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Contato Imediato
Roberto Queiroz

CONTATO IMEDIATO



Cenário:

Sala de uma quitinete. Poucos móveis. Uma tevê ligada num canal de notícias. um sofá rasgado. O chão é acarpetado, está todo empoeirado.



Personagens:

LUCAS
DEUS
ÂNCORA DO TELEJORNAL (voz em off)



ABRE A CORTINA.


LUCAS, que vem da cozinha com um sanduíche e um copo de coca-cola nas mãos, senta-se no sofá da sala, pega o controle remoto e liga a tv no canal de notícias.


ÂNCORA (voz em off):
A temperatura amanhã promete ser amena, levando-se em consideração que nos últimos dias aconteceram fortes pancadas de chuva. Porém, o tempo deve mudar a partir de quinta-feira quando...


LUCAS (interrompendo a narração):
Eu sabia! Toda vez que o tempo planeja melhorar um pouquinho é essa sacanagem. Carioca só se fode!


ÂNCORA:
...e o Flamengo perdeu a terceira seguida no campeonato brasileiro, levando à demissão do técnico Augusto Novalis. É o quarto técnico do time despedido nesta temporada.


LUCAS:
Time de várzea! Gastam uma fortuna com essa bando de vagabundos para na hora H apresentarem esse futebol medíocre.


(Som de tiros vindo da janela, uma mulher grita)


LUCAS:
Droga! Esse inferno de novo. É todo dia isso agora? Maldito Rio de Janeiro!


ÂNCORA:
...continua a rotina de violência na Praça Seca. Nos últimos 10 dias já foram mortos mais de 70 moradores do bairro. O prefeito da cidade vem sendo criticado por sua omissão ao lidar com a situação...

LUCAS:
Canalha! Fica aí fingindo de cristão, mas não dá a mínima para o povo. Só Deus mesmo para dar jeito nesse país. E pior que esse ano tem eleição. Será que o criador não está afim de se candidatar ao cargo, não? Por favor, salve-nos dessa mediocridade social! Só o Senhor corrige isso que está aí.


(Toca a campainha da porta antes mesmo de LUCAS terminar a frase)


LUCAS (irritado):
Isso lá são horas de receber visita! Quem será o infeliz?


(Olha pelo olho mágico. Faz cara de apreensivo com o que vê e abre a porta)


LUCAS (confuso):
Sim? O que deseja?


(O homem é alto e veste-se de branco da cabeça aos pés. Barba por fazer. O rosto é sereno, transmite paz, tranquilidade).


DEUS:
Me chamou?

LUCAS:
Perdão?

DEUS:
O senhor chamou o meu nome agora há pouco.

LUCAS:
Chamei?

DEUS:
Sim. Queria saber se eu me candidataria ao cargo de prefeito nas eleições desse ano.


(LUCAS fica perplexo)


LUCAS:
E por acaso o senhor seria?

DEUS:
Ah! Desculpe-me. Deus ao seu dispor.


(LUCAS quase cai na gargalhada quando o homem termina de se apresentar, mas segura o riso).


LUCAS:
Aham. O senhor é Deus.

DEUS:
Isso mesmo. Ao seu inteiro dispor.

LUCAS:
Olha aqui, meu amigo, eu tenho mais o que fazer e...

DEUS (interrompendo):
Eu também. Sou uma entidade muito ocupada. Tenho milhões de orações para atender todo dia. Só vim até aqui hoje porque me pareceu que o senhor falava a sério a respeito de...

LUCAS:
Meu amigo, eu estou cansado, acabei de chegar do trabalho...

DEUS:
Eu sei. O senhor é diretor de arte da Palíndromo's, certo?


(LUCAS fica aturdido)


LUCAS:
Ei! Como você sabe disso?

DEUS:
Pena que o seu chefe de setor não o valoriza como você merece. Mas não fica assim, não. O Júlio César, não é esse o nome dele? Ele não permanecerá muito tempo no cargo. Andou fazendo um depósitos escusos em nome da empresa e...

LUCAS:
Isso é alguma pegadinha? Onde está a câmera?

DEUS:
Pegadinha? Câmera? E eu tenho lá tempo pra brincadeiras, meu caro. Você deve estar se referindo a esses reality shows muquiranas que passam na tv. Aliás, é um tipo de programação detestável, vou logo dizendo...

LUCAS:
Peraí... Foi o Adalberto que te mandou, não foi? Ele é o rei dessas brincadeiras babacas lá no escritório e...

