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A GRANDE QUESTÃO DOS SÍMBOLOS SAGRADOS
Falta de respeito ou desejo de monopólio?
ANTONIO FERREIRA BISPO

Resumo:
O que é considerado sagrado para alguns, pode ser desprezível ou objeto de insulto para outros.

Vale a pena brigar por causa de um símbolo sagrado?
Vale a pena perder tempo demonizando símbolos sagrados?

*Por Antônio F. Bispo

    Para encontrarmos uma possibilidade de respostas para estas perguntas, antes de tudo é preciso definir duas questões que passam desapercebida pela maioria das pessoas: primeiro, o que exatamente pode ser considerado um símbolo sagrado, considerando-se que de um ponto de vista religioso qualquer um pode tornar sacro aquilo que bem entender, e o que se constitui sagrado para uns é objeto de insulto para outros; segundo, até que ponto algo pode ser considerado um insulto a um símbolo sagrado, levando-se em conta que geralmente os que mais se ofendem com um insulto aos seus símbolos ditos sagrados, são exatamente os que mais estão a perseguir, desprezar e demonizar todos os demais símbolos, ritos e significados das crenças alheias, desrespeitando todos os demais símbolos, e exigindo que o seu permaneça intacto, isento de qualquer comentário que não seja apenas para engrandecê-lo e exaltá-lo.
   Na maioria dos casos, a desculpa de pedir respeito a determinado símbolo sagrado, não passar de uma tentativa disfarçada de estabelecer o monopólio de uma crença, desejando reinar sobre tudo e todos, e se fazem de ofendidos todas as vezes que encontram resistência para que seu ponto de vista seja assim aceitos, e paguem de oprimidos, quando na verdade são os opressores. Por outro lado também, não há como se negar, que há um pequeno grupo de manifestantes, que confundem vandalismo e baixarias com o direito livre de protesto. Por lado ainda, se considerarmos o ponto de vista bíblico, banalizar, vandalizar e destruir o simbolismo sagrado alheio, era um mandamento, não uma opção, um ato de heroísmo, não uma barbárie! Vamos analisar essas questões então e encontrar um ponto de equilíbrio.
   Vejamos: empresas querem monopólio, indústrias querem monopólio, políticos querem monopólio. Com as crenças religiosas não a coisa não é diferente! A grande diferença é que o fanatismo religioso se vale da ideia das divindades para estabelecer monopólio e são louvados por tais atitudes. Querem para sí o domínio, o poder, o controle das massas e respeito absoluto aos representantes e para isso usam de modo discreto a ideia das divindades e qualquer sinal aberto de recusa é tido como uma ofensa, passível de pena. Submissão cega e irrestrita é lei marcial em certos casos, quando a questão é “respeitar o símbolo sagrado”.
   Partindo desse pressuposto, podemos iniciar argumentos passives de reflexões antes de darmos um veredicto final ao que se constitui exatamente uma ofensa ao símbolo sagrado alheio. A ideia não é diminuir ninguém pela sua crença, mas expor a questão do prejuízo que sofremos pela sacralização banal de coisas, enquanto o que realmente é sacro (a boa relação entre os povos) é deixada de lado.
Não se deixem iludir: quem vive a exigir respeito por uma simbologia ou objetos inanimados como se fossem coisas sacras e mais importantes que as pessoas, está apenas desesperado para te convencer de algo que interiormente eles mesmos não tem certeza se verdade, e precisam de auxílio para fortalecer essa fé, ou querem apenas dominar sua vida em todos os aspectos. A defesa de um símbolo sagrado é apenas um meio para se chegar a várias outras finalidades. É inútil defender símbolos e desprezar pessoas, inclusive vai contra os princípios das principais religiões, contra a ideia do “religare”.
É o desejo de domínio da consciência e do comportamento alheio, e não exatamente o respeito pelo símbolo em si que estes defendem, pois quase sempre os que brigam para defender um símbolo, desprezam toda uma gama de ensinamentos úteis do mesmo símbolo (quando se há), e vivem como se fossem embalagens vazias sem conteúdo algum por dentro, apenas, “bonito” por fora e horrível por dentro.
Os grandes organizadores desse pensamento fazem passeatas e manifestações em defesa desse ou daquele símbolo como se realmente se importasse com o significado moral daquele símbolo (quando se há), quando na verdade estão apenas se posicionando estrategicamente, para que sejam projetados no mundo político, ou ganhem relevância para fins de currais eleitorais.
