se ouvir a porta da sala de segurança se trancar pelo lado de fora.
     - O quê está acontecendo? Filho da puta. Trancou-me aqui dentro – disse o invasor, desferindo uma sequência de pontapés contra a porta no intuito de abri-la.

Capital do Leste - Centrue Town. – 08h01min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

     Sophia e Lemore já se encontravam sentados à mesa prontos para iniciar o jantar.
     - A aparência está ótima, assim como o aroma – comentou ele sobre a comida posta a mesa;
     - obrigada, você é muito gentil, mas confesso, não fui eu quem fiz – disse ela sorrindo.
     Entre elogios, começaram a conversar sobre seus respectivos trabalhos.
Ryan Lemore era um dos historiadores mais renomados no que se referia à civilização egípcia, com inúmeros livros publicados e palestras ministradas. Sendo considerada uma grande aquisição da Queen’s University Excellence sua recente contratação.
Por sua vez, Sophia Spencer, arqueóloga e historiadora, especialista nas civilizações ocidentais, mais precisamente os gregos e os romanos, era responsável pelo setor pedagógico da Queen’s University Excellence. Atualmente, voltou-se mais para sua formação arqueológica, sendo convidada, inclusive, para comandar a equipe de pesquisa do Centro Avançado de Estudos dos Repteis da Era Mesozóica de Centrue Town.
Em um momento do dialogo com Lemore, Sophia expressou:
- Tenho muito interesse no seu campo de pesquisa, os egípcios são fascinantes. Acredito que será uma bela e informativa palestra amanhã.
     - Obrigado. Realmente, a história egípcia é fantástica. Há tanta coisa a se descobri sobre essa misteriosa e importante civilização. Mas ainda assim, não é a mais interessante – afirmou Lemore.
     - Ah não! E qual seria então, caro Mr. Lemore. – disse ela com um ar de descontração;
     - Os Sumérios – Respondeu Lemore prontamente.
     Intrigada, rebateu:
     - A civilização Suméria?
     - Sim. A civilização mais antiga de que se têm registros na terra. Datada de aproximadamente 3.500 a.c. - Disse Lemore.
     - Entendo, mas o que os fizeram tão interessantes? – Perguntou Sophia;
     - A civilização Suméria guarda segredos inimagináveis que nós, hoje em dia, nem sonhamos. Aliás, os registros demonstram que as informações por eles apregoadas são extremamente atuais. Muito da modernidade hoje já foi pensado e previsto pelos Sumérios, aspectos como astrologia, química, ciência e física, além do campo da medicina.
     Sophia demonstrava fascínio nas palavras proferidas por Lemore, que continuou dizendo:
     - Olhe – Disse ele aproximando sua cadeira até Paloma para lhe mostrar algo na tela do seu celular.
     - Veja o alinhamento dos planetas e a posição das estrelas de maneira octogonal ao redor da terra. Os dados sumérios relatam que este fenômeno é extremamente raro e de consequências impares para o nosso planeta, pois resulta na sua vulnerabilidade. – Palestrou Lemore.
     Sophia, após ouvir a explicação, indagou:
     - Vulnerabilidade do nosso planeta? Como assim?
     - Sabemos que a vida é um processo circular, como tal, é formada por início e fim, ou melhor, por ciclos, sendo esses ciclos mutáveis, renovam-se de tempos em tempos. Porém, para que possa ocorrer essa renovação, por uma decorrência lógica, o velho cai para o novo surgir, ou, quem sabe, um velho ressurgir, e esse processo só é possível pelos pontos vulneráveis que o ciclo corrente apresenta quando já está preste a ruir, favorecendo o surgimento e prevalência do novo, é isso que pregava os sumérios. – relatou Lemore.
     Em transe com a explicação dada, Spencer questionou:
     - Mas que ciclo seria esse? A vida?
     Neste instante, Lemore, limpando os óculos, disse:
     - Não a vida como conceito universal, mas apenas os seres que a exercem. A vida tem que ser vista além de nós, ela sempre existirá, os seus instrumentos de exercício é que mudam. Nós somos apenas o instrumento do momento para a existência da vida.
     - Então quer dizer, que chegará um dia que sucumbiremos para a existência de outros seres, que passarão ser os titulares da vida? – inquiriu Sophia.
     - Pela regra sim, mas os sumérios acreditavam que essa rotatividade de ciclos, que atualmente somos nós, poderia ser quebrada, ou melhor, fixado em um único ponto, situação que proporcionaria a perpetuação de um exclusivo instrumento para vida, os seres humanos, mas isso é assunto pra outra conversa – Finalizou Lemore.
     Spencer estava encantada com o charme e inteligência que Lemore demonstrava, decidiu, então, saber mais sobre a sua vida pessoal. Quem sabe, algo do seu passado.
     - Mas mudando de assunto, fale-me mais sobre você? Sei que não é casado, mas será que não deixou nenhum amor na sua antiga cidade? – perguntou ela um pouco tímida.
     - Na verdade, fui casado por cinco anos, divorciei-me há cerca de quatro anos. – resumiu Lemore.
     Nitidamente interessada, Sophia insistiu:
- Mas ainda não me respondeu. Deixou alguma paixão em Graysville? – interpelou.
     - Não. O próximo de um relacionamento, se assim podemos chamar, depois do meu divórcio, foi com uma moça, inclusive aqui de Centrue Town, mas a diferença de idade minha e dela era bastante considerável, situação que pesou muito para o nosso rompimento. Além do mais, estou muito envolvido com minha nova pesquisa, acho que iremos fazer descobertas revolucionárias. Relacionamento, no momento, é a última coisa que pretendo – Declarou.
     Sophia não gostou do que ouvira, haja vista que, de certa forma, depositou um pouco de esperança naquele encontro, deslumbrando um possível envolvimento futuro.

