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A negra Afrânia e os 7 negros gigantes do Brasil
Contos de fadas adaptados a contemporaneidade.
Emanoel Arcanjo de Oliveira

A negra Afrânia e os 7 negros gigantes do Brasil
¬¬Enquanto a princesa Isabel esperava a família Real chegar de uma viagem de negócios à Portugal para decidir o que fazer com aqueles sete negros moradores da Senzala Matriz que apertavam constantemente a sua mente para libertar os negros da terrível escravidão, ficava o tempo todo diante do espelho a admirar-se. Soltava os longos cabelos loiros, pestanejava vaidosamente os olhos azuis e punha a mão na cintura e era aquela mesma ladainha diante do espelho mágico, que por sinal era presente de Mãe Minininha do Gantois, a quem ela visitava escondida da família real:
__ Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela nessa nação do pau-brasil do que eu?
A resposta era sempre a mesma:
__ Não, minha princesa, Vossa Alteza sabe que ninguém nesse monopólio do café tão próspero, não existe ninguém capaz de se igualar a tão sublime beleza.
Era sempre a mesma resposta, mas um certo dia, o espelho se demorou na hora de responder e ela ficou atônita e insistiu:
__ Vamos, espelho! Existe uma princesa mais prendada, cheia de dotes naturais e finíssima do que eu?
Dessa vez a resposta lhe deixou furiosa:
__ Realmente, alteza, tens todas essas qualidades, além de sangue real, mas descobri que não há moça mais bela e atraente do que a negra Afrânia que lava o chão desse palácio. Os seus olhos castanhos cheios de ternura, os seus cabelos black bem volumosos, a sua cintura fina e seu corpo com detalhes tão bem definidos já palpitou até o coração de alguém além-mar. A senhora sabe que com a visita de tanto cronista nobre nessa corte, a notícia de que existe uma negrinha de pele tão bonita já foi narrada com a pena no pergaminho e levada para ser lida por muitos portugueses?
__ Isso é um ultraje! Não me diga que a moça que o meu primo quer conhecer aqui no palácio é essa negra chuvalhada e idiota? Ele está vindo na embarcação com o rei para conhecer uma escrava? Como quer que eu liberte essa raça miserável de escravos?
__ É sim, Alteza!
Naquele mesmo instante, a princesa mandou um dos seus feitores de confiança levar Afrânia até os canaviais, dá um fim nela e trazer seu coração em uma vasilha. O feitor era um homem sensato e admirava demais a moça, a levou para a um caminho que dá acesso a Senzala Matriz e pediu que ela corresse para não ser vista. Matou uma ovelha e levou o coração para enganar a princesa. Enquanto isso, Afrânia desceu uma estrada e lá mais a diante encontrou uma senzala aonde tinha um terreiro todo bem organizado. Entrou na sede e se instalou lá, organizando toda a bagunça e depois que se alimentou, pegou no sono em uma daquelas camas. De tardezinha, chegam sete negros que vinha cada um do seu ofício se encontrou debaixo da árvore na entrada da senzala e desceram em fila até a sede.
O primeiro a chegar faminto alegando o cansaço da partida foi Pelé:
__ Mas, que organização é essa? Por aqui passou alguém que ficou feliz com meus três gols. A seleção está com sorte, não é mesmo Machado de Assis?
__ É mesmo, Pelé, aqui está parecendo a Academia Brasileira de Letras, será que alguém leu Dom Casmurro, Joaquim Barbosa?
__ Não sei, Machado, mas quem deixou essa comida cheirosa na mesa e arrumou tudo isso deve ter senso de justiça, não é Mussum!
__ É, carambis! Será que tem mé aí também? Fiz muita grácis hoje. Ô Zumbi dos Palmares que coisa linda é aquela na tua camis?
__ Na minha cama? Ó, é a negrinha Afrânia que trabalha no palácio Real ela conhece da luta pela sobrevivência assim como eu. Faz um poema para ela, Cruz e Souza.
__ Bem lembrado, ela merece por sua infinita beleza e seu provável sofrimento. Vou dedicar todo o meu simbolismo em alguns versos, mas, desperta ela Luís Gama.
__ Vou despertá-la, pois eu sou o único de entre vós que estou prestes a conquistar a libertação quando aquela princesa malvada se sensibilizar e assinar a lei Aúrea. Acredito que nesse mês ainda seremos livres e vocês todos entrarão para a história.
Dizendo isso, Luís Gama a despertou delicadamente e Afrânia espantada deu suas explicações e foi recomendada a não sair daquela sede. Naquela mesma tarde, a vaidosa Princesa Isabel se pôs diante do espelho e ouviu novamente notícia desagradável.
__ Espelho, espelho meu, agora que me livrei da negra maldita, quem é a mais bela dessa rica nação.
__ Vossa Alteza está enganada, Afrânia é a representação da cor que vai um dia deixar esse país místico e belo. Se a Senhora não sabe, ela vive sob a proteção de 7 negros que pretendem ganhar nome nesse país futuramente: Pelé, Joaquim Barbosa, Mussum, Machado de Assis, Cruz e Souza, Zumbi dos Palmares e Luís Gama. Mas se Vossa Alteza pretende tornar-se a mais bela, vá até o terreiro e peça para Mãe Mininha preparar uma acarajé bem deliciosa do jeito que a negra gosta, mas envenenada e se disfarce de mãe de santo, chegue lá pela tarde que a Senhora vai se ver livre da negrinha formosa bem rápido.
Seguindo os conselhos do espelho, a Princesa Isabel chegou até a senzala, foi recebida com toda empolgação por Afrânia que comeu a acarajé e em poucos segundos caiu em sono profundo. Ao chegar os sete negros gigantes do Brasil, foi aquele desespero. Velaram a pobre Afrânia e quando estavam fazendo o ritual em clamor aos orixás, ouviu-se o relinchar de um cavalo, era o primo da princesa, príncipe em Portugal que veio com carta do rei para assumir o conselho Real. Desceu do cavalo e quando viu a negra morta pôs se a chorar e a rezar para todos os santos. Deu-lhe um beijo, despertando do sono da morte Afrânia que acordou tão assustada:
__ O que aconteceu? Onde estou?
__ Você agora está ressuscitada para se casar comigo, minha negrinha mais linda! Precisamos pintar o Brasil das nossas culturas. Nosso casamento será no dia 13 deste mês de maio deste ano de 1888.
O casamento aconteceu, mesmo estando a princesa Isabel enfezada por perder o lugar de belíssima para uma negra e naquele dia a escravidão teve um fim definitivo e depois de muito sofrimento aqueles sete negros alcançaram reconhecimento e o Brasil nunca mais esqueceu da história “A negra Afrânia e os 7 negros heróis do Brasil”.


Biografia:
Emanoel Arcanjo de Oliveira, Professor de Língua Portuguesa desde 2012 na cidade de Valente-Ba. Nasceu em 05 de fevereiro de 1978 na referida cidade. Cursou Letras com Habilitação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira no período entre 2011 a 2015 na UNEB-Campus XIV em Conceição do Coité-Ba. Desde o início do curso, já era fascinado pela escrita literária e sempre escrevia textos aleatórios, buscando oportunidade de amadurecer a qualidade dos textos para ser divulgar. Hoje, no dia 29 de Novembro de 2019, nove dias após a comemoração da Consciência Negra, vem estrear as suas publicações literárias, iniciando pelo tema o qual mais se sente livre e inspirado para criar.
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Contos A negra Afrânia e os 7 negros gigantes do Brasil Emanoel Arcanjo de Oliveira


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