   Não é difícil contar dentro e fora do mundo político, quantos que defendiam em público respeito a determinado símbolo sagrado, enquanto faziam exatamente coisas antagônicas ao que o símbolo representa e estão atrás das grades hoje. Outros ainda pagam de santinhos livremente apesar dos pesares. Em certos casos, levantar uma bandeira em defesa de algo, é apenas um modo de disfarçar ações e intenções opostas aquele algo. Dizer que um pássaro é belo não torna ninguém com a capacidade de voar. Dizer que um símbolo sagrado é bom, não torna esse uma pessoa de bem.
Que as religiões são campos minados para todos os tipos de conflitos isso não é novidade! Quase todos os religiosos, que fechados em seus círculos de certezas e verdades absolutas, viajam por meios de seus discursos com base moral no invisível, inaudível e improvável criam qualidades surreais para os seres venerados em uma áurea de santidade, simbolismo e respeito aos seres imaginários estendendo-se também aos que representam tais seres do mundo fantástico. Cria-se de modo imperceptível nas pessoas a falsa ideia de que alguém que diz que determinado “deus” é justo, santo e poderoso, aquele o representa também o será. Outro fato que não percebemos é que quanto mais se criam essas características, mais esses personagens ganham vida, e mais vão adentrando ao espaço social como um todo, como símbolos de honra, e os que representam tais divindades fazem suas conquistas próprias em nome dos deuses, como se fossem esses mesmos um deus em pessoa quem estivesse fazendo tais conquistas.
Uma das formas de escapismo mais usadas por aqueles que entenderam como o inconsciente coletivo funciona é exatamente eleger representantes imaginários para conquistarem territórios reais em nome deles. Isso vale tanto para fazer o bem (muito pouco provável), quanto para fazer o mal, para matar ou supostamente dar vida. Na maioria dos casos sempre dá certo.
Um discurso bem montado em nome de um símbolo, faz com que o medo do improvável leve o outro a baixar a guarda e abra mão cada vez mais de seus espaços e seus direitos, ou simplesmente sejam forçados a não se manifestarem enquanto o outro diz o que quer e age como bem entender em nome desses seres. Eleger ou criar um símbolo místico como bandeira de uma casa a ser defendida é a ferramenta mais poderosa que se conhece como controle das massas até então. Tem mais poder que armas de destruição em massas, pois seus efeito são retumbantes, multiplicativos e fracionário ao mesmo tempo.
O lado místico que há em cada um dos indivíduos, é baseado sempre na propaganda que fizeram a esses dos seres fantásticos, de suas próprias experiências de medo, dores, frustações, esperanças, ganancia e principalmente de ignorância. Quanto mais acesso aos vários tipos de conhecimento humano alguém tiver, provavelmente menos místico esse indivíduo será, e menos influenciado pela defesa de símbolos sagrados esse será também. Se o acesso a informações é intencionalmente bloqueado ou controlado, a bestialidade em nome dos deuses será o resultado mais provável. A história secular é testemunha disso.
Quanto mais se criam simbolismos sagrados, mais se é necessária a manutenção dos mesmo símbolos na consciência alheia e mais esforço físico, intelectual ou violência se faz necessário para mantê-los. Então os conflitos se iniciam. Todos tentando convencer o outro ao seu ponto de vista em relação as características do seu amigo imaginário, ou pelo menos defender os territórios conquistados em nome desse símbolo sagrado. Recuar jamais! Avançar sempre! O problema é que dois corpos não ocupam dois lugares ao mesmo tempo. Quando expandimos os territórios dos deuses, estamos diminuindo os nossos, ou provocando escassez intencional de recursos na sociedade baseado naquilo que dizem ser a vontade dos deuses.
O comercio, os feriados, as festividades coletivas, a produção de carne, roupas e alimentos em geral, tudo segue um padrão programado e repetitivo de acordo com aquilo que dizem ser essa ou aquela vontade do ser venerado, do padroeiro daquela região ou do ser cultuado que tenha o maior número de adeptos. Diferente de um show de marionetes, em que alguém os cria e dar vida a estes para divertimentos da plateia, no mundo das religiões, nós, a plateia é que nos tornamos as marionetes depois de assistimos o “show” do personagem que acabara de ganhar vida pela oralidade do interlocutor que o representa.
Nem preciso lembrar que o controle emocional dos indivíduos é o maior patrimônio a ser conquistado sempre nesse tipo de construção. Dá pra ser atingir qualquer objetivo depois de conquistar o lado emocional dos indivíduos e criar nestes emoções propositais para uma linha de serviço ou consumo. Ligar uma emoção a uma vontade ou desafeto divino é de uma malicia sem limites, é uma das armas mais poderosas que existe. Só o uso da razão é capaz de reduzir ou extinguir seus efeitos ou desarmar essa “bomba”. Olhe ao seu redor e veja a infinidade de coisas ligada a um símbolo sagrado e quantas pessoas morrem por isso achando estarem fazendo um favor a uma divindade. Se essas mesmas emoções influenciasse de alguma forma para o bem o comportamento das pessoas, viveríamos num paraíso. Prova de que tem servido apenas para engordar o ego do que acredita nos símbolos sagrados.