MetropolianMuseumofHistory. – 08h04min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.
Depois da tentativa frustrada de abrir a porta da sala, o invasor virou-se e se agachou perante o corpo de Wilson, pegou o rádio comunicador que estava preso ao cinto deste e o levou até Canteiros.
     - Diga ao seu amigo, se ele não abrir essa porta imediatamente você é um homem morto – ordenou.
     Canteiros tentou manter sua afirmação de que somente ele e Wilson faziam a ronda no Museu naquela noite, mas, quando começou a repetir tal história, foi interrompido pelo homem que gritou dizendo:
     - Eu sei que há outra pessoa, vi ela pelos monitores. Sei que é um guarda do Museu, reconheci pelo mesmo uniforme que o seu. Então, faça o que eu estou mandado, antes que enfie uma bala na sua testa.
     Canteiros, apavorado, pegou o rádio comunicador e disse:
     - Chris, por favor, abra a porta, caso contrário, irei morrer – Suplicou.
     Sem resposta ao pedido solicitado, o homem tomou o rádio das mãos de Canteiros e se manifestou:
     - Chris, já que não está me levando a sério, vou dar-lhe uma prévia do que vai acontecer com o seu amigo, caso não abra essa porta agora.
     Nesse momento, o invasor apontou sua arma para Canteiros e disparou contra seu ombro direito.
     O grito de Canteiros se ouviu ao longe.
     - Acho que agora você vai me levar a sério - Disse o homem pelo rádio comunicador.
     - Diga ao seu amigo, que o próximo tiro será na cabeça, caso ele não abra essa porta. – prometeu, ao repassar o rádio a Canteiros.
     - Chris, pelo amor de Deus, eu não posso morrer, minha família depende de mim, abra essa porta. – implorou.
     Mesmo atirando em Canteiros e prometendo lhe matar, nenhuma atitude foi tomada, o que deixou o homem transtornado. Então, em um acesso de fúria, disparou contra o rádio pelo qual, Wilson, mais cedo, escutava o jogo de futebol.
     Perante a situação em que se encontrava, o invasor achou que não tinha mais jeito, acabaria sendo preso. Assim, pegou o telefone celular de seu bolso e começou discá-lo.

Capital do Leste - Centrue Town - 08h04min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

