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Espírito Santo
Silvio Dutra


Jesus morreu na cruz por nós, para que tendo nossa dívida de pecados perdoada e sendo justificados por Deus, pela fé nele, pudéssemos receber a promessa da unção e habitação do Espírito Santo, para sermos regenerados e santificados.
Nós vemos esta verdade confirmada nas páginas da Bíblia e especialmente no livro de Atos, conhecido por Atos dos Apóstolos, e cujo melhor título seria Atos do Espírito Santo, pois revela todo o trabalho do Espírito para a formação da Igreja.
Sem o Espírito Santo não há nova criatura, e portanto, nenhum crente verdadeiro, pois é pelo Seu poder que recebemos o novo coração de carne prometido na Palavra.
Por isso temos a promessa do derramar do Espírito Santo desde os dias do Velho Testamento, para operar este trabalho de reconciliação do pecador arrependido com Deus, dando-lhe um coração cujos afetos estejam inteiramente voltados para amar o Senhor e o Seu povo.
“E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis.” (Ezequiel 3.25,26).
Quando a promessa estava próxima de ser cumprida, veio João Batista anunciando o seu advento:
“Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo.” - Marcos 1:8
“E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.” - João 1:33
Tendo Jesus se manifestado, sendo aquele que batizaria com o Espírito, de seus próprios lábios soou a confirmação da promessa:
“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.” -Atos 1:8
Tendo ordenado aos apóstolos que não se afastassem de Jerusalém, mas que continuassem em oração unânime para o recebimento do batismo do Espírito Santo, isto ocorreu no dia de Pentecostes, cerca de quarenta dias depois.
E não somente os apóstolos foram batizados como também uma grande multidão de cerca de 3.000 pessoas que se converteram com a pregação dos apóstolos sob o poder do Espírito.
“E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo;” - Atos 2:38
Depois destas coisas, Deus se voltou para a salvação dos gentios, e começou a fazê-lo pela casa do centurião romano Cornélio.
Para tal propósito dirigiu para lá o apóstolo Pedro, e enquanto este pregava, o Espírito Santo batizou a todos os da casa do centurião, produzindo a conversão dos mesmos a Jesus, por um novo nascimento espiritual. “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus. Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?” - Atos 10:44-47.
Digno de nota, quanto ao trabalho do Espírito foi também o que sucedeu com os discípulos de João Batista que haviam crido em Jesus, mas que não haviam ainda recebido o novo nascimento do Espírito. “Disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.” – Atos 19.2.
“E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam.
E estes eram, ao todo, uns doze homens.” – Atos 19.6,7. Muitas outras passagens das Escrituras revelam este trabalho do Espírito Santo ungindo, batizando, regenerando, renovando e santificando aqueles que foram tornados filhos de Deus por meio da fé em Jesus.
Não é nosso propósito citar todas estas ocorrências abençoadas, senão o de dirimir as muitas dúvidas e controvérsias que giram em torno do assunto relativo aos ofícios do Espírito Santo, e notadamente, quanto ao que se pensa sobretudo quanto ao seguinte:
Muitos que foram ungidos pelo Espírito Santo, podem buscá-lo para motivos incompletos, como por exemplo, simplesmente para manifestarem os dons espirituais sobrenaturais extraordinários (línguas, profecia, curas, etc), e não cogitam que há um propósito mais elevado na busca de unção do Espírito, que é o da produção do seu fruto, especialmente o de amor (I Cor 12.31).
Outros se acomodaram com a graça recebida na conversão, pelos mais variados motivos, sem saberem na grande maioria, que não recebemos um estoque de graça na conversão que será suficiente para toda a nossa caminhada espiritual. Novas unções são necessárias para estarmos sempre avivados. Sem isto, não há verdadeiro prazer espiritual em Cristo e nas coisas celestiais, espirituais e divinas, porque este sentimento é produzido somente quando estamos cheios do Espírito Santo.
Lembremos sempre que um dos principais motivos da obra realizada por Jesus em nosso favor foi para que fôssemos batizados no Espírito, de modo que andássemos e vivêssemos sempre no Espírito. Por isso é dito pelo apóstolo que se não andarmos no Espírito, em vez de produzirmos o Seu fruto, o que se verá em nós serão as obras da carne (Gál 5).
Estaremos destacando a seguir várias citações de escritos dos pastores J. C. Philpot, Octavius Winslow, George Everard e John Angell James, para melhor entendermos qual é a relação do crente com o Espírito Santo, para que ele possa ser espiritual e não carnal, e assim vencer o mundo, o diabo e a carne.
Se esta trindade maligna não for vencida, o crente não poderá ser coroado, pois a coroa é prometida somente ao que vencer.
"Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida!" (Apocalipse 2:10).
Sem o revestimento diário do poder do Espírito Santo é simplesmente impossível obter a referida vitória.
Se tivermos nascido de novo do Espírito podemos vencer o mundo, não dirigindo o nosso curso pelo da multidão que nos rodeia.
Quando o Filho do homem estava na terra, Ele lembrou a Seus discípulos que aqueles que o seguissem deveriam contentar-se em ter poucos companheiros: "Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram." (Mateus 7: 13-14).
Se isto é assim, não se encolha de confessar corajosamente a Cristo porque você está quase sozinho.
Seja seu propósito fixo, que se aqueles ao seu redor não se juntarem a você em seu caminho para Sião - você não vai ficar com eles na Cidade da Destruição. A companhia com a qual vocês se encontrarão no final, mais do que recompensará a solidão da estrada. Solitário às vezes você pode estar agora, mas lá espera por você no final de seu curso, uma alegre acolhida de toda a família dos remidos.
Vencer o mundo, é superar as seduções que ele tem para oferecer. O mundo nos oferece senão as honras, os ganhos, as vaidades e os prazeres pelos quais muitos são vencidos através do ofício de seu perspicaz Inimigo, e perdem seu reino e sua coroa!
Uma palavra de conselho pode aqui ser dada com referência à perseguição de objetos legítimos. É natural e correto que os homens se esforcem para ter sucesso em tudo o que eles empreendem. Subir na vida, acumular para nós ou para nossas famílias, não é ilegal; na verdade, a vida perderia metade do seu interesse, se não fossem permitidos tais objetivos - mas o principal ponto é sempre mantê-los no seu lugar certo. Que sejam secundários, e não o objeto principal de nossa ambição. Precisamos seguir as instruções que Cristo estabeleceu para nossa orientação no Sermão da Montanha.
"Não ajunteis para vós tesouros na terra; onde a traça e a ferrugem os consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consumem, e onde os ladrões não minam nem roubam.
Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mateus 6: 19-21). Ou seja, que a segurança dos tesouros terrenos seja subordinada à obtenção de tesouros no Céu. Deixe seu coração estar no último e não no primeiro.
Novamente. "Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."
Uma palavra aqui também é necessária com referência a divertimentos duvidosos.
Falar deles é pisar em terrenos delicados, mas a Palavra de Deus dá a pista pela qual devemos ser guiados. Estabelece certos princípios que uma consciência iluminada, e um coração tocado com amor a Cristo, não mal interpretam. Em muitas dessas diversões não há nada sobre o que podemos colocar o dedo, e dizer: "Isto é proibido" - mas o nosso grande inimigo sabe muito bem que não é em coisas positivamente ilegais, mas em que são duvidosas, que ele pode ganhar mais vantagem.
Julgue se a atmosfera do teatro, da pista de corrida, do salão de baile e de todos os divertimentos mundanos não são muito prejudiciais à vida de Deus na alma. Julgue o seu dever nesta questão, não pela opinião daqueles que o rodeiam, mas por uma calma consideração orando no Espírito em passagens como as seguintes:
"Eu lhes dei a tua palavra; e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo." (João 17: 14-16).
"Não se conformem a este mundo." (Romanos 12: 2).
"Não amem o mundo, nem as coisas que estão no mundo." (I João 2:15)
"Quem escolhe ser amigo do mundo, torna-se inimigo de Deus". (Tiago 4: 4).
"Não ameis o mundo, nem o que há no mundo: se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele". (1 João 2:15).
Estude também Lucas 8.14; 9,23; Filipenses 3.13, 14, 20, 21; Colossenses 3.1,2; 1 Timóteo 5,6; Tito 2,12-14; Tiago 4.4; 1 Pedro 4,7; 2 Pedro 3.11, 12.
Não duvide que nosso Pai se deleite na felicidade de Seus filhos, e que Ele não negará o que realmente lhes convenha.
Cristo se assentou na festa de casamento, e Sua mãe e Seus discípulos estavam com Ele. Este fato pode dar uma regra simples: Onde quer que possamos pedir ao Mestre para nos acompanhar, lá estaremos seguros. Onde quer que Sua presença esteja, não é, exceto em raros casos, o lugar para alguém de Seu povo.
Tanto no que diz respeito ao nosso apontar para os tesouros da terra, quanto para participar dos prazeres que ela oferece, temos um excelente exemplo no espírito de Moisés. Sua escolha era sábia. Diante dele, a perspectiva era tão atraente quanto se poderia imaginar.
Dentro de seu alcance estava o melhor que o Egito poderia oferecer. Riqueza, posição e tudo o que se podia comprar eram seus. No entanto, ele recusou. Pisou-os sob seus pés. Em outras circunstâncias, muito ele poderia ter retido e consagrado ao serviço de Deus - mas quando entrou em concorrência com uma porção melhor, ele alegremente abandonou tudo. "Pela fé Moisés, sendo já homem, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus do que ter por algum tempo o gozo do pecado, tendo por maiores riquezas o opróbrio de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como quem vê aquele que é invisível.” (Hebreus 11: 24-27).
Se quisermos vencer o mundo, não devemos estar totalmente absorvidos pela rotina diária do dever. Que devemos diligentemente atender às reivindicações de um chamado lícito, ninguém pode duvidar; mas é o espírito com que o fazemos, que marca se o mundo é nosso servo ou nosso mestre.
O trabalhador com a mão no arado pode apreciar em seu interior pensamentos brilhantes do Paraíso acima. O comerciante, ao longo do dia se misturando na multidão ocupada, pode ainda encontrar um lugar vago em seu interior para a presença santificada de Cristo.

