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ATOS FALHOS E TALVEZ PERFEITOS
Indagação de conceitos psicanalíticos.
Jader Mariano Venturini dos Santos

Resumo:
Resenha critica sobre o conceito Psicanalítico de Ato Falho, desenvolvido por Sigmund Freud.


Segundo a Psicanálise o ser humano possui na dinâmica da sua Psiquê momentos denominados Atos Falhos, estes por sua vez significam expressões que apresentam-se na fala, escrita, leitura, memória e comportamento Humano. Esse conceito teve seu desenvolvimento inicial elaborado pelo próprio fundador da Psicanálise, Freud, ele investigou esse fenômeno e escreveu sobre ele, tentando compreende-lo a partir da concepção da metapsicologia, pelo viés da influência do inconsciente no sistema Psíquico. Esses atos nomeados por ele de atos falhos apresentavam na sua forma indícios de “erros” e “falhas” por parte de quem os enuncia, ou seja Freud percebeu que as pessoas que apresentavam atos falhos, pareciam enunciar de forma errada alguma mensagem ou situação que gostariam de colocar para outra pessoa ou para si mesmas. A partir disso ele se questionou o porque isso ocorria, e em seus estudos compreendeu que em muitos casos essas falhas eram formas de conflitos psíquicos e de elementos afetivos que ficavam de alguma forma em uma especie de dualidade e ambiguidade no sujeito. Ele concluiu que esses erros eram o encontro entre elementos do mundo afetivo do sujeito que poderiam estar tentando serem elaborados em esferas diferentes, ou seja pela consciência e pelo inconsciente e outras instancias psíquicas não menos importantes como o superego. Assim ele concluiu que essas falhas ou trocas eram atos que primeiramente pareciam incompreensíveis para quem os dizia e para quem ouvia, contudo eram importantes e significam alguma coisa sobre quem os enunciava. Instigado por isso Freud procurou ouvir e ver, vivenciar com mais atenção esses fenômenos, acreditando que eram erros que produziam mensagens sobre as pessoas que manifestavam esses erros. A partir dessa investigação Freudiana a Psicanálise com outros Psicanalistas e pesquisadores da área acolheram os estudos de Freud sobre o assuntos e ampliaram a concepção de que os atos falhos denunciam questões subjetivas via mensagens e atos errôneos. Todavia, o que podemos questionar é sobre a forma que o desenvolvimento deste conceito se deu. Porque chamar este fenômeno de ato “falho”, remetendo a acção decorrente a esfera do erro, como se o ato fosse um erro subjetivo ou psíquico? Quando nomeia-se esses atos de falhos, conclui-se que a algo de imperfeito presente. Mas porque imperfeito? Sabe-se que a Psicanálise no seu inicio era vinculada também a concepções racionalistas de elaboração do conhecimento sobre a personalidade humana, e tudo que não era compreendido a partir de teses comprovadas racionalmente eram colocadas em uma situação de erro, falha, ou desrazão, ausência de racionalidade, a razão deve imperar sobre o erro. conhecer significa saber sobre algo, e um ato falho denuncia o lugar de desconhecimento dos sujeitos sobre si mesmos, pois se supomos que temos razão sobre o que falamos porque algo desconhecido nos interpele a dizer ou fazer algo que não decidimos “com ciência”, lucidez e esclarecimento? Não seriam os atos falhos atos perfeitos? O oposto? Não seriam eles a plenitude do ser, sendo eles a demostração da integralidade e da realidade da subjetividade, aonde o afeto demostra todo seu potencial e toda sua especifidade da sua constituição contraditória, demostrando assim que a subjetividade não vive apenas de unidade, ou seja não temos um sentimento, um desejo, mas dentro de nós circula a possibilidade e a potencialidade de circular qualquer coisa, o que escapa e não é contemplado pela consciência e pela razão, e apenas conseguimos nomear isto como erro. Pois não entendemos, não sabemos o que passa conosco. Somos presas do desconhecido e do mistério que habita em nós e quando isso angústia preferimos chamar de erro para justificar e nos sentirmos seguros.

“Eis o defeito das palavras. Sempre nos obrigam a sentir-nos esclarecidos, mas, quando nos viramos para enfrentar o mundo, elas sempre nos falham e terminamos enfrentando o mundo como sempre o fizemos, sem esclarecimento.” (Carlos Castañeda).

Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente. (Freud).


Biografia:
Escritor quando inspirado,fotógrafo por hobby, Psicólogo,apreciador de artes em geral, sobretudo, Música, escrita e fotografia.
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