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A ONÇA QUE TINHA MEDO DE RAIOS E TROVÕES
Saulo Piva Romero

HOUVE UM DIA EM QUE UMA ONÇA DECIDIU FAZER UMA CAMINHADA PELA MATA.

O DIA ANUNCIAVA CHUVA COM RAIOS E TROVÕES, POIS, O CÉU ESTAVA NUBLADO E CINZENTO COM NUVENS CARREGADAS.

MAS, MESMO CORRENDO O RISCO DE SE MOLHAR, A ONÇA FOI CAMINHANDO TRANQUILAMENTE PELA MATA ATÉ QUE UM GRANDE CLARÃO SEGUIDO DE UM GRANDE ESTRONDO NO CÉU CHAMOU A SUA ATENÇÃO.

ENTÃO ELA IMEDIATAMENTE OLHOU PARA O CÉU, POIS, PENSOU QUE ERA UM AVIÃO SOBREVOANDO A FLORESTA OU UMA ARAPONGA GRITANDO ENSURDECEDORAMENTE.

MAS, ELA NEM IMAGINAVA QUE SE TRATAVA DE UM RAIO SEGUIDO POR UMA SARAIVADA DE TROVÕES, POIS, ELA NUNCA TINHA VISTO UM  RAIO E NEM TROVÕES.

ENTÃO ELA DIMINUIU A SUA PASSOS E CAMINHOU SUAVEMENTE E DEPOIS DE DAR UMA LONGA VOLTA PELAS REDONDEZAS SEM SER VISTA, PULOU EM CIMA DO RAIO E DOS TROVÕES, APESAR DO MEDO QUE ESTAVA SENTINDO NAQUELE MOMENTO.

A ONÇA ESTAVA TREMENDO DE MEDO, POIS, NUNCA TINHA SE ENCONTRADO CARA A CARA COM RAIOS E TROVÕES NA VIDA.

O RAIO E O TROVÃO ESCAPARAM DAS GARRAS DA ONÇA, DANDO UM PULO AINDA MAIS VELOZ QUE O DELA.

A ESSA ALTURA DOS ACONTECIMENTOS, A ONÇA TEVE UMA CRISE DE PÂNICO E VOLTOU A TREMER QUE NEM UMA VARA VERDE, ENQUANTO QUE O RAIO E O TROVÃO DEBOCHAVAM DA ONÇA MEDROSA, GARGALHANDO E CAÇOANDO DA FELINA QUE TAVA ASSUSTADA COMO UM GATINHO FUGINDO DE UM CACHORRO.

DEPOIS DE UM LONGO SILÊNCIO, A ONÇA SE ACALMOU E COM INDIGNAÇÃO, PERGUNTOU:

- QUEM SÃO VOCÊS?

- NÓS SOMOS O RAIO E O TROVÃO, NÃO ESTÁ VENDO?

A ONÇA RECUOU E VOLTANDO A TREMER DE MEDO, INDAGOU:

- VOCÊS SÃO FORTES?

O TROVÃO E O RAIOS COMEÇARAM NOVAMENTE A CAÇOAR DA ONÇA, DIZENDO:

- RELAXA, VOCÊ ESTÁ FAZENDO UMA TEMPESTADE DENTRO DE UM COPO COM ÁGUA! NÓS NÃO SOMOS TÃO FORTES QUANTO PARECE.

AO ESCUTAR AS PALAVRAS DO RAIO E DO TROVÃO, A ONÇA RECUPEROU A CORAGEM E ENGROSSOU O RUGIDO.

ENTÃO FOI A VEZ DO RAIO E DO TROVÃO SE ENCOLHER DIANTE DO PROLONGADO RUGIDO QUE A ONÇA HAVIA BAFORADO NA CARA DOS DOIS FENÔMENOS DA NATUREZA.

- POIS, EU SOU O ANIMAL MAIS FORTE E CORAJOSO DESSA MATA, APESAR DO LEÃO LEVAR A FAMA DE REI DA SELVA, ELE NÃO PASSA DE UM GATINHO AMEDRONTADO, POIS, QUANDO EU FCO FURIOSA, NÃO SOBRA NEM UM OSSO DOS MEUS ADVERSÁRIOS PARA CONTAR HISTÓRIAS.

ASSIM O RAIO E O TROVÃO COMEÇARAM A TREMEREM DE MEDO DA ONÇA, POIS, PARA DEMONSTRAR A SUA FORÇA, ELA SUBIU NUMA ÁRVORE E QUEBROU TODOS OS SEUS GALHOS, SUAS FOLHAS E SEUS FRUTOS.

DEPOIS, AINDA NÃO SATISFEITA, DESCEU NOVAMENTE PARA O SOLO E COMEÇOU A CAVOCÁ-LO, ARRANCANDO TUFOS DE RELVA E TERRA COMO SE TIVESSE FICADO LELÉ DA CUCA E LOGO EM SEGUIDA AO SEU ATAQUE DE LOUCURA, PERGUNTOU:

- O QUE OS BARULHENTOS ACHARAM AO VER MEU ATAQUE DE FÚRIA?