Tome dois homens envolvidos na mesma perseguição, bastante combinados no trabalho a ser feito, e as preocupações que lhe pertencem, e não raramente você vai encontrar a maior diferença possível entre eles. Olhe e leia o coração de cada um, e o que ele diz.
O pensamento interior de um deles é: "Negócio, dinheiro, trabalho, dever - tu és o meu Deus, porque eu vivo, trabalho, luto dia a dia".
O coração do outro fala muito de outro modo: "Oh, meu Salvador, mantenha-me perto de Ti por tua graça! Em conflito da vida esteja sempre à minha direita! Que em todos os meus trabalhos eu possa glorificar-te! Que eu possa passar por coisas temporais, que, finalmente, não venha a perder as coisas eternas!"
Para vencer o mundo, devemos suportar pacientemente e humildemente a cruz que pode ser colocada sobre nós.
Nenhum cristão está sem cruz - e muitas vezes é pesada.
Nos dias passados, Seus seguidores não acharam fácil dominar a vergonha e a perseguição que vieram sobre eles por causa dele. Levados ao exílio ou queimados na fogueira, expostos a animais selvagens ou lançados no mar - seus mártires fiéis sofreram a perda de todas as coisas, até a própria vida, ao invés de negar Aquele a quem amavam. Nem este julgamento é aprovado.
"Todos os que viverem piedosamente em Cristo Jesus, sofrerão perseguição". Especialmente no início de uma vida cristã, esta cruz é sentida. Velhos amigos se vão, observações indecentes são feitas, pequenos aborrecimentos são colocados no caminho. Em muitas posições, é uma luta para toda a vida fazer uma boa confissão diante dos ímpios.
Para vencer o mundo, não devemos nos guiar pelas máximas que o mundo segue.
Profissão de religião abunda – mas poucos desejam, em algum sentido, serem considerados bons cristãos. Mas qual é a regra da vida pela qual os homens são guiados? Com a maior extensão do amor, podemos crer que são guiados pelos preceitos de Cristo? Não é dolorosamente evidente que os princípios que os movem não são os da Sagrada Escritura?
É fácil agir assim através da vida? Longe disso. Requer esforço, vigilância e oração. Aqueles que imaginam que não há dificuldade, nunca fizeram a tentativa.
É possível agir assim? Certamente é. Em grande medida cada cristão pode ser vitorioso neste conflito. Deus coloca uma arma em nossas mãos, tão poderosa que nunca precisamos nos desesperar: "Esta é a vitória que vence o mundo, nossa fé, quem é aquele que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (1 João 5,4,5).
Por que é isso? Por que a fé, em vez de qualquer outra graça, leva a palma da vitória?
Para vencer o mundo, devemos nos engajar no poder de Cristo pela fé.
O homem é fraco e sem forças para enfrentar uma única tentação. "Sem mim", Cristo declara, "você não pode fazer nada". Mas, o Redentor forte está empenhado em colocar adiante Seu poderoso poder para apoiar aqueles que confiam Nele. A fé faz isso. Foi maravilhosamente definido como sendo "o Espírito Santo movendo a alma para apoiar-se em Jesus!" Daí vem que o crente pode se levantar acima de todas as influências opostas ao redor.
"Vós sois de Deus, filhinhos, e os tendes vencido (isto é, os falsos mestres), porque maior é Aquele que está em vós, do que aquele que está no mundo".
A fé triunfa, porque traz amor.
"A fé funciona pelo amor." Nada é mais forte do que o poder do amor. Por sete longos anos, duas vezes mais, Jacó trabalhou e trabalhou, noite e dia, e contudo eles lhe pareceram apenas alguns dias, pelo amor que ele devotava a Raquel. Jonatas não ficou nem um pouco sem descontentamento de seu pai, porque, por amor a Davi, tomou sua parte e suplicou sua causa. Que labuta e dificuldades uma mãe, por amor a seu filho – de que confortos, prazeres, até mesmo necessidades, ela vai desistir, para que ela possa atender a um bebê doente. Durante toda a noite vi uma mãe, a bordo de um navio a vapor, vigiando o seu pequeno; cansada e exausta, mas não saía do seu lado, mas permanecia ali, para antecipar todas as suas necessidades.
O amor de Cristo, derramado dentro do coração pelo Espírito, é da mesma forma, um instrumento poderoso para nos capacitar, quer para o trabalho, quer para a perseverança nas dificuldades, ou para enfrentar o opróbrio no mundo. Poucos trabalharam tão incessantemente, ou mais pacientemente, suportaram todas as provações e cruzes que lhes foram designadas, do que o Apóstolo dos gentios, e seu único motivo era o amor: "O amor de Cristo nos constrange", era o segredo de sua vida maravilhosa .
E o amor é sempre filho da fé verdadeira. Todo aquele que crê em Cristo, deve amá-Lo. "Para os que creem, Ele é precioso". Quanto mais a fé também aumentar, mais também amarão.
A fé triunfa, porque traz consigo uma alegria presente.
A fé traz alegria. "Que o Deus da esperança vos encha de toda alegria e paz em crer". Quem pode crer em um perdão livre e perfeito, com o cuidado sábio e terno do Pai, em Sua pronta disponibilidade para ouvir nossas orações – sem que tenha, em certa medida, um raio de alegria em sua alma?
A alegria traz força. "A alegria do Senhor é a vossa força." Essa alegria supera os prazeres terrenos e contrabalança todas as tristezas terrenas. "Triste, contudo sempre regozijando-se" pode soar como um paradoxo; mas para aqueles fortes na fé, tem sido uma realidade.
Aqui está uma lição que vale a pena ponderar. A alegria da fé triunfa sobre o mundo.
Aquele que acabou de provar as uvas de Escol - não terá nenhum desejo para as maçãs de Sodoma. Aquele que saciou a sua sede nas águas do Rio da Vida - não se abaixará para beber dos fluxos poluídos da terra.
"Por que você agora se absterá do que uma vez foi o seu prazer?" Foi perguntado a um homem. "Encontrei algo melhor - eu encontrei Jesus", foi a resposta.
Quanto mais pudermos encontrar satisfação e repouso em Cristo, como a porção principal de nossas almas, mais completamente seremos capazes de expulsar o espírito do mundo, que ainda pode nos perseguir. Há árvores que retêm muitas de suas folhas velhas - até que novas sejam apresentadas. Há sentimentos e hábitos que nunca podem ser deslocados, até que melhores sentimentos e hábitos surjam.
O conforto do Espírito, o amor de Cristo, a paz que passa pela compreensão - constituem o antídoto mais seguro contra os sentimentos e o melhor apoio contra as tribulações de um mundo mau.
A fé também triunfa, porque é o telescópio pelo qual as coisas invisíveis são trazidas à vista, e as coisas distantes são trazidas perto!
Por que os homens estão tão completamente envoltos nas coisas mundanas que os cercam? Não é porque para eles um estado futuro não tem existência real?
Eles se levantam de manhã e descansam à noite, regozijam-se em prosperidade e sofrem sob julgamento dia após dia, mês após mês, ano após ano - sem se dar conta de que, comparado com o que ainda se manifestará, as coisas do dia são apenas como uma sombra passageira.
Mas pegue o telescópio. "A fé é a substância das coisas esperadas - a evidência das coisas não vistas." Acredite nas promessas de Cristo, com referência a um mundo ainda por vir. Contemple, com certeza, a terra que está longe, as mansões na casa do Pai, a glória da cidade eterna.
A cena atual, então, perderá muito do seu poder. Uma nova fonte de ação será sentida.
E o que permite ter toda esta experiência real espiritual senão apenas a unção do Espírito Santo em renovadas infusões na vida do crente?
Precisamos não somente do lavar regenerados do Espírito Santo, como também do renovador que se repete tantas vezes quantas necessitemos dele.
O regenerador recebemos na conversão, mas a graça não é dada na conversão num estoque completo para toda a nossa jornada cristã. Por isso precisamos de renovadas unções para recebermos maiores porções da graça pela qual nosso coração é ligado ao de Deus realizando uma real comunhão com Ele em espírito.
"Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento." (1 João 2:20)

