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Um reino de montros Vol.1 - Capítulo 5
Caliel Alves dos Santos

Resumo:
A batalha de retomada de Flande inicia e Acontece uma reviravolta no meio do confronto que irá mudar o futuro do Baronato.

Capítulo 5: Inatural



Parte 1
Rapidamente as pessoas foram postas dentro do bueiro que dava para a entrada da Cidade Subterrânea. Index sobrevoava Tell com ar desesperado.
Arnaldo fechou o bueiro e fez um sinal para as pessoas de olhares atônitos.
— Vocês todos fiquem ai, e só saiam quando julgarmos seguros, a batalha não vai demorar muito.
— Tell?
— Sim Index?
— Nipi fugiu em direção a sede da Guarda Municipal de Monstros, Clapeyron está em seu encalço.
— E Dumas?
Arnaldo abaixou-se na linha dos olhos de Index, a criatura ficou um tanto assustada com aquele olhar penetrante que o esquálido cavaleiro lançava-lhe.
— E-ele, e-ele está em perigo.
— A caveira gigante o derrotou?
— Não, é por outro monstro.
Tell e Arnaldo se olharam e passaram a correr. Tell empunhou o seu sabre.
— Não sabia que podia localizar monstros Index!
— Só posso conhecer, ou melhor, lembrar aquilo que sua mente está apta a conhecer.
* * *
Dumas fechou os olhos, seu corpo despencava livre da própria gravidade.
Duas mãos o envolveram e dois corpos se chocaram no chão com um grande estrondo.
Arnaldo abraçou Dumas e serviu como um escudo humano para proteger o amigo. O choque fez Arnaldo cuspir saliva misturada com sangue. Ambos desfaleceram.
Do outro lado o monstro caíra encima de uma casa e espatifara toda a sua estrutura. A esmerada construção virou uma pilha de ruínas. A Polimerização Mágica foi desfeita e as caveiras se espalharam pelos escombros, formando uma pirâmide de ossos.
— Index, rápido antes que elas se juntem novamente.
— Ta bem!
O garoto retirou o livro de sua mochila nas costas e iniciou o ritual de purificação. As luzes fulguraram sobre os corpos como uma lâmpada ilumina noite.
— Te peguei, miau!
Leona havia aparecido, Index voou e se agarrou as costas de Tell, ele temia a alma de gato. Tell ficou sem reação, ela havia aparecido bem diante dele.
As garras afiadas se cravaram na capa do Monstronomicom. Tell não fraquejou.
— Largue!
Esse garoto, ele parece estar mais corajoso, mesmo assim não será páreo para mim...
— Porque eu deveria largá-lo, miau?
— Você irá largá-lo.
— Quem disse isso?
Leona de repente viu sua grande força enfraquecer. Seus braços recuavam para trás.
— M-mas, mas como isso pode acontecer? Miau!
Mesmo se contorcendo, Leona não conseguia controlar o próprio corpo. Uma sensação inquietante percorreu seus pêlos. Tell saltou para trás. Leona permanecia como uma estátua. Seu corpo se contorcia de modo estranho.
Observando o chão, ela percebeu algo inacreditável. A sombra de Tell se alargava e se conectava a sua. Aos poucos a sombra foi se desfazendo e se materializando.
Quando o incrível fenômeno terminou, Saragat apareceu na frente dela armado com o seu cajado. Leona continua imóvel, pois a sombra dele estava conectada a sua.
— Já terminei Saragat.
— Ótimo. Agora sou só eu e você, gatinha manhosa.
— Não, não, miau.
— Tell, vá verificar Dumas e Arnaldo, depois purifique está aqui.
— Como, como você pôde?
— Ora, podendo.
A sombra de Saragat, embora ele estivesse segurando o cajado com os braços cruzados, sua sombra executada uma movimento de subjugação a sombra de Leona, de modo que apenas com sua sombra ele conseguia imobilizá-la.
Com os olhos, a alma de gato notou a magia usada pelo conjurador. Até mesmo sua voz foi interceptada pela sombra. Saragat sorriu, bocejou ironizando Leona.
— Sinceramente eu esperei mais de uma alma de gato, na verdade, esperei muito mais de todos vocês. Acaso você achou que era a única esperando a hora certa de atacar? A todo o momento eu me afastei da batalha pra pegar você. Com sua magia Corpo Diáfano, poderia ficar oculta durante toda a batalha. Esconde-me na sombra de Tell, pois sabia que ele seria seu alvo devido ao Monstronomicom. Depois que você deu as caras, as coisas ficaram bem mais fáceis, usei a magia Prisão da Sombra.
— Eu... não serei derrotada por você.
— Será que não, como um conjurador eu não estou gastando nada da minha energia mágica, posso ficar aqui até que o cansaço físico abata um de nós dois.
Tell voltou correndo com Index empoleirado em sua cabeça. Ele resfolegou antes de falar.
— Arnaldo e Dumas parecem bem, pode terminar o seu trabalho.