Criam-se causar, inimigos imaginários depois envolvem o emocional dos seguidores, e faz com que os que brigam ou defendem causas fúteis, sejam bem vistos pelos grupos. Desse modo, milhares de missionários cristãos são enviados a matanças todos os anos, defendendo um cristo que nem sequer existiu nos moldes que foi desenhado, e os membros das igrejas orgulhosos com tais atos, são responsáveis diretos, pois financiam com seus recursos, a morte de famílias inteiras nessa fantasia criada dessa trindade, quando os lideres por meio dos seus discursos, afirmam que as almas que se perdem lá fora é culpa destes. Assim, crentes se sentem atormentados, quando sabem que alguém lá fora “morreu sem jesus”, e não se importam com quem estar do seu lado passando dificuldades reais.
Quem se apropria do sentimento religioso para fins pessoais sabe muito bem o que está fazendo. Não é um acidente do acaso nem vontade alguma de deus algum. Está apenas usando a própria natureza humana contra o próprio homem. O homem enfrenta praticamente todos os bichos e tem coragem de vasculhar até os confins do universo ou dos oceanos, porém enfrentar a si mesmo e vasculhar o próprio interior é mais doloroso, pois consiste num ato severo de desmontar crenças para viver uma realidade paralela. Isso dói muito e causa uma série de efeitos colaterais, como possíveis perca de “amigos” ou insociabilidade.
   É bem mais provável que você consiga desafeto e desprezo social por se declarar não acreditar em deus nenhuma, do que por ser um marginal, um criminoso de alta periculosidade. O maior exemplo disso são as igrejas evangélicas, que se consideram símbolo máximo da moralidade e ligação entre deuses e homens e no entanto, endeusam e dão mais valor a um ex-alguma coisa do que as pessoas de dentro e fora daquele círculo, que nunca cometeu delito nenhum.
Quando se cria a ideia de que determinado deus estar ofendido por uma manifestação de um indivíduo qualquer, levamos a ofensa para o lado pessoal e nos envolvemos em uma guerra que deveria ser travada pelos deuses já que estes “afirmam” estarem ofendidos. Essa é a maior prova de todas que é no inconsciente coletivo que os deuses vivem e onde também eles deixam de existir. A lógica correta para tratar esse tipo de “crime” seria, que se eles estão ofendidos, eles mesmos quem deveriam tomar satisfação, e não terceirizar essa função, pois a resolução terceirizada das ofensas aos deuses, tem sido o estopim de guerras sangrentas por milhares de anos a fio em todo o planeta. Todos dizem que seus deuses são inabaláveis, inamovíveis, que nada podem os destruí, mas na verdade parecem ser frágeis o bastante para se dissolverem apenas mediante uma rejeição de uma pessoa qualquer. Deuses feitos de brisas, retratados como se fossem tsunamis. Basta apenas o sol da inteligência raiar, que eles vão embora com a noite negra da ignorância.
   Então, a grande pergunta é: por que alguém deveria se ofender tanto, quando o outro risca, rasga, pinta ou faz qualquer outra coisa com um pedaço de papel, madeira de gesso, ou de qualquer outro material que representa uma divindade, sendo que aquela não é a divindade? Sem falar que o próprio deus cristão por exemplo, disse várias vezes que não aceita ser representada por nenhum tipo de imagens feitas pelo homem.
Por que tais pessoas se ofendem tanto quando o outro simplesmente diz não crer naquela divindade ou naquele símbolo? Por que não sentem o mesmo respeito e devoção pelas pessoas ao invés de se importarem com coisas fúteis e inúteis, que são apenas retratos de um retrato, projeto de um projeto e arquétipo de um outro arquétipo bem mais anterior e diferente ao que se possa imaginar?
Por que os religiosos amam coisas e aborrecem pessoas, ou se interessam por estas apenas no intuito de tê-las como aliadas?
Por que pessoas que passam mais de 2 horas de orações em montes ou em locais fechados, conversando e dialogando com os deuses e são capazes de “entender” os mesmos, não são capazes também de manter um diálogo coerente com outras pessoas e já partem para o ataque, ou estão o tempo todo na defensiva, se ofendendo com tudo e como todos que ignorem esse tipo de “santidade”?
Por que essa sensibilidade fora do comum para o campo do surreal? Os deuses merecem mais consideração que os mortais? Se os deuses são eternos, imortais e indestrutíveis, não deveriam os mesmos gastar mais tempos com os mortais, moribundos e carentes de atenção e recursos básicos a uma vida digna?
