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O Quadro
Rafael da Silva Claro


Da Vinci, Picasso, Edvard Munch, Dalí, Portinari, Tarsila, Rembrandt ou Michelangelo. Nenhum pintor conseguiu o que alguém alcançou com um simples quadrinho comercial e produzido em série. Dizem que a arte tem que chocar; esse quadrinho literalmente chocou.

A Gioconda (Mona Lisa), Guernica, O Grito, A Persistência da Memória, Os Retirantes, Abaporu, A Lição de Anatomia do Dr. Tulp e A Criação de Adão, nenhuma obra me disse tanto quanto um quadrinho desbotado pelo tempo.

Óleo sobre madeira; óleo sobre tela; óleo, têmpera e pastel sobre cartão ou afresco. Isso nunca importou. Acho que foram fabricados muitos quadros iguais àquele, mas aquele simples quadrinho é o que importa.

1503-1506, 1937, 1893, 1931, 1944, 1928 ou 1508-1515, nada tão antigo. Aquele retrato emoldurado para atender uma demanda muito específica; a imagem comercial feita mais recentemente; a mensagem de apelo emocional acertou em cheio.

Museu do Louvre, Paris (França); Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, Madri (Espanha); Galeria Nacional de Oslo (Noruega); MoMa, Nova Iorque (Estados Unidos); MASP - Museu de Arte de São Paulo, São Paulo (Brasil); Museu de Arte Latino-americana, Buenos Aires (Argentina); Mauritshuis, Haia (Holanda) ou Capela Sistina, Roma (Itália). O quadrinho não estava exposto em nenhum grande museu de algum país europeu, cidade badalada ou capital. Sem visitas monitoradas, estava discreto, quase escondido, num corredor, numa casa, numa cidade do interior de São Paulo. No entanto, a imagem não passava despercebida e a mensagem era vista como se fosse inédita e interpretada como se fosse para mim.

O pequeno quadro dizia sobre mim mais do que eu sabia. Tratava-se de uma fotografia de um moleque, com bandeira, bola e uniforme completo do Corinthians, saindo de um ovo, como se tivesse nascendo, com a inscrição:

“Graças a Deus, nasci corintiano”.

Grandes pintores, famosas obras, badalados museus, importantes localidades, ótimas técnicas e obras antigas. Nada disso superou a importância de um pequeno quadro pendurado numa parede de um corredor, numa casa.


Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
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