Saragat pôs a mão nos olhos de Leona, que mesmo assim tentou se livrar dele, sem sucesso. Saragat concentrou-se e recitou um dos seus rogos.
— Ser que desfruta da vida, vede a sombra? Abraça as trevas em profunda contemplação... Caligem.
Aos poucos as pupilas de Leona se fecharam. Não demorou muito para que ela adormecesse. Tell ficou com os olhos esbugalhados.
A sombra de Saragat a largou, voltando ao normal, refletindo os movimentos do dono.
Leona desabou no chão como se todos os seus sentidos tivessem sido bloqueados.
— Mas que magia incrível Saragat!
— Sim, essa é uma das magias mais poderosas concedidas aos conjuradores de Nalab. Com ela eu posso bloquear a minha escolha qualquer um dos seis sentidos responsáveis pelo recebimento, processamento e transmissão da realidade no indivíduo.
Tell meneou a cabeça contando nos dedos da mão, Saragat entendeu, Tell perguntou:
— Seis?
— Sim tapado, paladar, audição, olfato, tato, visão e...
— E?
— A mente.
— Inicie o processo de purificação logo!
— Tá bom, que mau humor.
Tell abriu o Monstronomicom e realizou o ritual. Aos poucos a figura monstruosa deu lugar a uma bela jovem de quinze anos de idade. Sua pele era negra e de cabelos cacheados assim como os de Tell. Tinha argolas e uma bandana vermelha na cabeça.
Usava uma bermuda rota e um sapato de solas gastas. Uma blusa listrada concluía suas vestimentas. No cinto de couro largo, um punhal de prata.

Parte 2
Pela primeira vez em anos, o mestre de armas de Flande entrava na extinta sede da Guarda dos Cavaleiros Flandinos.
Todas as janelas estavam fechadas, a porta fechou com o vento. O ambiente estava escuro e silencioso. Clapeyron andou a passos vagarosos.
Apenas a folha do seu sabre iluminava a escuridão. O sol já estava se pondo no céu.
Por um instante Clapeyron sentiu uma leve dor no abdômen, uma dor que lhe atacava constantemente em momentos de grande esforço físico, no início se queixara dos quadris, mas a dor parecia muito mais concentrada.
Foi nesse momento que acabou sendo atacado pelo mapinguari.
— Ruor, morra Clapeyron!
A tentativa de defesa foi em vão, a dor aumentou ainda mais se tornando lancinante ao ponto de quase desfalecer. Clapeyron foi jogado contra o balcão da sala de recepção.
Eu nunca dei a luz a uma criança, mas a dor que estou sentindo deve ser igual...
Antes que pudesse perceber de onde vinha o golpe, ele foi atingido. O golpe o ergueu no ar o deslizando encima do balcão de granito como se fosse um boneco.
Vush. Nipi caiu com suas pesadas pernas no balcão, mas dessa vez Clapeyron foi mais rápido. Agora o monstro estava mais ágil, pois retirara a pesada armadura do corpo.
O espadachim empunhou o seu sabre e esperou um novo ataque do ser.
— Foi muito inteligente para um mapinguari armar essa cilada.
Nenhuma resposta foi dada a essa provocação. Clapeyron continuou cauteloso.
A noite se adensava do lado de fora. A escuridão crescia no lado de dentro.
Thump. O mapinguari saltou novamente e desabou sobre o espadachim que o estocou com o sabre, no entanto não acertara o ponto fraco da criatura.
— Huhuhuhu, quer acertar o meu estômago não é Clapeyron? Huhuhuhu, não conseguirá com essa lerdeza.
O monstro mais uma vez sumiu nas trevas que o cercavam. Movendo o sabre, o cavaleiro flandino esperou que o inimigo fizesse outro movimento.
Percebendo que um combate as cegas seria perigoso, Clapeyron concentrou sua força.
— Macaquinho danado, Alizé.
Com um golpe giratório, a rajada de vento provocada pelo golpe quebrou todas as janelas, fazendo a luz carmesim crepuscular entrar na recepção da guarda municipal.
Como se fosse um ser lucífugo, saltou desesperadamente para a escadaria que levava aos dois andares superiores. Clapeyron subiu a escada desanimadamente.
— Macaquinho quer banana?
Com o sabre em riste em posição defensiva, ele subiu as escadas esperando que o monstro furioso viesse em sua direção.
Clapeyron subiu a escada pouco confortável. A subida, porém ocorreu sem ataques.
No gabinete do comandante da Guarda Municipal de Monstros, estava Nipi desnudado.
Seu corpo tremia e seus pêlos estavam eriçados. Clapeyron entrou batendo na porta cinicamente. As costas do monstro subiam e desciam. Ele bufava.
O espadachim o observou por um tempo, depois retirou uma pequena garrafa do bolso do seu longo sobretudo cinzento. Bebeu o seu hidromel e gargalhou.
— Você também deveria beber um pouco disso sabia, isso anima o espírito.
