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Uma gigantona no pantanal:
Jonaci lopes

Resumo:
Uma historia para reflexão a cerca de julgamentos premeditados feitos por intrigas ou mesmo por uma simples desconfiança.

UMA GIGANTONA NO PANTANAL

Autor Jonacy Lopes-

Eis que, em uma manhã, uma girafa estava a rodopiar pelo pantanal mato-grossense. Uma girafa imensa com aquele pescoço cumprido, um ser enorme que chamava as atenções de todos os animais do local. Os animais locais escondiam-se em meio às folhagens para observar toda aquela figura estranha que por ora zanzava pela floresta.
Os animais escondidos em meio as folhagens estavam perdidos de tanta curiosidade e se indagavam. Alguns exclamavam:
- Quem é esse?
Um outro perguntava:
- De onde veio?
Outro respondia:
- Sei lá!
O sapo que também estava ali a sapear disse:
- Não é ele não, é ela!!
O macaco prego meio ressabiado exclamou:
- Pelas barbas dos bugios!!
Será de onde que surgiu essa gigantona pescoçuda?
O sapo era mesmo enxerido e gostava de dar palpites mesmo quando não sabia do assunto e disse:
- Foram uns duendes que a trouxeram, eles vieram montados no lombo desta gigantona, ficando ai a dita cuja.

A girafa tentava caminhar pela densa floresta, mas seu longo pescoço e seu corpanzil atrapalhava seus movimentos, uma hora eram as árvores grossas que a impedia de ir para frente, outra hora os cipós enroscavam em seu longo e desajeitado pescoço. Um sufoco!! A girafa coitadinha estava estranhando o novo habitat.
Quando ela comia uma rama de árvore o sabor não lhe caia bem, uma hora a rama era amarga, outra hora era azeda.
A girafa, pobrezinha se lamentava dizendo:
- Ai, ai, ui !! Pra lá é mata fechada, pra cá um brejo atoleiro!
A girafa ao caminhar atolava as patas "PLOF!PLOF!"

Dona coruja que estava ali pousada sobre um toco atrás de um pé de guaraná arregalou o olho, girou o pescoço e exclamou:
- Essa gigantona não me parece má, ela é grande, desajeitada, mas tem uma elegância visível!

O lobo guará balançou o rabo e respondeu:
- É verdade, é verdade amiga coruja, pior que isso é suportar o gambá que além de gostar de fazer intrigas, tem um fedor danado.

O papagaio que estava ali se camuflando em meio as folhas verdes comentou:
- Curupapo ! Curupapo ! Falando no gambá ele deve está vindo por aí, já estou sentindo o fedor invadindo o ar.
E continuou:
- Curupapo! Sempre que o gambá vem o fedor chega primeiro!

O papagaio estava com razão, o gambá estava ali próximo, como sempre para ouvir as conversas às escondidas, e neste momento o gambá resolveu juntar-se aos outros animais. E, pra o desespero de todos o gambá veio se aproximando e se encostou em dona cotia. Dona cotia disfarçadamente e com jeitinho foi se afastando.

O caxinguelê falou:
- Foi bom o senhor chegar seu gambá, estamos aqui observando aquela gigantona forasteira, e muitos aqui desconfiam que ela seja má, mas em minha opinião é que não devemos julgar os outros antes de conhece-los, e você o que diz seu gambá? O

gambá enciumou-se e pensou:
- "Ninguém gosta de ficar perto de mim e agora querem que eu me aproxime de uma desconhecida, uma extra terrestre".

O gambá começou a destilar suas intrigas dizendo assim :
- Nossa! Esta gigantona deve comer uma árvore por dia, ela vai acabar com a nossa floresta, não vai sobrar sequer uma folha de grama.

Em pouco tempo o gambá estava tentando por na cabeça dos animais locais a ideia de expulsar a gigantona do pantanal, e começou a inventar histórias dizendo:
- Tá na cara que essa gigantona forasteira é uma feiticeira. Ela vai fazer um feitiço para não nascer ninguém mais em nossas famílias, sendo assim, nossa floresta ficará para para os parentes dela que os duendes foram buscar em outro mundo".

A girafa, no entanto, nem imaginava que os animais locais estavam lhe espiando ás escondidas e muito menos que o gambá armava um complô contra ela. A pobre girafa só pensava uma coisa:
- Ai! que vontade de ir embora para minha terra, não vejo por aqui uma viva alma também quem viveria aqui nessa mata fechada, e ainda por cima em meio a esse lamaçal sem fim.

