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Cartas para, Carolina
Maria Vitoria

Amor, deixo a testa em rugas e os olhos sedentos, mas não é raiva o que sinto, só por hoje, porém, não tão pouco o bastante, não é raiva o que me inflama.

Soletro meu próprio fôlego com versos decassílabos na esperança de trazer novamente um pouco de tom coral à vida. Os dias passam de forma redundante por aqui, até a poeira que costumava alojar-se em meus poros cai vez por vez em forma de conta-gotas.

Neste exato momento, um feixe de luz atravessa os vitros esparramando-se na leveza de minhas folhas brancas rasuradas. Ouço ao verso de mim, batidas em portas sem tranca dedilhando ossos de mãos nada gentis.

Beirando a polpa de meus ouvidos, existem homens peludos e protuberantes, você tem de ver, homens primitivos das cavernas. Sim, primitivos. Homens tão inertes e cinzas como pedras.

Sinto a textura de minhas mãos secas e penso o quão doloroso para sua pele macia e aveludada deve ser aturar meus cascos e calos. Penso também em tua boca, não tão mínima, não tão grossa; na medida. A métrica ideal para meus lábios frios e perturbados.

O meu lado direito cervical dói. O meu tornozelo direito se autoparafusa. O meu lado esquerdo do pescoço salpica. Sou dores físicas. Sou dores, dores extremamente dolorosas!

Um motor se aquece enquanto cospe fumaça de carbono e fogo. Engasgo com o óleo ácido da vida...

Hoje o sol se expôs. Tenho folhas e mais folhas para apresentar num seminário ao cair da tarde receptiva ao temor da noite. Olho o relógio buscando acelerar ás horas. Quanto tempo será que me resta até lhe encontrar pulsante em meus braços?

Sabe, cartas são como flores. Então, por favor, absorva a essência de minha fragrância primaveril e me expire para além destas paredes inacabadas de inverno.

Com amor,
Mãos de Khalo!


Biografia:
Fazendo da escrita minha válvula de escape desde, 1998 e bolinha...
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