Nipi passou a derrubar as coisas de cima da mesa. Enquanto destruía o recinto com selvageria, Clapeyron viu o pôr-do-sol e decidiu que antes que o astro deixasse o céu, ele derrotaria o monstro. Sorriu com seu próprio pensamento, o hidromel já fazia efeito.
— Seu humano idiota, seu animal infeliz, eu odeio os humanos, eu irei matar todos!
Num rompante de fúria, Nipi começou a jogar os móveis encima de Clapeyron, que desviava com movimentos trôpegos, como se estivesse alcoolizado.
Isso enfureceu ainda mais o oponente que não podendo mais atacar com os móveis, usou os punhos. A ferida na mão esquerda de Nipi não cicatrizara. Devido sua desconcentração, as curas não tinham surtido efeito e sua conjuração não pôde curá-lo.
— Destra Divina.
A mão direita de Nipi brilhou como se fosse um meteoro e avançou contra Clapeyron. No entanto, a sua mão esquerda mesmo ferida tentou aplicar o Poaçú.
Clapeyron percebeu e se curvou para trás como se fosse desabar, e dobrando-se como papel, fez com que o mapinguari passasse direto por ele e atingisse a parede ao fundo.
— Hic, esse é o hic, esse é o Coup de Théâtre, eu iria hic, chamá-lo de “A dança maluca do espadachim embriagado”, mas resolvi hic, seguir a tradição dos coup da vida.
Esfregando o nariz e lacrimejando, Clapeyron continuou sua ginga de bebum.
— Alguém como você só merece a morte.
A sentença do inimigo não causou nenhuma reação ao espadachim. Embora fosse uma das poderosas técnicas de seu arsenal, o Coup de Théâtre não era parte integrante das técnicas de esgrima ensinada aos cavaleiros flandinos.
Na verdade sua criação remontava a uma noite na taverna. Numa das noites de bebedeira que Clapeyron havia se submetido, ele arranjara briga com um grande espadachim de outra região de Lashra. Com flexíveis movimentos, ou porque não dizer mirabolantes? Clapeyron conseguira derrotar o inimigo.
Depois disso ele sofreu várias sanções por parte do Barão de Flande, seu irmão. Ele por sua vez nunca deixara de beber o seu hidromel, apenas não fazia uso a qualquer hora.
— Pior que lutar contra um velho espadachim caindo aos pedaços é lutar com um bêbado feito uma hiena.
— Pior que lutar contra um hic, macaquinho danado é lutar sentindo, hic, fedor desse macaquinho na venta.
Nipi em um salto chegou ao espadachim que recuou e golpeou com o sabre acertando o ar. O mapinguari se abaixara e iniciara um novo ataque com os pés.
Saltando por cima do monstro, Clapeyron estocou com o sabre e apoiou as duas mãos no cabo como se fosse enterrá-lo em Nipi. Que percebeu a tempo e se esquivou.
A lâmina ficou cravada no chão, mas rapidamente ela foi arrancada do piso de granito e foi direcionada na direção do capitão da guarda municipal.
— Coup de Gracê!
O sabre acertara ambas as mãos de Nipi e se cravara em seu estômago. Perfurando-o.
Slim. Nipi sem poder se mover, olhou fixo nos olhos de Clapeyron. Sua face estava neutra. O mapinguari estava tremendo. Clapeyron disse-lhe confortavelmente:
— Agora você voltará a ser o humano que era...
Nipi começou a andar para trás de modo tão inesperado que nem mesmo o espadachim teve tempo de ter alguma reação. O álcool deixara seus movimentos descontrolados.
Antes que percebesse, Nipi havia se jogado da sacada do comando da guarda municipal.

Parte 3
Nos túneis da Cidade Subterrânea, os flandinos esperavam uma resposta.
Rostos pálidos, olhos esperançosos. Ouviam a cacofonia de golpes sendo desferidos e magias sendo executadas. Até que um grande abalo ocorreu, esse ainda maior.
Minutos de aflição se arrastaram como uma eternidade. Até que a tampa do bueiro se abriu. Os flandinos arregaralaram os olhos, por fim tudo havia terminado.
— Vamos, venham!
Saragat ordenara com seu tom de voz firme. Um a um os flandinos saíram do bueiro.
Era noite, a praça e algumas casas haviam sido destruídas. Centenas de pessoas estavam sendo cuidadas por Arnaldo e Dumas. Muitos dos refugiados reconheceram no meio dos recém-purificados amigos e entes queridos.
Não demorou para que os reencontros acontecessem às lágrimas. Pais e filhos, irmãos e irmãs, amigos de longa data puderam se abraçar e sorrir alegremente.
Para os purificados, as lembranças tinham uma grande lacuna. Muitos se lembravam apenas de estar sendo perseguido pela Horda e acordar na praça principal de Flande.
Outros lembravam claramente que estavam em batalha contra os monstros e de repente, a memória falhava como se nunca tivesse existido. Muitos ainda guardavam na memória o dia em que ficaram frente a frente com Zarastu.