A girafa se pôs a caminhar a esmo, até que avistou ao longe aquilo que tanto queria ver: VIDAS!! E vidas em movimentos, ela pensou assim:
- Que lindo! Enfim, algo que me alegra os olhos!

A girafa ficou encantada com os colorido dos tuiuiús, a jandaia se esticavam as asas para receber os raios do sol, o jacu passava voando pesado rumo a taboca.
A girafa observava ali varias aves: os pelicanos, os jaburus, as garças, os arapuãs, os colhereiros além dos belos tucanos...
Mas começou a escurecer, a noite se aproximando e a girafa procurou um cantinho para pernoitar, ela se encostou e um frondoso pé de jaca, e quando a noite chegou de vez a girafa ficou encantada com a paisagem noturna. Tudo agora havia mudado feito um passe de mágica, a claridade que vinha da lua atravessava os troncos e as ramas das árvores, atingindo o solo formando uma bela cortina feito gotinhas de ouro.

A girafa olhava para os arbustos e eles pareciam reluzentes diamantes coloridos. A girafa ouvia atenta os sons noturnos da floresta, as caribombas gritavam ao longe:
- amanhã eu vou! amanhã eu vou!
Os grilos faziam:
- Cric, cric, cric, cric!!
As pererecas faziam: - Créec, crééc, crééc!!
As rãs faziam a entoada
- Tãam, tã, tuum!
Eram tantos os sons a se misturarem que se faziam uma percussão sincronizada.
Aos olhos da girafa parecia que a floresta estava coberta de uma cortina de pedras preciosas, os vaga lumes iam salpicando pontos por pontos brilhantes por toda a relva, eram lindos aqueles brilhos, parecia até que o céu estrelado descia ao chão. Os sons continuavam formando o enredo:
- Cric,cric,crééc,crééc,tãam, tã, tuum,cric,cric,crééc,crééc,tãam, tã, tuum ...

O amanhecer foi chegando, e agora o que predominava eram os sons matutinos ecoando por todo o ar, as cigarras zuniam ao longe em meio aos cantos da passarinhada, os pios comprido dos inhambus perdiam-se na floresta:
- Priiiiii, pripri, pripri!!

A girafa estava perdida neste mundo estranho, e se pôs a caminhar a esmo pela floresta, a fome chegou e neste momento a girafa parou em baixo de uma árvore para comer a sua rama, eis, que neste momento o inesperado, as formigas de fogo começaram a subir nas longas pernas da girafa e começaram a lhe picar por todo seu corpo, agora a pobre girafa estava em apuros, e se pôs a correr: Pocotó, pocotó, pocotó!
As patas da girafa atolavam no barro: plof! flof! plof!!
A girafa estava mesmo em apuros, era um exército de milhares de formigas cegas e desvairadas. A beija-flor que estava passando por ali percebeu o desespero da girafa e em um gesto de solidariedade voou para ajuda-la .O beija-flor voou por sobre a cabeça da girafa: Ziiiiip,ziiiiip,ziiiiip...depois pousou em sua cabeça e falou:
- Dona gigantona, fique quieta, não faça nenhum movimento, fique imóvel que elas iram logo embora, se você se mexer elas lhe pircarão por inteira, elas são venenosas e estão famintas.

A girafa obedeceu aos dizeres do pequeno beija-flor e ficou paradinha feita um toco firme de madeira, e logo as formigas foram embora. A girafa comentou:
- Como é bom ter amigos! Você é tão pequenino e salvou minha vida, muito obrigada!

O beija-flor percebeu naquele momento que apesar de ser enorme a dona gigantona era frágil e estava desprotegida em meio às armadilhas do Pantanal e diante de toda essa observação, o beija-flor perguntou para a girafa:
- Dona gigantona, você é uma feiticeira?
- Você não me parece má como diz, o seu gambá.
- Dona gigantona aqui no Pantanal vivem muitas espécies de pássaros uns maiores e outros menores, temos uma diversidade enorme de animais, insetos, répteis, anfíbios, a vida aquática aqui é abundante, enfim, além da vida botânica, nossa fauna é rica, somos umas das maiores reservas de biodiversidades do mundo.
A girafa ao ouvir isto ficou triste e falou assim:
- Eu nunca vi um desses animais, me sinto tão só, eu sinto falta de meus amigos e parentes, eu quero encontrar o caminho de minha casa mas não consigo.
O beija-flor ficou com pena da girafa e falou:
- Olha dona gigantona, eu vou falar para todos que você não é uma feiticeira má, espere ai que volto já!
O beija-flor partiu deixando o barulho de suas asas para trás, Ziiiiip, ziiiiip, zipiiiii...