DEUS:
Não, Lucas! Eu não conheço o tal de Adalberto. É aquele mulato que está afim da secretária...?

LUCAS:
E sabe o meu nome também!

DEUS:
Claro, Lucas. Eu sou aquele que tudo sabe, o único, o ímpar, o indivisível... Aquele que é.

LUCAS (baratinado):
Mas isso é... Isso é...

DEUS (completando):
Impossível? Para Deus, quer dizer, para mim, meu filho, nada é impossível. Posso entrar?


(DEUS adentra a sala antes mesmo que LUCAS diga qualquer outra coisa. Senta-se no sofá e diminui o som do aparelho de tv).


DEUS:
Você se importa? Eu não gosto desse jornalista com cara de almofadinha e discurso empolado. Prefiro a moça da tarde. Aquela com rosto de modelo. Ela me parece mais coerente que esse rapaz.


(LUCAS senta-se ao lado de DEUS, mas permanece mudo, estático).


DEUS:
Você está bem, meu jovem?

LUCAS (falando entrecortadamente):
Você... Você é mesmo Ele?

DEUS:
Claro. Já não disse que sim?

LUCAS:
Mas isso... Isso é...

DEUS:
Ah não! De novo essa ladainha. Eu sou um homem ocupado, meu filho! Por favor, prossigamos.


(LUCAS pega o controle remoto e desliga a tv. Deixa o sanduíche e o copo de refrigerante na cozinha e volta rápido).


LUCAS:
Desculpa a bagunça.

DEUS:
Nada. Homem solteiro é assim mesmo. A vida nunca mais foi a mesma depois que a Mônica foi embora, não é?


(LUCAS então se dá conta de estar diante mesmo do criador).


LUCAS:
Isso é um milagre!

DEUS:
Todos dizem isso quando me vêem a primeira vez. Acredita que na semana passada aquele ator da novela das sete chegou a beijar meus pés quando me viu? Essa gente de televisão é louca mesmo. Ele me chamou até de celebridade.

LUCAS:
Mas... Mas o que o Senhor veio... Veio fazer aqui na minha... Na minha casa?

DEUS:
Primeiramente, nada de senhor. Não gosto dessa designação. Faz eu me sentir velho. Me chame de você. E quanto ao que eu vim fazer aqui, bem... Você me pareceu bem aflito, meu jovem!

LUCAS:
E não é pra estar? Dá uma boa olhada no país, sen...Quer dizer: você.

DEUS:
É Eu sei, eu sei... Mas eu não posso interferir em tudo, você sabe... Tem o livre arbítrio.

LUCAS:
Mas nem um pouquinho? E essa politicada nojenta? E essa violência desenfreada? E o custo de vida pela hora da morte?

DEUS:
Meu filho, não fui eu que inventei o dinheiro, não!

LUCAS:
Não, eu sei.. É que...

DEUS (cortando LUCAS):
Aliás, bom você tocar nesse assunto. Queria dizer que essa foi, sem sombra de dúvidas, a pior invenção da história da humanidade. Só trouxe discórdia, desentendimento, dissensões. Vou lhe confessar uma coisa: a maioria das palavras negativas começadas com d do dicionário são um desdobramento do mal-estar causado pelo dinheiro. Eu, pelo menos, sempre tive essa sensação.

LUCAS:
Mas é preciso pagar as contas!

DEUS:
De fato. O problema é que certos habitantes do planeta terra não tem a menor ideia do quanto realmente precisam para pagar as próprias contas. Querem sempre algum a mais, algum a mais, algum a mais... E aí já viu.

LUCAS:
Nós precisamos de uma reviravolta nisso que está acontecendo, Senhor!

DEUS:
Você.

LUCAS (pedindo desculpa):
Você.

DEUS:
Meu jovem, às vezes faz-se necessário um tempo de dificuldades para que a humanidade enxergue com os próprios olhos o verdadeiro caminho para a libertação.

LUCAS:
Fala sério, Deus! Provação a essa hora? Isso aqui não é a Dinamarca, que tem o maior IDH do mundo. Esse aqui é o país que vive dizendo que é do futuro, mas nunca soube ser do presente.

DEUS:
Concordo. Vocês, brasileiros, são muito acomodados!

LUCAS:
Nem todos. Nem todos.

DEUS:
A grande maioria, pelo menos.

LUCAS:
Mas não dizem que DEUS é brasileiro?

