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Amor Imputrescível - Parte II
Capítulo I
P S Lounstack

Resumo:
Era um dia normal na vida do Médico Legista Andrei. Tudo ocorria como de costume. Os cadáveres chegavam, ele fazia a autópsia e os liberava para o diagnóstico final. Porém, nesse mesmo dia, entre idosos, mães e crianças, um cadáver inesperado surge em seu prontuário: Miranda Solaris, uma antiga, e forte, paixão da época de escola. O choque não conseguiu tomar lugar do amor que ainda estava no coração de Andrei. Um amor incorruptível, inconfundível; um amor que não se deteriora, que não se decompõe, incorrosível. Até aonde iria um homem disposto a manter esse amor vivo?

Após uma série de exames e diálogos com o falecido, Andrei faz a declaração final, constatando que a vítima sofria agressões por parte dos seus cuidadores e que a queda foi devido a falta de força nos joelhos. Ele fecha o prontuário e cobre novamente o corpo. Leva a documentação até a recepção para que o paciente seja liberado.
- Olá, Susie. Aqui está a documentação do senhor Enrich. O Laudo está completo e já podem liberar o corpo. – Diz o Dr. Andrei.
- Ok. Entrarei em contato com os familiares. – Responde Susie.
- Bom. Agora vamos para a próxima. – Vibra o Dr. Andrei.
- Por que não descansa? Este é o seu segundo plantão dobrado. A outra pessoa ainda nem foi identificada... – Sugere Susie.
- Prefiro me distrair com esse trabalho que amo, do que voltar pra minha realidade solitária. – desabafa o Dr. Andrei.
Susie fica sem reação e Andrei retorna para o morgue. Ao adentrar na sala, ele novamente se prepara para examinar o próximo cadáver. Quando ele estava prestes a retirar o lençol, uma voz o surpreende:
- Andrei? Precisamos conversar. – Diz uma voz oculta em tom sombrio.
Andrei se assusta e pensa que foi o cadáver quem falou com ele. Era ninguém menos que a Dr.ª Martha. Ela acha engraçado o susto de Andrei e o deixa envergonhado.
- Fique tranquilo Andrei, sou Eu. – Brinca a Dr.ª Martha.
- Não me assustei, só estava brincando. – Disfarça Andrei.
- Ultimamente está muito difícil trabalhar nesse hospital. Está extremamente insuportável lidar com o Dr. Lewis. Aquele Velho... – Desabafa Martha.
- Calma aí. Eu entendo seus desabafos e lamentos. Mão não precisa ofender o Dr. Lewis. – Interrompe Andrei.
- Você não muda mesmo Andrei. Tantos anos aqui e você é o melhor profissional da área, eles nunca valorizam isso e você ainda os defende. – Lamenta Martha.
- Quando se tem uma vida sem muitas emoções, é normal acostumar-se com o pior de tudo. – Responde Andrei. – Bom. o que queria me falar?
- O Dr. Lewis precisa conversar com você. – comunica a Dr.ª Martha.
- Logo na hora que ia começar minha próxima entrevista do dia. – Brinca Andrei aos risos.
- Só de imaginar você conversando com esses cadáveres... - Diz Martha, expressando nojo.
- Minhas melhores discussões ocorreram aqui nesta sala. – Responde Andrei.
- É... Sei disso. Você nunca muda... – Replica Martha. – O Dr. Lewis está esperando, vamos?
- Claro. – Responde Andrei.
Andrei deixa o corpo de Miranda no morgue, e segue para a sala do Dr. Lewis. O Dr. Lewis além de ser o médico mais antigo do hospital, é o atual diretor do Hospital Central. Ele, Seu irmão Benjamin e Martha formam a equipe que administra o Hospital Central. Martha, ainda que muito nova, tem em suas mãos a responsabilidade dos processos gerais do Hospital.
O Dr. Lewis é experiente médico, com seus quarenta e cinco anos de profissão e setenta e seis anos de uma vida de muito trabalho.
Com seus cabelos brancos, seu rosto que transparece paz para seus pacientes e sua carreira bem sucedida, Lewis vê todos os problemas do hospital como um peso para si, indo muito além de sua vida profissional e afetando sua vida pessoal. Carregando, em sua bagagem de experiências e cirurgias bem sucedidas, como também fracassos e erros.
- Agora que o Dr. Andrei chegou, podemos finalizar esse laudo. – Inicia o Dr. Lewis.
- Eu constatei que esse senhor foi agredido por parte de seus cuidadores. Ele tinha muitas marcas no abdômen. Devido aos problemas nos joelhos, ele tinha um andar fraco, que ocasionou sua queda, em seguida o traumatismo e, por fim, a sua morte. – Conclui Andrei.
- Bom, depois de uma avaliação tão precisa, acho que não precisamos dizer mais nada. – Brinca o Dr. Benjamin.
- Excelente trabalho, Andrei. Mas agora preciso lhe dar novas orientações. – Diz o Dr. Lewis. – Ainda não conseguimos identificar a moça que chegou mais cedo e teremos que suspender qualquer tipo de atividade com o corpo por um tempo, até que tenhamos plena permissão para tais atividades.
