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Romance Belterra de Nicodemos sena
Lonjuras íntimas
silas C. Leite

Resumo:
Um romance de pai pra filho, e de filho pra pai.

Resenha:
BELTERRA – Folhas de Regresso a Uma Ítaca de Lonjuras Íntimas
“Nada é para sempre(...). Mas há momentos
que parecem ficar suspensos, pairando sobre o
fluir inexorável do tempo”. (José Saramago)

-Na açodado do momento, sem razão e nem porque, de imediato, a revisitada canção explode na minha mente atiçada, mal acabei de começar a ler (e de chorar, lendo) o novo livro BELTERRA de Nicodemos Sena, Editora LetraSelvagem. Jatos de música e letra: -“Por toda terra que passo me espanta tudo que vejo// A morte tece seu fio de vida feita ao avesso//O olhar que prende anda solto//O olhar que solta anda preso//Mas quando eu chego eu me enredo//Nas tramas do teu desejo//O mundo todo marcado à ferro, fogo e desprezo//A vida é o fio do tempo, a morte o fim do novelo//O olhar que assusta anda morto//O olhar que avisa anda aceso//Mas quando eu chego eu me perco//Nas tranças do teu segredo//(...)... é hora de partir, eu vou// (Desenredo - Dorival Caymmi)
-Era o livro tomando forma em minha mente atiçada. Leitura é entrar no mapeamento das palavras, espaços e tempos. Lonjuras íntimas. Procuras. Fotos. Desenhos apalavreados de rostos e almas, nos confins. Como Homero querendo voltar para casa, o autor leva o pai para um distante caminho de volta, atrás de um eldorado que acabou sendo lágrima e dor, e, revisitando trilhas e sentenças, veios e capões, matas e pesadelos, tenta redescobrir o encoberto, tenta retrazer o curtume de um tempo chamado já-hoje, e perpassa a narrativa fluindo como linhas de cerol na alma, na saudade, na história, como se um belo caderno de viagem dizendo dessa cicatriz lixada, de um magno patriarca sofrido e ainda assim resistente e herói, de uma lágrima sedenta de lavar os vidros dos olhos, de serenar os cacos de espelhos da alma. Olhares. Páginas de lágrimas. O menino que envelheceu, o velho que quer voltar a ser menino, na pureza do olhar de um sensível e destemido filho escritor renomado, ponderando, pausando, contemplando, reinando, respeitando, admirando – ah o reencontro - clicando, repaginando um tempo antigo; o agora menino-pai tomando o pai-menino pela mão... Tempo-rei. Como não se encantar? Os dias eram assim...
-“Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”, disse José Saramago. Se escrever é semeadura, lavrar canteiros de palavras, levantar páginas de rostos com sangue e lágrima, é também a busca de um passado que já foi, (e acabou estando), mas marcou (e delineou um clã), e o filho levando o pai para tomar posse de suas rememórias para tentar se libertar de seu passado sofrível, e de novo descobrindo-o, “reencatá-lo”, o que é também um ato de amor, feito a coragem um milagre, e uma releitura da vida muito além de um vale de lágrimas, para uma purgação que se apresenta como limpeza, aceitação, perdão e ainda assim e por isso mesmo, literatura pura, envolvedora, cativante. A bela terra que já foi, que lavrada foi, e ainda seca e a mingua brota doces e tristes relembranças, tudo se passando a limpo, pai e filho, alma e coração, palavra e florificação de um encontro que foi busca, aceitação, e anelo. A realidade precisa de nós?
-Nas lonjuras do mundaréu, lá onde o judas perdeu o all-star, ainda assim e por isso mesmo (o sentimento do mundo), lágrima e sangue formam um novo tom chamado aurora (Drummodeando). Havia uma pedra no meio do caminho. E seringais. Agora há um pai e um filho. Andanças. E um livro que relata, retrata, distrata, compacta e vira também lavra de bravatas e de batatas da terra. Belterra ainda vive, não apenas em algum lugar do passado, mas como um sonho dentro de um sonho do sonho... Se o impossível em Ford plantando Belterra não se fez final feliz, o impossível na alegria e na tristeza se fez livro. Os olhos renovados na velha paisagem revisitada em travessia, diria Marcel Proust.
O pai do autor, Bernardino Sena, de 81 anos, viveu nos primórdios de Belterra numa adolescência sofrida, durante o período da Segunda Guerra Mundial, quando a cidade planejada era administrada por norte-americanos sobre o controle de Henry Ford e sua companhia Ford Motor Company. Eles extraiam o látex para fornecer a borracha necessária para movimentar os veículos militares. Belterra é um município brasileiro do estado do Pará, pertencente à mesorregião do Baixo Amazonas, núcleo humano que depois do fracasso das plantações de seringa em Fordlândia, causada pelo tipo de terreno que não favoreceu o desenvolvimento dos seringais que necessitam um terreno plano, com solo rico em minerais e material orgânico, e também a infestação por um tipo específico de praga até então desconhecida que acabou com a produção das plantações, Henry Ford o “visionário em terras estrangeiras” teve que começar a buscar outro lugar para que seu projeto fosse continuado. E ali na nova feitoria de estranhos, restaram os restos de um sonho, em que tudo o que era um belo e dantesco espetáculo de empreendimento, virou mais um pedaço do Brasil entregue a Deus-dará e suas quireras de vida, pesadelos como sequelas historiais, caboclos, florestas e desilusões desassistidas, capiaus e operários largados. A Bela Terra que foi Belterra acabou um pedaço de chão que nem mais se lembra do que foi, do que poderia ter sido, e talvez queira mesmo o esquecimento...
-O livro retrata isso, o retorno, a busca, o pai e o filho, presente passado e futuro no mesmo monjolo de ideias, procuras, riscos, encontros e desaceleração de realidades entre perdições e flancos de doces memórias. O tempo não perdoa. A floresta regurgita. São tantas as ilusões perdidas... desde o reino rico da infância, a despedidas, perdas, reavaliações, perdões e neuras, acertas de contas com quem mesmo? “Quem será este menino /que, sem ver, envelheceu? /serei ele ou será eu?/... diria o poeta Cairo Assis Trindade
-Diz o autor lá pelas tantas:
“Retornar à terra dos sonhos, à minha Amazônia querida, que, como a Ítaca de Ulisses, se encontra tomada de pretendentes gananciosos e cruéis, os quais, sem escrúpulos, saqueiam e depredam os bens da terra, auxiliados por mucamas e mordomos (degenerados filhos da terra) que, a troco de migalhas e posições, passaram-se para o lado dos inimigos.”
-Reflexões sobre o passado que fomos, e ainda o trazemos conosco. Relações de um futuro que se firma nos pilares do passado distante, e o açodamento do futuro nos permitindo revisitas, releituras, travessias, desenredos, alguns prismas saturados, sentidos customizados, como se tudo mesmo na eclosão entre uma coisa e outra ainda fosse assim o já-hoje, nas paredes da memórias revisitando momentos que passamos em outro tempo mas pelas mesmas fugas, retornos, idas e vindas, choros e chorumes, perdas e danos, presenças e ausências, refluxos e reflexões, tudo, como na canção de Belchior, exatamente como nossos pais.
Belterra nos chama, bem-vindos. Parafraseando Walt Whitman, quem abre um, livro toca almas. Terra--chão? Coivara. Alma-pessoa? Reencontro. Pai e filho: Choro por ti, Belterra. Leiam as vidas!
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Silas Correa Leite
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BOX
Livro CHORO POR TI, BELTERRA - Editora LetraSelvagem, 192 páginas, edição 2017 - Site: www.letraselvagem.com.br – E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br
Fone: (55)(12)99634-5623 ou 99203-3836