Mas nenhuma delas tinha consciência de que tinham sido monstros. Isso podia esperar.
— Você está bem?
Tell inclinara a cabeça, ele estava com os joelhos dobrados ao lado da estranha garota de bandana vermelha e blusa listrada. Ela bebia um copo de água a goles rápidos.
— Sim, muito obrigada.
Index bateu suas orelhas e num instante passou a voar ao lado da garota. Ela estremeceu.
— Argh! Um monstro! tira esse bicho daqui!
Com um tapa, a garota mandou a criatura para longe. Tell sorriu ao ver a expressão de horror dela. Tentando acalmá-la, Tell começou a explicar-lhe:
— Oh não, ele não é um monstro, ele é o Guardião do Mons...
— Tell, sua mãe nunca te disse para nunca falar com estranhos?
Saragat e a jovem cruzaram olhares, a Saragat, seus olhos pareciam oblíquos e dissimulados demais. Tell não deu nenhuma importância à afirmação do conjurador.
— Ah é verdade! Prazer, meu nome é Tell de Lisliboux.
Aos ouvidos da garota esse nome lhe trouxe vagas memórias, mas reservou um lugar especial em sua mente para ele. Index voava como uma abelha tonta na cabeça de Tell.
— E eu sou Index, o Guardião do Monstronomicom, eu não digo que foi um prazer.
Ela sorriu. O primeiro encontro de ambos não tinha sido agradável. Estendendo a mão, ela cumprimentou o menino e acariciou Index, depois disse o seu nome:
— Meu nome é Rosicler, Rosicler Cochrane.
Sua pele negra contrastava com seus lábios róseo-pálidos, como se fosse à cor da aurora. Seus olhos eram castanho-claros, com um brilho cheio de vida.
Plaft. Saragat deslizou a mão da testa até o queixo, depois gritou com Tell e Index. Mas nada podia ser feito. Saragat então se virou para os lados e indagou:
— Onde está o velhote?
— É verdade, nosso comandante ainda não retornou.
Dumas retrucara do outro lado da praça. Para surpresa geral uma voz sonolenta respondeu:
— Estou aqui meninos.
Todos inclinaram suas cabeças para a direção da voz e deram passagem ao interlocutor.
Os flandinos saudaram alegremente o seu herói e logo gritaram o lema da guarda municipal. Clapeyron agradeceu pela comoção e respondeu com voz pastosa:
— Obrigado a todos, mas não precisam fazer isso.
— Tell se apresse, vá à guarda municipal e purifique Nipi.
— Não será necessário Dumas, Nipi preferiu morrer como monstro a viver como um humano.
Tell inclinou sua cabeça, as poucas palavras do espadachim já lhe tinham revelado muito. Saragat de modo consolador pôs a mão no ombro dele.
O quê? Esse garoto está triste pela morte de um monstro... O que ele quis dizer com “purificar”?
Os questionamentos rodopiavam envoltos da cabeça de Rosicler. Esperaria algum tempo até obter as informações necessárias.
Saragat continuava a observar a ex-alma de gato com olhos reticentes de quem já viveu o bastante para saber que se deve ter um olho aberto e outro fechado com as pessoas.
— Ainda falta alguém.
Dumas se direcionou até a praça e ordenou:
— Gumercindo e seus asseclas não estão aqui, encontrem-nos.
Tell e Saragat ficaram ali sem entender nada, mas resolveu ajudar cada um a seu modo.
A expressão de Dumas era fria, seus olhos chamejavam de fúria. Diferente dos monstros que nada mais eram do que pessoas possuídas pela monstruosidade, Gumercindo e muitos outros burgueses se aliaram a Horda por live e espontânea vontade.
Depois da chegada ao poder, o barão Gumercindo instaurou um reino do terror.
Clapeyron se recompôs e foi até Dumas, que já desembainhara o seu sabre.
— Não tome nenhuma atitude precipitada.
— Cale-se, não lhe devo satisfações.
Os flandinos passaram a procurar. Arnaldo se juntou ao grupo e logo Tell, Index, Saragat e Rosicler também. Clapeyron tentava tirar esclarecimentos com Dumas.
O jovem nobre manteve sua postura firme. Cada canto e construção foi revirado, os humanos purificados se aglomeraram no centro da praça e esperaram novas ordens.
Dumas subiu no palanque acompanhado do mestre de armas. O diálogo continuou num monólogo. O espadachim continuou resignado, cruzou os braços e observou a busca.
— Não está tentando fazer o que acho que estou pensando está?
— Se eu fosse um rato temendo ser pego pelo gato, onde eu me esconderia?
Dumas desconversou como se não estivesse dando a mínima atenção a Clapeyron.
Rosicler meditou as palavras do jovem nobre. Ela tinha especialidade no quesito furtividade. Analisando cada canto da praça principal, ela descobriu o paradeiro dos fugitivos. Retirando o seu punhal da cinta, ela o lançou na direção de um barril.