Por que as pessoas que se ofendem com tudo em relação a um simbolismo sagrado, não se ofendem também com a corrupção, com a falta de educação, segurança, moradia, abuso de menores e centenas de pessoas morrendo, definhando à espera do serviço público de saúde?
   Não seria mais heroico defender causas reais e pessoas reais do que defender apenas um símbolo sagrado?
Estatisticamente queriam que os tais provassem, quantas pessoas foram curadas de enfermidades enquanto alguém defendia um símbolo sagrado? Quantas crianças foram salvas de estupros apenas por portarem um crucifixo? Quantas pessoas deixaram de ser mortas em acidentes só por que em seus veículos tinham símbolos sagrados?
Se leres relatos de policiais, de médicos, de estupradores e homicidas, verás o oposto dessas estatísticas. Perceberás que marginais invocam símbolos sagrados para cometer o mal. Verás médicos veem pessoas morrendo todos os dias em seus braços invocando símbolos sagrados e não são respondidas. Ouvirás de estupradores que quando eles estão violentando alguém, o que mais se ouve da vítima é o pedido de “deus me ajude” e mesmo assim são violentadas, e verás que pessoas com tendências homicida, se deliciam enquanto veem pessoas sucumbirem e derramarem até a última gota de sangue em suas mãos enquanto as tais dizem: “deus não me deixe morrer”... Símbolos sagrados não mudam o mundo. Pessoas inteligentes e altruístas sim!
Então, por que não deixarmos que os seres metafísicos, montados em sua majestade e poder resolvam e respondam por eles mesmos qualquer tipo de insulto ou rejeição direcionado a eles? Será que não sabem ou não podem se defender sozinhos? Tadinho deles...parecem bebezinhos indefesos! Por que não nos defendermos uns aos outros? Todos já vimos milhares de pessoas brigando ou morrendo por seus símbolos sagrados. Provavelmente ninguém viu ainda de modo real, nenhum desses símbolos fazendo o mesmo pelas pessoas.
Quem tem filhos ou já trabalhou com crianças por exemplo, já viu uma cena desse tipo: uma criança pequena estar desenhando algo em um papel, na verdade um borrão qualquer, ininteligível a um adulto, sem forma nenhuma, mas na cabeça dela, aquilo representa seu pai, sua mãe ou alguma outra obra prima da natureza. Então vem outra criança da mesma idade, rasga aquele borrão, ou simplesmente diz que aquele desenho estar feio. Pronto: a guerra começou! Choros, lamentos, ou troca de ofensas, até que um adulto venha separar aquela briga iniciada por um borrão numa folha de papel.
   Essa cena se repete diariamente com crianças adultas, que entram em guerras sempre que alguém diz que o retrato de um ser venerado não corresponde aquilo que se espera deste, ou simplesmente quando o outro se recusa a dar a mesma importância que o criador ou venerador daquela imagem estar dando. Ai entra em cena o “avô juiz”, o pai advogado, a “mãe mídia”, o “tio televisão”, e todo tipo de “família” se envolve para expor ou separar essa briga...pior que envolve todos os irmãos nisso e todos de certa forma são penalizados por uma briga boba iniciada pela defesa de um símbolo. Maior exemplo atual e milenar disso tem sido o conflito entre judeus, cristãos e mulçumanos, as três criancinhas de Abraão, que brigam há dezenas de séculos, para garantir a melhor representação em “papel” daquilo que possa ser o ser chamado de deus. Os bichinhos de Jacó, brigando pelo colinho do papai fizeram as coisas mais absurdas já vistas na história humana.
   Pessoas que são capazes de ficarem ofendidas com tão pouca coisa, demonstram a mesma ira, quando alguém pega uma simples embalagem de supermercado com a imagem de algum santo, e a descarta depois de ter servido para o uso que lhe foi proposta. Na cabeça do ofendido, tudo que tem imagem ou nome de algum santo jamais deveria ser destruído ou descartado. Quem por exemplo já morou em cidades pequenas do interior, já presenciou mais de uma vez, alguma cena em que aquela avó velhinha, iniciou uma briga sem fim, por que alguém tentou jogar fora, dezenas de sacos de farinha de milho, de pão, ou de qualquer embalagem que tenha desenhado algum santo católico. Não pode tocar! É um pecado grave! Deixa lá juntando rato, barata e todo tipo de inseto...
   É geralmente duvidoso o caráter de pessoas que priorizam mais a defesa de símbolos sagrados, do que a boa relação entre as pessoas, que sacrificam a paz em nome de seres imaginários. É possível esconder todo tipo de mal caráter por trás de um símbolo sagrado. Casos clínicos de psicologia são capazes de demonstrar isso. Casos policiais também. Casos judiciários ainda mais.
