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Cara-pintada cara de pau
Rafael da Silva Claro


O que chamam de ensino médio era chamado de colegial. No segundo ano, qualquer pretexto para cancelamento das aulas era muito comemorado. Dessa vez, o azarado foi o Fernando Collor. Queriam submetê-lo a um tal de impitiman (impeachment). Esse palavrão significava impedimento. Esse movimento todo era para derrubar o presidente, mas o importante era que as aulas, naquele dia, também seriam impedidas. Então vamos!

Mas havia algo mais, o motivo era muito mais nobre que a simples suspensão das aulas, embora o fato evitasse a habitual fuga, comparável a de um presídio de segurança máxima. Confesso que vislumbrei um atalho para fazer parte da história e passar o resto da vida jogando na cara dos mais jovens que “eles têm toda essa liberdade hoje porque, lá atrás, eu lutei pela democracia”. Pronto, a farsa de uma existência estava armada.

O pacote era realmente interessante e até romântico. Os Anos de Chumbo rendem excelentes minisséries. Bastava uma fotografia apanhando de um guardinha municipal, pixando um muro ou em cima de um carro, para minha carreira política estar garantida. As peças se encaixavam, tudo estava fazendo sentido.

O roteiro estava planejado, mas um sorriso feminino e uma garrafa de “chiclete com banana” foram o suficiente para me dissuadir do grande plano e espírito patriótico. Foi fácil eu me trazer à realidade e trocar a epopeia por um roteiro bem conhecido.

Isso não impediu de, num clima muito mais festivo, eu chegar em casa com o rosto verde e amarelo e o Collor cair fora da Presidência da República. Se eu não compartilhasse essa farsa nessa crônica tentaria, num revisionismo histórico, uma aposentadoria especial por ter arriscado minha vida “derrubando um governo”. Muitos vivem disso.

Os recentes protestos que resultaram na derrubada da Dilma Roussef, para um grande número de pessoas foi apenas um convescote, um passeio em um domingo ensolarado. Pessoas foram às ruas para derrubar a presidente, depois gritaram a plenos pulmões que tudo não passava de um golpe.

Mesmo para quem não está nem aí para o contexto histórico do evento que participa, a tendência é, com um certo distanciamento, o sujeito aumentar a importância de sua participação. Isso se você não expuser a verdade numa crônica.


Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
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