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Entrevista com Yuji Katayama – autor de Templários
Caliel Alves dos Santos

Resumo:
Conheça mais um dos nossos mais talentosos e prolíficos quadrinistas

1- Porque você define seus trabalhos como quadrinhos e não mangás?
R- Bem, mangá é como são chamadas as histórias em quadrinhos no Japão, assim como nos E.U.A são chamados de comics não vejo problemas em chamar meu trabalho de quadrinhos, HQ's ou gibis. Acho muito bons termos nossa identidade também.

2- Ser descendente de nipônicos contribuiu de alguma forma para que você se tornasse mangaká?
R- Eu acredito que não, eu ser descendente de japoneses de fato me ajudou a gostar muito mais da cultura japonesa e de querer conhecer o país um dia, quanto ao gosto pelos mangás e a paixão de fazê-los, acredito que veio mais do que eu consumia quando era criança e adolescente, ver os animes e comprar os mangás na banca só somou com minha paixão por desenhar.

3- Estamos vivendo uma era digital onde é possível se autopublicar gratuitamente e e-books, como você encara essas possibilidades?
R- Eu encaro com muito otimismo, acredito que não só na nossa área mas em muitas outras a tecnologia vai mudar tudo que estamos acostumados, até mesmo modelo de negócios. As HQ's digitais estão começando a ganhar muito terreno e a internet e as redes sociais se mostram armas poderosas que ajudam a divulgar nossos trabalhos, acredito que nós brasileiros temos um potencial muito grande para sermos grandes nesse ramo e ainda ser extremamente rentável e compensador.

4- Existem muitas iniciativas no mercado de mangá brasileiro, em sua maioria, obras amadoras, com arte profissional, o que falta para nós garantirmos um mercado sólido?
R- Cultura de consumo sem dúvida. É normal em países como Canadá, Japão Estados unidos e outros Europeus pessoas que tem a cultura e o hábito de consumir quadrinhos simplesmente comprarem muitas obras que nunca viram, principalmente em eventos como COMIKET e San Diego Comic Con onde os visitantes vão na ala dos artistas independentes e compram de muitas obras na esperança de acharem uma interessante. Acredito que os quadrinhos devam também ganhar seu espaço como mídia própria e não como um estilo diferente derivada de outras mídias.

5-Você já tem vários quadrinhos publicados ao longo dos anos, nos conte um pouco sobre eles?
R- Poxa, realmente já se passou tanto tempo e tantas páginas que ficam muitas coisas para falar hahahaha. Bem, o Templários foi meu primeiro trabalho e experiência com quadrinhos, é meu trabalho principal e mais importante para mim, tenho um carinho muito grande por ela não só por ser a primeira, mas por que é uma obra onde sinto que estou passando para as pessoas algo muito importante, que seria a história da ordem templária, a maçonaria e seu impacto mesmo nos dias de hoje.

Minha segunda obra começou com algo despretensioso, Technology foi minha vontade avassaladora de produzir algo no campo de ficção científica SYFY que é o meu gênero favorito tendo em vista que sou fã de Star Wars, Star Trek, Yamato 2199, Interestelar, série Cosmos, Gundam, Alien e outros clássicos. Hoje é meu selo de Ficção Científica onde dou asas à minha imaginação e crio várias histórias fechadas deste tema. W.O.R.L.D eu deixei que minha criança interior voltasse à tona, peguei tudo o que eu mais gostava de histórias de ação mainstream que gostava, Naruto, Liga da Justiça, Jovens Titãs, HunterxHunter, Cavaleiros do Zodíaco... eu queria fazer uma obra tão empolgante e irada quanto essas, algo mais leve e simples mas muito envolvente com muitas cenas de luta. Outras obras para concursos e comemorativas também fizeram parte do meu repertório, Bombing Mission baseada no game de Final Fantasy 7 foi uma experiência única, onde eu já tinha roteiro personagens e falas todos prontos, só precisei traduzir do jogo para as páginas, e foi muito mais complicado do que parecia, por ser um jogo antigo não havia muitas cenas boas dos personagens, eles eram quase que personagens de Minecraft com um pouco mais de faces no seu 3D, e o que se fazia no jogo precisei adaptar para os quadrinhos par que o leitor pudesse realmente entender o que estava acontecendo.