Um grito foi emitido e o barril rodopiou encima da telega e caiu no chão se espatifando.
Dentro dele, um assustado Gumercindo saiu. A população o pegou antes que evadisse. Em pouco tempo todos os outros também estavam sob domínio da população.
Os flandinos os arrastaram até o palanque e como se adivinhassem as ordens de Dumas, os puseram nas forcas recém recuperadas. Gumercindo ouvia a voz de sua filha esquálida e de sua robusta mulher debulhando lágrimas.
Banqueiros e comerciantes, além de guardas do palácio estavam na espera da forca.
Dumas nada sentia, seu coração estava rijo como pedra. O jovem nobre pronunciou:
— Pelos crimes de abuso de poder, cárcere privado, corrupção ativa e passiva, heresia, homicídio doloso, traição e tortura; sentencio Gumercindo e sua família, bem como todos os que participaram direta ou indiretamente da sua ascensão ao poder, a morte pela forca, dou-vos ordens pelo poder a mim concedido como herdeiro direto do Baronato de Flande, anexado ao Reinado da Casa dos Habsburgos.
— Mas você ainda não foi condecorado Barão de Flande, eu ainda continuo com o título, você não pode me executar sem uma ordem da Coroa ou de um Tribunal de Guerra.
— Situações extremas exigem medidas extremas.
— Mas o quê?
Clapeyron não acreditava nas palavras de seu sobrinho. Dumas tinha os olhos tão sombrios que era impossível dizer qual sentimento ele tinha no momento.
Flande enlouquecera, gritos de execução reverberavam. Tell não podia acreditar no que ouvia. Então ele subiu no palanque e pediu a palavra.
— NÃO! Se Flande executar essas pessoas, nós... nós seremos tão monstros quanto Nipi. Não deixe que o ódio tire a razão de vocês, prendam-nos, mas não executem essas pessoas, afinal de contas elas são humanas e humanos erram.
— Sai daí seu garoto idiota.
— Ele fala pelos monstros!
A população se agitou ainda mais. Saragat pegou a perna de Tell e pediu para que ele descesse. O povo se armou com pedras e frutas podres, e jogaram nos prisioneiros.
O garoto ficou resignado e abriu os braços em cruz. Se colocou na frente de Gumercindo o defendendo. A população se inflamou. Index voou até Dumas.
— Faça alguma coisa Dumas, só você pode acabar com isso.
— Dumas, uma prisão perpétua já é mais que suficiente...
— Não Clapeyron, eu me recuso a gastar qualquer energia e moeda para manter esse séquito de mercenários na prisão da guarda de cavaleiros. Eu como seu barão, seu superior direto e nobre, ordeno que você cumpra as minhas ordens assim como todos os outros. Você já me tirou o direito a uma vingança, não terá nova oportunidade.
O mestre de armas se calou, aquele definitivamente não era o jovem delicado e justo que conhecia, era a sua versão vingativa.
Saragat, Saragat... Pressinto terríveis acontecimentos nesse impasse, deixe que eu acabe logo com isso, nas discussões acaloradas, os homens passam a perder a razão.
Seja feita a tua vontade...
No meio da multidão, Saragat começou a sofrer uma estranha transformação, sua sombra se adensou na atmosfera, seus olhos ficaram escuros como se fosse à noite.
A sua capa já esfarrapada da luta adquiriu contornos assustadores, como se sua sombra tivesse ganhado vida própria. Com sua voz duplicada em dois timbres, a voz ríspida de Saragat e a voz melodiosa da deusa, o conjurador bradou aos flandinos:
— Criaturas humanas, tantos crimes já passaram da condição do julgamento humano e agora como uma deusa virtuosa, eu Nalab, a senhora das sombras, reclamo para mim o conluio dos homens de Flande.
Todos se ajoelharam em respeito, mesmo que inconscientemente.
O conjurador manifestando o ente divino ergueu o cajado e clamou:
— Que vossas almas sofram o eterno suplício do Limbo.
O cajado disparou um raio de sombra no céu estrelado, que de modo instantâneo tornou-se um imenso buraco negro. Raios e um redemoinho abriram o céu para outra dimensão.
O redemoinho celeste sugou Gumercindo e todos os outros que tinham contribuído mesmo que a mínima parte. E desapareceram no portal dimensional.
Logo os condenados partiram, Saragat caiu desacordado. Sua face estava serena.
As nuvens tempestuosas cessaram seu movimento rodopiante e o lume das estrelas pôde ser visto de novo. O povo começou a dar gritos de congratulações, estavam livres!
Ploc-ploc começara a chover em Flande devido ao fenômeno atmosférico, as pessoas dançavam em meio à lama formada pelos escombros dos casarões.
Dumas que olhava para o céu soltou o ar exalando toda a tensão do seu corpo.
— Um Julgamento Divino! Isso é mais do que razoável.

Parte 4
Semanas depois.