Será que é pelo fato de quase todos os religiosos concordarem unanimemente que todas as mazelas do mundo existem pela permissão de deus e que os tais são sinais da volta iminente de cristo que esse tipo de gente age assim, dando mais importância a símbolos do que as pessoas? Se assim o fores, terão de concordar também que o desprezo pelas coisas “sagradas” também seria um cumprimento da mesma promessa bíblica.
Não deveriam ficar irritados e ofendidos quando alguém desprezasse seus símbolos (disse desprezar). A mesma bíblia que diz que o caos mundial é sinal da volta do messias, também diz que as pessoas teriam comichões nos ouvidos e não iriam querer saber dessas “verdades”. Deveriam então as pessoas dizer: “Maranata”, ao invés de: “vou te processar” ou “deus vai te matar” ou ainda “tomara que você morra de câncer”, quando alguém não desse crédito as suas fantasias. Vá entender! Deixe a bíblia se cumprir criatura! Bom pra vocês que vão para o céu logo! Se impedem as pessoas de terem opinião própria, de recusarem suas “verdades”, estão impedindo o cumprimento das profecias e desse modo atrasando o retorno do seu mestre! Vocês não querem isso, querem? O próprio raciocínio religioso parece se deliciar com a ideia de que a maioria irão para o inferno. Deixem de hipocrisia!
Nessa fertilidade de sacralização das coisas, se não puserem um freio nisso, dentro de poucos dias vamos ter dificuldade de nos locomovermos, nos comunicarmos e de existirmos, pois as coisas mais ridículas, inúteis e imprestáveis estão sendo sacralizadas em nome de algum deus ou em sua honra e prédios públicos, nomes de ruas, e feriados sagrados estão surgindo cada vez mais, aumentando o espaço dos deuses e diminuindo os espaço dos homens, e quanto mais pessoas ficam confinadas em um território, mais aumenta a possibilidade de tensão por escassez de recursos. Isso é comprovado cientificamente!
Se continuarem com essa banalização das sacralidades, viveremos semelhantes aos indianos, que tem de conviver diariamente com vários animais soltos nas ruas, intocáveis, por que alguém os sacralizou, enquanto milhares de pessoas morrem de fome e sem atenção por que os deuses ficam com tudo pra si. Os deuses que com sua onipresença já povoam todo o universo, deveriam se envergonhar de nos roubar ainda o pouco espaço e recursos que temos.
Quanto egoísmo! Quanta incoerência! Quanta insensatez disfarçada de virtude! Um ser que não se alimenta, mas aceita oferendas de alimentos enquanto crianças morrem de fome! Um ser que não precisa de dinheiro por que é dono do ouro e da prata mas aceita rios de dinheiro em seu nome, para gastar com sabe-se lá o que! Um ser que diz que não mora em casa nenhuma por que sua gloria e santidade não lhe cabem, mas aceita que líderes religiosos minem os poucos recursos dos fiéis para fazer templos em honras desses seres! Arrogância, petulância, barbaridade, egoísmo...só não enxerga quem não quer! É preciso ser muito desonesto consigo mesmo para ver tudo isso e ficar calado.
Bom seria que esses indivíduos que agem como leões em defesa de símbolos sagrados, tivessem todo esse respeito e honra pelas pessoas. Não dá pra se entender como seres completos e fantasticamente poderosos como são os deuses precisam de tanta coisa dos humanos. Pela imagem que algumas pessoas pintam dos seus deuses, dar-se-á a entender que os mesmo são um grupo de inválidos, cegos, surdos, mudos e indefesos que não sabem se quer se virar sozinhos...
   Quanto a questão do “respeite minha crença”, quem já participou de algum ritual de culto em algumas igrejas aqui no brasil no Brasil nas décadas anteriores a esta que estamos vivendo, já presenciou pessoalmente mais de uma vez uma quantidade enorme de insultos que alguns dirigiam a tudo e a todos que não faziam parte do seu grupo, inclusive outras pessoas do mesmo estilo de igreja também era demonizados só por terem um nome diferente de ministério na placa da igreja. No passado isso era mais forte, hoje suavizou um pouco mais, apesar que continuam se dividindo e se multiplicando muito. Suavizou, não por que passaram a respeitar de fato, mas pelo fato de temerem represálias judiciais se forem filmados fazendo tais atos. Respeito pela imposição de represálias não é respeito de verdade.