DEUS:
Essa é uma outra declaração que eu gostaria de questionar de forma veemente. Nunca vi meu filho ou nenhum de seus apóstolos proferir essa inverdade. Isso é invenção dessa coisa que vocês chamam de religião. Por sinal, complicado esse negócio. Muita dinheirama, gente se passando por mim o tempo todo...

LUCAS:
Ainda bem que o Senhor, desculpe, reconhece. Não tem como dar um fim nisso, não?

DEUS:
Eu bem que gostaria, mas é preciso que o ser humano enxergue seus próprios defeitos.

LUCAS:
Mas até lá a vaca já foi pro brejo, criador!

DEUS:
Coitada da vaca. Não tem uma expressão melhor, não?

LUCAS:
O senhor entendeu.

DEUS:
Meu filho, o mundo vive tempos sórdidos, de indecisão, de muita gente vendendo uma imagem do que não é. Foi assim também na chamada Era Medieval, que vocês chamam popularmente de Idade das Trevas. Teve também aquele lance da queda da Bolsa... Da Bolsa...

LUCAS:
A queda da Bolsa de Nova York em 1929, nos Estados Unidos?

DEUS:
Isso, isso! A minha memória anda falhando esses dias. É esse negócio de Estado Islâmico, Boko Haram, você sabe, esse terrorismo, fundamentalismo religioso todo, a cabeça uma hora pira... Enfim, de tempos em tempos acontecem fatos ao redor do mundo para dar uma chacoalhada na sociedade. O problema é que vocês nunca aprendem. Lembra do tsunami na Indonésia?

LUCAS:
Sei.

DEUS:
Então... Tem gente que não entendeu nada até agora. E parece que nem vai entender. Queria saber que lavagem cerebral fizeram com vocês, seres humanos!


(DEUS levanta-se, vai até a janela. Ouvem-se novos sons de tiros).


DEUS (irritado):
Olha só pra isso. Onde foi parar o respeito ao semelhante? Eu achava que depois da Segunda Guerra Mundial vocês iam tomar jeito, mas que nada! Teve Vietnã, 11 de setembro, o escambau. Acordem, pelo amor de Deus!

LUCAS:
E o senhor esqueceu de falar das pessoas que estão tirando a própria vida!

DEUS:
Ah! Essa é a pior parte! A que mais me entristece! Não foi com esse objetivo que eu criei a raça humana. Vocês deveriam ser os mais sensatos, os mais lúcidos, aqueles que guiariam as outras espécies rumo ao paraíso. E no entanto...

LUCAS:
Eu ando cansado de tudo isso. Sabia que quase...?

DEUS:
Eu sei. Aquele lance na banheira. Era um domingo, não foi isso? Fui eu que mandei a vizinha, como é o nome dela? Jocasta, isso, Jocasta. Fui eu que mandei a Jocasta tocar a campainha.

LUCAS:
Foi o senhor?

DEUS:
Sim. Você merecia uma segunda chance.

LUCAS:
Ela ficou voltando aqui uma três, quatro semanas. Dizia que estava apaixonada por mim e...

DEUS:
Isso não fui eu. Não posso interferir no livre arbítrio, já disse. Mas ela era bonita. Pena que você não consegue esquecer a Mônica.

LUCAS:
Esquece a Mônica. Não quero falar dela.

DEUS:
Mas ela já encontrou alguém. Acho que se casam até o final do ano.

LUCAS:
Peraí... Isso é sério?

DEUS (cortando o assunto):
Não posso dar detalhes. É a vida dela e além do mais eu ultrapassei os limites do bom senso. Mudemos de assunto. Por que você acha que eu deveria ser o próximo prefeito?

LUCAS:
Porque a raça humana está completamente comprometida.

DEUS:
Nem toda ela.

LUCAS:
Aqui no Brasil? Acho difícil de acreditar.

DEUS:
Acredite, meu jovem. Há muita gente boa no país. O problema é que essas pessoas não querem se comprometer com essas questões político-partidárias.

LUCAS:
Então estamos lascados!

DEUS:
Já pensou você em se candidatar?

LUCAS:
Eu? Tá maluco! O meu negócio é publicidade. Ainda sonho em ganhar o leão de Cannes.

DEUS:
É muito fácil querer que os outros resolvam o problema. E a sua parte nesse processo todo? Como é que fica?

LUCAS:
Ué... Eu sou eleitor.

DEUS:
E acha que isso é o suficiente?

LUCAS:
Na verdade, não. Mas o que é que eu posso fazer de fato?



