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Um reino de monstros Vol.1 - Epílogo
Caliel Alves dos Santos

Resumo:
Conheça o resultado da batalha final em Flandes.

Epílogo: Um passo para mil milhas



Parte 1
Depois de se despedir de Flande, o improvável grupo colocou o pé na estrada.
Tell já tinha o hábito de estar sempre viajando, mas nunca acompanhado de estranhos. Embora eles tivessem interesse em comum, à companhia deles não havia um mês.
Index se empoleirou como um pássaro no cabelo encaracolado do garoto vestia um colete azul sobre uma camisa branca de mangas longas.
Sobre a camisa, uma capa curta e negra semelhante uma sobrepeliz. Ela era usada para ocultar o livro que era carregado numa alça nas costas do colete.
A calça fuseau mostrava a parte da canela, seu calçado era um sapato de sola leve e flexível, típica de espadachim, presente da guarda de cavaleiros. Rosicler falou:
— Já estamos viajando a uma semana e não paramos em lugar nenhum...
— Ninguém te mandou vir com a gente.
— Já te disseram que você é muito mal educado Saragat?
— Estamos tomando rotas alternativas devido aos postos de controle dos monstros.
Lashra não tinha tantas estradas oficiais como se imaginava, a maioria eram conexões de rotas comerciais. Havia um plano da Coroa de Habsburgos de criar uma estrada real conectando Norte, Sul, Leste e Oeste de Lashra a Cidade Real.
Infelizmente as constantes guerras com os monstros impediram esses esforços de serem realizados com algum sucesso. Durante dias seguidos, eles atravessavam florestas e enviaram relatórios de viagens pelo telemago de Tell.
O mago-espadachim se lembrara da conversa que tivera com Clapeyron sobre o seu avô.
O aposentado comandante era tão altruísta e esperançoso quanto o garoto.
Rosicler que tinha seu estômago roncando pediu para descansar. Depois de uma intensa briga, o líder do grupo, Saragat, decidiu que deveriam parar por alguns minutos.
O conjurador abriu seu odre e então retirou comida e água fresca. Tell comeu pouco.
— Se não comer não vai aguentar a cainhada pivete.
— O troglodita tem razão, se você não comer não estará forte o suficiente. Alfonsim está cheia de monstros, precisaremos de você bem forte.
Saragat ergueu o cajado para acertar a cabeça de Rosicler, mas esta desviou facilmente do golpe, Index riu tanto da cara de bobo do conjurador que rolou pelo chão.
Bong. Saragat acertou a cabeça do guardião com o cajado, um galo enorme saiu da sua cabeça. Index passou a rolar no chão de novo, mas dessa vez de dor.
— Vamos Tell, eu não vou bancar a sua babá.
O garoto soltou uma lágrima, e a limpou com a dobra da camisa. Rosicler afagou os seus cabelos crespos dele. O conjurador ficou sem reação.
— Eu estou com saudade do meu avô, ele já deveria ter me encontrado.
— Não se preocupe tanto, pois nós vamos encontrá-lo onde quer que esteja.
— Saí daí sua babaca, veja o que você fala.
— Por que está dizendo isso chapeuzinho preto?
Saragat ergueu-se alisando a capa novinha. Os olhos claros brilhavam atrás dos buracos da balaclava. Tell envergonhado se desvencilhou do abraço de Rosicler.
— Vamos ser realista, Taala confrontou o próprio rei Zarastu e mais três monstros, talvez três Generais Atrozes de uma só vez, ele pode tanto estar vivo, como também pode estar morto neste momento, é o que eu acho.
— Não seja tão rude com o garoto, ele não tem culpa se você é quem está aqui...
— Por falar nisso garotinha, Tell tem a sua missão e a vontade de se reencontrar com seu avô, eu tenho ordens expressas da minha deusa para segui-lo e ajudá-lo a realizar essa missão, mas e você sua trombadinha, o que é que tu quer aqui?
Rosicler abriu a boca estalando a língua e se levantou do chão balançando a cabeça.
— Olhe aqui meu bem, saiba que eu tenho coragem suficiente e dotes para contribuir com essa missão, comigo é missão dada, missão comprida.
E terminou estalando os dedos, Saragat achou-a uma garota vulgar demais. Tell passou a rir descontroladamente da situação. Index também se juntou as gargalhadas.
Saragat e Rosicler perguntaram ao mesmo tempo:
— O que é tão engraçado?
— Não, nada, só estou imaginando que ter uma família dever ser engraçado assim.
— Está errado, a família pode fazer coisas muito mais terríveis que os monstros.
— Não posso dizer muito, perdi minha única família para a Horda.
Saragat e Rosicler depois de dizerem isso respectivamente, ficaram cabisbaixos.
O conjurador então guardou a sua mochila e deu ordens para que os outros os acompanhassem. Tell parecia ser o único que tinha esperanças no grupo.
Tell se levantou também, mastigava um pedaço de pão preto e decidiu não fazer mais perguntas. A criatura alada voltou a pousar em seu ombro. E assim, em resignado silêncio, o grupo de heróis continuou a sua caminhada pelo meio dos bosques.
A caminhada já tinha cerca de mais de um mês, pela estrada oficial encima de cavalos, seria menos de uma semana.
— Tell, olha, eu peço desculpas, quanto a seu avô, ele pode estar até na próxima cidade.
— Tudo bem, não precisa ficar assim, eu não guardo mágoa.
— Sinceramente eu não perdoaria, imagina se um cara falasse assim comigo, eu quebraria a fuça dele na ora veio, na moral mesmo.
— Sua boca é muito porca e sua gramática é péssima.
— Desculpa princesa de capuz, não foi minha intenção.
— O q-quê? Cale a boca sua...
— Ei parem de brigar.
Por um momento Tell de Lisliboux refletiu sobre todos os acontecimentos até aquele momento, ele sentia que tinha deixado algo escapar em toda aquela situação.
Continuaram a atravessar o bosque a passos rápidos, logo após, chegariam à Alfonsim.


Biografia:
Comecou a escrever depois de um concurso em sala de aula. Dois anos depois ele publicou seu primeiro livro.
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