Ao dizer tais palavra o apóstolo como que indagava aos crentes: “O que lhe preservou fiel quando os outros se mostraram infiéis? O que lhe manteve ainda inclinado e olhando para um Emanuel crucificado, quando outros pisotearam o seu sangue e se voltaram para os ídolos? Foi a sua própria sabedoria, a sua própria capacidade, justiça e força? Não; não foi! Mas você tem a unção do Santo, e você sabe todas as coisas." Isto é o que ele infere: "Você tem a unção do Santo". É o que lhe manteve, é o que lhe ensinou. "Filhinhos, moços e pais, vocês têm a unção do Santo", e por essa unção "vocês conhecem todas as coisas".
O que é ter a unção do Santo. Vejamos a figura simples contida no texto. Unção significa literalmente o ato de ungir. "E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei." (versículo 27). Tem provavelmente alguma referência ao unguento que naqueles países quentes era empregado para ungir o corpo, e mantê-lo em saúde. Mas, além disso, há uma referência ao que lemos em Êxodo 30: 22-33, onde Deus ordenou a Moisés que fizesse um azeite de unção sagrado pelo qual o tabernáculo e todos os vasos nele contido fossem consagrados; prefigurando a unção especial do Espírito Santo nos corações e consciências do povo de Deus.
De modo que, como nenhum vaso do tabernáculo era santo até que fosse ungido com o óleo consagrado, também nenhuma alma é santa até que tenha recebido a unção do Santo. Nenhuma oração, nenhum louvor, nenhum serviço nenhum sacrifício, nenhuma ordenança pode ser santa a menos que seja tocada com esta unção pura - a unção divina do Espírito Santo.
O óleo é de uma natureza suavizante. É aplicado ao corpo para suavizá-lo e amaciá-lo. Assim, espiritualmente, a unção do Espírito Santo torna a consciência sensível. Onde quer que a unção venha, tira o coração de pedra e dá um coração de carne. Ela remove a impenitência, a incredulidade, a obstinação, a perversidade, a autojustiça e a presunção; suaviza e amacia e torna o coração e a consciência sensível, para cair sob o poder da verdade.
Até que o Espírito Santo, por suas operações sagradas sobre o coração de um homem, o suavize desta maneira, a verdade nunca cai com qualquer peso ou poder sobre ele. E esta é a razão pela qual centenas ouvem a verdade sem qualquer efeito; não sendo ungido com esta unção do alto, o coração de pedra não é tirado, e permanece o coração mau da incredulidade que rejeita a verdade solene de Deus.
Mas, quando o Espírito Santo traz o secreto, misterioso e invisível, mas poderoso óleo de unção da graça no coração, ele recebe a verdade como de Deus; e a verdade assim vinda de Deus penetra na alma.
A lei soa suas maldições; mas nunca tocam na consciência até que a unção do Espírito a penetre. O evangelho traz suas bênçãos; mas sem esta unção elas nunca vêm com sabor e poder na alma. Cristo é falado na Escritura como sendo para alguns "a raiz de uma terra seca - ele não tem forma nem beleza, e quando o vemos, não há beleza que desejemos nele" (Isaías 53: 2). E por que é assim, senão pela falta desta unção do Espírito Santo.
Onde quer que a unção esteja na consciência de um homem, ela sempre tornará essa consciência sensível. Para que, se você vir qualquer homem, qualquer profissão que ele faça, que seja ousado em moderação, presunçoso, e seguro de si, tenha certeza de que a unção do Espírito Santo ainda não tocou em seu coração; ele tem apenas um nome para viver enquanto está morto. Agora observe isto, nos homens e mulheres professantes, e nos ministros que ouviram, e vocês verão neles este espírito suave, terno e manso. Se isto é totalmente ausente, é porque a unção do Espírito Santo ainda não veio sobre eles.
Ainda, o óleo de unção é de natureza PENETRANTE. Quando o unguento ou óleo é esfregado em qualquer coisa ele penetra na substância. Não fica na superfície; penetra abaixo da superfície na própria substância daquilo em que foi aplicado. Assim, é espiritualmente quanto à unção do Santo no coração e na consciência. No caso da maioria das pessoas que têm verdade no entendimento, mas não é trazida ao coração pelo poder divino - o efeito é superficial.
Não há profundidade de experiência vital em seus corações; assim, eles se assemelham aos ouvintes pedregosos de quem lemos na parábola do semeador: "E outra parte caiu em lugares pedregosos, onde não havia muita terra: e logo nasceu, porque não tinha terra profunda; mas, saindo o sol, queimou-se e, por não ter raiz, secou-se." (Mt 13: 5,6). Em seu caso, a Palavra não tem, como uma espada de dois gumes, que perfure até a divisão da alma e do espírito, das articulações e da medula, nem se afundou em suas consciências a ponto de discernir os pensamentos e intenções de seu coração. Mas, a unção do Santo, o ensino interno e a operação do Espírito penetra em cada coração ao qual ele vem. Não se situa apenas na superfície; não muda apenas o credo; não altera apenas a vida exterior. Vai mais profundo do que credo, lábio, ou vida; ele afunda nas próprias raízes da consciência. Se sua religião nunca penetrou abaixo da superfície, ela não tem essa grande prova de ter vindo de Deus. A religião de Deus consiste na unção do Santo que vai abaixo da casca e da pele; que trabalha até o fundo do coração do homem e abre-o e coloca-o nu diante dos olhos daqueles com quem tem que lidar. É em virtude desta unção que nossos motivos secretos são revelados, e o orgulho, a justiça própria, a presunção, o egoísmo e toda a depravação que fermenta no coração de um homem são abertos. É pelos efeitos penetrantes desta luz divina e vida na alma de um homem que todos os funcionamentos secretos de seu coração são descobertos.
Um homem nunca pode detestar-se no pó e na cinza, nunca abominar-se como o mais vil dos vis até que este óleo de unção secreta toque seu coração. Ele ficará satisfeito com um nome para viver, com uma profissão vazia, até que este ensinamento de Deus o Espírito passe por cada manto e véu, e busque nos próprios órgãos vitais, de modo a afundar nas profundezas secretas do espírito de um homem. Ele nunca é absolutamente honesto com Deus ou com ele mesmo, até que a unção do Santo o faça ver a luz na luz de Deus. Ainda, a unção, ou óleo é de uma natureza PROPAGADORA. Ele se difunde, como é chamado. Não se limita ao pequeno ponto em que cai, mas estende-se em todas as direções. Assim é com o ensinamento untuoso do Espírito Santo no coração de um homem. Ele se espalha através da alma. Portanto, o Senhor o compara ao fermento (Mt 13.33). Como funciona o fermento? É muito pequeno em si mesmo, um pequeno caroço; mas quando colocado na grande massa de farinha, ele se difunde através de cada parte dela; de modo que nem uma única migalha do pão fica sem ser afetada por ele. Assim, onde quer que a unção do Santo toque o coração de um homem, ela se espalha, ampliando e estendendo suas operações. Comunica, assim, dons divinos e graças onde quer que venha. Ela confere e extrai a fé, e dá arrependimento e tristeza segundo Deus, causa autoaborrecimento secreto, separação do mundo, atrai as afeições para cima, torna o pecado odiado, e Jesus e sua salvação amados.
Agora, se você tivesse um filho, e estivesse muito ansioso por seu crescimento, você não gostaria de ver o braço e a perna da criança crescerem, e as outras partes do corpo permanecerem como estavam. Você não gostaria de ver sua cabeça crescendo muito mais rápido do que o corpo; você logo teria medo de que a criança morresse. E ainda assim você encontrará alguns professantes que crescem somente em uma coisa; eles nunca crescem em simplicidade, oração, espiritualidade, vigilância e mente celestial. Sua fé, se quisermos acreditar em suas próprias declarações, cresce muito, mas nunca vemos as outras graças e os frutos do Espírito crescerem neles. Mas, um crescimento tão monstruoso como este não é o crescimento do novo homem da graça. Que cresce igualmente em todas as suas partes, e cada membro tem uma proporção harmoniosa em relação ao restante. Se a fé aumenta, a esperança e o amor crescem - e, quando a fé, a esperança e o amor crescem - a humildade, a espiritualidade e a simplicidade, a morte para o mundo e todas as demais graças e todos os demais frutos do Espírito crescem na mesma proporção. Onde quer que a unção do Espírito Santo toque o coração de um homem, ela se difunde por toda a sua alma e o torna totalmente uma nova criatura. Ela dá novos motivos e comunica novos sentimentos; ela amplia e derrete o coração, espiritualiza e atrai as afeições para cima, e produz o que o apóstolo declara como os efeitos da união com Cristo:
"Portanto, se alguém está em Cristo, é uma nova criatura: as coisas velhas já passaram, eis que todas as coisas se tornaram novas." (2 Cor 5: 17).
Dessa santa unção João diz que ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira. Sem ela toda a nossa religião é uma bolha, e toda a nossa profissão é uma mentira; sem ela todas as nossas esperanças acabarão em desespero. Vejam, pois, vocês que temem ao Senhor, ou desejam temê-lo - se poderão encontrar algo desta unção do Santo em repouso no seu coração - qualquer secreto derretimento do seu espírito diante do Senhor, de afeição no seio de Jesus, qualquer sentimento avassalador e esmagador desse amor que transmite conhecimento; qualquer desejo interior de desfrutá-lo e deleitar-se inteira e unicamente nele. Agora, esta unção do Santo será sentida apenas quando o Senhor, o Espírito, tem o prazer de trazê-la em sua alma. Pode ser senão uma vez por ano, uma vez por mês, ou uma vez por semana. Não há tempo fixado para isso ser dado; mas apenas em tal época e de tal maneira como Deus vê o ajuste. Mas, sempre que chegar ao coração, suas operações e efeitos serão os mesmos, os sentimentos que ela cria e os frutos que produzem serão os mesmos. Que misericórdia ter uma gota desta unção celestial! Desfrutar de um sentimento celestial! Provar a menor medida do amor de Cristo derramado no coração!
Que misericórdia indizível é ter um toque, um vislumbre, um olhar, uma comunicação da plenitude daquele que preenche tudo em todos!
Isto santifica todas as nossas orações; isto santifica a pregação, santifica as ordenanças, nosso culto público, as pessoas, os sacrifícios, as ofertas de todos os adoradores espirituais; como eu leio: "Para que eu seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que a oferta dos gentios seja aceitável, santificada pelo Espírito Santo" (Romanos 15:16).
É a doce unção do Santo que une os corações do povo de Deus em laços indissolúveis de amor e afeto. Por esta unção do Santo, conhecemos a verdade, cremos na verdade, amamos a verdade e somos mantidos na verdade dia após dia e hora após hora. É esta a grande coisa que sua alma está ansiando e pressionando para desfrutar? Nos afundamentos secretos ou nos levantamentos secretos de seu espírito nas mais íntimas sensações do seu coração para com Deus, a unção do Santo, a unção divina do Espírito Santo é a coisa principal que você está procurando? Sem essa unção do Santo, não temos sentimentos ternos em relação a Jesus, nem desejos espirituais de conhecê-lo e poder de sua ressurreição; sem esta unção não temos nem um só sopro de oração, nem um suspiro espiritual ou anseio em nossa alma. O povo do Senhor frequentemente anda num estado de trevas; por esta unção do Santo, eles são trazidos para a luz.
Por esta unção do Santo, eles são sustentados sob aflições, perplexidades e tristezas. Por esta unção do Santo quando eles são injuriados eles não insultarão novamente. Por esta unção do Santo veem a mão de Deus em todo castigo, em toda providência, em toda provação, em cada dor e em todo fardo. Por esta unção do Santo podem suportar castigo com mansidão, e colocar a sua boca no pó, humilhando-se sob a poderosa mão de Deus.
Toda palavra boa, toda boa obra, todo pensamento gracioso, desejo santo e sentimento espiritual devemos a esta única coisa: a unção do Santo.
É uma coisa solene ter uma unção do Santo, e é uma coisa solene não tê-la. É uma coisa solene viver sob esta doce unção; mas que coisa solene é ter uma profissão religiosa e nada saber desta doce unção! Se no grande dia quando os únicos que serão salvos forem os que tiveram essa unção do Santo, onde estarão os milhares que tiveram apenas um nome para viver? Se isso é verdade, como é, onde estarão milhares no último dia, quando o Juiz vai sentar-se sobre o grande trono branco?
Mas, se a unção do Santo está sobre um homem, ele é um vaso consagrado de misericórdia; a ira, a justiça e a lei não podem tocá-lo; o óleo da unção está sobre ele, a bênção de Deus repousa sobre sua alma, e ele está seguramente escondido no oco da mão de Deus, da ira que está vindo sobre o mundo.
Vejamos agora como em virtude desta unção do Santo, nós conhecemos todas as coisas.
E você sabe todas as coisas. O que o apóstolo quer dizer com isso? Quer dizer que eles realmente sabem todas as coisas, todos os domínios da ciência; todos os departamentos variados da arte? Oh não; o povo do Senhor é um povo muito pobre, e geralmente um povo muito ignorante em questões de conhecimento humano. Não; eles são ignorantes para a maior parte dos vários ramos do conhecimento humano. Não é sua província saber o que os eruditos deste mundo conhecem; pois tal conhecimento não é para seu conforto ou lucro espiritual. É uma misericórdia ignorar o que os sábios deste mundo consideram as únicas coisas que valem a pena ser conhecidas.