- De acordo, Dr. Lewis, estarei aguardando qualquer decisão nova. – Responde Andrei.
- E uma última coisa: Descanse! Assim que tudo estiver liberado você será solicitado. – Orienta o Dr. Lewis.
- Mas eu gosto de estar aqui... Eu poderia... – Responde Andrei.
- Nós sabemos. Mas você precisa descansar. – Dr. Lewis o interrompe. - Vá para casa, descanse e amanhã ela estará te esperando. – Ordena o Dr. Lewis.
A Dr.ª Martha dá uma risadinha sarcástica e diz em baixo tom:
- Eu avisei. – Brinca Martha.
Andrei se despede dos outros médicos e volta para sua sala, organiza suas coisas e vai para casa.
Andrei não era um cara de muitos amigos. Era reservado. Vivia trabalhando, não saía muito. Após se separar começou a dividir um apartamento com um amigo, que tinha uma vida completamente diferente da sua. Josh, que era amigo de infância de Andrei, vivia tentando arrumar namoradas para ele. Apesar de nunca dar certo, Andrei sempre topava participar das loucuras propostas pelo amigo. Ao chegar a casa, Josh até se assusta por ver o amigo em casa nesse horário.
- Foi despedido? – Pergunta Josh em Tom satírico.
- Não. Não tem serviço pra hoje. Logo hoje que eu estava com a sensação de que seria interessante. Chegou um corpo não identificado. A menina teve uma morte súbita e... – Explica Andrei quando é interrompido por Josh.
- Cara, pare de falar de morto! – Dispara Josh com expressão de nojo. – Você precisa sair cara. Namorar. Esse seu trabalho te prende muito.
- Vou fazer um sanduiche. Aceita? – Andrei muda de assunto.
- Depende. De que? – Pergunta Josh.
- Acho que de Presunto. – Responde Andrei.
- Não... Obrigado. Depois dessas conversas de corpo, cadáver. Prefiro algo menos morto. – Brinca Josh.
Andrei toma um banho, come o seu sanduiche, e senta-se à mesa no seu quarto para ler alguns materiais novos enviados pelo Conselho Nacional dos Legistas. Ele sempre foi muito aplicado em aperfeiçoar seus conhecimentos e correr atrás de qualificação. Era reconhecido nacionalmente pelos laudos detalhados e certeiros que emitia em dez anos de profissão.
Ao Iniciar a tarde, os sócios de Miranda na Advocacia Solaris e Royal ficam incomodados com a ausência da sócia. Nenhuma notícia há sobre o seu paradeiro. Como eles teriam um caso para resolver, decidem ligar para sua casa e descobrir o motivo de sua falta:
- Alô. Boa tarde. – Diz Dona Sonia, Tia de Miranda.
- Boa Tarde. Aqui é do escritório de advocacia. A Srta. Miranda Está em casa? – Pergunta o Advogado Miguel.
- Não. Ela saiu bem cedo, e ainda não retornou. Imaginava que ela já estivesse no trabalho. Vou entrar em contato com ela e peço pra ela te ligar. – Responde Dona Sonia.
- ok. Obrigado e tenha uma boa tarde. – Finaliza o Advogado Miguel.
Intrigada, a Tia de Miranda liga para o celular dela, porem sem sucesso, pois Mirando o havia deixado em casa. Uma mudança de rotina de forma repentina pode gerar preocupação para uns, ou desespero para outros.
- O que houve Tia Sonia? – Pergunta Peter, Irmão de Miranda.
- Estranho... Sua irmã não foi ao trabalho hoje. Ela saiu cedo para correr. E sempre com essa ideia de deixar o celular em casa. Agora estou aqui preocupada e não tenho como me comunicar com ela. – Desabafa dona Sonia.
- Fica tranquila, Tia. Ela já é bem crescidinha. Deve estar passeando e a senhora aí ficando preocupada. – Tranquiliza-a o sobrinho Peter.
- Enfim... Vamos aguardar até o fim do dia. Mas ainda não fale nada com sua mãe. – Ela orienta.
Andrei fica inquieto em casa. São dezesseis horas e vinte minutos. Seu corpo está lá, mas sua mente está no trabalho. Ele se arruma, pega suas coisas e volta para o Hospital Central, sabendo que o Dr. Lewis não estará lá nesse horário.
- Andrei? O que está fazendo aqui? Deveria estar em casa... – Diz a Dr.ª Martha.
- Não consigo ficar parado. Eu não posso examinar o corpo, mas posso adiantar outros serviços. E também, ficarei de plantão caso ela seja identificada. – Responde Andrei.
- É... Não adianta mesmo. Você não muda – Diz a Dr.ª Martha. – Como consegue ser assim?
- Está no meu sangue. É o que mais gosto de fazer. – Responde Andrei.
Andrei segue sorrateiro para sua sala. Sem chamar muita atenção, ele organiza sua sala. Ao terminar, uma curiosidade desperta em sua mente: Quem será essa pessoa não identificada? Ele, então, decide olha o rosto dela. Ao se aproximar e estender sua mão para retirar o lençol que cobria o rosto, uma mão toca o seu ombro e Andrei se assusta...


Biografia:
... pegue um punhado de areia, lance-o ao vento, e na passagem das estações ali estará a minha essência...
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