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Pobre Ramon.
Um conto de ganancia.
Paulo Souzza

Resumo:
Devemos evoluir na vida,querer sempre o melhor,mas não a qualquer custo.Devemos antes de querer grandes tesouros materiais,lembrar sempre dos tesouros que já temos...nosso corpo,nossa saúde,nossa família e amigos,que Deus nos deu de graça.

Ramon era um homem bem comum e de poucos amigos.Os poucos amigos diziam que ele tinha nascido com rabugice crônica,pois vivia a reclamar da falta de sorte,do trabalho pouco remunerado,do aluguel do apartamento,das dívidas,enfim...de tudo.
   Seu trabalho era de garçom,fazia "bicos" em dezenas de restaurantes,trabalhando mais as noites.
   Já estava com seus trinta anos e nunca se casará,pois além de muito comum,não era o quê se poderia chamar de "bom papo",então namorará pouco.Não que não quisesse namorar mais,é que realmente ele não atraia a atenção do sexo oposto mesmo,talvez daí sua rabugice.
   Era um sujeito que frequentava a igreja aos domingos e vivia pedindo aos santos que lhe colocassem no caminho uma mulher,uma companheira.Pedia também para ter mais sorte na vida,queria mais dinheiro,um carro melhor e sair do "temido" aluguel.
   Certa noite,em um fim de semana,Ramon trabalhou em um restaurante de médio porte em um bairro afastado da cidade.Por volta de duas da manhã terminou a jornada e foi para casa.Lá chegando,tomou seu banho e foi para cama.Alguns minutos depois ouviu um barulho na sala,levantou-se e acendeu a luz.Que susto levou ao ver um homem sentado em seu sofá.Tentou alguma ação mas estava paralisado.
   O homem sentado na sala de Ramon era alto com traços orientais,usava terno e chapéu branco.Levantou-se e caminhou até Ramon,que continuava paralisado.Ramon angustiado,nunca tiverá tanto medo ao sentir o bafo quente em sua face e o olhar penetrante do invasor.
   A figura sinistra começou a falar com Ramon,uma voz suave ao mesmo tempo gutural dizia coisas da vida de Ramon,tudo da sua vida,seu trabalho,suas dificuldades,seus desejos...
   Por fim falou a Ramon que cessaria sua paralisia mas que não tentasse nada pois seria em vão.Assim foi feito e Ramon pode relaxar na medida do possível,mas algo nele dizia que nada adiantaria tentar algo,então sentou-se e perguntou receoso quem era o homem.
   Recebeu como resposta que não era importante quem ele era e sim o por quê ele estava ali.Ramon então perguntou o que ele queria.O homem disse que faria uma proposta para ele e em troca Ramon o serviria quando morresse.
   Ramon assustado conseguiu murmurar um "não" vindo do fundo da alma,quando a figura disse que ele ainda não tinha feito a proposta.Ramon em um misto de medo e curiosidade pediu ao homem para lhe dizer então.
   O homem disse a Ramon que lhe daria a vida que tanto ansiava,com muito dinheiro,mulheres,e vida social maravilhosa,sem limites.Aquilo soou como música para os ouvidos de Ramon,sua atitude mudou,de medo para alegria,ali estava a boa sorte que tanto pedirá aos céus.
   Ramon indagou ao ser se seria só aquilo que teria que aceitar,servi-lo depois da morte,e quis saber.Em que serviria?
   O homem respondeu que não lhe diria,caso quisesse teria que aceitar sem perguntas,e que tinha mais uma coisa a ser cumprida por Ramon.Ele teria que abrir mão deus um dos seus cinco sentidos...visão,olfato,audição,paladar ou tato.
   De princípio Ramon refutou a ideia,mas a visão do "glamour" que seria sua vida os fez pensar na possibilidade de viver sem um dos seus sentidos,e começou a ponderar.
   Bem....pensava ele...a visão não!!Nem pensar! Como vou desfrutar do meu dinheiro e mulheres sem a visão??
    A audição..."também não"!Quero ouvir músicas ao dirigir minha Ferrari.
    O tato...como sentirei a pele das minhas mulheres???Não!!
   Tem o paladar...Nunca!!Aprendi a apreciar uma das melhores coisas dessa vida,que é comer bem,trabalhando servindo quem tem dinheiro...não também!!
    Ahhhh...o olfato!Dos males o menor...poderei viver sem ele.Namorei a Claudia que tinha o costume de não se banhar direito...acostumei.
   Boa,escolherei o olfato.Decidiu Ramon.
   Comunicou ao ente sinistro sua decisão.Que assim seja disse o ser,a partir de agora não terá mais olfato e sua vida sofrerá uma guinada,jogue quaisquer números em quaisquer loterias e ganhará sozinho sempre,repita até se tornar bilionário.E o ser desapareceu em sua frente como mágica.
   Ramon estava eufórico,correu pegar um perfume em seu armário e colocou sob o nariz,nada sentiu!!Viu que tudo aquilo era verdade e não cabia em si de tanta alegria,o quê faria primeiro?Compraria um carro de luxo??Não...um apartamento de cobertura...tantas coisas que nem imaginava.
   Fazia uma hora que o ser se fora,Ramon estava agitado.Resolveu fazer um chá e tentar dormir o resto da madrugada.Foi ao fogão e fez um chá de camomila,tomou e se deitou.Após meia hora ainda sem sono,agitado,sentou-se na cama e resolveu fumar,enquanto pensava na sua futura vida de riqueza.
    Levou o cigarro a boca e riscou um palito de fósforo.
    A explosão devastou o apartamento.Ramon esquecerá o bico do gás do fogão aberto.O gás inundou o apartamento e Ramon,sem o olfato,não sentiu...foi servir o demônio antes mesmo de desfrutar sua riqueza.
    Pobre e ganancioso Ramon...


Biografia:
Escrever é dar vida aos delírios da mente...
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