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Recordações
Recordações da infância
Maria Eugênia Guimarães Rabelo

Resumo:
Conta a história de minha mãe e sua infância é um texto de memórias literárias.

Recordações
Recordo com saudade do tempo em que eu era criança e já tomava conta de casa, sendo responsável por minhas roupas lavadas e passadas; mesmo tendo esse compromisso de adulto, eu era uma criança que gostava de brincar: de esconde-esconde, amarelinha e correr aos pastos feito moleque.
Eu morava em uma casa modesta, sem energia e sem água encanada, existia apenas uma usina que com a força da água fornecia uma energia que abastecia as lâmpadas da casa. Não tinha televisão e nem eletrodomésticos. As notícias chegavam pelo rádio de pilha que vivia “chiando”.
Para vir à escola juntava uma garotada em que os mais velhos sempre olhavam os menores. Os meus pais e os pais dos meus colegas nunca iam à escola de seus filhos, nem mesmo sabiam em que ano seus filhos estavam e, no entanto, valorizavam à escola e respeitavam seus professores.
Também me recordo que, aos domingos, os vizinhos passeavam um na casa do outro, quando faltava alguma coisa na casa de um, esse emprestava e pagava quando pudesse, era uma amizade desinteressada e fiel.
As festas de batizado e de Natal eram muito comemoradas. O cardápio era: frango, macarronada, arroz, tutu e um guaraná caçulinha para cada um. Era um verdadeiro banquete!
No namoro na época era feito o pedido por parte do rapaz, ao pai da moça. Tinham os dias marcados para encontro e a intimidade do casal não passava de um segurar a mão do outro, e para chegar a esse namoro, tinham as cartinhas que um escrevia para o outro e um amigo fazia o serviço de carteiro, era um namoro puro e inocente.
As músicas de minha época eram românticas. Eu e meus irmãos copiávamos a letra num caderno de músicas e o nosso cantor preferido era colocado, através de um pôster, na parede de nossos quartos.
Havia tempo para brincar, trabalhar, estudar, fazer novena, passear na casa de vizinhos e parentes. Enfim parecia que os dias tinham mais horas que o tempo de hoje.
No inverno eu e meus irmãos colocávamos leite num prato para congelar com a geada, amanhecendo corríamos para chupar o picolé, pois não tínhamos geladeira em casa.
Para melhorar, no almoço, disputávamos os ovos das galinhas. Quando essas cacarejavam era um corre, corre danado. Era tanta galinha que havia ovos para todos.
Também me recordo que, quando minha mãe preparava o almoço, aproveitava o calor do fogão a lenha e amassava um bolão de fubá para o café da tarde.
Minhas irmãs mais velhas fizeram curso superior em uma cidade distante. Com muito sacrifício formaram. Mas, no dia de suas formaturas, não tinham carro e nem dinheiro para táxi, elas foram de carona. Após terem formado, logo, conseguiram trabalhar e assim puderam ajudar nossos pais. Em “três tempos” começaram a construir uma nova casa. Quando a casa já estava quase pronta, nós perdemos o nosso pai, com uma doença muito grave. Mas, mesmo assim, elas não desistiram, continuaram a investir na construção.
Hoje, com tanto conforto, sinto saudade daquela simplicidade em que tinha todos os meus irmãos juntos para dividir um frango, em que cada um tinha direito a apenas um pedaço. Apesar da vida modesta, reinava em minha família a grandeza da partilha, não havia preocupação com nada, vivíamos o presente como se fosse o único tempo a existir.


Biografia:
Recordações Recordo com saudade do tempo em que eu era criança e já tomava conta de casa, sendo responsável por minhas roupas lavadas e passadas; mesmo tendo esse compromisso de adulto, eu era uma criança que gostava de brincar: de esconde-esconde, amarelinha e correr aos pastos feito moleque. Eu morava em uma casa modesta, sem energia e sem água encanada, existia apenas uma usina que com a força da água fornecia uma energia que abastecia as lâmpadas da casa. Não tinha televisão e nem eletrodomésticos. As notícias chegavam pelo rádio de pilha que vivia “chiando”. Para vir à escola juntava uma garotada em que os mais velhos sempre olhavam os menores. Os meus pais e os pais dos meus colegas nunca iam à escola de seus filhos, nem mesmo sabiam em que ano seus filhos estavam e, no entanto, valorizavam à escola e respeitavam seus professores. Também me recordo que, aos domingos, os vizinhos passeavam um na casa do outro, quando faltava alguma coisa na casa de um, esse emprestava e pagava quando pudesse, era uma amizade desinteressada e fiel. As festas de batizado e de Natal eram muito comemoradas. O cardápio era: frango, macarronada, arroz, tutu e um guaraná caçulinha para cada um. Era um verdadeiro banquete! No namoro na época era feito o pedido por parte do rapaz, ao pai da moça. Tinham os dias marcados para encontro e a intimidade do casal não passava de um segurar a mão do outro, e para chegar a esse namoro, tinham as cartinhas que um escrevia para o outro e um amigo fazia o serviço de carteiro, era um namoro puro e inocente. As músicas de minha época eram românticas. Eu e meus irmãos copiávamos a letra num caderno de músicas e o nosso cantor preferido era colocado, através de um pôster, na parede de nossos quartos. Havia tempo para brincar, trabalhar, estudar, fazer novena, passear na casa de vizinhos e parentes. Enfim parecia que os dias tinham mais horas que o tempo de hoje. No inverno eu e meus irmãos colocávamos leite num prato para congelar com a geada, amanhecendo corríamos para chupar o picolé, pois não tínhamos geladeira em casa. Para melhorar, no almoço, disputávamos os ovos das galinhas. Quando essas cacarejavam era um corre, corre danado. Era tanta galinha que havia ovos para todos. Também me recordo que, quando minha mãe preparava o almoço, aproveitava o calor do fogão a lenha e amassava um bolão de fubá para o café da tarde. Minhas irmãs mais velhas fizeram curso superior em uma cidade distante. Com muito sacrifício formaram. Mas, no dia de suas formaturas, não tinham carro e nem dinheiro para táxi, elas foram de carona. Após terem formado, logo, conseguiram trabalhar e assim puderam ajudar nossos pais. Em “três tempos” começaram a construir uma nova casa. Quando a casa já estava quase pronta, nós perdemos o nosso pai, com uma doença muito grave. Mas, mesmo assim, elas não desistiram, continuaram a investir na construção. Hoje, com tanto conforto, sinto saudade daquela simplicidade em que tinha todos os meus irmãos juntos para dividir um frango, em que cada um tinha direito a apenas um pedaço. Apesar da vida modesta, reinava em minha família a grandeza da partilha, não havia preocupação com nada, vivíamos o presente como se fosse o único tempo a existir.
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