E sendo assim o beija-flor voou por toda a floresta e estava estranhando, pois não estava encontrando ninguém, mesmo assim continuou voando rápido e de repente ouviu alguém lhe chamando:
- Craaac, craaac!
- Oh! Oh seu beija-flor!
Era o inseparável casal de araras azuis que estavam ali namorando num galho seco, e uma das araras perguntou:
- Onde seu beija-flor vai com esta pressa de perder as asas?

O beija-flor respondeu com uma pergunta:
- Aonde foi parar todo mundo? Não vejo ninguém na floresta, por acaso a cheia está vindo?

Uma das araras falou:
- Seu beija-flor, você não foi convidado para a reunião?

O beija flor não entendeu e indagou:
- Eu, eu não! Confesso não saber de alguma reunião.
- Hora seu beija-flor, até parece que você não conhece o seu gambá, agora ele cismou que todos nós temos que expulsar uma gigantona forasteira que apareceu em nossa floresta, e para isto armou uma reunião com todos os animais possíveis.
Explicou a arara;

O beija-flor ficou indignado com as atitudes do seu gambá e falou:
- Coitada daquela gigantona, ela não é má como diz o seu gambá, ela é um ser dócil! O seu gambá está querendo é causar intrigas, vocês não se lembram de quando o boi búfalo apareceu aqui no pantanal, as intrigas que seu gambá causou. Eu tenho é dó daquela gigantona, já imaginaram se a dona onça pegar aquela pobre, até a dona anta que é enorme não se atreve a enfrentar a dona onça. Vamos lá agora nesta tal reunião desfazer este mal-entendido. O beija-flor saiu as pressas, ziiiiip,ziiiiip...

E as araras seguiram-no fazendo algazarra:
- Craaac, craaac...
Quando o beija-flor chegou onde os animais estavam reunidos encontrou muitos animais ali ouvindo as mentiras que seu gambá dizia. Estavam lá o seu jacaré com sua bocarra cheia de dentes, a dona jaguatirica, o seu quati e até o seu tucano exibindo seu longo bico. O macaco prego estava de cabeça para baixo com o rabo enrolado em um galho de jatobá.
Eram muitos os animais presentes e inflamados pelas intrigas de seu gambá e gritavam assim:
- FORA GIGANTONA! FORA GIGANTONA!
Ao chegar o beija-flor falou:
- Por favor! por favor. Eu quero que todos vocês me escutem! Me escutem por favor! Todos calaram com a insistência do beija-flor, ai ele falou:
- Prestem a atenção.
- A dona gigantona não é uma feiticeira má como vocês imaginam, ela está carente e precisa muito de amigos, a pobrezinha está tão desprotegida com os perigos que a floresta lhe oferece e está solitária, já imaginaram se a dona onça pegar aquele pobre animal?
- Vamos todos lá conversar com ela e todos vão ver que ela não é má, afirmo ela é um ser dócil.

Houve algumas resistências, mas muitos animais resolveram acompanhar o beija-flor e partiram ao encontro da misteriosa gigantona. Quando ali chegaram muitos animais estavam cismados, alguns ficaram escondidos em meio aos arbustos, outros ficaram nos altos das galhos das árvores. O lobo-guará chegou mais perto, logo em seguida veio se aproximando a dona seriema e exclamou:
- Depois dizem que sou eu que tenho pernas compridas.

O seu lobo-guará e a dona coruja eram os mais corajosos e chegou mais próximo, o lobo- guará indagou assim:
- Oh... dona gigantona, como você veio parar aqui no pantanal?
A girafa respondeu:
- Não sei? Eu estava em minha terra caminhando quando caí em um buraco fundo e apareci nesse lugar que para mim é estranho, até pensei que era um pesadelo, ainda continuo pensando que estou vivendo um pesadelo.

O papagaio exclamou:
- Curupapo! Curupapo! Que desculpa mais esfarrapada. Como alguém caindo em um buraco aparece em outro mundo?
A girafa tentou explicar:
- Mas esta é a mais pura verdade, não sei explicar, mas acreditem foi assim que aconteceu.