     Ainda digerindo o que acabara de ouvir de Ryan Lemore, Spencer tentava demonstrar naturalidade, mesmo diante de sua iminente frustração.
     Com intuito de desviar o foco da conversa, ela propôs que começassem a discutir os pontos que seriam abordados na palestra do dia seguinte. Porém, antes de iniciar as tratativas, seu celular tocou.
     - Só um minuto - disse ela a Lemore ainda sentada à mesa.
     - Pronto. Spencer, quem fala?
     - Aqui é J.O., estou com problemas, diga a ele que preciso de ajuda, pois se eu cair, levo vocês juntos. – Disse o homem aparentando irritação no seu tom de voz.
     Sem saber sobre o que se tratava, Sophia pensou, em um primeiro momento, que era um trote. Tentou argumentar com o estranho ao telefone, quando a ligação se encerrou.
      Confusa, desligou seu celular e ficou pensativa sobre o que tinha acabado de ouvir.
     - Algo errado? Perguntou Lemore.
     - Acho que sim. Um homem, parecia nervoso e afobado, ligou falando que estava com problemas, que precisava de ajuda e que se ele caísse cairíamos juntos. - Disse ela, que continuou dizendo: ainda fez referência um homem, exigindo que eu avisasse do “problema”. – Finalizou.
- Só pode ser um trote, acha que devo informar à polícia? Perguntou Spencer a Lemore.
     - Sophia, acredito que seja uma brincadeira inoportuna, não se preocupe. Envolver a polícia neste assunto, com grandes chances de ser apenas um trote, não é recomendável. Afinal, se fosse verdade, por que ligariam pra você? Aliás, ele identificou esse terceiro na ligação? – Orientou e questionou.
     Spencer, ainda meio perdida, acenou com a cabeça indicando negação a pergunta a si direcionada.
     - Desculpe-me, mas preciso ir agora, esqueci-me de enviar o formulário ao diretório acadêmico referente à palestra de amanhã e o prazo, como você sabe, é até às 10h30min p.m. de hoje – acrescentou Lemore.
     Sophia, em meio à confusa ligação recebida, acenou com a cabeça que tudo bem. Contudo, era evidente o seu desconforto com o episódio acontecido há pouco.
     - Não se preocupe, vejo que está incomodada com o telefonema, sou amigo do Sargento Tom Veiga, ele trabalha na 24º Seccional da Policia de Centrue Town, ligarei para ele informando o ocorrido. Agora, relaxe, pois o dia amanhã será atarefado. – Terminou Lemore.
     - Obrigada. Desculpe o transtorno. Mas, tem certeza que já vai, ainda nem experimentou a sobremesa – falou ela.
     - Tenho mesmo que ir.
     - Tudo bem. – finalizou Spencer caminhando em direção à porta junto a Lemore.
     Já fora do apartamento, Lemore aproximou seu rosto ao dela e a beijou na bochecha, constrangendo-a por completo.
     - Boa noite, descanse. Adorei o jantar e sua companhia – Disse ele olhando fixamente os olhos dela.
     - Idem – respondeu Sophia, desviando o olhar, nitidamente envergonhada.
     Nesta hora, Lemore se virou e seguiu pelo corredor rumo ao elevador, enquanto Spencer, posta a porta do seu apartamento, acompanhava com os olhos o caminhar firme e apressado daquele homem.
     Uma vez dentro do Elevador, Lemore retirou o celular do bolso é começou a discá-lo.
     - Oi, escute, temos problemas. Encontro você no lugar combinado em 15 minutos.

Metropolian Museum of History - 08h15min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