Nem significa que eles conhecem todos os mistérios do evangelho. Muitos do povo de Deus ignoram os pontos finos da divindade, e muitos professantes mortos no pecado e que vivem segundo o curso deste mundo são muito mais conhecedores da letra das Escrituras e do grande plano da salvação do que alguns dos pobres da verdadeira família de Deus.
Mas, por esta expressão podemos entender que eles sabem tudo o que é proveitoso, todas as coisas necessárias, como diz o apóstolo Pedro: "Todas as coisas que pertencem à vida e à piedade" (2 Pedro 1: 3). Quais são, então, algumas dessas coisas?
1. Eles se conhecem. O conhecimento de si mesmo é indispensável para a salvação. Se um homem não se conhece, não pode conhecer a Deus; se um homem não se conhece, não pode conhecer o Filho de Deus.
Conhecer-nos e ver-nos nas verdadeiras cores como pobres, miseráveis, imundos, pecadores culpados, filhos perdidos, com um coração enganoso acima de todas as coisas e desesperadamente corrupto, com uma natureza profundamente depravada, desamparada e sem esperança. Conhecer a nós mesmos pararia todo o tipo de jactância. Pararia de pensar em si mesmo melhor do que os outros, e eficazmente derrubaria toda a retidão da criatura, se um homem uma vez teve a unção do Santo em seu coração e consciência, fazendo-se conhecido para si mesmo.
Por esta unção do Santo, conhecemos nossa pecaminosidade, nossa terrível, desesperada e abominável pecaminosidade; por esta unção do Santo, conhecemos nossa hipocrisia, nossa terrível e desesperada hipocrisia; por esta unção do Santo, conhecemos a nossa obstinação, a nossa perversidade, a nossa alienação de Deus, a nossa prontidão para com o mal e a nossa terrível aversão ao bem; por esta unção do Santo, sabemos que merecemos a ira eterna de Deus, que por natureza estamos a uma distância infinita de sua pureza; que somos todos como uma coisa imunda, e que todas as nossas justiças são como trapos imundos.
Se um homem não está enraizado e fundamentado no conhecimento do eu, ele nunca pode ser enraizado e fundamentado no conhecimento de Cristo como um Salvador: "O Filho do homem veio para buscar e salvar o que estava perdido" (Lucas 19.10).
Portanto, se uma pessoa não se conhece como perdida, nem geme, nem suspira por estar perdida, tudo o que Jesus é e tudo o que Jesus tem para os pobres pecadores perdidos está oculto aos seus olhos. Esta é a razão de haver tanta profissão sem possessão; tanto da letra sem o Espírito, tanta doutrina sem o poder.
Mas, quando somos ensinados pelo Espírito Santo a nos reconhecermos perdidos e arruinados, então queremos saber que há um Salvador, e um Salvador como esse pode nos salvar de nossa condição perdida. Não é de admirar que os homens desprezem a Pessoa de Cristo, não admira que eles neguem sua divindade eterna, subjugada; não admira que eles neguem a Filiação eterna de Jesus e a personalidade e operações de Deus o Espírito; não é de admirar que espezinhem o mistério divino da Trindade. Eles nunca se viram; eles nunca gemeram debaixo de uma carga de pecado; nunca tiveram um conhecimento de si mesmos em sua ruína e depravação.
2. Nem podemos conhecer a pureza e a espiritualidade da santa LEI de Deus, senão por esta unção do Santo.
3. Nem podemos saber que as escrituras são verdadeiras, ou que Deus revelou sua mente e vontade nelas, exceto em virtude desta unção do Santo.
4. Nem podemos saber se há um JESUS, um Mediador divino, um Homem que é Deus conosco, senão em virtude desta unção do Santo.
Podemos ter opiniões e noções corretas; podemos ter especulações flutuando no cérebro; senão pelas visões do Filho de Deus em seus sofrimentos e agonias que podemos ter pela unção do Santo. Ver a corrente de sangue expiatório do seu corpo sangrando, ver o seu manto glorioso de justiça, justificar e cobrir os pecados do seu povo, ver o Santo Mediador intercedendo à direita do Pai e ter a alma quebrantada na visão de Cristo como Deus e Salvador, senão pela unção do Santo sobre o coração, que pode nos dar esse conhecimento daquele que nos concede a vida eterna.
5. Nem podemos conhecer o PERDÃO de nossos pecados, senão em virtude desta unção do Santo. Não podemos saber que o sangue de Jesus Cristo purifica de todo pecado, senão em virtude da unção do Santo.
6. Nem podemos conhecer a liberdade do evangelho ou as doces manifestações do Senhor da vida e glória, ou caminhar em liberdade, como Davi fala no Salmo 119:45, nem podemos desfrutar da doçura e bem-aventurança de um evangelho Libertador, senão por esta unção. Não podemos sair das trevas para a luz, da escravidão para a liberdade, senão pela unção do Santo. Nem podemos saber qual é a graça de Deus, nem a ternura de um Pai, nem sua vigilância sobre os seus filhos como o Pai mais afetuoso, nem o derramamento do seu amor no coração, nem o testemunho interior do Espírito de adoção, que nos permite clamar, Abba, Pai, senão em virtude da unção do Santo.
7. Nem podemos saber o que é ter uma casa celestial, um porto de repouso e paz, uma mansão abençoada acima, onde as lágrimas são apagadas de todos as faces, senão em virtude desta unção. Quão necessário é, então, como é indispensável para uma alma que está à beira da eternidade, que é provada e perturbada à vista da morte e do juízo, saber que ela tem alguma unção do Santo que repousa em seu coração e consciência! Mas, se ele tiver a unção do Santo, haverá frutos e efeitos, haverá alegria sagrada e desejos; o coração não será sempre estéril, escuro e infrutífero; não será sempre agarrado às coisas do tempo e do sentido. Haverá algo na alma distinto destas coisas como luz das trevas, e céu da terra. Haverá humildade, quebrantamento, ternura, contrição, espiritualidade afetiva como diferente do espírito do mundo, como Cristo de Belial. Essa unção do Santo que toca o coração e a consciência de um homem o tornará mais ou menos manifesto como uma nova criatura; tornará a religião espiritual mais ou menos o elemento em que sua alma vive e se move; ela o transformará, como diz o apóstolo, "na renovação de sua mente"; as coisas velhas passarão; sim, todas as coisas se tornarão novas; com ela é feliz; sem ela, é um miserável. Com esta unção do Santo, tudo é simples, abençoado e claro; sem ela tudo é escuro e confuso; com ela haverá um sabor na leitura das Escrituras, e elas serão mais doces para a alma do que o mel e o destilar dos favos; sem ela as Escrituras não são senão um enigma, um cansaço e um fardo. Com ela, a oração é doce e deliciosa para a alma - e a oração, a pregação e a audição são, igualmente, abençoadas; sem tudo isso é escuro e confuso; não sentimos a importância das coisas que estamos ouvindo e falando.
Com esta unção do Santo, as ordenanças de Deus são abençoadas; vemos uma grandeza e uma beleza na ordenança do batismo, e uma doçura na ordenança da Ceia do Senhor. Com esta unção do Santo, o povo de Deus é altamente valorizado como nossos principais companheiros; sem ela não nos importamos com eles, e sentimos como se preferíssemos sair de sua companhia do que entrar nela. Com ela as coisas eternas são grandes e preciosas, as únicas coisas que valem a pena buscar ou ter, sem ela as coisas eternas desaparecem, e as coisas do tempo e do sentido ocupam a mente - ela fica engajada no mundo e as realidades eternas ficam fora de vista.
Que diferença na alma de um homem quando tem essa unção e quando não a tem! Quando a unção repousa sobre o coração de um homem, faz uma mudança tão grande como quando o sol nasce e a noite desaparece; como quando a primavera chega e o inverno se vai. Agora você acha que sabe a diferença? Isso revela sua religião? Você tem essas mudanças interiores, essas alternâncias, escuridão e luz, verão e inverno, dia e noite, tempo de semente e colheita, frio e calor - estas são figuras da obra de Deus na alma. Nós precisamos de ambos.
O trigo precisa do inverno, bem como da primavera e do verão. Precisamos da noite tanto quanto do dia; do sol tanto como da ausência dele. Assim, espiritualmente; precisamos da unção, e às vezes precisamos da retirada da unção, porque ficaríamos orgulhosos, como Deer fala: “O coração eleva os dons de Deus e torna a graça um laço." Agora, se alguma vez sentiu em sua alma a menor gota desta unção, você será salvo. Os filhinhos a quem o apóstolo escreveu, dizendo: "os seus pecados são perdoados", eram apenas fracos, mas com essa unção tudo tinha chegado para cobrir seus pecados. Os mais débeis, portanto, os mais trêmulos, os mais duvidosos e os mais temidos, os mais exaltados, os mais autocondenados, se tiverem apenas a menor queda desta unção do Santo em suas almas, são pecadores perdoados e estarão com Cristo em glória. Quando Moisés consagrou os utensílios no tabernáculo, não foi a quantidade do óleo da unção que ele colocou, que os santificou; se ele mergulhasse o dedo mínimo no óleo e apenas tocasse o vaso, era tão consagrado como se colocasse ambas as mãos no óleo da unção e esfregasse tudo. Assim, espiritualmente, o menor toque desta unção de Deus, o Espírito Santo sobre a consciência, a menor gota deste óleo santo, caindo do Espírito no coração, santifica-o e ajusta-o para o céu. Tudo isto porque Jesus é o verdadeiro Arão da Igreja, por meio do qual a unção do Espírito desce para nós da Sua cabeça até a borla de Suas vestes, e pinga sobre nós quando nos encontramos sob os Seus pés.
"É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes." (Salmo 133:2)
A verdade ilustrada nesta bela passagem, admitimos, é um grande e santo amor fraternal. "Eis quão bom, quão agradável é para os irmãos viverem juntos em unidade!" Gostaríamos de ver mais disso na igreja professante de Deus! Então os discípulos de Cristo seriam mais marcados e distinguidos como tais, se estivessem debaixo da unção do Espírito. "Pois com isto todos saberão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros". Mas é à santa e preciosa unção que dirigimos especialmente a atenção do leitor. O assunto é de importância essencial. É a possessão pessoal desta unção que constitui o nosso verdadeiro cristianismo. A religião da grande maioria é apenas a religião do sentimento, a religião da forma, a religião do ritualismo - uma religião absolutamente destituída de uma partícula dessa unção divina e preciosa. É, portanto, da maior importância que cada leitor desta obra institua o autoexame mais rígido para averiguar sua posse real do Espírito Santo, o que unge e a unção, sem a qual podemos ter senão "um nome para viver enquanto estivermos mortos"; "tendo uma forma de piedade, sem o poder dela".
O ofício do sacerdócio sob a dispensação levítica era considerado como uma das mais altas designações de Deus em Sua Igreja. O sacerdote estava, por assim dizer, no lugar de Deus. Ele era o vice-rei de Jeová –
o meio de comunicação de Deus para o povo, e do povo para Deus. Ele deveria receber a palavra da boca de Deus, e comunicá-la ao povo; E, por sua parte, ele deveria oferecer sacrifício, tomar das suas ofertas e apresentá-las ao Senhor. Ver-se-á assim que o sacerdócio era um dos ofícios mais elevados e mais sagrados da Igreja de Deus. Foi de fato associado com a realeza. Melquisedeque era sacerdote e rei, um sacerdote real. A este respeito, ele foi um tipo notável de nosso Senhor Jesus Cristo, que, por um dos profetas, é designado um "sacerdote sobre o seu trono", e que está em sua Igreja na dupla relação de rei e sacerdote. Tal é a dignidade com que sua união com Cristo levanta o Seu povo. Eles são, em virtude dessa união, um "sacerdócio real", "oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus através de Cristo".
Observamos, em relação ao sacerdócio sob a velha dispensação, que tão importante era a instituição, as instruções dadas por Deus para a seleção dos sacerdotes, e sua designação para o ofício, que eram do caráter mais minucioso e significativo. As instruções de Deus sobre a composição do unguento - o óleo precioso - pelo qual Aarão e os sacerdotes foram separados para seu santo ofício, são minuciosas e instrutivas, como vemos em Êx 30.22-25, 30, onde as medidas dos elementos preciosos que deviam ser adicionados ao azeite indicavam a exatidão de uma obra que procedia de Deus.
Tanto isto era assim, que tal fórmula não poderia ter um uso comum pelo povo, senão somente ser usada para a unção dos sacerdotes e dos utensílios do tabernáculo para que fossem santificados.
Quão profundo e precioso é o significado espiritual de tudo isso! A grande verdade que se destina a ilustrar é a natureza e a preciosidade daquela santa unção, da qual todos os "sacerdotes reais" de Cristo são participantes, e além disso toda a religião, a mais intelectual, poética e estritamente ritual, é vã e morta, espúria e inútil. Uma gota deste óleo sagrado, esta unção divina, tem mais de Deus, mais de Cristo, mais do Espírito Santo, e mais substância, doçura e preciosidade do que todas as religiões do homem, as mais caras, esplêndidas, e imponentes, combinadas.
Em uma frase, definimos a natureza divina e o valor essencial dessa preciosa unção - consiste na permanência do Espírito Santo na alma. Não nos admiramos, então, que, no desdobramento típico dessa verdade, devesse haver tal acumulação de coisas preciosas, perfumadas e caras. E, no entanto, quão longe abaixo do antitipo ele cai! Que coisas terrenas, as mais raras e preciosas, podem transmitir qualquer ideia adequada da natureza divina e do valor essencial do Espírito Santo? Quem é ele? Há aqueles que o reduziriam a um mero atributo de Deus - uma influência do Altíssimo - uma emanação da Divindade - um princípio divino! Infelizmente!

