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O Príncipe de Shadizar
O Ataque ao Palácio Real. Duelo mortal
R. Durães-Barbosa

Resumo:
Este romance de aventuras conta a história do princípe Harun, herdeiro do trono da fabulosa Shadizar. Vítima de um golpe de Estado, Harun passa 20 anos afastado da cidade, até que consegue voltar para se vingar contra aqueles que o traíram. Este trecho narra seu ataque ao palácio e seu combate mortal contra o traidor Idi Amin. Livro disponível na amazon.

O ATAQUE AO PALÁCIO REAL. DUELO MORTAL


Era uma madrugada calma e silenciosa para os guardas que protegiam a entrada do palácio-fortaleza de Idi Amin Al-Maluf.
Entorpecidos pela monotonia, eles nem perceberam quando dois vultos se aproximaram por trás deles, sorrateiramente, empunhando adagas afiadíssimas. Quando notaram, já era tarde demais: Harun e Omar degolaram-nos imediatamente.
Com as armas desembainhadas, o grupo dirigiu-se rapidamente para os alojamentos onde descansavam os guardas reais. Esses aposentos ficavam no térreo do Palácio. Já o odiado Idi Amin Al-Maluf ocupava os andares superiores.
Mesmo concentrado nessa missão assassina, Harun não deixava de divagar, ao caminhar novamente pelo lugar onde passara os melhores anos de sua vida. Mas tudo havia mudado: o grande palácio havia sofrido muitas reformas para adaptá-lo a ser uma construção militar. Todo o ambiente agora era austero e soturno. Quando seu grupo passou no antigo salão de audiências (utilizado agora como depósito de armas), ele não pode conter as lágrimas ao ver o trono de seu pai Hassan esquecido num canto escuro, destruído e coberto de poeira; e quanto às tapeçarias que narravam a gloriosa história de sua família, essas simplesmente foram arrancadas e delas restavam apenas alguns fiapos de tecido presos nos pregos que outrora as sustentavam.
O grupo de Harun foi finalmente descoberto por outras sentinelas, que gritaram, antes de serem mortas:
- Traição, traição! Estamos sob ataque!
Alarmados, os guardas reais despertaram, armaram-se rapidamente e a verdadeira batalha começou.
- Lutem, meus fiéis chacais! Matem todos sem piedade! -ordenou Harun. E a horda selvagem não esperou outra ordem. Tinha razão Harun,ao comentar com seu amigo Al-Moujard,em dizer que os homens que comandava eram realmente os mais bestiais do deserto, pois foi grande a carnificina que cometeram: centenas de guardas morreram nesse ataque.
     Todavia, após sofrerem esse choque inicial, os guardas reais começaram a contra-atacar, liderados por ninguém menos que Idi Amin Al-Maluf. Com frieza, estratégia e bom-senso ele reorganizou suas forças, que a partir dali equilibraram a luta. Assim, o combate entrou em uma indefinição sangrenta na qual nenhum lado obtinha uma vantagem clara sobre o outro.
Harun percebeu que, se essa situação permanecesse dessa forma, seu grupo correria grave perigo. Por isso, resolveu lançar mão de um golpe desesperado:
- Idi Amin- gritou - Idi Amin, apareça cão miserável! eu, Harun, líder dos chacais do deserto, desafio-o para um combate de campeões. Enfrente-me, se tiver coragem!
Do lado inimigo, veio uma risada zombeteira e depois uma resposta: “Pois eu aceito”. O desafio lançado por Harun tratava-se de um antiquíssimo costume militar, conhecido por todos os guerreiros desde os tempos do lendário poeta Homero: sempre que, em uma luta, nenhum dos bandos obtinha uma vantagem decisiva, a disputa era então decidida pelos líderes dos respectivos grupos antagônicos, em uma luta corpo a corpo. Isso era chamado de combate de campeões. Com o desafio aceito, decretou-se uma trégua provisória entre os guerreiros. Harum e Idi Amin aproximaram-se um do outro, com as espadas sangrentas desembainhadas.
-     Você certamente é um cão pretensioso e iludido, beduíno miserável, ao me desafiar assim tão levianamente. Saiba que sou Idi Amin Al-Maluf, um dos melhores espadachins do mundo, cuja espada é temida desde Timbuctu até Cathay!
-      Não. Na verdade, você é um canalha covarde e desprezível, assassino de idosos indefesos e violador de donzelas puras.
