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Futebol “du bom”
Rafael da Silva Claro



O dia não era ideal para eu pedir para ir ao Pacaembu. Corinthians e Botafogo de Ribeirão Preto, o jogo deveria ser fácil. Mas o clima não estava favorável para mim, que, com 12 anos, estava levando uma bronca histórica por cabular aulas, ter péssimas notas e estar quase perdendo o ano escolar.

Meu cunhado ainda era considerado quase uma visita, no entanto, presenciava o tal sermão inesquecível. Isso já era muito melhor que qualquer partida de futebol. Só mesmo um acontecimento mais inesquecível para suplantar aquilo.

O jogo foi excelente, sem sofrimento. Entretanto, um maluco resolveu acender um baita cigarro (proibido para menores e maiores) perto de mim. A brisa me alimentou (em todos os sentidos) e o efeito bateu em mim. Os gols foram saindo, o sujeito doidão rindo à toa e comemorando com um pequeno intervalo de tempo e eu vomitando, de modo que abriu uma clareira na arquibancada. Se, na televisão, apareceram dois torcedores naquele ponto da arquibancada, eram o “nóia” e eu.

O fumacê era como se eu, com apenas 12 anos, respirasse num escapamento de caminhão soltando puro THC, sem catalisador. Os torcedores, prevendo a overdose involuntária, reprimiram o causador daquela situação. Na verdade, acredito que o que mais os incomodava era o meu vômito, que, espaçoso, ocupava uns nove lugares, e não a chaminé - comparável à Revolução Industrial - que estava em pleno funcionamento ali ao lado.

Eu devo ter sido invejado por quem curtia aquilo. Se eu não houvesse vomitado, provavelmente teriam trocado de lugar comigo. Fui socorrido a tempo, de modo que lembro do gol do... do... teve também aquele do... O que realmente importa é que foi 5 a 0 pro Corinthians.

Aquele dia, cheguei em casa com uma fome incomum - agora sei o porquê. Eu, inocente, só soube tudo o que havia ocorrido bem depois. Seria bem mais legal se eu dissesse que, naquele ano, além de cabular aulas, tirar péssimas notas e perder o ano escolar eu havia me afundado em drogas, com somente 12 anos de idade. A verdade, é que eu gosto muito de estudos e sou radicalmente contra as drogas.


Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
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