ELES SIMPLESMENTE ESCUTARAM E FICARAM CALADOS, POIS, ESTAVAM TREMENDO CADA VEZ MAIS.

ENTÃO, A ONÇA SE ACHANDO A MAIS PODEROSA CRIATURA DA NATUREZA, FALOU:

- EU QURO VER SE FAZEM ALGO PARECIDO, SEUS MEDROSOS!

O RAIO E O TROVÃO TENTARAM ACALMAR A FERA, DIZENDO:

- NÃO PODEMOS, POIS, NÃO TEMOS FORÇA PARA REALIZAR SEMELHANTE FAÇANHA!

ENTÃO, ENFURECIDA COM A COVARDIA DO RAIO E DO TROVÃO, A ONÇA COMEÇOU A DESTRUIR TUDO O QUE VIA PELA FRENTE ATÉ QUE SE FORMOU UMA CLARÃO NO SOLO FAZENDO COM QUE A ONÇA VIBRASSE E COMEÇASSE A REBOLAR COMO SE FOSSE UM BONECO DE MOLA.

EM SEGUIDA CAIU UMA GRANDE TEMPESTADE FAZENDO COM QUE OS RAIOS E TROVÕES AJUDADOS PELA VENTANIA, RECUPERASSEM AS SUAS FORÇAS, A PONTO DA ONÇA, VOLTAR A FICAR COM MEDO, POIS, ELA ESTAVA PENSANDO QUE O MUNDO IRIA ACABAR.

MAS, DEPOIS DE UM LONGO TEMPO, A TEMPESTADE FINALMENTE CESSOU E A ONÇA MAL TEVE TEMPO DE SE RECUPERAR E SE COLOCAR EM PÉ E CORRER PARA SE ESCONDER ATRÁS DE UM ARBUSTO.

MAS, O RAIO GOSTOU DESSA BRINCADEIRA E SOLTOU UMA PODEROSA FAGULHA QUE DEU A VOLTA NO ARBUSTO ACERTANDO EM CHEIO O RABO DA ONÇA FAZENDO COM QUE ELA DESSE O PULO MAIS ALTO DA SUA VIDA.

ASSIM O RAIO CONTINUOU A SUA VINGANÇA SOLTANDO FAGULHAS E MAIS FAGULHAS PRA CIMA DA ONÇA QUE ESTAVA CAMBALEANDO DE TANTA DOR QUE SENTIA NO SEU RABO, FAZENDO COM QUE ELA FOSSE PROCURAR ABRIGO NA TOCA DE UM GIGANTESCO TATU.

MAS NAQUELE DIA, A ONÇA ESTAVA AZARADA, POIS, O RAIO E O TROVÃO DESCOBRIRAM A TOCA DO TATU E NOVAMENTE ACERTOU EM CHEIO O JÁ DANIFICADO RABO DA FELINA.

ENTÃO A ONÇA QUE JÁ TRAÇAVA AS PERNAS, FOI SE ESCONDER NA CAVERNA DE UM URSO, O QUE NÃO RESOLVEU O SEU PROBLEMA, POIS, ONDE QUER QUE ELA SE ESCONDIA, O RAIO E O TROVÃO ESTAVAM LÁ PARA ATORMENTÁ-LA.

E PARA PIORAR AINDA MAIS A EMBARAÇOSA SITUAÇÃO QUE A ONÇA ESTAVA VIVENDO, COMEÇOU A SOPRAR UM VENTO QUE CONGELAVA TODO O SEU CORPO. ALÉM DISSO, VOLTAVA A CAIR UMA CHUVA GELADA.

ASSIM A ONÇA QUE JÁ ESTAVA QUASE SEM PÊLOS POR CAUSA DAS QUEIMADURAS, COMEÇOU A BATER A MANDÍBULA, POIS, SENTIA QUE O SEU CORPO ESTAVA PRESTES A CONGELAR.

A FELINA NÃO CONSEGUIA ENTENDER, POIS, PRIMEIRO O FOGO, DEPOIS O FRIA PARA ATORMENTAR AINDA MAIS A SUA VIDA.

ELA GEMIA E BATIA OS DENTES AO MESMO TEMPO E ESTAVA TODA ENROLADA NUM PANO QUE TINHA ENCONTRADO POR SORTE NA MATA.

ENTÃO, SOMENTE DEPOIS QUE O RAIO E O TROVÃO AVISTARAM A ONÇA QUE SE ACHAVA A TODA PODEROSA DA FLORESTA, VENCIDA E HUMILHADA, SE DERAM POR SATISFEITOS.

-   QUEM É O MAIS FORTE AQUI?

A ONÇA NÃO SE ATREVEU A RESPONDER AO RAIO E AO TROVÃO E CORADA DE VERGONHA, COLOCOU O RABINHO ENTRE AS PERNAS E SUMIU SEM DEIXAR RASTRO.

AS MÁS LÍNGUAS DOS ANIMAIS QUE VIVEM NAQUELA MATA, DIZEM QUE ATÉ HOJE, AQUELA ONÇA MORRE DE MEDO DE TEMPORAIS COM RAIOS E TROVÕES.










































Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 49 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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