Quantos, mesmo do próprio povo do Senhor, têm apenas as visões mais fracas e imperfeitas da dignidade pessoal e da obra oficial do Espírito Santo, que ainda recuariam com aborrecimento ao pensar em manter um sentimento no mínimo desprezador da Sua glória.
E entre aqueles que rejeitam total e abertamente a dignidade divina do Espírito, negando totalmente Sua unidade pessoal com a Divindade, a que sutis distinções e sofismas ociosos, na inimizade da mente carnal à verdade revelada de Deus, recorrerão, em vez de aceitar as simples declarações da Bíblia? Mas quem é o Espírito Santo? Nossa mente está cheia de reverência sagrada e solene ao inscrever as palavras - O ESPÍRITO SANTO É A TERCEIRA PESSOA DA DIVINDADE. Quando abrimos a Palavra revelada e lemos as palavras que compõem A formula do batismo e a bênção apostólica, quem pode duvidar dessa verdade? Quanto ao primeiro, lemos: "Ide, pois, ensinando todas as nações a fazerem discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". (Mateus 28:19.) Ao tocar nisto está escrito: "A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo, estejam com todos vós. Amém". (2 Cor 13:14.)
O que diremos a estas declarações distintas e enfáticas? Duvidamos delas? Negamos e as rejeitamos? Deus me livre! Amado leitor, não há nenhum pensamento secreto em sua mente que desconsidere a Pessoa Divina do Espírito Santo?
Não há suspeita de suas pretensões ao seu amor, adoração e obediência? Você tem para com Ele sentimentos de santo temor, reverência filial e fé implícita como aqueles com os quais você considera o Pai e o Filho? Em uma palavra, você honra, ama, e ora ao Espírito Santo, assim como você ama, honra e ora às pessoas primeira e segunda da sempre abençoada Trindade? Oh, não se esqueça que a dívida de amor, confiança e obediência que você deve ao Espírito é a mesma! Como você não poderia ser redimido e salvo sem o derramamento de sangue do Filho, assim você não poderia ser regenerado e santificado, senão pelo poder divino do Espírito Santo. Tal é, então, a sagrada unção do sacerdócio real! A possessão do Espírito Santo, em todas as Suas perfeições divinas e relações oficiais, por cada crente em Jesus, é a unção preciosa pela qual ele é separado como um sacerdote do Deus Altíssimo. Podemos conceber qualquer bênção mais cara e preciosa? Dessa bênção você é o destinatário se você é um crente no Senhor Jesus. E a Palavra de Deus declara: "Vocês receberam o Espírito de adoção". "O Espírito de Deus habita em vós".
Quão precioso é o trabalho do Espirito! - tão precioso que toda a linguagem, toda a imagem, falha expressá-lo. Se, amado, você é um templo, um santuário do Espírito Santo, há mais de Deus, mais de glória divina, habitando dentro de sua alma, do que em todos os mundos que Deus fez, conhecidos e desconhecidos.
Oh, quão imperfeitamente nós estimamos o valor e alto chamado de um santo de Deus! A glória de um crente em Cristo - como a glória daquele cujo filho ele é - é uma glória oculta. - A filha do Rei é toda gloriosa por dentro. Onde mora a sua corrupção escura, onde o grande conflito está passando, mesmo lá, em meio a tanto que é oposto na natureza e hostil em espírito, a grande glória do filho de Deus habita, e toda essa glória oculta consiste na obra do Espírito Santo na alma. O coração quebrantado pelo pecado, o espírito de autoaborrecimento, a fé trêmula em Cristo, a sede de santificação, o sopro de Deus, são partes componentes da divina e preciosa unção que o santificou como sacerdote do Deus Altíssimo.
As influências do Espírito Santo entram essencialmente na preciosa unção do crente. Que progresso na vida divina pode haver além disso? Esta unção sagrada precisa de cuidado e reabastecimento perpétuos. O espírito de oração em nossas almas - quão reprimido é! O espírito de adoção - como ele descai! O espírito do amor - como ele enfraquece! O espírito de fé - como flutua! O espírito de Cristo - como ele diminui! Mas o Espírito Santo desperta, revive e restaura com novas inspirações de Sua influência. Um vendaval dele carrega em suas asas vida, fecundidade e fragrância.
Quando o "vento sul" sopra sobre a alma, as especiarias fluem para fora, e Cristo entra no Seu jardim, come Seu fruto agradável, e reúne Sua mirra e Sua especiaria.
E então, reavivada e revigorada por uma emanação renovada da graça do Espírito, a atmosfera moral em que o cristão caminha é permeada e perfumada com a fragrância desta unção preciosa. Você pode, então, estimar seu valor? Esse sopro do coração, aquela respiração da alma, aquele vislumbre de Jesus, aquela hora de proximidade a Deus, aquele prazer momentâneo da presença Divina - oh! Você a teria trocado pelas melhores e mais caras, alegrias mais valiosas da terra! Amados, não vivam, como sacerdotes de Deus, sem a sensível habitação do Espírito Santo. Vivam em união e comunhão consciente com Ele - procurem estar cheios de Suas influências. Se a oração enfraquece - se a graça descai - se a afeição esfria - se houver qualquer recaída descoberta de sua alma na vida divina, procure imediata e fervorosamente a nova comunicação desta unção divina. "Que as tuas vestes sejam sempre limpas, e que não falte o óleo sobre a tua cabeça."
A indestrutibilidade desta unção é o último elemento de sua preciosidade a que aludimos. Não é pouca misericórdia para com um filho de Deus, que em meio à evanescência do sentimento espiritual, ao refluxo e ao fluxo da experiência cristã, nada afeta a natureza imperecível da unção divina pela qual ele foi uma vez e para sempre consagrado a um sacerdócio imutável. Todos os perfumes da terra evaporam e morrem; a praga está sobre cada flor, a maldição está em tudo que é doce; mas aqui está o que nunca pode ser destruído.
Uma vez que o Espírito Santo vivifica a alma com o sopro da vida, uma vez que ele acende uma centelha de amor a Deus no coração, uma vez que Ele respira sobre o crente este perfume celestial, ele possui uma bênção que nenhuma idade pode prejudicar, e que nenhuma circunstância pode mudar. Podem existir influências hostis que pareçam perturbar sua existência - a mágoa interior do pecado ameaçaria sua pureza e doçura - mas nada jamais prevalecerá para destruir a obra do Espírito no coração do regenerado. É uma unção incorruptível - tem uma fragrância imperecível. O poder e o perfume do mesmo descerão com o crente ao sepulcro, embalsamarão e preservarão a poeira adormecida dos eleitos de Deus, até que, na manhã da primeira ressurreição, a trombeta do arcanjo lhes peça que se levantem para encontrar seu Senhor no ar.
Como o perfume da rosa ainda persiste nas ruínas quebradas e desintegradas do vaso quebrado, assim o divino perfume da graça interior, regeneradora e santificadora do Espírito Santo se apega ao crente, suas obras e memória, muito tempo depois da morte Terá arruinado a estrutura material, e terá retornado ao pó de onde veio. "O justo será tido em eterna lembrança". "A memória do justo é abençoada."
Mas, enquanto mantemos a indestrutibilidade essencial desta preciosa unção, não deixamos de advertir o crente contra o que ainda pode prejudicar gravemente seu vigor, obscurecer sua beleza e diminuir sua fragrância.
Essencialmente não pode perecer, mas influentemente pode. Intrinsecamente não pode ser destruído, mas eficientemente pode. Um elemento nocivo pode insinuar-se neste unguento divino, e formar com ele uma mistura desagradável. "As moscas mortas fazem com que o unguento do perfumista emita mau cheiro; assim um pouco de estultícia pesa mais do que a sabedoria e a honra." (Eclesiastes 10: 1). Uma caminhada desigual, um espírito descontraído, uma conduta dessemelhante a Cristo podem misturar-se com esta unção preciosa, e assim destruir sua fragrância e prejudicar seu poder.
A influência moral da Igreja no mundo é proporcional à sua separação espiritual do mundo. A luz que ela emite em toda a terra será graduada por sua elevação santa acima da terra. O candelabro que ilumina um quarto é suspenso em seu centro. A Igreja de Deus é o candelabro moral do mundo. O Sol Divino de quem ela recebe o seu sagrado brilho, condescendente, mas enfaticamente, pronunciou-a a "luz do mundo". Segue-se, portanto, que a influência espiritual que a Igreja deve exercer no mundo como conservadora da verdade, como testemunha de Cristo e como instrumento para guiar os homens ao Salvador, será poderosa e bem-sucedida, saudável e poderosa, proporcional à sua própria elevação moral, santidade e espiritualidade.
O que se aplica à Igreja como um corpo congregacional, aplica-se igualmente ao cristão individual.
Oh, que bênção é na esfera em que ele se move ser um homem de Deus, vivendo sob a rica unção do Espírito Santo! É impossível que ele possa ser escondido. "O unguento de sua mão direita revela-se." E o sabor moral desse unguento - a santa e celestial fragrância que flutua ao seu redor - testifica a todos os que são trazidos dentro de sua influência, a Deus, a Cristo, à eternidade. Veja, então, que sua religião não seja metade cristã, metade infiel; metade sincera, e metade comprometedora. Cuidado com a "mosca morta no unguento." O mundanismo da vida - a cobiça do coração - um temperamento imperdoável - uma mente terrena e rastejante - um espírito faltoso e censurável - uma falta de integridade e de retidão de princípio em seus tratos com os homens - uma rebelião secreta de vontade contra o governo, a providência, a disposição de Deus, pode ser apenas essa "mosca morta". Estas podem ser as coisas, ou outras de caráter semelhante, que diminuem a sua espiritualidade, prejudicam o seu vigor espiritual, sombreiam a sua luz divina, põem um véu sobre a sua preciosa unção e tornam a sua influência moral como um trabalhador muito pouco útil para Cristo e para o homem, e sua caminhada como um crente em Jesus tão pouco honrosa para Deus.
Uma parte vital de nosso assunto continua a ser considerada - a confluência deste óleo precioso no Senhor Jesus Cristo, o verdadeiro Arão espiritual do "Sacerdócio Real".
Nós denominamos isto uma verdade vital, e justamente assim, porque é a fonte de toda a vida espiritual para o crente. Somos cristãos na verdade somente quando somos um com Cristo. Nós somos ramos vivos na realidade somente quando nós temos a união com Jesus, a videira viva. Nós somos um sacerdócio ungido somente em virtude de nossa relação sacerdotal com Ele, o Grande Sumo Sacerdote de Sua Igreja. Aqui está a união; e esta união é vida. Agora, nosso bendito Senhor Jesus foi ungido com o Espírito Santo. Sua natureza humana foi preenchida com o Espírito, e nisto consistiu Sua unção divina, e nesta unção Sua consagração como o Sacerdote Real Cabeça de uma sucessão de sacerdotes reais. Quão claros e belos são os testemunhos inspirados desta verdade! Por exemplo, no Antigo Testamento lemos: "Encontrei a Davi, meu servo, com o meu santo óleo o ungi". (Salmo 89:20.) "Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria, mais do que a teus companheiros." (Sl 45:7). "Eis aqui, ó Deus, o nosso escudo, e olha para o rosto do teu ungido". Agora, em que consiste essa unção de Cristo, senão na plenitude do Espírito Santo? Assim, lemos: "Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo". (Atos 10:38.)
Portanto, a plenitude do Espírito que habita no lar, "Porque Deus não dá o Espírito por medida a ele".

