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Não se Apaixone por Veronica Prestor
Leticia Ferreira

Resumo:
Um monólogo sobre a capacidade adolescente de fantasiar dentro de si mesmos.

(Entra Verônica toda serelepe com o celular nas mãos).

Finalmente! FI-NAL-MEN-TE! Depois de dois longos meses, o Ricardo tomou a atitude e me beijou. AI MEU DEUS! Eu ainda consigo sentir, sabe? Aquele vento gostoso da pracinha passando assim de leve por nós dois, o aroma de flores, ele me segurando firme na cintura e dizendo “Você é linda”. Um conto de fadas... (recebe mensagem de texto no celular). Ai gente! É ele. Será que eu abro o SMS e leio agora ou deixo pra mais tarde para bancar a difícil? Ah, até parece que eu ia conseguir. Melhor é ver agora mesmo, depois eu resolvo se respondo ou não. O que será que é (mexendo no celular)? Do jeito que estava caidinho por mim, provavelmente será um poema de amor, não, um ensaio dramático dividido em três partes sobre o brilho dos meus olhos, ai, que emoção. Ele escreveu “Verônica,” SOU EU!! “Cuidado para não se apaixonar por mim, não valho a pena” (Começa a leitura cheia de emoção e entusiasmo e vai murchando ao longo da mensagem). Cuidado para não se apaixonar por mim?! CUIDADO PARA NÃO SE APAIXONAR POR MIM?? Mas que diabos de frase é essa? Quem, em sã consciência, volta de um encontro e manda esse tipo de SMS?! Ah, mas eu vou responder esse desgraçado do jeito que ele merece (A partir de agora, intercala a fala com a digitação do celular). O que você quer dizer com isso? Que não presta? Enterraram uma cabeça de porco no seu quintal e nada dá certo na vida? Recebeu o laudo do médico indicando uma doença em estado terminal e não quer me machucar? Ou você é só piegas mesmo e não quer me fazer chorar, tem medo de me ferir, trair, decepcionar? Olha, eu já sou bem grandinha, não precisa ficar com tantos receios, sei lidar bem com a dor. Qual foi? Não gosta de mim, é isso? Estava brincando desde o começo? Então seja sincero, diz aqui, oh, na puta da minha cara que dói menos. Seja homem, seja íntegro que aí eu até tento compreender. Diz aqui pra mim, diz “eu não te quero”. Mas não usa o clichê de que quer me proteger. Quer me proteger do que, de qualquer forma, do seu próprio desprezo? Eu preferia que estivesse aqui, me olhando cara a cara e dissesse que a verdade é, pura e simplesmente, que você quer que eu tenha cuidado, mas acima de tudo, coragem, para me apaixonar por você. Ai sim, idiota, o seu “Cuidado para não se apaixonar por mim”, seria justificável. Eu poderia estar com qualquer um, ou melhor, podia estar sozinha, saindo com as amigas, brincando, rindo, cantando, ao invés de passar uma hora te esperando naquela praça xexelenta com fedor de mijo de mendigo e ficar, mais duas horas com a bunda doendo naquele banco de pedra, no meio de uma ventania do caramba até você tomar coragem e me dar um beijo xoxo, com bafo de feijão. Você sabia que tinha uma meleca enorme no seu nariz, pois é, tinha. E o pior é que quando a gente se beijou, ELA SUMIU. Eu estou até agora procurando aquela coisa NOJENTA na minha cara, porque sinceramente, NÃO SEI PARA ONDE ELA FOI. Você entende O PÂNICO que é possivelmente ter a meleca DE OUTRA PESSOA na sua cara e sair andando por ai? Então, meu anjo, eu que te digo “Cuidado para não se apaixonar por mim”, porque, a partir de agora, você só vai sentar do meu lado no banco do ônibus e olhe lá, idiota. (Para de escrever a mensagem e respira fundo). Pronto, quero ver me procurar agora. (Outro SMS chega) Nossa, já? Tô podendo mesmo. (Lendo o sms) “Primeiro de abril”.

...
Opa.


Biografia:
Pisciana, devoradora de livros, chocolates e Froot Loops. Ainda acho que Estrelitas foi o melhor cereal já feito e lamento que tenham fabricado tão pouco do Guaraná Antártica Ice. Formada precocemente no ensino médio e mais ainda na faculdade de Comunicação Social. Só existem três paixões absurdamente claras na minha vida e elas se resumem em: Literatura, teatro e música. Estou tentanto achar um sentido mais claro na vida do que apenas existir, no entanto, fazer isso me basta por enquanto. Complicada, persistente, imatura e apaixonada por travesseiros de penas, papel higiênico de folha dupla, iogurte grego de frutas vermelhas e torradas com nutella. Ladra de bibliotecas, caçadora de obras antigas e verdadeira apaixonada pelo cheiro das páginas velhas. Minha mente é somente violável através do que me permito escrever. Muitas vezes, a coisa foge de controle e as palavras se sobrepõem à vontade, porém, acredito que saberão lidar com isso. Sem mais, Au Revoir.
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