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A segunda chance parte 2
Aline Oliveira Ramos


Heitor, esse era o seu nome. Sempre achei esse nome forte, de herói. De alguém inesquecível, que te deixa marcas profundas no coração. Ele deixou, por muito tempo, anos até! Agora, é só mais um nome comum, de alguém do passado. Esquecido nas profundezas da alma. E de onde jamais deveria sair novamente. Naquele momento, teria que lidar com esses sentimentos mais uma vez. Era a minha chance, de colocar um ponto final nessa história, antes que fosse tarde demais. Antes que eu me entregasse por completo e não tivesse mais como fugir. Estava decidida a lhe contar a minha parte, muito mais profunda e sentida, do que aquela sua versão superficial.



Respirei fundo, apertei firme as minhas mãos, que pareciam ter vida própria, olhei dentro de seus olhos ainda sedutores e comecei:

— Heitor, você foi sincero comigo, eu quero ser sincera com você, eu preciso ser! Quando tivemos aquela última conversa, no fundo, sentia que era o fim. Eu jamais me permitiria te procurar novamente, sabendo de sua decisão, que para mim, parecia definitiva. Me lembro que te perguntei se me amava, e você não me respondeu. Aquele silêncio, me consumiu por dentro. Ainda quis me iludir de todas as maneiras, imaginando a razão daquele silêncio, que permaneceu durante anos! Até que não podia mais me enganar, porque só me machucava ainda mais, quando me deparava com a realidade. Você nunca me amou, não de verdade. — Mais uma vez segurei as lágrimas, não poderia parecer fraca diante dele, mas o olhar em seus olhos, ainda não conseguia manter por muito tempo.



Então ele que ouviu tudo sério e calado, começou a dizer:

— Eu me lembro daquele dia, lembro que você estava alterada e muito nervosa, eu não queria brigar, nunca fui de discutir. Sempre fui a favor da paz, mas você era guerra. Sempre me colocava contra a parede e eu não entendia a razão daquilo tudo. Não entendia porque você sempre preferia discutir do que viver tranquila ao meu lado. Eu nunca sabia como reagir nessas situações e como era imaturo, permanecia calado. Esse era o meu mecanismo de defesa. Quanto mais você tentava me pressionar, mais eu escapava. Olha, eu não estou me justificando, sei que deveria ter sido mais presente, mais atencioso com você. Eu nunca fui capaz de entender a sua angústia. — Disse, mantendo aquela calma, que tanto me irritava.



Novamente, retruquei:

— A minha angústia, era a sua falta de compromisso com tudo em relação a mim! Como você queria que eu pensasse diferente, se sempre se mostrava frio e distante? Por mais que você tente me convencer agora, de que tudo o que fazia era um tipo de defesa, nada justificava a sua indiferença, o seu afastamento e o pior de tudo o seu silêncio! Eu me alterava, porque era jovem, sem experiência e estava completamente apaixonada por você! Tudo o que eu queria, era saber se era correspondida. Como poderia ficar calma, se cada vez que nos encontrávamos, eu me envolvia sempre mais e sentia que amava sozinha?

— Lívia, eu gostava muito de você, mas o amor foi vindo com o tempo, infelizmente sou como todos os outros, que só consegue dar valor a alguém, quando já é tarde demais! Nunca deveria ter alimentado a sua ilusão, quando na verdade, estava confuso com o que eu sentia em relação a você! Me desculpe. Fui covarde e fugi. Fugi desse sentimento, que temia tomar conta de mim. Queria viver minha juventude e curtir os momentos, sem me envolver. Você não sabe como me arrependo de tudo isso, de como se eu pudesse voltar atrás, faria tudo diferente! Lívia, você é a mulher da minha vida! Eu não tenho mais dúvidas disso. Me perdoa, por ter demorado tanto para amadurecer, me tornar um homem mais maduro e reconhecer, que perdi a única pessoa que pode me fazer feliz de verdade. Eu só espero que não seja tarde demais, espero que você entenda a minha demora e me perdoe. — Novamente, aquele olhar de súplica, foi reaparecendo e percebi que o seu orgulho, tinha ido embora, na minha frente, estava vendo um homem totalmente diferente do que conheci. Mas não poderia voltar atrás em minha decisão, mais do que nunca, naquele momento, teria que ser firme:

