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  Texto selecionado
Nostalgia
Um Capítulo Não Nomeado
Carolina de Souza

Resumo:
Histórias (ir)reais.

Eu sou o pior tipo de pessoa. Existem dois tipos de pessoa nesse mundo: as que sabem o que tem que ser feito e as que não sabem. Eu sou o primeiro tipo, sei muito bem o que tenho que fazer. Sei bem até demais. Mas eu escolhi, deliberadamente, não fazer nada, por medo e preguiça de tentar. Por isso eu sou o pior tipo de pessoa.
Filha de uma ex-empregada-doméstica e de um caminhoneiro esquizofrênico, cá estou eu, vivendo os meus vinte e poucos anos da maneira com que muitos jovens na minha idade vivem: em estado vegetativo. Digo isso porque é a mais pura verdade, pois a grande parcela dos jovens vive como eu vivo.
Nós vivemos num torpor eterno, meio dormindo, meio acordados, tentando levar a vida um período de cada vez, para tentar sobreviver até o fim do dia. Vivemos em períodos divididos entre antes do meio dia e após o meio dia. Essa é uma técnica incrível, e muito simples na verdade; a única coisa que você precisa fazer é fingir interesse. Finja interesse pelas pessoas a sua volta, finja interesse por você mesmo, finja interesse nas tendências ridículas que temos como referência, e, por fim, finja interesse pela vida.
Quando se separa o dia em dois blocos de doze horas, a arte do fingimento fica mais fácil, eu garanto. Uso essa técnica ha tanto tempo que nem me lembro mais quando comecei.
Fumar maconha é como reviver cenas de infância enquanto nós vivemos no presente. É como se a sensação de nostalgia ao relembrar esses momentos tão preciosos te fizesse viver em um estado de flashback eterno. Para mim, essa é uma das melhores sensações do mundo.
Os flashbacks são tão reais que você parece viver em uma esfera de algodão doce, onde o crepúsculo é a única posição possível do Sol, e tudo e todos se movessem mais devagar. Os instantes ficam tão lentos, que você tem a sensação de poder segurar um pequeno filme contendo a cena de infância que você acabou de lembrar. Se você nasceu depois dos anos noventa, você não vai entender a que filme tangível eu me refiro.
Eu sempre tive problemas com essas memórias de quando eu era criança, porque eu sempre me confundi em relação a sonhos e realidade. Existe uma porção de memórias da minha infância que eu me lembro, mas eu não sei se elas foram reais ou foram apenas sonhos que eu tive quando criança.
Uma dessas memórias é a em que eu estou numa praça que possui uma frondosa árvore verde, numa cidade do interior, esquecida por Deus e pelos homens, num fim de tarde, quando a temperatura começa a diminuir, mas você não tem coragem de se agasalhar porque você não quer perder a sensação de sentir a brisa fria eriçando a sua pele frágil. Na minha memória, estava quase escurecendo e eu estava comprando um sorvete em alguma sorveteria que ficava de frente para a praça. Quando eu chegava à praça, eu avistava algumas pombas tentando comer alguma migalha caída, e uma mulher branca e bonita, de cabelo curto, veio falar comigo. Eu não me lembro do que ela falava, mas me lembro de que ela sorria. Ela era hipnotizante.
Esse é um exemplo de memória que eu nunca saberei se aconteceu de verdade ou não. Eu acho que na verdade, eu nem me importo se ela aconteceu de verdade ou não. Eu só queria as vezes me teletransportar para esse exato momento da minha vida, e viver lá para sempre.



Este texto é administrado por: Kátia Carolina de Souza Candido
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