O tatu entrou na conversa e falou:
- Eu ate entro em um buraco e saio em outro lugar, mas para isto acontecer não existe magia, tenho que cavar muita terra e mesmo assim não saio em outro mundo, saio sempre aqui na floresta.
Os animais foram encorajando aos poucos e foram se aproximando da girafa. Ela era gigante mesmo aos olhos dos animais, todos estavam admirados com o tamanho da girafa, o maior animal que todos ali haviam visto era a dona Anta.

A raposa exclamou:
- Essa gigantona não me parece má como dizem por ai.
A girafa falou:
- Por favor! Ajudem-me, sejam meus amigos e me ajudem a encontrar o caminho da minha terra!
Quase todos animais resolveram ajudar a girafa, só o seu gambá continuava com as intrigas e dizia:
- Essa gigantona não é nada boazinha, vocês ainda iram se arrepender.
Os dias foram passando e a girafa devagarinho foi reafirmando a amizade com a maioria dos animais.
Num belo dia dona anta estava com seus filhotinhos tomando banho de sol na entrada da floresta, e eis que surgiu a dona onça, sorrateira em meio às folhagens. Dona anta estava distraída e distante de seus filhotinhos, quando percebeu que a onça atacaria seus filhotinhos, se pôs a gritar em desespero:
- Socorro! - Socorro! - Socorro!
_A dona onça vai pegar meus filhinhos.
Mas de nada adiantava dona anta gritar, pois todos tinham medo de dona onça e em vez de ajudarem, correram foi pra longe.
Ao ouvir os gritos de socorro de dona anta, a girafa veio correndo; "pocotó...pocotó...pocotó"... Neste mesmo momento dona onça pulou com muita agilidade em cima de um dos filhotinhos de dona anta, e os outros que estavam livres correram para o lago. A dona gigantona aproximou-se de dona onça, virou-se de costas e deu um tremendo coice com as duas patas traseiras em dona onça. Com o impacto dona onça saiu rolando para longe e deu um rugido forte e apavorante na intenção de intimidar a dona gigantona. Mas os rugidos da dona onça foram em vão, a dona gigantona corajosamente continuou dando muitos coices e dona onça desistiu, e saiu correndo para dentro da floresta.

Todos animais vieram fazer algazarras em volta da dona gigantona , todos estavam admirados com os atos corajosos e heroicos que acabaram de assistir, afinal ninguém na floresta se atrevia a enfrentar a dona onça. Neste momento dona gigantona comentou:
- Pior é lá na minha terra que tenho que enfrentar os leões!
Daquele dia adiante a girafa passou de uma indesejada forasteira para uma heroína, a rainha da floresta.
O seu gambá morria de inveja desta situação e dizia:
- Vocês ficam ai, dona gigantona pra lá, dona gigantona pra cá, o dia que esta ai mostrar as unhas vocês vão ver, devem ser mais afiadas que as unhas de dona onça!

Os dias foram passando e a girafa estava se adaptando bem a vida no Pantanal, todos agora eram amigos dela, todos não? menos o gambá.
Apesar da saudade de seus familiares a girafa agora estava se virando no novo habitat. Um certo dia amanheceu com uma chuva muito forte, os baixios começaram a se encher de água. A girafa não estava entendendo o que estava acontecendo, e indagou a dona paca:
- Dona paca, o que esta acontecendo? Eu nunca vi tanta água em minha vida, até parece um diluvio. Dona paca explicou:
- Olha dona gigantona, todos os verões são assim, aqui vira um mar de águas! Todos os anos temos que nos mudarmos para as partes altas que são distantes.
A girafa estava preocupada, era tanta água e barro juntos que não dava para andar. Seu gavião veio voando baixo e pousou em um galho de guaraná, em seguida chamou todos animais e falou assim:
- Voei por todo o Pantanal e vi que esse ano a cheia será enorme, por favor, todos animais que não são anfíbios devem pegar seus filhotes e partirem agora mesmo para as partes altas.
- Esta vindo por ai muita água e posso afirmar que não demora estas águas chegarem. Vamos todos para um lugar seguro, a enchente deste ano será a maior que já vi em toda minha vida. Vamos todos agora! Andem porque aqui não vai sobrar uma asa de terra.