-     Como ousa acusar-me dessas infames calúnias, seu coxo maldito? Quem é você? Ao final deste duelo, você não passará de uma ruína sangrenta!
-     Sou alguém que sobreviveu ao inferno apenas para trazer justiça à minha família, que foi destruída por você! Demonstra para mim agora a mesma coragem que você demonstrou para com meus pobres pais, e para com minha infeliz irmã! Pois sou Harun Al-Rajek, herdeiro e verdadeiro senhor de Shadizar!E voltei para vingar a morte de minha família!- disse Harun, retirando o capuz tuaregue.
Ao ouvir esse nome, Idi Amin sentiu um calafrio momentâneo na espinha. Não, ele pensava, aquele atacante insensato não poderia ser Harun! O príncipe morrera há vinte anos na emboscada do deserto, e seu cadáver fora engolido pelas areias escaldantes - Jugurtha sempre lhe assegurara isso.
Além disso, como aquele beduíno selvagem, de aparência grotesca - ele era coxo e tinha o rosto desfigurado por cicatrizes horrendas - poderia ser o belo, elegante e nobre príncipe Harun? - Não, não poderia ser ele realmente…
Idi Amin encarou-o novamente e então notou que seus olhos eram idênticos aos de Zobeida, a mulher que ele desejara ardentemente no passado, mas que, furioso com a recusa dela em amá-lo, assassinara-a brutalmente quando deu o golpe de Estado ao lado de Jugurtha. Mas, pensou, enquanto os olhos de Zobeida brilhavam refletindo a bondade e a generosidade de sua alma, os olhos de Harun brilhavam refletindo o ódio mortal que sentia por ele. Isso o convenceu definitivamente de que era Harun seu oponente.
-     Pois bem, Harun, seu chacal leproso do deserto - ele disse desdenhosamente - se você retornou das profundezas do inferno, então eu irei enviá-lo definitivamente para lá. Que o duelo comece e que vença o melhor - que certamente sou eu!
Idi Amin avançou rapidamente contra Harun, desfechando-lhe fortes golpes; Harun foi obrigado a manter uma postura defensiva desde logo. O capitão era realmente um notório espadachim: suas cutiladas eram perigosas e seus movimentos precisos; ele se movimentava com a graça e a leveza de um derviche rodopiador.
Harun não conseguia encontrar uma brecha para contra-atacá-lo.Finalmente tentou uma estocada, mas o capitão esquivou-se facilmente e, aproveitando-se que Harun deixara a guarda aberta momentaneamente, deu-lhe uma cutilada certeira, ferindo-lhe no peito. Harun afastou-se, exibindo uma careta de dor. O capitão sorriu malignamente, pois sabia que havia vencido a primeira parte do duelo.
Sem descansar, ele redobrou a força de seus golpes contra Harun; o príncipe defendia-se da melhor maneira que podia, mas mesmo assim seu corpo recebeu vários golpes, que lenta e inexoravelmente, minavam suas forças; seu traje negro estava manchado de vermelho. Cada vez que recebia um golpe, ele se afastava; mas eles estavam lutando em um corredor estreito e seu espaço para se esquivar ia paulatinamente diminuindo.
Finalmente, Idi Amin Al-Maluf encurralou-o em um canto sem saída. Harun obstinadamente defendia sua vida - ele era como um leão moribundo enfrentando desesperadamente um hábil caçador - mas aparentemente o capitão já havia vencido a luta, e faltava pouco para nosso herói ser morto.
Esmagado pela dor, Harun abaixou a guarda, como que esperando receber o golpe de misericórdia. Sem pressa, calma e friamente, Idi Amin Al-Maluf escolhia em qual parte do corpo martirizado de Harun daria o golpe final.
“Tolo ingênuo”, regozijava-se, “acredita que um homem pode vencer um duelo apenas contando com a justiça de sua causa! ”
“Mas isso é uma ilusão”, continuou, “porque apenas a força, a astúcia e a crueldade podem decidir os destinos de um homem!”