O palácio do Baronato estava em festa. Durante vários dias os flandinos e os forasteiros haviam reconstruído Flande, tanto na infraestrutura como a socialmente.
Depois de reconstruir os casarões da praça principal, a Guarda de Cavaleiros Flandinos organizou uma festa de condecoração para o novo barão e a reinauguração da sua sede.
No salão do trono, centenas de flandinos e pessoas que haviam sido purificadas da monstruosidade estavam presentes, essas por sua vez estavam muito longe de casa, e mereciam o testemunho dessa transformação no Baronato.
As pessoas estavam dispostas em semicírculo. No centro, Tell um tanto desconfortável e Index chamando atenção, Rosicler fazendo a nobre e Saragat com seu ar de indiferença. No trono, Dumas estava sentado, a sua direita Clapeyron.
Arnaldo estava ao lado de Clapeyron e este por sua vez ditou este anúncio:
— Na ausência do barão e da baronesa, e tendo o Reinado sofrido golpe, por lei a autoridade do Baronato passa a se exercida pelo comandante da Guarda de Cavaleiros Flandinos, nesse caso, eu Clapeyron Cabral de Algarves condecoro como Barão de Flande o senhor Dumas Cabral de Algarves.
Dumas se levantou mostrando seu majestoso traje, ele vestia-se com uma capa e um colete. Um relógio de bolso deixava a mostra sua pulseira de ouro.
Abaixo do colete, uma camisa de seda branca. O que poucos perceberam foi às calças rasgadas na altura do joelho e as botas de cano longo.
Clapeyron não se assustou com a quebra de protocolo, as moças adoraram! Os homens viram nessa atitude um misto de ousadia e humildade.
O mestre de armas então pousou em seu dedo médio da mão direita o anel, símbolo de sua autoridade e direito a nobreza.
Dumas se ergueu sobre intensos aplausos, ele se curvou e pediu silêncio com um aceno.
— Obrigado a todos, que a graça dos Deuses Virtuosos repouse sobre nós. É chegado o tempo de mudança, e também da verdade, mas antes que eu possa enunciar tais coisas, por favor, dê um passo a minha frente o senhor Arnaldo Campos Sales.
A aclamação foi geral. Com um terno de caimento impecável, Arnaldo deslizou pelo piso com seus sapatos lustrosos e ficou de frente para o barão. A barba feita aumentara sua jovialidade. Dumas sorriu ao ver o velho amigo feliz.
— A partir de hoje, com a exoneração do atual comandante, Vossa Excelência Clapeyron, eu indico para a vaga o senhor Arnaldo.
Novo júbilo, nem mesmo Arnaldo esperava por essa. Ambos se abraçaram e trocaram gentilezas em mais uma quebra de protocolo.
O barão pegou a dragona de comandante e a comenda em formato de trevo de quatro folhas da guarda de cavaleiros e pôs em seu traje, fazendo assim que todos conhecessem sua posição.
Dumas então pediu ao seu mais novo líder militar que fizesse um discurso. Arnaldo então se virou para os presentes e iniciou:
— Bem, e-eu, n-não sou bom com palavras sabe, mas o que eu quero dizer, é que para mim é uma honra servir a minha cidade. Flande sofreu muito tempo sob domínio da Horda. Mas essa cidade precisa agora mais do que nunca mostrar união, o que provocou a queda de nossa cidade não foi nada mais nada menos do que o egoísmo, a cidade que continua unida, continua forte. Obrigado a Vossa Alteza, o barão.
— Não duvido que faça Vossa Excelência um primoroso trabalho.
Depois Arnaldo voltou ao seu lugar, uma medalha dourada brilhava no lado esquerdo do peito, a luz brilhava como um coração. Sua mulher e filho vibraram muito.
Dumas então chamou os três forasteiros. Tell coçava constantemente a garganta devido à gravata borboleta vermelha que lhe tinham arranjado.
Saragat recusara o traje de gala e usava seu traje preto e remendado. Rosicler usava um deslumbrante vestido branco, com rendas e babados. Seu vestido tinha cauda com laços. O espartilho revelava suas curvas generosas.
Eles se aproximaram meio que intimidados por estarem sendo observados.
— Essa linda donzela é Rosicler Cochrane, a Sagaz, graças a sua inteligente observação, nós podemos localizar Gumercindo e o sua sociedade de malfeitores, o plano dele era aproveitar a noite de comemoração e fugir de madrugada, ganhará uma condecoração Herói Segunda Classe. Este é o senhor Saragat, conjurador de Nalab, o Fervoroso, por sua vez, foi responsável por nos livrar do inimigo e ainda através dele a deusa virtuosa entrou em contato conosco e deu relevante castigo aos nossos prisioneiros, ganhará uma condecoração Herói Primeira Classe. Agora prestem atenção, todos olhem para Tell de Lisliboux, ele será conhecido entre vos como o Generoso, se não fosse por você meu caro Tell, muitos ainda estariam sob o julgo dos monstros, além de receber uma condecoração Espada da Justiça, você ganhará o título de Cavaleiro Flandino por Honraria Benemérita. Digam alguma coisa!