     Ao desligar o celular, o invasor se sentou na cadeira do controlador dos monitores, apoio seus cotovelos à mesa a sua frente e levou suas mãos a cabeça, parecendo incrédulo.
     Por sua vez, Canteiro se encontrava ajoelhado, algemado, com as mãos estendidas sob seu corpo, gemendo de dor, devido ao tiro que tomara há instantes.
     Mesmo tendo atirado no rádio pelo qual os seguranças ouviam o jogo mais cedo, podia-se ouvir um fraco chiado típico de ondas sonoras. Enfurecido com o aquele som, J.O. chutou os restos do aparelho contra a parede.
     Após extravasar sua raiva, postou-se novamente ante a mesa dos monitores de pé, curvou-se um pouco e colocou suas mãos sobre esta.
     Embora tenha destruído por completamente o rádio, o barulho persistia.
     - Mas que porra de barulho irritante é esse. – esbravejou.
     Nesta hora, Canteiros, que parecia quase perdendo a consciência, disse:
     - Parece o barulho do rádio comunicador, quando há alguma interferência no sinal.
     J.O. buscou o rádio comunicador de Wilson, pelo qual tentaram negociar a saída daquela sala há pouco, porém o barulho não era oriundo dele.
     Intrigado com aquele som, passou a tentar descobrir de onde vinha o sinal. Quando percebeu que sua fonte era de dentro armário que ficava encostado no fundo da sala.
     Ao caminhar em direção ao armário, notou que este estava entre aberto, ressabiado com o que poderia ser, abriu as portas lentamente, mas, como dissera Canteiros, era apenas um dos rádios comunicadores usados pelos seguranças do Museu.
     Antes que pudesse desligá-lo, ouviu-se uma voz masculina grave saindo do rádio:
     - Olá caro amigo – manifestou a voz;
     J.O., imediatamente, supôs que era o guarda que o trancara na sala e retrucou:
     - Olha aqui, você não me conhece, se chamar a polícia ou fizer qualquer coisa que eu entenda prejudicial a mim, seu amigo morre – Disse.
     - Acho que você não entendeu caro J.O., ou devo dizer, Michael Adans. Eu não sou o outro guarda do museu – informou a voz.
     Neste instante, J.O. se assustou, pois não imaginava como alguém poderia saber seu verdadeiro nome, ainda mais porque ninguém se dirigia a ele como Michael Adans desde a infância.
Antes que pudesse reagir, continuou a voz:
     - Deve estar se perguntando como eu sei o seu nome. Sei tudo sobre você. Sei que antes de ser preso, você gostava de assistir jogos de futebol americano no Kate’s bar as quintas à noite, costuma se embebedar junto àqueles seus amigos porcos e voltar para casa, se podemos chamar aquele buraco de casa, carregado. Dorme com prostitutas baratas, além do mais, sei como você é um pai zeloso para pequena Anne – narrou de forma calma.
     Tentando desvendar de quem seria aquela voz, Michael Adans correu até os monitores para vê se descobria algo, no entanto, sem sucesso.
     - Não me interessa quem é você e se sabe meu verdadeiro nome, se diz tanto me conhecer, compreende que não estou sozinho, tenho parceiros que estão a caminho. Pegarei o que vim buscar e se você ousar a me atrapalhar ou tocar na minha filha; eu juro, mato você. – declarou Michael Adans.
     - Não se preocupe, o que viestes buscar já está em meu poder. Agradeço a você por ter me trazido até cetro do faraó Renuscapei. Quanto a sua filha, não pretendo machuca-la - afirmou a voz.
     - Cetro? Pode ficar com o cetro desse faraó de merda – Disse Michael Adans, aliviado, pois o que viera buscar era a Fíbula do Tiranossauro exposta no setor “C”, apesar de não entender ao certo, o que tanto interessaria aos seus contratantes um pedaço de osso de dinossauro.
     - Você não entende né Michael. Acredita mesmo que a pessoa que te contratou, está interessado em um pedaço de osso? – Disse a voz rindo do outro lado.
     Neste instante, Michael Adans retrucou:
     - Como sabe o que estou buscando?
     - Já lhe disse, sei tudo sobre você, o que você faz e o que você pensa. O osso a que viestes buscar é o cetro do faraó Renuscapei e este é de muita valia para mim – finalizou a voz.
     Enfurecido pela impotência que lhe era acometida pela situação, Michael Adans cerrou os punhos e socou a mesa a sua frente.
      - Gosto de você Mr. Michael, seu comprometimento, sua força e seu temperamento serão muito valiosos para mim, portanto não irá morrer esta noite – Finalizou.
     Ao terminar, a misteriosa voz, de proferir tais palavras, Michael Adans foi imobilizado pelo pescoço, com uma gravata de força sub-humana, sentiu esmagar toda extensão desta, antes de desfalecer.
     Canteiros, algemado, estava praticamente desmaiado, quando ouviu o cair dos objetos que Adans derrubou no desespero de tentar se desvencilhar do seu agressor, circunstância que o fez mirar o que estava acontecendo.
     - Você? Mas....Como pode ser, Dios Mio – Disse Canteiros, incrédulo, ao visualizar Wilson, de pé, a sua frente.
     Nesta hora, Wilson soltou Michael Adans no chão e caminhou em direção a Canteiros que continuava dizendo.
     - Graças a Deus, achei que você tinha morrido. Por um instante, pensei que morreria também – Dizia Canteiros, quando Wilson, aproximando-se, já quase encostando a boca em seu ouvido, sussurrou:
     - Quem disse que estou vivo e que você não vai morrer está noite?
     Canteiros, a princípio, repreendeu Wilson:
     - Pare de brincadeira, estou ferido, perdi muito sangue e (....)
     Antes do término da frase, Canteiros percebeu o olhar macabro e perturbador de Wilson, sentiu todo seu corpo se estremecer e seus sentidos aguçarem, como tivesse se o conectado a um cabo de alta tensão.
     - O que aconteceu com você, Wilson – Perguntou Canteiros atormentado.
     Sem responder, Wilson colocou suas mãos sobre o estomago de Canteiros e o olhou no fundo dos olhos e disse.
     - Isso é o começo de tudo, sinta-se privilegiado por participar, caro amigo.
     Ouviu-se um único grito seco e curto de Canteiros saindo da sala de segurança.
_________________________________________________

