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Retalhos do amor
Dylla Vicente

“só eu, só eu amei o amor de meus enganos.”
(Edgar Allan Poe)


Foi sob uma noite sem estrelas d'uma escuridão... que me prostrei aos teus clarões.
Destinei todo o meu destino, todo o meu vício... Era uma noite embriagada pelos castos amores de verão. Fora ali; naquela infinda noite, que um dia me prometera amor eterno...
O céu estava banhado pelos sentimentos entusiasmados de tê-lo para sempre junto de mim. Por ti suspirei todos os mais puros amores - Estava morrendo daquela deplorável loucura... Os segundos se bordavam tremulamente por cada batida de meu coração; os minutos estavam lá, assegurando-me contra o chão. As horas pulsavam freneticamente pela tua ausência dentro de mim, pelo medo de não voltar, pelo medo de permanecer ali; inerte, sob o negro lençol d´uma escuridão sem luar...
Doía-me a cada batida, amava-te tanto... Soluçava, desfalecia-me por cada sussurro cálido do coração. Fora naquela noite, donde perdidamente adormeci sob a plumagem da solidão...
Por ama-te silenciosamente, um dia deixei morrer todas as esperanças de viver junto a ti; amava-te pelos vagos dias, amava-te pelo medo de não amar-me como deveria.
Talvez fosse preciso odiar para somente entender o que era amar-te vagarosamente... Era preciso contar ao amor que ele não passava de uma singela mentira?!

Tornava-se dia, o sol brilhava com toda a sua glória, com todo o seu engabelamento!

Estava morrendo daquela loucura doentia. Suplicava a imperfeita audácia d’alegria, quando somente de languidez meu coração bebia.
Amanhecia... Escurecia. Domada por aquela dor superna, tão só morria...

Adormeci findando-o dentro de mim.
Fora nessa manhã fria, que, rente ao mar, tua voz ressoava perdidamente aos meus ouvidos, estava meu corpo vaga lume a luzir por entre tuas asas pálidas. E, todavia, não fora o amor a pousar pelas minhas frágeis lágrimas.

Tu... cerravas os lábios para me dizer:

Oi.

Sinto muito.

Eu não amo você.



12. 11. 2011


Biografia:
Dylla Vicente, 26 anos, amante de poesia e literatura brasileira. Estudante de letras, escreve poesia, prosa poética e crônicas.
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