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Na contramão do mundo
Flora Fernweh

É na contramão do mundo que dou meu pontapé na vida
enterrando as convenções e tudo que a orbita
faço na realidade e no sonho, um favor àqueles que conhecem a fatalidade
de tudo que é reto e milimetricamente encaixado
no sistema hermético que encadeia a morte prematura do pobre alienado
Enquanto a pressa ganha as massas, e desatina rotinas destinadas ao trabalho árduo
estou seguro na calmaria viva de uma maré redentora da escrita
vagando pelo mar vago de vagas literárias
no contraste dolor e incolor de um mundo árido que não dispõe de tempo para contemplações
não me recordo do dia em que pertencia à manada trágica do cortejo fúnebre da existência
que não sabe de onde veio nem para onde vai. Não julgo, pois sei menos ainda
mas ainda estou em vantagem: sei o suficiente para dizer que pouco sei dos mistérios
por eles negligenciados, e por mim, afoitos para serem desvendados
Para eles, já é inútil imaginar mundos e dar voz aos medos e astúcias
olham-se no espelho, sem nada ver além de uma superfície refletora ou um narciso repressor
aos poucos vão desconhecendo o que alma pede e o que o coração precisa, isso se já não tiverem sido suprimidos
desaprendendo o desabrochar descompassado do deserto desejoso
visto como desajeitado por aqueles que não encontraram o âmago da vida nas artes cruciais ou na eternidade da folha em branco aberta no seu latifúndio de visão
Enquanto os poucos que restam, escrevem poemas de herança estética e formas perfeitas
me refugio na imperfeição dos dias e das noites, naquela que sempre me inspira
a não me acorrentar àquilo que me salva da desventura de um viver cheio, mas vazio


Biografia:
Sobre minha pessoa, pouco sei, mas posso dizer que sou aquela que na vida anda só, que faz da escrita sua amante, que desvenda as veredas mais profundas do deserto que nela existe, que transborda suas paixões do modo mais feroz, que nunca está em lugar algum, mas que jamais deixará de ser um mistério a ser desvendado pelas ventanias. 
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