Centrue Town - 23h03min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

Após um banho relaxante, Sophia se encontrava pronta para se deitar, mas ainda estava preocupada com Laura que havia saído com Grace, sua amiga, e até àquela hora não tinha voltado para casa. Pensou em ligar para filha, entretanto, decidiu esperar mais um pouco.
Spencer, no seu ritual noturno, sentou-se na cama, ligou a televisão, abaixou o volume quase por completo, colocou no canal de notícias, BBC News, e começou a ler alguns relatórios.
Em uma de suas espiadelas rápidas a televisão, viu algo que lhe chamou a atenção. Logo, pegou o controle e aumentou o volume para ouvir sobre o que se tratava.
A repórter da TV dizia.
- Estou em frente The Metropolian Museum of History, no centro de Centrue Town, onde a polícia, há pouco, atendendo ao sinal do alarme de segurança do Museu, confirmou a ocorrência de um roubo. Ainda não sabemos qual objeto foi roubado. Informações não oficiais dizem que há uma pessoa morta no local, seria um dos guardas do Museu. Estamos esperando o pronunciamento do comissário Willian Bruce, que já se encontra aqui presente, sobre o caso. Daqui a pouco voltaremos, ao vivo, com mais informações. - Relatou a repórter
Sophia conhecia muito bem o comissário Willian Bruce, ele era o melhor amigo de seu ex-marido, Maxilim Moser, e, por conseqüência, freqüentemente os visitavam.
Willian Bruce Terceiro era casado com Katherine e tinha dois filhos, Virgil e Meggie, havia virado comissário há menos de um ano, condecorado por sua valentia e comprometimento, estava prestando um satisfatório serviço ao povo de Centrue Town.
     Pela TV, Spencer observou que Bruce estava preste a falar, o que a fez redobrar a atenção.
     - Caros cidadãos de Centrue Town, venho até vocês está noite informar que o nosso grandioso Museu, The Metropolian Museum of History, foi violado. Nós, do departamento de polícia de Centrue Town, estamos tomando todas as atitudes necessárias para a solução rápida deste caso. É com muito pesar que informo que o Mr. Canteiros Albana, um dos guardas do Museu, foi morto por esses criminosos. – Disse William Bruce aos Jornalistas.
     No tumulto de pessoas a sua frente, um dos repórteres perguntou ao comissário:
     - Comissário, estamos ao vivo para o Canal 9, gostaria de saber o que foi roubado e o que aconteceu com os demais guardas do Museu?
     - A princípio, apenas um artefato foi roubado, trata-se de um fóssil de dinossauro. Mais precisamente, a Fíbula do Tiranossauro que ficava exposta no setor “C”; Estamos averiguando se mais alguma coisa foi levada. Quanto aos demais guardas, somente irei comentar após a análise do sistema de vídeo interno, mas adianto que não sabemos seus paradeiros por ora. – Disse Bruce.
     Spencer percebeu que entre os curiosos que compunham a multidão ao redor do Museu, encontrava-se Ryan Lemore, posto à direita de sua tela, próximo a uma das viaturas presentes no local. Instigada, continuo assistindo o pronunciamento.
     - Não posso afirmar nada, mas provavelmente o criminoso ou os criminosos, ainda não sabemos, aproveitou-se da manifestação aos redores do Museu para praticar o seu crime. Não vamos poupar esforços para resolver este caso. – Finalizou Bruce, quando um dos policiais foi ao seu encontro e segredou algo em seu ouvido.
     - Comissário, encontramos o outro guarda, é melhor o senhor vê-lo pessoalmente – Relatou o policial a Bruce.
     Neste instante, Bruce disse aos repórteres:
     - Sem mais perguntas, se me dão licença, preciso ir agora. – Já deixando a frente do Museu.
     Intrigada, Spencer se perguntava o que Lemore estaria fazendo em meio àquela multidão, se há cerca de uma hora antes, ele dissera que tinha que ir para casa, e, pelo que ela se recordava, Lemore havia lhe dito que morava em Virgina North, bairro distante do Museu.
     Mesmo estranhando a presença de Lemore ao local, Sophia não deu importância ao fato, deduziu que ele deveria ter um motivo para estar ali. Motivo esse, que, inclusive, não lhe desrespeitava.
     Mergulhada em seus pensamentos, ela ouvi a porta de seu apartamento se abrir lentamente, logo exclamou: é Laura.
     Sem levantar para conferir se realmente era sua filha que tinha chegado, pois já estava acostumada com as suas chegadas matreiras, desligou a televisão, tomou o seu remédio para insônia, voltou-se para o canto da cama e adormeceu.

23h03min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.