— Como é irônico essa nossa vida! Porque o mesmo tempo, que te fez me reconhecer como uma pessoa importante e se tornar um homem de caráter, me fez perceber que nunca precisei de você para ser feliz. Que a minha felicidade, sou eu quem construo. Por tempos, queria você perto de mim. Não imagina quantas noites adormecia chorando e me perguntando porque eu não podia ter você. Quantos anos, demorei para te esquecer e te tirar dos meus pensamentos, que costumava invadir até os meus sonhos. Você não sabe, a luta que tive que travar, para entender que a vida continuava, mesmo sem você!

Por muitas vezes, tive que voltar para mim mesma, para o meu interior, e perceber que poderia ser feliz novamente. E eu consegui! Te venci de uma vez por todas e te tirei da minha vida. Pude perceber que poderia continuar vivendo, realizando os meus sonhos e sendo feliz de verdade. Por mais que eu ainda sinta algo forte quando você está presente, não existe mais aquele amor avassalador, que me consumia e me impedia de ser feliz. Eu te perdoo por ter me magoado, por ter me tirado a esperança. Porque foi através desse sofrimento, que pude amadurecer como mulher. Mas não posso te aceitar em minha vida novamente! — Me senti aliviada, consegui expressar tudo o que sempre quis dizer a ele, e comecei a sentir uma força interior, capaz de vencer qualquer sentimento que ainda poderia me consumir.


Heitor ficou sem reação. Por instantes, vi um leve desespero de resgatar a esperança, em seu olhar. Num momento me compadeci, aquele sentimento horrível de ver toda a esperança de um reencontro ir embora, eu conhecia bem. Mas não podia voltar atrás. Estava decidida. Depois de uma longa pausa de silêncio, ele começou:

— Só o que posso te dizer, é que eu não sfazia idéia de toda essa dor que te causei! E fico aliviado de saber que você superou tudo e está feliz. Eu não posso te convencer o quanto mudei, apenas em palavras. A sua confiança, tenho que conquistar com o tempo e a convivência diária. Por mais que agora seja difícil para eu entender e não conseguir aceitar, tenho que respeitar sua decisão. Você é uma mulher forte e só posso te admirar ainda mais por isso. Obrigada por ter dado a chance de me ouvir e me perdoar. Você não sabe o quanto isso é importante pra mim. — Fiquei admirada com aquele discurso maduro, realmente ele mudou. Então, disse:

— Eu fico feliz que você pode me compreender e me respeitar. Olha, eu sei que você teve uma longa viagem e deve estar cansado. Não precisa ir embora hoje. É bem-vindo aqui em casa e te recebo como a um amigo. Pode passar alguns dias aqui, até a vinda do trem na semana que vem. Não se preocupe com o valor da passagem, posso te ajudar de alguma forma. Tenho um quarto de hóspedes, que você pode usar. Aproveite para conhecer um pouco de Provence, para a sua vinda aqui não ser em vão, há muita coisa bonita para ver. Tenho um livro para revisar, mas posso te levar na feira, no centro, para você conhecer as pessoas e a cultura desse lugar. Depois, poderá ir embora tranquilo, sem pressa e sem mágoa. — Eu estava visivelmente nervosa, com aquela situação inesperada, mas não podia deixa-lo sem rumo em um país completamente estranho para ele. — Tome um banho e desça para jantar, depois me conte como foi essa aventura de vir para cá. Sei que deve ter sido difícil, porque para mim não foi nada fácil!

Ele percebeu o meu nervosismo, e tentou me deixar tranquila. Enquanto subia as escadas, observava a minha casa, com aquele seu jeito minucioso de ver tudo em detalhes. Mas ao mesmo tempo, se sentindo completamente deslocado. Depois da nossa conversa, eu não lhe pertencia mais, muito menos aquele lugar.



Continua...



Aline. O. Ramos


Biografia:
Libriana, eternamente dividida entre a razão de uma vida equilibrada e a emoção do desejo de ser impulsiva.
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