Sua humanidade devido à sabedoria com que falava, pelo entendimento com que discernia, o que o fazia de "compreensão rápida no temor do Senhor", pelo poder com que operava e pela beleza que, em meio à Sua humilhação e aflição, o tornaram tão transcendentalmente glorioso, foi devido à plenitude do Espírito Santo. Oh, qual seria nossa humanidade se ela fosse cheia, como foi o Filho de Deus, com a plenitude do Espírito! E se, em nosso caráter cristão, devemos nos aproximar desse modelo - em uma palavra, se devemos ser semelhantes a Cristo - precisamos ser mais ricamente reabastecidos com o Espírito Santo. "Sabemos por isso que Ele (Cristo) permanece em nós, pelo Espírito que nos deu". (1 João 3:24). Teremos a certeza de nossa união a Cristo, de Sua casa em nossos corações, de nossa relação com a semente real, o verdadeiro sacerdócio, pela habitação do Espírito. Ó Divino Espírito Santo! Entre em nós, indignos que sejamos; faça a sua casa em nossos corações, embora sejam vis; sopra vida e amor, paz e alegria, em nossas almas; ensina-nos, santifica-nos e torna-nos divinos, fazendo-nos felizes com Cristo, fazendo-nos santos, e assim nos encha e nos ocupe para que não haja espaço para o reinado do pecado, do poder do mundo, e do amor de si mesmo.
Amados, vocês não podem sitiar o trono da graça para uma bênção mais necessária e maior do que a plenitude do Espírito Santo.
Não pense que empregamos uma expressão muito forte quando falamos da plenitude do Espírito. É registrado de Estêvão que ele estava "cheio de fé e do Espírito Santo". E que este não era um caso peculiar ou privilegiado, o apóstolo exorta todos os crentes a serem "cheios do Espírito". Buscai, pois, amados, para vossa alma esta unção divina. Não fique satisfeito com uma concessão medida da preciosa bênção, mas em sérias e importunas súplicas abra bem a sua boca, para que a encha! Oh, a prontidão do Espírito para dar a benção! Oh, a disponibilidade de Cristo, o Ungido, para saciar toda alma que deseja, e para reabastecer cada alma faminta de Sua própria plenitude transbordante! A dificuldade está em nós, não em Jesus. Busquem, então, com uma busca que não terá nenhuma negação, a plenitude do Espírito!
O óleo santo foi derramado sobre a cabeça de Arão. O Senhor Jesus - nosso Arão - foi ungido com o Espírito, como a CABEÇA da Sua Igreja. "Ele é a Cabeça do corpo, a Igreja". E a plenitude do Espírito que nele habitava não era para Si só, mas para ser comunicada a todos os membros de Seu Corpo místico. Tracem o curso deste óleo santo derramado assim sobre a cabeça de Arão. "Desceu até as orlas da sua veste". Como expressivo e instrutivo é o tipo! Em virtude da nossa união com Cristo, nos tornamos participantes de Sua preciosa unção. Tão claramente e indissoluvelmente somos um com Jesus, o Grande Sumo Sacerdote, compartilhamos em tudo o que Ele é e participamos de tudo o que Ele possui.
Ele nos comunica Sua vida, nos veste com Sua justiça, nos lava em Seu sangue, nos abre de Sua plenitude, e finalmente nos elevará para Sua glória, e compartilhará conosco Seu trono e reinaremos com Ele para sempre.
Esta unção que flui de Cristo é recebida por nós através da fé. A vida que vivemos em meio a conflitos diários, provação e labuta, vivemos pela fé do Filho de Deus. Este é o canal através do qual a unção sagrada flui para baixo para nós. Que princípio poderoso é este! Quando, no final do dia, jogamos a cabeça sobre o travesseiro e, em reflexão silenciosa, examinamos sua breve história, muitas vezes ficamos maravilhados com o modo como o atravessamos. Olhamos para trás sobre a pressão, a tentação, a provação, a tristeza, e nós somos uma maravilha para nós mesmos. O que foi isso que nos fez subir triunfalmente? Oh, era o poder da fé transmitindo em nossas almas a plenitude de Cristo! Foi o descer deste óleo santo de graça e força, de alegria, da nossa Cabeça entronizada e glorificada, que transmitiu sabedoria na perplexidade, clareza no juízo, força na tentação, fortaleza na paciência, mansidão na provocação, paciência no sofrimento, e deu-nos calma, paz e tranquilidade, em meio à agudeza da tristeza e ao surgimento da dor. A fé que se apoia e tira de Cristo é o segredo de tudo isso.
Mas, não apenas em virtude da união a Cristo, ou por meio da fé, somos nós os destinatários desta preciosa unção.
Ela flui do coração amoroso de Cristo, e é a doação gratuita e espontânea de Sua graça. Não há um ser no universo que Cristo ama como Ele ama os santos. Ele está constantemente ordenando, organizando e eliminando todos os eventos e circunstâncias para a promoção do seu bem-estar. Ele gostaria que Sua alegria permanecesse em nós, e que nossa alegria fosse plena. E cada sentimento de alegria santa que nos emociona, cada fonte de alegria sagrada que nos refrigera, cada brilho de sol divino que cai sobre nosso caminho, é uma emanação da unção Divina que destila de Cristo sobre nossas almas. O amor é a fonte de tudo, o amor é o transmissor de tudo, o amor é o fim de tudo. A luz não derrama mais do sol, nem a água da fonte, do que o "óleo de alegria" flui do coração de Jesus para o coração de seus santos. Veja quão livremente a preciosa unção flui - "O Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu para pregar boas-novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes; a ordenar acerca dos que choram em Sião que se lhes dê uma grinalda em vez de cinzas, óleo de gozo em vez de pranto, vestidos de louvor em vez de espírito angustiado; a fim de que se chamem árvores de justiça, plantação do Senhor, para que ele seja glorificado." (Isaías 61.1-3).
Ó palavras maravilhosas! Ó anúncios preciosos! Vem, minha alma, e escuta! A unção de Jesus não era para Si, mas para os outros. Era para o "manso", era para o "coração quebrado", era para os "que choram em Sião", era para o "cativo", era para "aqueles que estavam presos", era para aqueles que estão inclinados para o pó com o "espírito angustiado". Foi para pobres e vazios pecadores - almas que têm fome e sede de justiça - que sentem sua vileza e necessidade; que vêm a Ele como pecadores vazios para um Salvador pleno.
Quem abaixa um balde cheio no poço? Quem carrega um jarro cheio à fonte? É o vazio que viaja à plenitude. Então você deve vir, lidar com, viver e receber de Jesus. Um Cristo cheio e um pecador vazio percorrem a mesma estrada, lado a lado, passo a passo, de mãos dadas, para a glória. Com nenhum outro Cristo caminhará. O orgulhoso, o autossuficiente, Ele conhece de longe. Mas o pranteador espiritual, o coração quebrantado, o pobre de espírito, são aqueles sobre os quais Jesus se deleita em derramar o óleo de alegria, que faz brilhar seus corações, brilhar os seus lábios para louvar. "Unguento e perfume alegram o coração." Uma gota desta unção preciosa transformará sua tristeza em alegria, seu luto em dança, sua queixa em cântico; faz o nome, o trabalho e a simpatia de Jesus mais perfumados e preciosos, e faz a lâmpada do amor e da santidade queimar mais livremente e mais brilhantemente do que nunca.
Tais são alguns dos preciosos privilégios e bênçãos de uma união vital e inseparável de um pecador crente com o Senhor Jesus.
Um ponto instrutivo continua a ser considerado. O precioso unguento que estava sobre a cabeça de Arão desceu até as orlas de suas vestes: chegou até a extremidade de sua pessoa sagrada. O significado espiritual disso é particularmente precioso e encorajador para os "pobres de espírito" - para aqueles cujo autoconhecimento os leva a caminharem humildemente com Deus.
A alma humilde, crente, que está mais próxima e mais baixa aos pés de Cristo, recebe maior abundância dessa graça transbordante e descendente. Não há nenhum lugar no universo que concentre em si mesmo tanta bem-aventurança - onde reúna e agrupe, em poder focal, tantos privilégios santos e preciosos, como os pés de Jesus. Lá nós aprendemos, lá nós recebemos, lá nós nos abrigamos. Estamos seguros, porque estamos baixos - estamos felizes, porque estamos perto. "Ele dá graça aos humildes", e os mais humildes, os mais próximos, recebem a maior graça. Este é o seu lugar, ó crente? Não pense mal de tudo. Só há um que o ultrapassa: é o pé do trono em glória! E nenhuma alma se encontrará ao pé do trono no céu, que não se encontra aos pés do Salvador na terra. A humildade da postura pode, possivelmente, cegar o olho para sua bênção peculiar: uma mais ousada e mais confiante pode ser considerada preferível.
Mas não sejamos enganados; dá-me as lágrimas de Maria, em vez da jactância de Pedro. Deixe-me sentar-me com ela aos pés de Jesus, ao invés de ficar com o apóstolo confiante no julgamento. Ao suplicar por essa postura humilde, não imploramos por um estado de espírito que exclua a alegria santa, e uma esperança segura, como elementos estranhos a esta condição. Longe disso. A unção de Cristo - não é o "óleo de alegria"? E não dá "o óleo da alegria?" Certamente. Então, a alma crente que se prostra aos Seus pés, perto da Fonte de toda graça, simpatia e amor, participa da maior parte da "alegria do Senhor, que é a força de sua alma"; Porque "o humilde aumentará sua alegria no Senhor." Lá, também, a esperança derrama seus feixes de luz mais brilhantes. Pois, a "boa esperança pela graça", que o evangelho revela, resplandece mais resplandecente na alma, quando está reclinada aos pés de Jesus, e ela se apega à fé, brilha no amor e se funde na contrição.
Não fique contente sem a consciência desta preciosa unção. Não descanse satisfeito com um "nome para viver". Não admita nem confie que você é discípulo de Cristo, ou filho de Deus, mas procure este testemunho interior e divino. Implore a Deus o Espírito Santo para comunicar à sua alma diariamente esta unção preciosa. Este óleo santo dará transparência à sua mente, de modo que você terá um "julgamento correto em todas as coisas"; ele dará doçura ao seu temperamento, gentileza ao seu espírito, e lhe dará um coração humilde e amoroso. Cristo fará por ele com que você seja uma bênção para outros. Deixando de ser censurável, culpado e condenado, você será cheio de caridade e amor: a graça da bondade estará em seu coração, e a lei da bondade em seu lábio. Quando você vê um professante religioso orgulhoso de coração - elevado no espírito - cobiçoso em seus objetivos - condenando os outros, justificando-se - deturpando, antipático, áspero, você vê uma falta desta unção. Ele não está sentado aos pés de Jesus. É só ali que o crente vê tanto para censurar, para odiar e condenar em si mesmo, que ele não tem um olho para descobrir, nem uma língua para injuriar, nem uma mão para desvendar as falhas e imperfeições de um irmão. O santo óleo se esvazia e se estabelece.
Se, com fidelidade, for forçado a admoestar e repreender, transmitirá tanta ternura, mansidão e bondade de espírito, de tom e de palavras, como será um "óleo excelente" sobre a cabeça de um irmão cristão, o que o devolverá a Cristo pela irresistível lei do amor. E, oh, se a sua alma tem sede de saber mais de Jesus, procure mais seriamente a influência do Espírito Santo. Não descanse até que Ele lhe revele a Cristo. Como um sacerdote real, ungido de Deus, você possui o Espírito que habita em você, que se compromete a instruir, santificar e confortar, até que o Mestre venha e o leve para casa. "E quanto a vós, a unção que dele recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e
é verdadeira, e não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei." (I João 2.27). Vivendo sob esta unção que flui da Cabeça de Sua Igreja, até o membro mais baixo, mais pobre, mais obscuro, mais fraco de Seu corpo, seu coração suspirará e ansiará por sua aparição e orará: "Vinde, Senhor Jesus; venha rápido."