Em meio ao silêncio da rua seamirror, do pacato bairro do Great King, em um dos sobrados ali situado, encontrava-se Maxilim Moser, Tenente respeitado do Exército, em um momento bem íntimo.
- ah! Você é demais menina – exclamou Moser, estafado, após o término da transa.
- Disse que não ia se arrepender – Retrucou Grace, deitada na cama, ainda trémula, com os olhos entre abertos.
Moser, após alguns minutos, recuperando a sanidade que o prazer do momento e situação o retirou, levantou-se e começou a se vestir.
- Levante-se, você precisa ir. Eu levarei você até sua casa – Ordenou Moser a Grace, que ainda se encontrava deitada.
- Pra que a pressa? – Questionou Grace.
Sem responder, Moser pegou as roupas de Grace que estavam no chão, ao lado da cama, e a entregou.
- Foi um erro, você tem noção do que fizemos. Isso não vai se repetir – Disse Moser.
Moser e Grace eram vizinhos quando ele ainda era marido de Sophia Spencer. Grace, por sua vez, era a melhor amiga de Laura, sua filha.
Ambos nunca tiveram nada antes daquela noite, até porque Moser sempre viu Grace como uma criança, não só pelo fato dela ter apenas 17 anos, mas também por ter acompanhado seu crescimento, pois ela sempre frequentou a casa de Spencer e Moser desde mais nova.
Aquela noite, porém, Moser esperava Laura em sua casa, pois esta ficou de visitá-lo.
Ocorre que Laura, em vez de ir ao encontro de seu pai, decidiu sair com um garoto da escola pelo qual estava interessada, situação que a fez mentir, ligando para Moser, dizendo que não iria mais vê-lo à noite, porquanto sairia com Grace.
Esta, por sua vez, sabendo que Moser estaria sozinho, decidiu aparecer inesperadamente com intuito de provocá-lo.
Devido à frustrada visita da filha, o Tenente já estava no terceiro copo de Uísque e ao som de Let it be dos Beatles, quando a companhia tocou.
- Será que Laura decidiu aparecer – pensou, caminhando até a porta.
Ao abri-la, assustou-se ao se deparar com Grace, pois temeu que algo tivesse acontecido a sua filha.
-Grace? Aconteceu algo com a Laura? – Questionou Moser preocupado.
- Não Max, Laura está bem – disse Grace, que se referia a Maxilim Moser como Max.
- Ela me disse que estaria com você. Onde ela está? – inquiriu Moser.
Antes de responder o questionamento a si direcionado, Grace disse:
- Posso entrar ou vamos ficar conversando aqui na porta? – já se adentrando ao sobrado.
Com Grace já posta a sua sala, Moser repetiu o questionamento.
- Onde está Laura, Grace?
- Max, Laura está bem. Ela saiu com alguns amigos nossos da escola. Estão no Africa’s burguer da seasons quare. Não se preocupe. – Informou.
Moser caminhou até mesa da sala com o propósito de pegar a chave do carro que estava sobre esta, quando Grace disse:
- Aonde você vai? – perguntou.
- Vou buscá-la. Ela mentiu pra mim, preciso conversar com ela. – Afirmou Moser.
Neste instante, Grace, de modo insinuante, aproximou-se de Moser e se posicionou a sua frente.
- Não faça isso, Max. Laura já é uma mulher, sabe se cuidar, assim como eu. Você já bebeu, e mesmo assim quer dirigir? Além do mais, podemos aproveitar melhor aqui sozinho. – Manifestou Grace já encostando o seu corpo ao de Moser.
- O que está pensado, menina. Conheço seus pais, vi você crescer. Acho melhor você ir embora agora – expressou Moser empurrando Grace para longe de si.
Sem hesitar, Grace respondeu:
- Olhe pra mim Max; como você mesmo disse, você me viu crescer. Não quer ver o resultado deste crescimento – Respondeu Grace com um sorriso malicioso no rosto, já com a alça do vestido que usava caída.
Moser, por mais que sua índole e senso o reprimiam, não conseguiu desviar o olhar do seio desnudo de Grace a sua frente.
Grace reaproximou-se de Moser, que estava parado, pegou sua mão e a colocou sobre o seu seio desnudo e o inquiriu:
- Ainda quer que eu me vá?
Mesmo sabendo do erro que estava preste a cometer, Moser se entregou ao desejo do momento, agarrando Grace e a tomando como sua.

23h03min p.m. do dia 11 de Maio de 2018, sexta-feira.
     
Em frente ao Museu, acompanhando tudo que acontecida de forma atenta, encontrava-se Ryam Lemore com o semblante claramente tempestuoso.
Afigurava-se a espera de alguém, impaciente, olhava o relógio incessantemente, quando sentiu uma mão tocar em seu ombro, circunstância que o fez virar de maneira abrupta. Porém, era apenas um dos policiais que ali estavam.
     - Senhor, peço que se afaste. Essa área está sendo interditada – Solicitou o policial.
     - Claro – disse Lemore.
     Neste instante, ouviram-se disparos ao sul do Museu, próximo ao parlamento, decorrente do confronto entre policiais e manifestantes retardatários que ainda se encontravam no local.
A inquietude dos populares, imprensa e policiais foram enormes, conjuntura que proporcionou a Lemore, em meio ao caos, correr em sentido oposto à multidão, seguindo para a lateral do Museu, espaço já lacrado pelas autoridades.
Antes que pudesse transpor a fita que delimitava o local, deu uma última verificada ao seu redor, depois prosseguiu.
     Atingindo os fundos do Museu, Lemore caminhava, sorrateiramente e agachado, rente às paredes monumentais da esplendorosa construção, com escopo de visualizar algum meio para adentrar no lugar sem ser percebido.
     Próximo à saída de emergência, ele avistou três soldados conversando, fato que impedia o sucesso do seu plano, pois devaneou ingressar por aquele acesso.
Por um instante, pensou como poderia conseguir entrar no Museu, se todas as passagens estavam vigiadas.
      Furioso, resmungou:
     - Droga. Idiota, Idiota. Não deveria ter confiado nele. Não há como entrar no Museu agora.
     Nesta hora, Lemore se lembrou de uma de suas visitas ao The Metropolian Museum of History há alguns anos, episódio que ficara sabendo, pelo guia, que o Museu é composto por um porão. Ocasião que o fez exclamar:
     - Claro! O porão. Deve haver alguma entrada na parte externa do Museu. – Disse Lemore a si mesmo.