Biografia:
O Poeta e Ficcionista premiado Silas Corrêa Leite tem 53 anos, é de 19/08/52, da histórica e boêmia aldeia de Itararé-São Paulo, Brasil, terra de celebridades artísticas nacionais como o Maestro Gaya, Luiz Solda, Rogéria Holtz, Irmãs Pagãs, Carlos Casagrande, Regina Tatit, Jorge Chuéri, Luiz Barco, verdadeiro celeiro de artistas, portanto. Em Itararé foi bóia-fria, engraxate, vendedor de dolés de groselha preta, garçom, vendedor de jornais. Família pobre, seu pai descendente de judeu-português era acendedor de lampiões de gás e sua mãe mestiça de negro com índio. Com 16 anos ele escrevia pros jornais de Itararé (hoje é autor do Hino ao Itarareense), tinha programa na Rádio Clube de Itararé e, nos shows pratas da casa, imitava ídolos da Jovem Guarda. Por causa de uma paixão impossível, sem lenço e sem documentos em 1970 com apenas a quarta-série do primário migrou para Sampa. Sem dinheiro no bolso/Sem parentes importantes/Vindo do interior, como na balada do Belchior. Morou em pensões e repúblicas, passou fome, voltou a estudar, fez Direito, ganhou ficha nos podres porões da ditadura militar incompetente e corrupta. Sempre escrevendo, começou a participar de concursos e a ser premiado em verso e prosa, até no exterior. Ganhou alguns prêmios, (Prêmio Ignácio Loyola Brandão de Contos, Prêmio Paulo Leminski de Contos, Prêmio Mário de Andrade de Poesia, Prêmio Mário Quintana de Crônicas, Prêmio Ficção Científica e Fantástico em Portugal, Prêmio Salão Nacional de Causos de Pescadores (USP-SP), Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor, etc.) Consta em dezenas de antologias literárias em verso e prosa até internacionais. Lançou um e-book (livro virtual) chamado O RINOCERONTE DE CLARICE com 11 contos fantásticos, cada ficção com três finais cada, um final feliz, um final de tragédia e um politicamente que foi um sucesso no site www.hotbook.com.br/int01scl.htm e destaque na mídia, inclusive televisa (Metrópolis, TV Band., Rede 21, Provocações). A obra, pioneira, de vanguarda e única no gênero, foi indicada como leitura obrigatória na matéria Linguagem Virtual, no Mestrado de Ciência da Linguagem da Universidade do Sul de Santa Catarina. Faz palestras e congressos, adora mais estudar e ler do que de existir (fez também Geografia, é especialista em Educação, fez várias extensões inclusive em Filosofia Para Crianças, Literatura na Comunicação, Direitos Humanos na USP, etc.) colabora atualmente com mais de 300 sites, inclusive no exterior e em países de língua espanhola. Tem três livros: Trilhas & Iluminuras, Poemas, 2000, Porta-Lapsos, Poemas 2005, e em 2006 lançará Os Picaretas do Brasil Real (Série Cantigas do Escárnio e Maldizer), estando com um livro de ficções premiadas para ser avaliado pela Travessa dos Editores de Curitiba-Pr. Antimilitarista, pela não violência, acredita na arte como libertação, como Manuel Bandeira. É considerado um humanista de resultados, sendo professor, jornalista comunitário e relator de uma ONG de Direitos Sociais. Seu site é: www.itarare.com.br;/silas.htm Sua poesia de apresentação é: Ser poeta é a minha maneira De chorar escondido Nessa existência estrangeira Que me tenho havido E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br
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