O quati chamou a dona gigantona e a orientou:
- Vamos dona gigantona, acompanhe-me, vamos para os montes onde ficam os gados domésticos aqui enche de água muito rápido.
Todos animais se organizaram para partir, a grande maioria estava em fila indiana, mas de repente surgiu o seu gambá aos gritos:
- Socorro! Socorro...!
A girafa ficou preocupada diante todo aquele desespero do seu gambá, e indagou:
- O que ocorre, oque o corre seu gambá?
- Porque você está tão desesperado?
O gamba respondeu ofegante:
- Pelo amor de Deus! os meus filhotinhos ficaram ilhados e o pior é que não sei nadar!
- Os meus filhotinhos vão morrer afogados!
Seu coelho comentou:
- Chamem o seu jacaré ou a dona anta, eles são bons nadadores.
- Curupapu! Eles já foram!
Informou o papagaio;
Nesse momento a dona gigantona voltou correndo e pulou no lago, porém muito desajeitada e grande começou a se afogar, "GLUB,GLUB,GLUB! Com muito esforço , conseguiu nadar e chegar lá na outra margem do lago onde estavam os filhotes de seu gambá, os filhotinhos de seu gambá subiram no lombo de dona gigantona e ela veio nadando cuidadosamente em direção a margem onde estavam todos.
Todos animais estavam torcendo para que tudo terminasse bem. E a torcida e pensamentos positivos funcionaram, dona gigantona chegou em terra firme e salvou os filhotinhos de seu gambá.
O seu gambá veio correndo ao encontro de seus filhotinhos, era uma alegria que só. O seu gambá falou assim:
- Dona gigantona não sei o que faço para lhe agradecer. Você ariscou sua própria vida para salvar meus filhotinhos, se não fosse por sua coragem todos teriam morrido afogados, peço-lhe mil desculpas por tudo que lhe causei desde que lhe conheci.
Dona gigantona falou assim:
- Não se preocupe seu gambá, tem todas minhas desculpas, passamos uma borracha no passado ruim, eu jamais deixaria de socorrer alguém que esteja em perigo, principalmente filhos de um amigo.
A dona gigantona estava preocupada com o volume de água que se formava rápido e continuou a dizer:
- Vamos, vamos todos! “Simbora” gente, a água esta subindo muito rápido.
E assim todos partiram rumo aos campos secos, e ficaram por lá até as vazantes. No momento em que as terras começaram secar, todos reuniram para o retorno. O tempo foi passando e quando normalizou a vida, e tudo estava em sua rotina normal, os animais se reuniram e combinaram fazer uma festa surpresa para dona gigantona, pois queriam retribuir nesse gesto as boas ações por ela realizada. Agora todos eram amigos da dona gigantona, até mesmo o seu gambá havia se afeiçoado com a dona gigantona.

Todos os preparativos estavam sendo organizados, esticaram cipós de árvores a arvores e penduraram flores silvestres por toda a extensão dos cipós, flores de maracujás, flores de guaranás e morangos selvagens. Era muitas as variedade de frutas e sementes, tudo muito colorido. A floresta estava exalando um gostoso perfume silvestre. Eram coco, urucuris, sementes de jatobás e de sapucaias por todos os lados.
Enquanto isso em outro ponto a girafa estava caminhando pela floresta despreocupadamente, quando de repente ela caiu em buraco fundo, "PLOF,PLOF,PLOF! E do mesmo jeito misterioso que a girafa apareceu no pantanal ela agora reapareceu em sua terra.
Ao observar que estava em sua terra a girafa ficou muito alegre, agora ela estava em seu habitat, e exclamou:
- Vou morrer de saudades do pantanal e dos meus amigos que por lá ficaram, mas aqui é meu lugar, guardarei em minhas lembranças as paisagens, os amigos, o colorido, o céu estrelado brilhante feito um mar de diamantes.
Enquanto isso, lá na floresta do pantanal, ninguém sabia o paradeiro da dona gigantona e o que havia acontecido. Sem saber que a dona gigantona já estava em sua terra, muitos a procuravam para levá-la para a festa. Alguns animais estavam rondando a selva procurando dona gigantona, os gritos ecoavam:
- Dona gigantona! Ô dona gigantona, onde está você dona gigantona....

O lobo guará que vinha caminhando junto com o macaco sagui procurando dona gigantona depararam com o sapo que estava em cima de uma pedra cheia de limo verde.

O sagui perguntou:
- Seu sapo, você viu a dona gigantona por aí?

O sapo respondeu assim:
- Ahhh! A dona gigantona?
- Ela passou por aqui com uns duendes montados em seu lombo e de repente todos desapareceram em um sublime passe de mágica, não sobrando nem o rastro!
"FIM"

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