Cada um recebeu sua comenda das mãos de Dumas como havia sido anunciado por ele.
Os três se entreolharam, as gotas de suor respingavam da testa de todos eles. Index cochichou nos ouvidos de cada um dos três. Depois de se darem as mãos eles falaram:
— Do aço, pelo aço!
Foi o suficiente para gerar uma grande comoção. Os flandinos pegaram os três e os lançaram no ar. Depois de algum tempo Dumas sentou-se no trono e falou:
— Flandinos, como é bom revê-los! Estrangeiros, sintam-se bem-vindos! Prestem atenção, pois tudo que tenho a dizer é duro de ouvir, mas a verdade embora doa, é necessária. O avô de Tell, Taala de Lisliboux, o mago mais influente de nossa geração, quiçá de toda a história, liderou a distância a Resistência contra a Horda. O que vocês não sabiam é o que agora irei revelar, apurem os ouvidos e deixem as perguntas para o final, pois mesmo eu tenho dúvidas e teremos o direito e tempo de saná-las...
Dumas começou a narrar todos os eventos culminando na última revolta contra Nipi.
Taala que organizava o movimento a distância, resolveu se debruçar sobre um grande mistério: como os monstros haviam ressurgido se os mesmos haviam sido extintos e o Mago Dourado havia selado Enug?
Taala então percebeu que o número de desaparecidos era relativo ao aumento da Horda.
Por dedução ele concluiu que Zarastu de alguma forma transformava pessoas em monstros. Essa suspeita aumentou depois de realizar algumas experiências pessoais.
Ele capturou um monstro e então aplicou técnicas de hipnotismo e mesmerismo nas cobaias. Descobriu-se com isso que as memórias dos monstros eram implantadas.
Muitos até manifestavam resquícios de sua psique humana nas sessões de hipnotismo.
— Vossa Alteza perdoe minha intromissão, mas imagino eu que isto é surreal!
— Também considerava assim comandante Arnaldo, mas é tudo verdade. Com seu poder, após capturar as pessoas, Zarastu as transformava em monstros...
A monstruosidade de acordo as informações repassadas aos líderes da Resistência, era a amplificação das próprias paixões e pecados humanos. Cada um dos novos monstros era a manifestação materializada do lado obscuro do ser humano.
O egoísmo, ódio, ganância, inveja, desejo de controle etc. todos eles formavam um novo ser destituído de qualquer humanidade.
Quanto mais dominado por esses sentimentos, mais monstruosa era a forma, quanto menos envolvido por eles, mais humanizada era a forma.
— Mas Vossa Alteza, é possível que eles voltem ao normal?
— Mas como poderemos lutar contra os monstros sabendo que um deles pode ser meu marido que está desaparecido.
As pessoas começaram a se manifestar de modo desordenado, Clapeyron pediu calma.
Dumas fez um aceno para Tell, que estava com o Monstronomicom em mãos.
— Erga-o para que todos vejam.
Tell fez como ele havia pedido, pegou o livro e o ergueu acima da cabeça. Todos ficaram em silêncio e extrema curiosidade.
— Mas não pensem que Taala nos deixou desguarnecidos, este é o neto de Taala e filho de Taran, a quem nos tanto conhecemos. Ele criou um artefacto que possibilitou a purificação da essência monstruosa ou monstruosidade de nossos entes humanos. Ele é o usuário deste artefacto e lhe foi deixado como herança. Apesar de sua juventude, nós da Cidade Subterrânea o conhecemos como um valoroso mago e grande espadachim.
O povo aclamou as palavras de Dumas, o garoto ficara com as bochechas vermelhas.
— Por favor, não diga isso, estou ficando envergonhado.
O barão pediu a Tell que explicasse o funcionamento do livro aos que ainda não tinham presenciado seu poder ou não conheciam o fenômeno da purificação.
— Bem, eu hã, quero dizer que... Puxa é complicado.
— Por favor, nos diga como ele funciona.
Arnaldo também não conhecia muito do assunto, mas ficava feliz que existisse algo assim. Não admitia que pessoas ficassem presas a formas tão grotescas.
— O Monstronomicom, esse livro dado pelo vovô Taala, que está desaparecido por sinal, ele consegue absorver a monstruosidade e devolver a humanidade as pessoas. Isso no momento só pode ser feito em caso de inconsciência do monstro, pois pelo que notamos, a monstruosidade impede que o livro provoque algum efeito na pessoa. Esse aninhado no topo de minha cabeça é Index, o Guardião do Monstronomicom, ele revela os tópicos do livro, mas só consegue revelar aquilo que está em meu alcance conhecer. O senhor Clapeyron disse que era uma medida de segurança do livro.
Vovô, o senhor é sempre inteligente...
— Como podem ver povo flandino, essa não é apenas uma oportunidade, mas uma grande chance de derrotar a Horda e fazer com que o mundo volte ao normal, sem correr o risco dos monstros surgirem novamente neste mundo, causando destruição.