"Se vivemos no Espírito, vamos também andar no Espírito". (Gal 5:22). As premissas deste texto contêm uma notável e bela descrição da natureza da verdadeira piedade. É "viver no Espírito", e sua conclusão, uma descrição igualmente bela de seu desenvolvimento visível e progresso gradual, de modo que é dito: estar andando no Espírito. Estes são inseparáveis uns dos outros - não pode haver caminhada espiritual sem vida, e onde há vida, haverá andar.
O pecador não convertido está em estado de morte espiritual; "Ele está morto em delitos e pecados". Ele tem uma existência animal, intelectual e social - mas, quanto às coisas divinas e celestiais, ele está tão morto para estas coisas quanto um cadáver está para objetos materiais circundantes; ele não tem percepção espiritual, nenhuma sensibilidade santa, nenhuma simpatia piedosa, nenhuma verdadeira atividade religiosa; ele está destituído de toda vitalidade espiritual. A regeneração é a transição do pecador deste estado para um que é o seu oposto; é o início de uma nova existência espiritual.
A regeneração não acrescenta novas faculdades naturais, mas apenas dá um viés e direção corretos para aqueles que, como criaturas racionais, já possuímos.
Há duas descrições que a Escritura nos deu deste novo e santo estado ou condição, em que a graça divina nos traz. O primeiro está nas palavras de nosso Senhor: "O que nasceu do Espírito é espírito". (João 3: 6). É Espírito. Isso não significa a natureza inteligente do homem, ou seja, sua compreensão ou faculdade de raciocínio; nem sua alma, ou seja, sua natureza animal - estes ele já tem. Mas, significa uma nova natureza espiritual, um espírito que entra no espírito de um homem; um espírito colocado em si mesmo.
Não é uma coisa que está na superfície de um homem, que consiste em meras fórmulas, cerimônias, ou conversa; mas que entra nele, assenta-se e centra-se em sua mente, e toma posse de seu íntimo, como a alma de sua própria alma. A verdadeira religião é o ESPÍRITO - algo produzido pelo ESPÍRITO DIVINO INFINITO, e da natureza e semelhança de seu Pai, por quem é gerado.
É uma coisa, quanto à sua essência e existência verdadeira, invisível como a alma em que ela habita - mas animando assim um corpo com o qual está unida. Quando o profeta falava com desprezo e menosprezo do poder egípcio, ele diz: "Seus cavalos são carne, e não espírito".
A verdadeira religião, ao contrário, não é a carne, mas o espírito, como se não houvesse outra coisa que merecesse o termo, e todos, além desta nova, santa, celeste, divina natureza, estavam demasiadamente aliados à matéria, para serem chamados de espírito.
O outro termo pelo qual a religião é descrita e aliado a isso - é a VIDA. Quão misteriosa e preciosa é a vida! Nada, de um modo geral, é mais bem compreendido, mas nada, na tentativa de analisá-lo, mais rapidamente, ou completamente evita o poder de escrutínio. Que filósofo tira essa pequena vida, de todo o mistério que a envolve, e expõe à nossa percepção o princípio da vida?
A verdadeira religião é a vida; não animal, intelectual ou social, mas espiritual. Um cristão tem um princípio de vitalidade nele, que está muito acima de qualquer outro tipo de vida; a habitação do Espírito de Deus em sua alma produz o que é a perfeição da própria vida; o clímax da vitalidade; o topo e a flor da natureza animada para que o camponês regenerado seja, aos olhos de Deus, um ser muito mais parecido com ele, muito mais aliado ao Infinito, ao Espírito, do que o maior filósofo não convertido do mundo.
Esta vida divina consiste nessa iluminação do juízo, pela qual não só o sentido teórico, mas a glória moral das coisas espirituais é percebida; juntamente com aquele amor a elas no coração, que é extraído em todos os exercícios de um curso de justiça.
Deus é luz. Deus é amor. Ou, unindo ambos juntos, DEUS É O AMOR SANTAMENTE. Assim é a mente renovada; e esta é a verdadeira religião, esta é a vida.
Mas, diz-se, que vivemos no Espírito. Não apenas por ele, mas com uma intensidade ainda maior e ênfase de significado, no Espírito; importando que o Espírito Santo não é apenas a causa eficiente e autor de nossa vida espiritual, mas que ele é o sustentador da mesma; "Como se", diz Howe, "a alma tivesse sua própria situação, numa região da vida, que o Espírito cria para ela por sua presença vital e permanente". Assim como a alma está presente com o corpo, difundindo sua influência vivificante em todas as suas partes, aquecendo tudo, sustentando tudo, movendo tudo, dirigindo tudo, "até que do corpo possa, em certo sentido, ser verdadeiramente dito estar na alma, Em vez da alma no corpo, assim como o Espírito Santo na Nova Criatura, que ele formou no crente, dando vida a ela, vestindo-a com vida, enchendo-a de vida, e está em toda a vida nela."
Vou agora indicar quais são esses atos e hábitos, que constituem o curso de conduta assim denominado.
1. Andar no Espírito, significa estar agindo de acordo com a REGRA do Espírito, que é a Palavra de Deus. As Escrituras são dadas por inspiração do Espírito Santo e são seu instrumento na grande obra de regeneração e santificação. Todas as comunicações do Espírito são das coisas prometidas na Palavra, e com referência direta às coisas reveladas na Palavra.
Todos os sentimentos religiosos, todos os preceitos práticos, todas as emoções, devem ser julgados pela Palavra. Este é o padrão, o teste, o juiz. É a regra pela qual o Espírito trabalha, e é a regra pela qual os sujeitos da influência do Espírito devem agir. Sonhos, visões, impulsos e emoções interiores ininteligíveis, não devem ser considerados, mas apenas a Palavra razoavelmente interpretada. Nada sabemos da mente do Espírito, senão o que ele revelou nas Escrituras; e lá ele o revelou, e nós estamos "andando pela mesma regra, pela mesma mente." Não devemos julgar nosso próprio estado por qualquer suposto testemunho direto desse Agente Divino, mas comparando sua obra em nós, com a descrição dessa obra na Palavra. O apóstolo nos deu uma bela representação metafórica disso, onde diz: "Obedecendo de coração, a forma de doutrina que vos foi entregue", ou como ela deve ser dada, "à qual vocês foram entregues como um molde ." (Rom 6:17). A metáfora é tirada da arte de fundição de metais; o coração do crente, amolecido e derretido pelo fogo da influência do Espírito, é lançado no molde da Escritura, de modo a surgir respondendo ao molde em que está sendo colocado, ganhando as suas características. O caráter que o Espírito forma, está de acordo com o que ele delineou na Palavra. Um cristão é a produção de um ser vivo e santo, pelo Espírito Santo, de acordo com a regra que estabeleceu na Bíblia.
2. Caminhar no Espírito significa nossa manutenção de uma consideração prática com aqueles objetos, dos quais a excelência espiritual foi revelada à mente, e para a qual um apetite e prazer foram transmitidos na regeneração. Uma nova luz então invadiu a mente, coisas completamente desconhecidas foram descobertas à alma, e outras, apenas teoricamente conhecidas, foram vistas de uma maneira nova e afetuosa. Esta parece ser a própria natureza dessa descoberta que o Espírito Santo faz à mente, que condescende em infinita misericórdia para renovar e santificar - quero dizer, uma percepção de sua excelência moral ou santidade, acompanhada por um gosto ou apreciação por elas naquela conta.
A santidade compreende toda a verdadeira excelência moral de todos os seres inteligentes. Santidade é a excelência, beleza e glória do caráter divino e a soma de todas as virtudes, em homens ou anjos. É a santidade que constitui a beleza da lei e do evangelho, de todas as ordenanças divinas e dos institutos religiosos. A santidade era a glória do homem em sua criação, que ele perdeu pela queda, a qual é restaurada pela regeneração, e é consumada na glória eterna. O grande projeto da obra do Espírito na regeneração é produzir na alma do homem, uma afinidade moral para a santidade, um amor à santidade, uma alegria na santidade, e que continuamente será chamado à atividade pela presença de objetos sagrados.
A verdadeira religião, ou a vida divina na alma, é o amor santo e, consequentemente, caminhar no Espírito é a atuação deste santo amor sobre objetos sagrados. Como toda a vida parece ter antipatias naturais e instintivas, e aversões do que lhe é prejudicial, assim a vida divina na alma humana tem uma antipatia e aversão ao pecado, que é o seu veneno, seu princípio antagonista e seu mortal inimigo; de modo que um homem piedoso que anda, segundo esta santa vitalidade, está sempre observando, orando, lutando contra o pecado. Sua nova natureza recua dele, e ele mantém com atenção este sagrado estremecimento de coração.
E quais são os atos da vida espiritual? O empurrar para a frente da alma, através do mundo visível para o invisível; sua ascensão da terra ao céu; está passando os limites do tempo e do sentido, vagando entre as coisas invisíveis e eternas; a fé em um Salvador invisível - o amor de um Deus invisível; e a esperança de um céu invisível. Isto é caminhar no Espírito, andar com Deus, e visivelmente andar com ele. Apreciando-o como o bem principal, buscando-o como o supremo fim, e obedecendo-lhe como o soberano supremo. Não conheço nada em que a vida espiritual seja mais distinta em seus atos, do meramente racional, do que em sua tendência a Deus em Cristo, como por uma lei de gravitação espiritual, ao seu centro. O apóstolo, em uma frase curta, descreveu todo o agir dessa nova natureza; "PARA MIM VIVER É CRISTO."
A obra do Espírito no Novo Testamento e no Velho também é testemunhar de Cristo e glorificá-lo; e seu trabalho no coração do crente, tem o mesmo objeto, para levá-lo a viver diante do mundo, para a honra do Salvador; e para este fim, para permitir que ele tire todos os seus suprimentos da plenitude que está nele, para que Cristo possa ser visto sendo tudo em todos para ele. Esta é a caminhada espiritual - a alma está escapando da região baixa e elevando-se acima da influência de objetos carnais, e habitando em uma esfera de coisas espirituais; encontrando estas para serem sua atmosfera vital, seu elemento nativo, seu lar amado.
3. Caminhar no Espírito implica o cultivo e o exercício dessas virtudes santas em relação a nossos semelhantes, cujos princípios originais foram semeados em nosso coração no momento da nossa conversão. Há, acredito, um erro predominante neste assunto entre algumas pessoas boas, que parecem supor que o único projeto contemplado e realizado na regeneração é dar uma disposição correta do coração humano para com Deus. Que este é o seu objetivo principal é admitido, mas não é o único, pois também é projetado para dar um trato adequado para com os nossos semelhantes, o que não temos, até que somos transformados pela graça. Quando o homem pecou, caiu, não apenas de Deus, mas também de seus semelhantes. O amor, que tinha sido criado com ele e nele, afastou-se de sua alma e deixou-o sob o domínio do egoísmo descontrolado.
A mudança graciosa que o restaura a Deus, restaura-o a seus companheiros. Naquela grande renovação, o egoísmo é destronado, e o amor novamente erguido para ser o regente da alma.
O amor, primeira e supremamente, exerce-se para Deus como infinitamente o maior e o melhor dos seres. Mas não pode parar aí, porque é um princípio, que de sua própria natureza deve expandir-se para abraçar o universo. É digno de observação, embora talvez não tenha sido notado como deveria ter sido, que na maioria dos lugares onde o assunto da regeneração ocorre na Escritura, é falado em relação aos exercícios de uma disposição correta para com os nossos semelhantes; em prova disto eu me refiro às seguintes passagens: Tiago 1: 18-20; 1 Pedro 1:22, 23; 1 João 4: 8-11. Mas, eu não preciso ir mais longe do que o contexto da passagem que estou considerando agora. O apóstolo, ao modificar sua metáfora, das ações de um homem ao produto de uma árvore, diz: "Os frutos do espírito são amor, alegria, paz, longanimidade, mansidão, bondade, fidelidade, mansidão e temperança". Essas virtudes se referem quase exclusivamente a nossos semelhantes; contudo elas são os frutos do Espírito. É evidente que a maioria delas são apenas tantas variadas operações e exercícios do amor que o apóstolo tão bem descreve em sua epístola aos Coríntios. O cultivo destas virtudes em dependência da graça divina, e com vista à glória divina, consiste em caminhar no Espírito.
"Há um ponto de vista", diz o Dr. Dwight, "que o desempenho desses deveres que mais eficazmente evidencia o caráter cristão e prova a realidade de nossa religião, do que a maioria dos que são classificados sob a cabeça da piedade; é isto - eles normalmente exigem um maior exercício de abnegação."
Sim, é muito mais fácil ouvir um sermão, celebrar a Ceia do Senhor, ler um capítulo da Bíblia e orar, do que reprimir o sentimento de inveja, extinguir a centelha do ressentimento aceso por uma suposta ofensa e expulsar o espírito de malícia. O homem que nutre no seu seio o espírito de amor para com os seus semelhantes, de um sentido profundo do amor de Deus a ele em Cristo, e que é capaz de fazer alguma tolerável proficiência na aprendizagem de Jesus, que é o "Coração", tem mais do poder vivo do Espírito Santo em sua alma, do que aquele que se dissolve em lágrimas, ou se extasia em êxtase sob as palavras ardentes de um eloquente pregador. Nunca pode ser repetido com demasiada frequência, ou expressado enfaticamente demais, que andar no Espírito é ANDAR EM AMOR. Quando o apóstolo nos adverte a não entristecer esta Pessoa Divina, ele sugere, pelo que imediatamente segue esta injunção extraordinária, que é pelo contrário do amor que ele está descontente; pois, depois de nos mandar afastar os sentimentos de raiva e de conter toda a linguagem apaixonada, ele acrescenta:
"Sede imitadores de Deus como filhos amados e andai em amor como também Cristo nos amou." (Ef 6: 5).
Nunca poderemos, por assim dizer, estar mais inteiramente indo do mesmo modo que o Espírito, nunca nos aproximarmos mais do seu lado, nunca estar em comunhão mais doce e de acordo com sua mente - do que cultivando o fruto do amor. Da sua descida sobre Cristo sob a forma de uma pomba, bem como de muitas declarações expressas da Escritura, com certeza podemos concluir que todas as paixões irascíveis e malignas são indulgentes de serem peculiarmente repugnantes à sua natureza. Uma espécie de atmosfera turbulenta, que nada pode ser concebido mais oposto à luz calma e santa em que o Espírito abençoado gosta de habitar.
4. Caminhar importa um progresso na espiritualidade; um acontecimento nesta vida divina, um gradual aproximar-se cada vez mais perto do fim de nosso chamado de Deus em Cristo Jesus. Todas as coisas que têm um princípio de vida, têm também um princípio de crescimento, a menos que estejam em estado de doença, ou de acordo com uma lei de sua natureza começam a decair. Se o rebento não crescer é insalubre; se o leão novo não cresce está doente; se a criança não crescer está enferma; porque a vida tende ao crescimento. Isto é igualmente verdadeiro em referência ao cristão, se há vida espiritual deve haver aumento, e se não houver, como se pode dizer que há um andar no Espírito?
Todas as figuras pelas quais a vida divina é estabelecida na Palavra de Deus são coisas de vida, e de crescimento - é o bebê crescendo até a maturidade; a tenra muda crescendo até se transformar numa árvore; o grão de trigo crescendo até ser a planta cheia de espigas; é a luz resplandecente, brilhando cada vez mais até ser dia perfeito.
O que está estabelecido na figura, também é ordenado em simples preceito, e somos ordenados a crescer em graça. Agora, o fim para o qual estamos caminhando, é uma conformidade perfeita com a imagem de Deus; um amor perfeito para nossos semelhantes; uma perfeita libertação das concupiscências da carne; uma perfeita separação de todo pecado; uma emancipação perfeita do amor do mundo, e tudo o que é contrário ao amor de Deus; do conhecimento perfeito, da humildade e santa felicidade. Nestas coisas, portanto, devemos agora crescer. Se não avançarmos continuamente para essa perfeição; se não encontramos uma influência gradual da luz divina, da vida e do poder; impressões mais discerníveis da imagem divina; uma maior adequação, por assim dizer, para Deus; um contato mais íntimo com ele, um deleite maior nele, e uma devoção mais completa a ele; como podemos imaginar que estamos andando no Espírito?
Podemos continuar nos movimentos, mas se estiver em um círculo, uma rodada de deveres vazios, cerimônias sem coração e formalidades frias; que
prova temos nós de que temos vida, ou se a temos, que ela não está em estado de doença e afundando de volta na morte?
Tendo assim considerado o que está implícito neste movimento espiritual da alma renovada, vou apontar para a relação que ela tem com a sua causa divina. É caminhar no Espírito. Fazer algo no Espírito é fazê-lo pela sua luz e pelo seu poder. Precisamos de sua luz para nos mostrar o que deve ser feito, e como deve ser feito, assim como seu poder para capacitar-nos a fazê-lo.
O Novo Testamento menciona frequentemente essa graciosa iluminação, que os crentes recebem da Divina fonte de luz através de todo o curso de sua vida cristã. No mundo natural, aquele que no princípio disse: "Haja luz", e produziu o que ele ordenou, repete de fato o comando em cada manhã, e faz com que o sol se levante sobre a terra. Assim também é no mundo da graça. O Espírito divino é a causa não só da primeira iluminação da mente do pecador, mas da iluminação contínua da alma do crente. Daí, as orações do apóstolo para as Igrejas de Éfeso e Colossenses. Ef. 1:17, 18; Col 1: 9. Quão bela é a sua linguagem para os primeiros: "Vocês eram trevas - mas agora vocês são luz no Senhor, andem como filhos da luz". (Ef 5: 8). "A luz é aqui mencionada como a própria composição da Nova Criatura, como se fosse um ser de luz, agora você é luz no Senhor". Eles são feitos de luz, sendo nascidos do Espírito.
O grande e glorioso Deus é chamado Deus da luz, eles são chamados filhos da luz. Essa é a sua filiação. A luz desceu da luz, gerada da luz. "Deus é luz e nele não há escuridão". Todos que conversam com ele "estão andando na luz como ele está na luz".
Mas, eles precisam de suprimentos continuados daquela fonte para sustentar, aumentar e revigorar a vida espiritual dentro deles. A influência do mundo é continuamente contra os princípios sagrados de sua nova natureza, e os restos da corrupção interior, tornando fraco o olho da fé, suas percepções obscuras e a sensibilidade da alma aos objetos espirituais, maçantes e obtusos. Toda a obra da graça na alma é levada a cabo pela instrumentalidade da verdade, e através dos meios de uma santa iluminação da mente para percebê-la e senti-la. A luz espiritual é para os princípios de santidade na alma, o que a luz natural é para as sementes de legumes no mundo natural, que não podem germinar ou crescer sem luz, e cujo crescimento é suspenso durante uma estação escura, fria e nublada, em que os raios do sol são muito diminuídos - assim também os frutos do Espírito não podem crescer, senão na luz do Espírito.
Não podemos, portanto, ter sem renovadas comunicações desta influência divina, esta iluminação vivificante e renovadora. Se isto for retido, nossas graças aparecerão como as plantas atrofiadas, ou os frutos diminuídos, incolores, sem gosto de um verão curto, frio e nublado.
É somente quando as verdades espirituais são vistas por nós e mantidas diante de nós, na clara e santa luz que é transmitida pela influência do Espírito, e sentimos por nós entrando como raios de sol quentes na própria alma, que podemos crescer em graça. Precisamos de novas comunicações a cada passo de nosso curso para manter diante de nós a glória de Deus como nosso centro, descanso e fim; a beleza, e a preciosidade de Cristo; o mal do pecado mortificado e a excelência transcendente da santidade; a sublimidade e importância do céu, e a vida eterna; e é somente pelo Espírito que isso pode ser feito.
Mas, precisamos de poder ou habilidade moral, bem como de luz. Precisamos ser dispostos, movidos e ajudados nesta caminhada divina.
Quando uma criança nasce, ela não é dotada de um estoque de graça, suficiente para ela em todos os estágios futuros de seu crescimento. Dessa criança diz-se com verdade, que em todo seu crescimento e atividade subsequentes, "Em Deus ele vive, e se move, e tem seu ser". O princípio vivo, em movimento, agindo de sua natureza, ainda é derivado de Deus; ele vive em Deus, e não executa uma única ação - senão como ajudado por Deus. Assim é com o filho recém-nascido de Deus, ele é feito para viver pelo Pai Divino; mas nenhum estoque de graça é conferido em regeneração, suficiente para toda a futura continuação, crescimento e atuação da religião.
Não, devemos viver e mover-nos no Espírito da graça, assim como ter nosso ser nele. Todos nós devemos agir pelo poder de Deus.
A agência divina não tem a intenção de substituir- mas ajudar nossos próprios esforços. Este é o significado dessa passagem notável das Escrituras: "Trabalhai a vossa salvação com temor e tremor, porque é Deus que opera em vós, tanto o querer como o realizar". O apóstolo não diz: "como Deus opera em vós, não há necessidade da vossa obra", mas, pelo contrário, "vocês trabalham, porque Deus trabalha". Devemos ser tão diligentes, tão dedicados, tão intencionados, como se tudo dependesse de nós mesmos; tão dependente como se não pudéssemos fazer nada. Deus não faz nada sem nós, e nada podemos fazer sem ele. Devemos andar. mas deve ser no Espírito. Se então, nós devemos ter a ajuda divina, nós não devemos ser encontrados na posição de encontro, de assento ou mesmo de pé, mas na atitude de andar. Devemos cingir nossos lombos, e avançar; mas tudo em uma condição de dependência do poder de Deus. "Você o encontra", diz o Profeta, "operando a justiça". O espírito de Deus vem sobre o caminhar, do servo que trabalha, não sobre o adormecido.
Dá-se com um grande número de cristãos, como é dito ter sido com Sansão. Ele não sabia que o Senhor tinha se afastado dele. Deus tinha ido embora - sua grande força tinha ido embora, mas ele não sabia disso, mas pensamos ter encontrado quando andamos ou corremos dia a dia, em um curso de
dever ordinário, e pode ser, que não obtenhamos nada por ele, nenhuma vida, nenhuma força, nenhuma influência do Espírito, e quão pouco sentimos por todo esse tempo a sua ausência de nós?
Se quisermos que o Espírito Santo nos ajude na caminhada divina, devemos orar fervorosamente por seu poder e influência em nossas vidas. Esta é a bênção graciosa que nosso Senhor nos encorajou a solicitar por meio do apelo tocante que ele faz aos nossos próprios sentimentos parentais: "Se vós, sendo maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai celestial dará Seu Espírito Santo aos que lhe pedirem." Passagem maravilhosa! Ensina-nos que, tendo-nos dado o seu Filho, o seu Espírito Santo é a próxima bênção que o seu coração paternal se deleita em conceder; assim como uma mãe esperando para alimentar uma criança faminta, chorando e implorando, que ela está pronta para amamentar.
Andai, pois, irmãos, no Espírito. Que haja uma dependência habitual deste Agente divino. A profissão cristã é uma coisa grande e solene - falhar nela será uma miséria terrível, sim, intolerável. Falhar aqui é falhar por toda a eternidade, abortar a maior e mais solene transação em que podemos estar envolvidos. E falhamos, se o Espírito de Deus não nos ajudar. Não podemos nos tornar imorais, infiéis, heréticos ou profanos; mas nos deitaremos e morreremos no mundanismo: pereceremos em aparente respeitabilidade e conforto; nós nos
afundaremos no poço sem fundo, entre a facilidade, a riqueza, e tudo que é agradável neste mundo; desceremos para as regiões da noite eterna, do meio da igreja - se não temos o Espírito de Deus. Seja esta, então, a nossa solicitude suprema, habitual, sempre vivificante e movedora, para obter o Espírito de Deus.
Não há outra maneira de viver, senão pelo Espírito; nenhuma outra maneira de andar, senão pelo Espírito; este é o princípio da santa vitalidade em nossa profissão, que o tornará como uma árvore verdejante em sua folhagem, e abundante em seus frutos; mas sem o qual, será uma videira infrutífera, murchada em sua folhagem, dilacerada em seus ramos e em seu tronco - e para nada melhor do que ser cortada e lançada no fogo!