23h07min - Caminho do Brooklin.

     Aliviado por ter escapado da alcateia de repórteres, Willian Bruce já se encontrava dentro do veículo oficial da Policia ao lado do investigador Sanches e do policial que outrora fora informar da localização do guarda.
     Direcionando-se ao local, Bruce exclamou.
     - A pior parte em ser comissário, é enfrentar esses carniceiros da imprensa.
     Sanches nada comentou, apenas sorriu.
     Ao perceber que estavam se afastando consideravelmente do Museu, Bruce inquiriu o policial que o acompanhava sobre a localização do outro guarda, estranhando o percurso tomado.
- Senhor. Ele foi encontrado no Brooklin, no beco sem saída da Rua Old House, por um mendigo. – Informou.
     - Morto? – Questionou Bruce.
     - Não– Resumiu o Soldado.
     Ao se aproximar do endereço buscado, podia-se ver o alvoroço de policiais na entrada do beco. Bruce percebeu, mesmo de longe, que algo estranho estava acontecendo, desceu apressadamente do carro, quando o Sargento Murphy veio ao seu encontro.
     - Comissário. Robert Wilson, um dos guardas do Museu, foi encontrado no fim do beco. – Relatou Murphy.
     - E como ele está? Aliás, por que ele ainda está lá, tragam o aqui. – Ordenou Bruce.
     Nesta hora, Murphy se silenciou por um momento, sendo patente o seu incômodo.
     - Diga Sargento, algo errado? Questionou Bruce ansioso pela resposta.
     - Não conseguimos tira-lo de lá. – enunciou Murphy.
     O Comissário, confuso e em silêncio, iniciou o trajeto até onde estava Wilson, sendo acompanhando pelo Sargento que continuava dizendo.
     - Nunca vimos nada como isso antes. O indivíduo está de pé, estático, não esboça nenhuma reação. Um dos meus homens, depois de inúmeros pedidos para que ele colocasse as mãos na cabeça, decidiu imobiliza-lo com a arma de choque, porém, o desgraçado nada sofreu, ao contrário, toda descarga elétrica voltou-se para meu soldado – contou Murphy.
Willian Bruce queria conferir pessoalmente, o que de tão peculiar tinha aquele homem, que assustou tanto os policiais que ali estavam.
Quando seus olhos alcançaram Wilson, surpreendeu-se, não por algo monstruoso, mas sim pela fragilidade que ele demonstrava, pois aparentava ser um homem de meia idade, de estatura mediana e com a silhueta levemente avantajada, sem demonstrar nada de amedrontador.
     Ao ficar próximo de Wilson, Bruce, dirigiu-se a ele, dizendo:
     - Mr. Wilson. Eu sou comissário da polícia de Centrue Town. Gostaria que me acompanhasse, tudo bem? Ninguém irá machuca-lo, precisamos fazer algumas perguntas – Orientou.
     Wilson, de pé, nenhuma reação manifestou.
     - Mr. Wilson, preciso que nos acompanhe, espero que seja pelo jeito mais fácil – Disse Bruce com um tom mais imponente.
     Sem sucesso nas tratativas pacíficas, Bruce acenou com a uma das mãos, que os soldados que estavam ali, avançassem e imobilizasse Wilson. Porém, mesmo com a força de quatro homens juntos, ele não se moveu um centímetro sequer.
     Bruce não acreditava no que assistia, decidiu aproximar-se de vez do guarda e o segurou pelo braço. Fato que fez gerar a primeira manifestação de movimento de Wilson, que pegou o Comissário pelo pescoço e, com uma das mãos apenas, o suspendeu.
     Sanches, que estava por perto, sacou sua arma e atirou contra o guarda, todavia, a bala ricocheteou neste e acertou um dos policiais ali presentes.
Suspenso pelo pescoço, já sem ar, Bruce pensou o que poderia estar acontecendo. Como aquele homem poderia ter tanta força?
     Alguns policiais esboçaram avançar, mas a maioria estava extremamente assustada, o que os deixaram sem ação. Sanches, por sua vez, lançou-se até Wilson, porém, antes que pudesse fazer alguma coisa, viu-se paralisado, sem saber o motivo.
     Após alguns segundos segurando o Comissário suspenso ao ar, Wilson, olhando em seus olhos, disse:
     - Você estará lá.
     Willian Bruce, depois ouvir tais palavras, desfaleceu, assim como Wilson.
Ambos vieram ao chão.