Jugurtha havia-lhe ensinado isso, quando o convencera a se juntar ao seu golpe de Estado.”Ora”, dizia Amal, “o objetivo de todo homem é satisfazer seus interesses, ou seja, ser feliz. Eu, por exemplo, desejo ser feliz usurpando o trono do tolo e ingênuo rei Hassan; você deseja ser feliz possuindo carnalmente a bela princesa Zobeida (e apropriando-se secretamente de suas vastas riquezas). E para alcançarmos esses objetivos, devemos nos unir, assim como o leão velho uniu-se à hiena jovem para vencerem e devorarem o altivo touro branco da fábula. Usar de todos os meios possíveis para vencer, isso é que importa! “Para alcançar nossos sonhos, não devemos nos limitar por valores religiosos ou morais, por dois motivos: primeiro, porque a religião não passa de uma mentira inventada pelos fortes a fim de dominarem mais facilmente os fracos. Segundo, porque a moral deve sempre justificar nossos atos, em nossa busca pela felicidade. Se pela prática de crimes, obtemos vantagens materiais, ou simplesmente sentimos prazer em cometer esses atos infames, então isso não pode ser considerado um mal em si mesmo, pois nos proporcionou um bem - a felicidade e o prazer do homem são fins coincidentes em si mesmos. ”
“Felicidade na natureza significa a satisfação dos instintos, como dormir, procriar ou comer; e isso é obtido por meio da crueldade, pois os animais mais felizes são os mais cruéis: leões, lobos, hienas, águias e serpentes. Eles devoram impiedosamente suas presas, não demonstrando nenhum respeito por elas.”
“Já na sociedade humana, o conceito de felicidade é outro: é o desejo incontrolável de se obter riqueza, sexo e poder. Embora os fins sejam diferentes, não há diferença entre os meios, pois um homem só pode vencer na vida se for astuto, cruel e impiedoso como os animais.”
“Portanto, deixemos para os tolos, fracos e crédulos conceitos abstratos como amor, justiça e piedade- que eles sofram inutilmente em busca dessas quimeras! - e tratemos de aproveitar bem cada instante de nossa curta vida, empregando todos os meios necessários para isso. Junte-se a mim, Idi Amin, e você terá tudo o que desejar! ”
Assim pregava Amal para seus devotos seguidores, e ele tinha razão, pensava Idi Amin Al-Maluf.
Essas reflexões ímpias tivera-as Idi Amin Al-Maluf enquanto arremetia-se para dar o golpe final em Harun; autoconfiante, ele disse, gargalhando:
-     Agora você morrerá, Harun!Ver-te-ei no inferno, maldito. Ah, ah, ah!
Entretanto, quando a ponta de sua espada ia penetrar profundamente no peito de Harun, o príncipe esquivou-se, no último instante; e trocando a espada para outra mão rapidamente, ele deu um decisivo e mortífero golpe no pescoço do capitão.
Surpreso, o capitão infame não pareceu ter sentindo o golpe imediatamente; mas então ele se ajoelhou e, perdendo progressivamente o controle sobre o corpo, largou a sua cimitarra. Pôs então a mão no pescoço, tentando estancar o sangue; em vão, todavia, pois o corte havia atingido em cheio a sua jugular. Com um último esforço, ele tentou dizer a seus soldados para que continuassem a lutar; mas antes que pudesse falar, sentiu o forte golpe da espada de Harun trespassando-lhe o coração. Perdendo os sentidos, ele tombou, fulminado, no chão.
O capitão pagara com a vida por sua soberba. Pois, em um duelo mortal entre dois espadachins igualmente habilidosos, vence aquele que se aproveita da mínima fraqueza de seu oponente. Harun compreendera que Idi Amin Al-Maluf o considerava como um oponente inferior, e foi alimentando essa ilusão deixando-se ferir por ele. Era uma estratégia realmente arriscada, porque os golpes desferidos pelo capitão feriram-lhe gravemente; mas isso acabou permitindo-lhe que paulatinamente o capitão abrisse uma brecha em sua defesa, e Harun não perdeu a oportunidade quando ela surgiu.
Harun aproximou-se do cadáver de Idi Amin Al-Maluf, segurou-lhe pelos cabelos, e com um único golpe, decapitou-o. E jogou a cabeça ensanguentada em direção aos homens aterrorizados do capitão.
O combate de campeões terminara, e Harun havia sido o vencedor.


Biografia:
Sou um homem discreto, que aprecia filosofia e história.
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Outros títulos do mesmo autor

Romance O Príncipe de Shadizar R. Durães-Barbosa
Romance Eu matei Lampião R. Durães-Barbosa


Publicações de número 1 até 2 de um total de 2.

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