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Sobre o Amor
Calíope

O pássaro pousou pela primeira vez naquele fio. Olhou ao redor e notou que jamais havia sobrevoado tal lugar. Fixou seu olhar em uma árvore próxima, de lindas flores arroxeadas. Um ninho havia se instalado ali, e o casal de pássaros juntava-se para ensinar o filhote a voar por si só. Nosso pássaro teria suspirado, se pássaros pudessem suspirar.

Sua atenção foi atraída para uma cambacica próxima a si. A ave possuía penugem amarela no peito, suas asas carregavam formosas penas negras e uma faixa branca próxima aos olhos. Era linda. Tão comum naquela região, mas diferente de todas as outras que havia visto. Essa era excepcionalmente deslumbrante. Os olhos do pássaro também brilhavam em sua direção, e ele pôde dizer: Estava apaixonado.

Posicionou-se no fio de modo a ficar de frente para sua paixão, e pôs-se a admirá-la novamente, enquanto ela parecia fazer o mesmo. Decidiu pular toda a parte da paquera porque, afinal, eram pássaros e pássaros não paqueravam.

Aprumou-se no parapeito de granito e investiu, porém foi barrado por alguma coisa. Ainda confuso, tentou novamente se aproximar, mas se chocou contra a barreira invisível. A ave do outro lado parecia tão confusa quanto ele.

O sol já se punha, e a lua tomava seu lugar. A escuridão tomou conta e ficou quase impossível para o nosso pássaro ver a amada. Decidiu voltar no dia seguinte, e planou para um lugar perto, determinado a passar a noite ali.

Assim que os primeiros raios de sol jorraram do céu, o pássaro já estava lá, investindo contra a barreira invisível, enquanto a amada fazia o mesmo. Os dois estavam realmente dispostos a se encontrar.

Essa rotina se repetiu por meses a fio, e nosso pássaro já estava ferido. Sua única motivação era aquela ave exuberante do outro lado e a vida que poderiam ter juntos.

Sabendo de sua fraqueza e fragilidade, o pássaro decidiu fazer um último esforço. Afastou-se o máximo que pôde, e, com o impulso tomado, se chocou contra a barreira. Seu franzino corpo, que se ligava à tênue linha da vida, se rompeu. Jazia morto o nosso pequeno herói no chão de uma calçada.

Enquanto isso, uma garota observava o estúpido pássaro se chocar contra sua janela. Olhou para a mancha deixada no vidro.

-Maldita ave narcisista.

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