(DEUS senta-se de novo e pega as mãos de LUCAS nas suas).


DEUS:
Esse é o problema, Lucas! O maior problema da humanidade. Esperamos do outro o que não temos coragem nós mesmos de fazer. É da natureza humana delegar responsabilidade ao próximo, por acreditar que a própria vida será mais simples. Infelizmente, ela não será.

LUCAS:
Vejo que eu o incomodei à toa, criador!

DEUS:
Pelo contrário, meu filho. Pelo contrário... É de pessoas como você, preocupadas com o rumo dos acontecimentos, que o mundo anda sentindo falta. A questão é que não dá simplesmente para ficar no âmbito da preocupação. É preciso se mexer. A começar pela sua vida privada.

LUCAS (confuso):
Está falando do quê?

DEUS:
A sua vida está uma zona, Lucas! Perdeu contato com a família. Não fala com os seus pais a o quê? Seis anos? Mônica já foi embora e você se comporta como se ela estivesse no quarto te esperando. Ela não vai voltar, meu caro! Acorda! E todas aquelas moças dos coquetéis da agência que demonstraram interesse por você? Nenhuma delas está à altura da que partiu? Recuso-me a acreditar. E aquele sonho que você tinha de montar seu próprio negócio? Como era o nome, house agency? Era uma boa ideia. Ainda é. Está faltando o quê para sair do papel?

LUCAS:
Entendi o que você quer dizer.

DEUS:
Entendeu mesmo?

LUCAS:
Sim. Como é que eu posso desejar um futuro melhor para o meu país, se não consigo colocar nem a minha própria vida nos trilhos!

DEUS (orgulhoso):
Ufa! Enfim alguém nesses anos todos que eu desço para trocar uma ideia que entendeu o que eu disse.

LUCAS (amargurado):
Mas é que é tudo muito amarrado na minha vida, Senhor!

DEUS:
Opa!

LUCAS:
Desculpa. Você.

DEUS:
Eu entendo seu lado, rapaz. Você foi muito cobrado por seus pais. Encheram você de expectativas que não se concretizaram. E o resultado disso é um ser humano em cima do muro, que perdeu completamente a vontade de arriscar. E você terá que sair dessa sozinho, meu filho! Nao posso levá-lo pela mão a todos os lugares que você almeja. Essa é uma travessia sua e só sua.

LUCAS:
Como a peregrinação de Santiago de Compostela?

DEUS:
Mais ou menos. Tem muita gente que adultera o caminho, pega só os carimbos, mas não faz a jornada toda. E depois quer pagar de espiritualizado. Leia menos Paulo Coelho. Pode ajudar.

LUCAS:
O senhor leu Paulo Coelho?

DEUS:
Esse livro em questão eu não passei da página 20. Mas gostei daquele Verônica decide morrer. Não sei porque ele não chamou a protagonista de Paulo. É tão autobiográfico.

LUCAS:
Se nem o senhor gostou do mago, então...

DEUS (irritado):
Mago o escambau. Agora sério: preciso ir. Tem uma moça lá em Londres chorando copiosamente, que precisa da minha ajuda. Ela não consegue engravidar, mas também não quer adotar um filho. Eu sei: é complicado.

LUCAS (já se levantando do sofá):
Alguma recomendação final?

DEUS (levantando-se também):
Apenas uma: seja você mesmo. E acredite cada segundo que dará certo.


(DEUS chega até a porta, gira a maçaneta, já vai saindo quando ouve a voz de LUCAS).


LUCAS (risonho):
E a eleição pra prefeito? algum palpite?

DEUS (um riso irônico no rosto):
Olha, não quero prometer nada, mas esse rapaz, o jogador de futebol, o da copa do mundo, tem grandes chances. Se ele souber controlar a quantidade de pensões alimentícias que tem pra pagar... Quem sabe!


(DEUS atravessa a porta e desmaterializa-se)


(A televisão liga-se sozinha. LUCAS dá um pulo de susto).


ÂNCORA (voz em off):
...e a última notícia: acaba de acontecer um terremoto na indonésia. Segundo os especialistas, sua metragem foi de 5.9 na escala richter. Já foram confirmadas mais de 800 vítimas fatais...


(LUCAS faz uma expressão entre o riso e o choro).



DESCE O PANO.


Biografia:
Crítico cultural, morador da Leopoldina, amante do cinema, da literatura, do teatro e da música e sempre cheio de novas ideias.
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