PERGUNTAS e RESPOSTAS:

1)Por que havia componentes tão preciosos e caros na composição do unguento que deveria ser usado pelos sacerdotes nos dias do Velho Testamento?
R. Para servirem de ilustração à preciosidade do Espírito Santo, pois o unguento da unção era uma figura do Espírito Santo.

2) Por que devemos ter a mesma devoção e adoração ao Espírito Santo, assim como ao Pai e ao Filho?
R. Primeiro porque também é Deus, e depois porque tem a sua função específica na nossa salvação assim como o Pai e o Filho. É ele quem unge, regenera e santifica.
3) Qual é o cuidado e reabastecimento que deve ser feito em relação à unção do Espírito Santo?
R. Devemos ter o cuidado de não desprezá-la, e também de estarmos sempre reabastecidos (perpetuamente) com o óleo da unção do Espírito Santo.

4) A unção do Espírito pode ser destruída?
R. Jamais

5) Como a unção pode ser prejudicada pelo próprio crente?
R. Ela não pode ser prejudicada em sua essência e nem intrinsecamente, mas pode ser na sua influência e eficácia, ou seja, podemos ter sido ungidos, mas deixar que o dom de Deus fique como amortecido em nós. Quando a unção recebida é misturada com um comportamento carnal e mundano, o unguento é estragado em seu aroma, assim como se afirma em Provérbios quanto à mosca no unguento..

6) Em que consiste a unção do Espírito Santo? Como ela foi vista em Cristo?
R. Ela consiste na plenitude do Espírito Santo, assim como ela esteve em Cristo, e deve ser vista em nós, ainda que não a tenhamos na mesma medida que ele.

7) Como se recebe a unção do Espírito? Isto é, por qual meio?
R. Simplesmente pela fé. Por se abrir o coração para Deus e buscá-la com sinceridade em oração.

8) Quais são os efeitos da unção no crente, ou seja, como opera no seu comportamento?
R. O crente ungido tem todas as características do fruto do Espírito Santo em amor a Cristo e aos santos, em gentileza, paciência, fé, alegria etc.

9) O que era necessário para que os utensílios do tabernáculo fossem considerados santos e prontos para o uso no serviço de Deus? Como isto ilustra a vida do cristão?
R. Eles deveriam ser ungidos com o óleo da unção especialmente preparado para este fim. E os próprios sacerdotes tinham que ser ungidos com ele para serem considerados santos para o seu serviço para Deus. Isto tipifica que é a unção do Espírito que torna o crente santo para o serviço de Deus. Que sem a unção o seu serviço não é aceitável.

10) Quais são as propriedades essenciais do óleo da unção, ou seja, em que características naturais serve de exemplo para as operações do Espírito Santo no crente?
R. Ele é suavizante, penetrante, e se espalha por todas as partes. Assim o crente sob a unção do Espírito deve ser penetrado pela vida de Cristo em seu ser em todas as partes do seu caráter.

11) Quantas vezes estão determinadas por Deus para sermos ungidos pelo Espírito Santo? R. Não há uma quantidade definida de número de unções. Isto está na esfera da autoridade de Deus para concedê-lo a nós. Por exemplo, se os apóstolos tentassem ser ungidos antes de se cumprir o tempo dos 40 dias para o Pentecostes, a ação deles seria inútil. Quanto maiores forem as visitações de unções recebidas tanto melhor, mas uma única já faz toda a diferença, comunicando a real santidade ao crente.
12) João diz que em virtude desta unção os crentes conhecem todas as coisas. Que coisas são estas às quais ele estava se referindo?
R. Não o conhecimento natural e intelectual das coisas deste mundo e de todas as suas profissões. Mas, as coisas que são necessárias à salvação e santificação, ainda que isto não signifique um conhecimento completo da doutrina da salvação por todos. Mas as coisas que o crente passa a conhecer quando é ungido são enumeradas pelo autor como sendo: 1) conhecimento de si mesmo, do quanto é pecador. 2) conhecimento da pureza e espiritualidade da LEI de Deus; 3) saber que as escrituras são verdadeiras, ou que Deus revelou sua mente e vontade nelas; 4) Conhecemos que JESUS é um Mediador divino, um Homem que é Deus conosco; 5) conhecemos o PERDÃO de nossos pecados; 7) Sabemos que temos uma casa celestial, um porto de repouso e paz, uma mansão abençoada acima, onde as lágrimas são apagadas. Haverá frutos e efeitos, alegria sagrada e desejos; o coração não será sempre estéril, escuro e infrutífero; não será sempre agarrado às coisas do tempo e do sentido.

13) Qual era a quantidade de óleo necessária para ungir os utensílios do tabernáculo? Qual é o ensino disto em relação à unção do crente pelo Espírito Santo?
R. A menor quantidade de óleo seria necessária para ungir. De igual modo, desde que sejamos ungidos pelo Espírito, ainda que em pequena medida, isto é, suficiente para despertar em nós a vida de Deus, como ela deve ser sentida.





















Biografia:
Servo de Deus, que tendo sido curado, pela graça de Jesus, de um infarto do miocárdio e de um câncer intestinal, tem se dedicado também a divulgar todo o material que produziu ao longo dos 35 anos do seu ministério, que sempre realizou para a exclusiva glória de Deus, sem qualquer interesse comercial ou financeiro. Aprisionado a Uma Visão Há alguns anos atrás, falou-me o Senhor numa visão que eu fosse ter com os puritanos e com Martyn LLoyd Jones. Exatamente com estas palavras. Por incrível que possa parecer, até então, nunca havia ouvido falar sobre os puritanos e LLoyd Jones. Todavia, de lá para cá, há mais de uma década, não fiz outra coisa tão dedicadamente em toda a minha vida, do que estudar as suas obras, e foi nelas que muito aprendi a ter a consistência bíblica doutrinária que adquiri, e que exponho em meus textos. Mais tarde, fui impelido pelo Senhor a divulgar todo o material que havia produzido como fruto do referido estudo. As obras dos puritanos são muito densas e extensas, e tive que condensá-las e adaptar parte do seu conteúdo para uma forma de linguagem mais atual, tendo no entanto o cuidado, de não prejudicar o teor da mensagem. Você pode ler e ouvir estas mensagens nos meus seguintes blogs e site: http://aguardandovj.blogspot.com.br/ Mensagens Sobre o Tempo do Fim e a Volta de Jesus http://www.verdadeevida.org/ Site com centenas de textos, áudios e vídeos sobre o evangelho verdadeiro (com material dos pastores Charles Haddon Spurgeon, John Woen, John Wesley, John Macarthur, John Piper, Paul Washer, Lloyd Jones, John Wesley, Silvio Dutra, entre outros) http://livrosbiblia.blogspot.com.br/ Comentário dos livros do Velho Testamento http://livrono.blogspot.com.br/ Comentário dos livros do Novo Testamento http://retornoevangelho.blogspot.com.br/ Mensagens em textos e vídeos relativos ao Evangelho Verdadeiro. http://poesiasdoevangelho.blogspot.com.br/ Poesias sobre o Evangelho Verdadeiro Com Quem Estou Compromissado Quanto aos textos que tenho postado, que são em grande parte relativos a temas religiosos, estou compromissado: - Primeiro, com Deus Pai, com Jesus Cristo e com o Espírito Santo. - Depois com a exposição e interpretação exatas da Palavra de Deus, conforme se encontra na Bíblia. - Com meus amados leitores que têm sido tão gentis e pacientes comigo. - Finalmente, com minha própria consciência, quanto ao dever de ser honesto e verdadeiro em tudo que tenho escrito. Não estou compromissado e nem vinculado a qualquer instituição ou denominação religiosa, de modo que tudo quanto escrevo nunca tem o propósito de defender ou atacar qualquer pessoa ou instituição, mormente quanto às convicções e crenças que elas postulam, senão somente de expor o conteúdo bíblico em toda a sua extensão e profundidade.
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