Nesses grupos fechados, praticamente todos os ritos de todas as religiões do mundo são ou eram desprezados e demonizados, principalmente as de matrizes africanas e qualquer uma pessoa que ainda não levantou a mão e “aceitou a jesus” naquele recinto, teria ou terá como o menos agressivo dos adjetivos o título de “filho do cão”, “filhos do capeta”, “servos do diabo”, “inimigos de deus”, “pecadores”, “servos de belzebu” e tantos outros mais. Esses são os mais suaves. Já os ícones católicos nesses recintos recebem o nome de “nossa senhora apodrecida”, “a rainha negra das trevas” e tantos outros termos pejorativos que se possam criar naquele momento para nefasta alegria da maioria em grupo. Melhor nem dizer o que eles dizem dos ícones de culto africano. Aliás, na internet tem ao vivo e a cores para quem quiser ver os ataques diretos e frontais a esse tipo de culto, inclusive invasão de cultos em andamento e destruição de propriedade alheia. E quem sãos os que fazem tudo isso? Exatamente aqueles que dizem com voz de arrogância: RESPEITEM MINHA FÉ! Exigem respeito de todos, mas não são capazes de respeitar ninguém!
   Quanta hipocrisia! Por isso fica difícil definir o que é um insulto a um símbolo cristão, já que alguns se acham no direito de dizer tudo que pensa sobre o outro e não considera isso uma ofensa, antes sim liberdade de expressão, mas quando dizem um tantinho de nada sobre o ícone deles, partem pra cima feito feras. Pimenta nos olhos dos outros é refresco! Defesa de monopólio religioso disfarçado de liberdade de culto é isso que querem de modo disfarçado.
   Depois das chegadas dos aparelhos móveis que filmam e gravam de modo discreto, os rogadores de praga e arrotadores de santidade dos cultos em algumas igrejas, reduziram um pouco ou seu repertório de insultos e quando o fazem baixam o tom de voz ou dizem por meio de códigos, entendidos apenas pelos integrantes do grupo, mas não deixar de esnobar insultos a crença alheia.
Vasculhando arquivos antigos, é possível ver muitos insultos nesses ritos de culto, partindo exatamente por aqueles que hoje ocupando posições de poder, encabeçam tais movimentos pedindo respeito aos “símbolos sagrados”. Em cidades do interior ainda há locais, em que um rito de culto inteiro de algumas igrejas é voltado apenas para criticar o comportamento alheio ou demonizar tudo que seja de outros grupos religiosos. Depois dizem que estão reunidos para adorar a deus...pela descrição de deus segundo o antigo testamento, estes tem a quem puxar e podem realmente estarem adorando a esse ser de amor duvidoso, já que a bíblia é recheada de ritos iguais.
Se por um lado temos um grupo de pessoas denegrindo os símbolos sagrados alheios ocultamente e exigindo respeito em público, há por outro lado, uma outra quantidade limitada de gente sem noção, que em seus protestos “pacíficos” acabam extrapolando o limite do ser ridículo, da idiotice e da imbecilidade, e de modo proposital e intencional fazem coisas absurdas de ser ver, como enfiar crucifixos nas genitálias ou no canal excretor, defecar, mijar ou vomitar em fotos de “santos”, e quebrar imagens de esculturas, fazendo tudo isso enquanto se deixam filmar e fotografar como se fossem celebridades de Hollywood na calçada da fama em dias de reconhecimento universal. Sem falar que esses possuem um vocabulário riquíssimos de palavras torpes que chegam a ferir os ouvidos e causar ânsias de vomito nos ouvintes. Quem ver tais cenas, pode sofrer pesadelos por vários dias seguidos. Nem em filmes de terror tem tantas cenas horríveis. Aliás, acredito que ainda não inventaram um gênero para esse tipo medíocre de atuação. E chamam isso de “protesto pacifico”, feminismo, direito de expressão e tal!
   A “santidade hipócrita” de alguns grupos religiosos é um fardo, assim como alguns protestos “pacíficos” são vergonhosos e desnecessários. Querem combater atos insanos, com uma insanidade elevada ao quadrado. Para os tais grupos, a força do diálogo não é suficiente. A exposição por meios de argumentações cientificas também não. Não há diálogo, não há respeito, não há consenso. Só o poder de polícia, resguardado pela constituição em atos de vandalismo é capaz de reprimi-los. O pior é que sendo presos por tais atos, se consideram mártires de uma sociedade não evoluída. Se vandalismo for um meio para a ordem social, uma nova constituição tem de ser feita. Invasão de propriedade para insulto direto a uma crença, seja ela qual for, não é nunca foi um ato pacifico, de moralidade ou de evolução social. Agem como bestas quadradas que acham ser seres de luz.
A outra grande questão é? Qual a diferença entre um símbolo sagrado e um símbolo profano? Resposta: apenas o lado da fé que você estar é o que determina se algo é sagrado ou profano. Um símbolo é apenas um símbolo e nada mais! Nem fede nem cheira! Um símbolo também é uma forma de linguagem oculta que desperta comportamentos diversos, de acordo com a programação feita a cerca desse mesmo símbolo. Um exemplo disso são logotipos de alimentos, marcas de roupas, e outros símbolos mercantis, que só tem efeito em que já viu pelo menos uma vez a propaganda audiovisual de tal marca.