6- Os concursos de mangás estão de vento em popa no Brasil, você já participou deles? Qual sua avaliação?
R- Participei tanto dos nacionais quanto dos estrangeiros, os brasileiros como BMA ainda precisam amadurecer como concurso, tem um ou outro que são realmente muito bons, com bons prêmios e divulgação. O Silent Mangá Audition com toda certeza é o melhor deles, pois exige uma habilidade avançada que é a de contar uma história sem falas ou balões, somente desenhos devem expressar sua história, fora que é muito inteligente, por não ter falas é muito fácil o mundo todo participar sem a necessidade que o autor ou os avaliadores precisem traduzir a história.

7- Nos conte um pouco da mágica de fazer mangá, como é sua rotina de trabalho?
R- Todas começam com um bom café hahahaha, quanto a magia, me atrevo a dizer que está só nos olhos de quem lê nossos trabalhos, é matar um leão por dia, primeiro começo com uma visão geral da história como um todo seja de um capítulo ou de uma história fechada, então faço um pré-roteiro onde desenho rapidamente 8 páginas numa folha A4 contendo o mínimo de desenhos e mais falas e informações escritas, é nessa etapa que gasto mais tempo projetando tudo, desde a história até o número de páginas e se estarão à direita ou esquerda para não vacilar com as páginas duplas. Feito tudo isso vou para o segundo storyboard onde já faço desenhos mais completos, mas que ainda sofrerão mudanças, só então vou para arte final digital, para finalmente colocar falas e tons de cinza. Geralmente faço tudo isso em períodos que estou longe do trabalho, pois ainda tenho que trabalhar para me manter hahahahaha.

8- Pergunta picante, quais suas maiores influências no mundo do mangá e qual não gosta?
R- Yoshihiro Togashi com toda certeza é meu herói, acho que HunterxHunter umas das histórias mais bem feitas que já vi apesar do autor ser um pouco desleixado com os desenhos em algumas partes, mas, é uma história muito complexa que fez sucesso na Shonen Jump Magazine quebrando quase todos os requisitos, com diálogos expositivos constantes, que normalmente cansariam o leitor, mas é tão interessante que você simplesmente lê por que quer saber como aconteceu e por que aconteceu. Difícil ter um autor japonês que eu não goste 100%, mas, se tivesse que escolher um seria Massami Kurumada, não que Cavaleiros do Zodíaco seja ruim, mas eu não gosto de como Kurumada faz os personagens, em todas as suas histórias parece que o protagonista e alguns aliados são todos o Seiya, no anime vemos a diferença entre Ikki e Seiya por exemplo, mas no mangá os dois são praticamente iguais isso confundo bastante a leitura, chamamos isso no meio de síndrome da mesma face.

9 – Como você enxerga o atual mercado de mangás e como você o vê daqui a cinco anos?
R- Vejo dando passos curtos, saímos do engatinhar e estamos aprendendo a andar. Vejo o mercado daqui a 5 anos mais engajado nas mídias digitais, onde o custo de produção das edições é zero já que não há um impresso, não tenho como saber quanto ao modelo de negócios, acredito que cobrar pela mídia digital não seja o caminho mais adequado. Acho que 5 anos ainda é um tempo curto para o mercado madurecer, mas acho que serão anos que poderemos descobrir nosso próprio caminho para viabilizar nosso trabalho.

10 – Yuji Katayama, quais os seus projetos para o futuro?
R – Tenho um projeto em desenvolvimento com um roteirista para o Technology, onde será uma história longa e fechada, pretendo produzir em edição limitada pois será um encadernado grande, e pretendo disponibilizar em inglês na internet. Tenho alguns projetos que só farei caso meus planos de ir para o Canadá ocorram sem problemas. Espero conseguir colocar em prática meu app para leitura das minhas HQs ainda este ano também.

Deixe abaixo links e endereços para que os leitores possam visitar:
http://zineexpo.blogspot.com/
https://templariosmanga.com.br/
https://www.facebook.com/yujibraga
http://yujibraga0.wixsite.com/templarios


Biografia:
Comecou a escrever depois de um concurso em sala de aula. Dois anos depois ele publicou seu primeiro livro.
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