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Carta a um jovem cordelista
Wilson Luques Costa

Quase todos já conhecem, ao menos os que lidam com literatura, a famigerada Carta a um jovem poeta de Rilke. E não é à toa que esse texto veio à baila e sobrevive até hoje, e possivelmente sobreviverá até quando houver poetas e poesia. Sinceramente, não sei se sou poeta, bom ou mau, não importa, mas também já tive as minhas dúvidas metafísicas. Isso é natural e acontece. Surge a dúvida de nossa capacidade. Será que escrevo bem? Será que sou um bom contista? Romancista? Foi sempre assim e será. Mas o que me causa estranheza é que já venho repassando esse texto a colegas que percebo que têm um talento escondido. Falo atualmente, e mais precisamente, de um colega, jovem, se muito trinta anos, que a princípio iniciou-se com a música e agora quer enveredar para a poesia. Apesar de paulistano, gosta das cantorias de cordéis, e o faz com uma precisão sem limites. Tudo muito bem metrificado, em redondilhas maiores etc... Mas paira ainda sobre a sua cabeça a dúvida: será que sou poeta? Eu, a meu modo, julgo que sim: um poeta da velha tradição. Dos cordelistas. Mas o que não consigo colocar-lhe na cabeça é que falta algo... Algo de uma cultura dos livros ou da vida, não sei...Mas falta... Mas não poderíamos negar-lhe o fazer poético... Pediu-me para escrever algo...Evidentemente que não lhe mostrarei esse pequeno texto... Mas julgo que falta algo sob o sol... Às vezes vem-me aquela frase de novo de Nietzsche:' só acredito nas pessoas que escrevem com o próprio sangue' -(ou com o próprio veneno). E Nietzsche escreveu, atacou, desdenhou, enfureceu... Nietzsche foi o vampiro de si mesmo, bebeu todo o seu sangue e nem deixou um cálice, sequer, um pouco, para o seu mestre Dioniso... Nietzsche, certamente, o poeta, jamais necessitaria de uma simples carta de Rilke...Além de sorver todo o seu sangue, ainda envenenou toda uma geração
que lhe seguiria...


Biografia:
Paulistano da Vila Ré.
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