O povo flandino gritou de alegria, realmente eles estavam felicíssimos. A partir daquele momento não deviam mais temer os monstros, nem achar que tudo estava perdido.
Os desaparecidos podiam retornar e com isso as desestruturadas famílias podiam ser unidas e fortalecidas. A sociedade mais uma vez caminharia para o progresso.
Depois disso os menestréis foram chamados e iniciaram um bailado. Era a primeira vez em anos que Flande comemorava algo sem o medo da Horda.
Dumas chamou Rosicler para dançar, ela se fez de tímida num primeiro momento depois aceitou. O jovem barão achou-a belíssima.
A atenção da garota, no entanto estava no relógio de ouro, mas resolveu não pegá-lo, estava recebendo gentilezas demais para cometer um ato como este.
Depois que se estabelecesse, iria embora, mas antes, precisava preparar o terreno.

Parte 5
Por ordens do Barão de Flande, foi dado sesmarias aos estrangeiros que quisessem viver em Flande. Os que não quiseram, partiram em retorno as suas cidades natais.
Os telemagos encontrados em Flande foram reconfigurados com Transmitância Mágica de Tell e Saragat para que só transmitissem da Resistência para a Resistência.
Um telemago foi dado a Tell. Observadores não foram encontrados na região, Flande se tornara um ponto cego para Zarastu. Novas pessoas foram integradas ao serviço militar.
Barreiras foram erguidas e uma muralha começou a ser construída envolta de Flande. Falcões foram mandados a várias partes do mundo com mensagens aos líderes da Resistência, pois muitas cidades ainda tinham telemagos em domínios dos monstros.
Tell ficara treinando nas dependências da Guarda dos Cavaleiros Flandinos com Clapeyron, Saragat iniciou um retiro de dias para refinar o espírito nos bosques, ele prometeu que quando voltasse os dois iriam iniciar sua jornada de purificação.
Rosicler continuou em Flande por conveniência mesmo. Quando o conjurador retornou, Tell, Rosicler e Dumas o encontraram no pátio, havia uma pendência entre ambos.
Sem hesitar, Dumas trajando um uniforme militar desembainhou seu sabre.
— Em guarda Zarastu!
— O quê?
— Lembra-se da nossa pequena diferença na Cidade Subterrânea? Pois bem, eu o convido para um duelo.
— Não estou interessado, eu e Tell devemos partir o mais rápido possível. Ele precisa aperfeiçoar o poder do artefacto e isso só será possível se ele lutar com os monstros. Mas ele não irá sozinho, ele ainda é uma criança, Nalab, a contragosto da minha parte, me orientou para que eu fosse com ele.
— Ei, parece que eu te incomodo bastante Saragat!
Tell não pôde deixar de responder ao mal humorado conjurador das sombras.
— Eu também irei.
Rosicler já usava as mesmas peças de roupa do dia da purificação, a diferença é que as roupas eram novas e feitas pelas hábeis costureiras de Flande.
— Te conheço de onde moçinha? Além do mais, nós não te convidamos.
— Tell e Index me convidaram.
— O quê?
Tell deu de ombros, Rosicler disse que seu tempo em Flande havia acabado, precisava agora ir para outro lugar, precisava procurar por algo ou alguém, ela não havia deixado bem claro, o que ela deixou bem explícito era que uma jovem naqueles tempos de guerra viajando sozinha parecia perigoso. Tell achou desumano não convidá-la.
— Tell você é ingênuo ou é só bocó mesmo?
— Para de me ofender!
— Então está tudo resolvido, eu irei com vocês e nem adianta tentar me impedir.
Eram tantas as interferências que as veias saltavam do rosto de Dumas.
— CHEGA! Estamos no meio de um duelo, ou será que não perceberam?
— E quem disse que eu aceitei?
— Sinceramente, você não tem nenhum estilo seu encapuzado maluco.
— Agora pegou pesado, olha aqui seu cabelo de spaghetti...
Olha, parece que ta surtindo efeito.
Saragat ficou sério de repente, Dumas tomou uma posição de defesa. O conjurador começou a entoar um rogo a sua deusa. Tell estapeou as bochechas. Rosicler bufou.
Ah, garotos! Será que não sairemos de Flande hoje?
Antes que os dois duelistas pudessem trocar os seus primeiros golpes, um criado veio correndo e impediu o atrito dos golpes, Dumas virou-se furioso.
— O quê é dessa vez?
— Perdão Vossa Alteza, mas...
O grupo percebeu que a mensagem parecia importante, e foi junto com o criado.
— O quê foi? Diga para nós!
— Os falcões retornaram, saiba que novos territórios foram conquistados Vossa Alteza, Alfonsim pede reforços imediatos de Flande, eles querem Tell o quanto antes.


Biografia:
Comecou a escrever depois de um concurso em sala de aula. Dois anos depois ele publicou seu primeiro livro.
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