O símbolo de uma marca de refrigerante famosa por exemplo, não tem efeito nenhum em um índio isolado de tudo e de todos no meio de uma floresta. O mesmo símbolo pode fazer a boca salivar ou despertar desejo de compra em uma pessoa comum e não apenas despertar o interesse pelo refrigerante, mas por outra coisa que venha associada a este ou que apareceu na propaganda, como outro tipo de comida, brinquedos, automóveis, roupas, mulheres, um corpo definido ou tudo que ocultamente foi projetado no cenário como mensagem subliminar.
Os símbolos “sagrados” também só tem efeito em quem sofreu influência (lavagem cerebral), por algum grupo religioso. Um pastor pentecostal por exemplo, que costuma “converter” multidões ao final de uma cruzada, após fazer enxurradas de ameaças de morte e inferno aos ouvintes, não conseguiria convencer uma única pessoa sequer, em países onde não se tem ideia do deus cristão ou da trindade em si. O “poder de deus” nas pregações desses, só se manifesta onde a propaganda já vem sendo feito desde a infância das pessoas. Começam com um simples pai nosso e vão te fragilizando até conseguirem dominar toda sua vida com a propaganda do inferno. Depois dizem que só o que causa vício e efeitos alucinógenos são os entorpecentes! Outra grande prova disso, é que ninguém nunca viu um ateu endemoniado! Apenas crentes, os tais que jamais deveriam “contrair” demônios por estarem “protegidos” por deus, são exatamente os que mais são “tomados” por esse ser das trevas. Prova que certos símbolos só tem efeito se antes for feito algum tipo de propaganda a cerca deste.
   Outro exemplo de o quanto é bobo defender símbolos é que boa parte dos cristãos ficam ruborizados ou ofendidos quando alguém faz uma montagem ou comentário sobre a imagem do cristo europeu muito conhecido no mundo ocidental. Quanta inocência (ou ignorância)! Nunca pararam para pesquisar ou entender segunda a própria bíblia que dizem ser sagrada, que se cristo realmente existiu, ele não seria daquele jeito, com aquele cabelo, com aquela aparência ou com aqueles olhos. Provavelmente seria negro e de cabelo “pixaim”. Aquele quadro do cristo de olhos azuis, pele limpa e cabelos bem cuidados, nada corresponde com a imagem do jesus palestino, caso tenha realmente existido.
   Nesse caso os cristãos estão adorando a imagem errada e do cara errado, e quem “blasfema” da imagem não estaria cometendo insulto algum já que não estão zombando da imagem daquilo que realmente poderia ser o cristo. Em segundo lugar, caso houve realmente um cristo, ele seria um judeu e jamais aceitaria ser adorado de forma alguma pois iria contra os princípios de sua crença e ele mesmo iria autorizar a destruição de tais ícones representativos.    
Nesses casos, “pecadores” seriam os cristãos por serem idólatras, desobedecendo assim o primeiro de todos os mandamentos, que é o de não adorar a nenhum deus além de “ Elohim”, e o que fez a montagem com a figura de cristo, estaria apenas “fazendo um favor a deus” em desmistificar e desmoralizar aquele símbolo “profano”.
Se leres o antigo testamento, verás que deus ficava muito contente com quem fazia esse tipo de vandalismo, destruindo ou desprezando tudo o que supostamente os profetas diziam ser uma ofensa ao deus de Abraão. Para esse ato “heroico”, até deus dava medalhas de honras aos que faziam isso.
   Quem já leu a bíblia é honesto o bastante para ver as coisas como realmente são, sabe que os heróis da fé tem seus atos de heroísmo baseados exatamente na arte de destruir rituais de culto alheio e matar o maior número de “infiéis” possíveis. Eles não são heróis por salvaram pessoas, ou fazerem proezas que sejam dignas de exemplo a serem seguidos. Os atos de heroísmo deles, tem sempre como pano de fundo, uma quantidade enormes de mortes, vandalismos, e desrespeito a crenças e culturas alheias. É possível termos dificuldade em encontrar pelo menos 1, apenas um ato que seja considerado verdadeiramente heroico nos “heróis da fé” do mundo bíblico. Se matar gente por não crer em algo é símbolo de heroísmo, os mulçumanos continuam no ranking dessa lista atualmente. Na idade média eram os cristãos os detentores de tais proezas.