23h09min – Metropolian Museum of History

     Aproveitando-se da distração dos policiais, Lemore se dirigiu até a outra extremidade da parte posterior do Museu.
     Ofegante, passou a procurar algo que pudesse indicar ser o portal para o porão, entretanto, nada se assemelhava.
     Ainda observando atentamente o local, ouvi dois policiais vindo em direção ao ponto em que se encontrava. Acuado, Lemore avistou a porta do quarto onde se guardava o lixo do Museu, rapidamente entrou e se ocultou ante os sacos que ali estavam.
     Em silêncio, ouviu um dos policiais dizer:
     - Jurava que tinha escutado algo vindo desta direção.
     - Disse a você, não há nada. Apenas lixo, inclusive, está fedendo, deve estar cheio de ratos, vamos embora. – sugeriu o cabo.
     Aliviado com o afastamento dos homens da lei. Lemore respirou fundo e pensou em desistir. Contudo, um pouco mais a sua frente, ainda dentro do quarto de lixo, viu algo que o chamou sua atenção. Era um bueiro, com tampa de madeira maciça e acabamento em cobre. Indagou-se, qual seria a razão para um bueiro de esgoto aparentar acabamento tão lapidado.
     Ao chegar diante deste, levantou a tampa e se defrontou com uma escada, que prontamente a desceu.
     Já no subsolo, nada via a sua frente, devido ao breu predominante. Então, pegou seu celular e acionou a função lanterna, dando-lhe um pouco de clareza para prosseguir.
     Explorando o esgoto em que estava, Ryan Lemure identificou, em uma parte da parede que o cercava, algumas protuberâncias com simetria similar. Ao passar os dedos sobre elas, percebeu que se tratava da linguagem braile para cegos.
Ele conhecia bem tal alfabeto, pelo fato de ter um irmão com problemas visuais e sempre o ajudara em seu aprendizado quando mais novo.
Decifrando o que as paredes diziam, detectou um código de coordenada, que informava o seguinte caminho. “Siga em frente, após 100 metros, pegue o túnel à direita, percorra 20 passos, acione a alavanca ao lado da lamparina, adentre a porta que se abrirá e caminhe por mais 50 metros”. Logo, deduziu: esta rota deve dar acesso ao Museu.
Cumprindo o caminho traçado, ele chegou ao destino, um salão gigante, cheio de candelabros, mas todos apagados, sendo o breu, ainda, seu companheiro.
Amedrontado, de certa forma, com o cenário presenciado, Lemore peregrinava pelo local, quando avistou um corpo ao canto esquerdo da sala.
Ao aproximar, viu que o corpo era de um homem. Ao chegar mais próximo, visualizou o nome descrito no crachá fixado no bolso de sua camisa.
- Christian Raymond. Funcionário da Segurança do The Metropoliam Museum of History – Leu Lemore em voz alta.
Direcionando a luz de seu celular para o outro lado da sala, viu uma mesa com algumas papeis postos a sua superfície, além de um rádio comunicador. Caminhou em direção a ela e investigou o que seria aqueles papeis.
Entre as folhas ali situadas, uma chamou sua atenção. Era a foto de J.O., cujo nome verdadeiro era Michael Adans, homem contratado por Lemore para invadir o Museu e roubar o artefato fóssil.
- O que a foto daquele incompetente está fazendo aqui? - Pensou.
Nesta hora, a bateria de seu celular indicou que estava preste a acabar. Sem tempo, a única fonte de luz do rescindo se exauriu.
- Merda, tinha que acabar a bateria logo agora. – Reclamou.
Em meio à escuridão total, ouviu-se uma voz a dizer.
- Ora, Ora, Ora. O que temos aqui – Disse alguém dentro do salão ao lado de Lemore.

Continua...


Biografia:
Número de vezes que este texto foi lido: 219


Outros títulos do mesmo autor

Roteiros A Origem Oculta Moisés Gomes de Aquino


Publicações de número 1 até 1 de um total de 1.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2020
 
  Textos mais lidos
The crow - The Wiki World - The Crow 65741 Visitas
A Arte De Se Apaixonar - André Henrique Silva 54853 Visitas
Minha namorada - Jose Andrade de Souza 43513 Visitas
Reencontro - Jose Andrade de Souza 43151 Visitas
PÃO E CIRCO - Tércio Sthal 42287 Visitas
haicai - rodrigo ribeiro 40618 Visitas
OS ANIMAIS E A SABEDORIA POPULAR - Orlando Batista dos Santos 39090 Visitas
Amores! - 37421 Visitas
Desabafo - 36789 Visitas
Faça alguém feliz - 35053 Visitas

Páginas: Próxima Última