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Cotidiano
Marcos Antônio Filho

Resumo:
este foi o conto que fui premiado

O sangue de Ingrid sujava o chão todo. Se eu soubesse não teria feito um buraco tão grande na barriga dela. Também deveria ter usado uma faca menor, de manuseio mais fácil. Ela quase conseguiu fugir, a danada é forte à beça quando teve forças pra se debater. Se a Ingrid tivesse me ouvido, nada disso teria acontecido, tudo correria na mais perfeita ordem, a minha maneira. Meu erro foi acreditar que um dia as coisas dariam certo. Antes que vocês desistam da minha história, contarei os detalhes logo e aí vocês entenderão e concordarão comigo, se aquela vagabunda deveria ou não estar com barriga aberta e jorrando sangue pelo o chão da minha sala. Engraçado como ela ainda não morreu, ela treme e ainda agoniza, mas iremos aos fatos sem demora.

Ingrid foi a garota mais excêntrica que conheci. Seu aspecto gótico e sombrio era aliado a uma beleza lívida e sedutora. Aquela pele branca como veludo fazia um contraste perfeito com as roupas pretas e seus acessórios de metal. Eu sempre tive o desejo mental de descobrir o que se escondia por trás daquelas roupas todas. Ela foi sempre foi solícita comigo, conversava comigo algumas trivialidades, fumávamos um baseado juntos, mas nunca passou disso por uns meses. Eu ainda era o mais careta do nosso grupo de grunges que rondava pela cidade, me chamavam de velho. Eu devia ser um velhote mesmo, porque eu ainda tentava manter valores, ser alguém na vida. Fumava de vez em quando, bebia de vez em quando, mas nunca fui de passar mal assim como todos os outros meus amigos, levava sempre todos ao hospital com coma alcoólico. Até Ingrid teve um porre no qual eu a ajudei. E foi aí que as coisas passaram mudar. A simples atração contida se revelava. Entre vômitos, soluços, tonteiras e desmaios de curta duração, conversas desinibidas, contei a ela meu sentimento de vê-la nua. Era uma festa de um amigo nosso, estávamos trancados no banheiro. Ela nem hesitou e arrancou a blusa preta mostrando seus seios fartos para mim. Um mamilo rosado me deixava louco de desejo. Também tinha bebido um pouco e roubei um beijo ardente dela. Transamos ali mesmo, no meio dos vômitos, garrafas e baseados fumados pela metade que residiam no local. Foi inesquecível. Aquilo ficou na minha mente e meu medo dela ter esquecido se dissipou quando ela me beijou e me agarrou na frente de todos no dia seguinte. Estava realmente feliz, tinha conseguido uma mulher peculiarmente incrível, na qual o submundo fazia-se uma constante de vez em minha vida. Muito sexo, drogas e Rock’n Roll. Eu estava cada vez mais apego ao estilo de Ingrid, e a tudo que ela me proporcionava. Aos poucos fui deixando de ser o velho para ser o mais alucinado do nosso grupo. Comecei a beber demais, a fumar muito mais baseado e a transar muito mais com Ingrid. Ela era o meu novo vício, eu queria tê-la o tempo todo. E já demonstrava certos sinais de ciúmes, normal em qualquer relação. Fiquei muito mais enciumado quando entrou um rapaz novo no nosso grupo, que assim como eu, se encantou pela beleza mórbida de Ingrid. Mas ele não entendia que ela tinha dono e ficava assediando, rondando a presa vagarosamente. Eu alertava Ingrid, mas ela achava que era apenas um ciúme bobo. Só que aos poucos fui percebendo qual era intenção de Ingrid. Sem querer acabei ouvindo uma conversa de Ingrid com outras amigas, dizendo que a monogamia era uma coisa antiquada e obsoleta. Isso semeou dentro de mim a semente da discorda em meu peito. Tudo fazia sentido, ela correspondia os afetos do idiota, e eu estava sendo feito de trouxa. Resolvi por um ponto final nessa história e conclui que se Ingrid não fosse só minha não seria mais de ninguém. Fumei uns 3 baseados pra abrir minha mente e decidir qual seria a melhor maneira de mostrar a ela que relacionamento aberto comigo não tinha vez. Chamei-a para vir aqui em casa, disse que tinha algo pendente a resolver. Ela não demorou muito e se demonstrava preocupada, pois logo veio perguntando o que era. Fui direto ao ponto e falei sobre o caso que mantinha com o outro cara. Ingrid desconversou e perguntou de onde tinha tirado isso. Tola, achando que podia me enganar mais uma vez, resolvi ser mais agressivo e bati nela. Ingrid tinha o pavor nos olhos e somado a sua gótica beleza me excitou e resolvi Possuí-la a força, rasguei suas vestes pretas entrei nela feito um animal. Ela gritava chorava se debatia, mas eu não tinha pena e ficava mais excitado. Quando mais ela se mexia e gritava pedindo para parar mais eu me excitava e tive assim o melhor orgasmo da minha vida. Ela soluçava enquanto eu me levantava da cama. Fui para cozinha para comer alguma coisa. Ingrid estava em choque e não fugiria agora. Preparo um lanche no capricho com bastante queijo e presunto pra ter disposição para outra. Esse negócio de macheza me fez sentir um novo homem. Eu ouço barulho da porta do quarto se abrindo. Ingrid estava fugindo, com as roupas rasgadas, seminua, em desespero. Ela me chamava de monstro e que fugiria e contaria tudo a polícia. Eu fiquei triste por ela nunca ter me amado, e falei que nunca ela amaria mais alguém. Fui até a cozinha e peguei a faca que cortei o queijo. Ela ainda estava besuntada de maionese, mas enfiei na barriga assim mesmo. Um grito seco de Ingrid, e ela ainda tentava fugir. Tirei a faca e enfiei mais duas vezes, ela gritou mais forte e no terceiro ela caiu e está no mesmo lugar onde a vejo agonizar por uns três minutos. Eu aprecio meu sanduíche que parece estar mais gostoso apreciando esse maravilhoso espetáculo da morte dominando um corpo tão lívido e fúnebre...Ingrid, eu amarei você a vida inteira, mesmo que você nunca tivesse me amado e escutado meus planos. Acho que agora ela morreu, não a vejo respirando há uns 20 segundos, vou ver tevê agora.

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