Quem sabe esses “zombadores” que desprezam alguns símbolos cristãos, não estão fazendo um favor a deus, já que do ponto de vista do deus do antigo testamento praticamente todos os cristão atuais são idolatras por adorarem a uma trindade, a mãe do deus menino e a uma infinidade de santos anjos e celebridades do mundo gospel juntas. Se o deus bíblico fosse real, os cristãos iriam ter uma enorme decepção...seriam destruídos por esse deus, e não recebido em seus braços, como a falsa ilusão os ensinou.
   Se deus usou uma jumenta pra um proposito na vida de balão e do seu povo, quem garante que ele não esteja usando profissionais gráficos, artistas ou “vândalos” para mostrar aos cristãos que eles estão errados, se importando tanto com coisas fúteis? Eles mesmos dizem que os mistérios de deus são insondáveis. Não defendo o vandalismo de modo nenhum. Mostro apenas que era nisso que se baseava as conquistas do “povo de deus” segundo a bíblia.
Outra coisa que os cristãos atuais não notam é que esse mesmo deus que jurou dezenas de vezes proteger seu povo do mal, é o mesmo que lá na frente dizia que estava levantando reis e outros tirano para massacrar o seu povo por terem inventados símbolos sagrados ou se curvados a outros deuses.
Leiam a bíblia “povo eleito”! Como vocês dizem que deus não mudou, ele pode estar preparando um dos seus planos misteriosos para castigar o seu povo atual por tanto construir símbolos sagrados. Se convertam! Arrependam-se! De repente, o mínimo de compaixão que ele terá por ti, será equivalente ao que teve com o “seu povo” quando os entregou ao rei da babilônia para os castigar em seu nome, para lá na frente tomar as dores do povo por que o tal rei castigou o seu povo. Vá entender!
Quem sabe depois de uma catástrofe nuclear, os sobreviventes terão uma nova parte da bíblia onde consta que deus castigou o ocidente por causa de sua idolatria...com seres bipolares o por demais vingativos, detentores de todo poder, não se deve brincar! Repensem seus atos! Se ele não poupou os bichinhos de Jacó, que prometeu guardar a para sempre, qual a garantia de eleição e proteção aos “filhos da fé” hoje em dia?
   É necessário honrarmos as pessoas ao invés de honrarem símbolos. É o único meio de nos libertarmos desse círculo vicioso! Alguns leem livros de história ou “livros sagrados” para repetirem os mesmos erros. Outros porém, se utilizam destes para se afastarem dessa vício maldito de ajudar quem não precisa de ajuda e proteger quem não precisa de proteção ou ainda de fornecer recursos a quem já tem de tudo.
   Com certeza, é somente nos últimos suspiros, no leito de morte, que a maioria das pessoas irão cair na real e perceberem o quanto perderam tempo útil defendendo coisas fúteis. Alguns, antes de morrer tiveram seus olhos abertos e deixaram de ser marionetes. Outros ainda, descem a sepultura, cientes e confiantes de que todo mal que conseguiram causar a todo “infiel” foi um favor aos deuses e seus representantes...
Se quisermos realmente progredirmos como espécie, temos que aprender a respeitarmos mais uns aos outros, do que venerarmos demasiadamente meras representações dos seres metafísicos.
Por séculos morremos, lutamos e vivemos pelos símbolos sagrados. Por séculos as pessoas fizeram as maiores barbaridades em nome deles. Até onde se sabe não há nenhum registro visível deles brigando por nós.
Algumas de suas manifestações miraculosas na vida de alguns fieis, podem ser desmistificadas apenas pelo estudo da psique humana. Outros pontos de vista só podem ser compreendidos pelo estudo de civilizações antigas e da filosofia. Outras linhas de estudo também são capazes para ajudar entender o processo de “milagres” dos deuses ou como eles se manifestam na vida de um fiel. Para quem realmente busca a verdade, é possível destilar ou comprovar vários dos “mistérios” dos deuses. Para quem quer viver no reino da fantasia nada pode ser feito, não precisa estudar nem pesquisar nada, basta apenas ter fé nos deuses e obediência cega aos que lhes representam.
Se a criatura jamais será maior que seu criador, quando definires entre você e os deuses quem é a criatura e quem é o criador, entenderás quem tem o poder sobre quem. A “santidade” de um indivíduo é medida pelo modo como ele se relaciona com as pessoas e como as respeitam, e não pela quantidade de horas que este gasta representando, venerando ou defendendo um símbolo sagrado! Os países com a quantidade menor de símbolos sagrados, são os que mais demonstram índices de desenvolvimento humano. Pensem nisso! Há uma linha tênue entre controlar um símbolo e ser controlado por ele. Só você é capaz de redefinir o seu espaço e os dos seres metafísicos. É na mente que tudo começa. É nela que tudo termina. A idolatria torna as pessoas abobalhadas. A iconoclastia deixa as pessoas insensíveis.
Sanidade e saúde a todos!
Texto escrito em 24/9/17


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