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A JOVEM E A CRIMINALIDADE
teresa armando elios da silva

Resumo:
A juventude é um divisor de águas. É nesse período que escolhas feitas levadas pelo calor do momento poderão ter desfechos inesperados e talvez irreversíveis.

A JOVEM E A CRIMINALIDADE

Comumente ouvimos dizer :
_Aquela jovem, tão bonita, família boa, um futuro brilhante, foi se envolver com bandido!
_Aquela jovem, coitada, não podia dar outra coisa, olha a família que ela tem!
Nos dois casos o estrago é o mesmo, pois são caminhos difíceis e incertos.
A adolescência é o divisor de águas para o jovem, é neste período que ele confronta os valores éticos e morais recebidos, a importância do grupo a que pertence, as suas afinidades e aptidões, com o que acha certo e assim vai definindo as suas escolhas.
A classe social a que pertence não é responsável pelas suas escolhas, pois o que deverá definí-las, é o seu caráter, a fidelidade aos seus valores éticos e morais, respeito a si próprio, a sua família e a sociedade a que pertence e principalmente responsabilidade pelos exemplos que vai deixando pelo caminho.
Desde o nascimento somos exemplo para o nosso núcleo familiar, depois para o escolar, profissional, relacionamentos,...
Quando alguém nos observa, infelizmente, a parte negativa chama mais a atenção, as deficiências visíveis e interiores, nos colocando rótulos, bebê nervoso, criança birrenta, menina mentirosa, ladra, filhinha do papai, patricinha,...
A jovem vai definindo o seu histórico de vida, carregando nas costas esses rótulos, ela possui dois caminhos a seguir, se posiciona e constrói uma realidade produtiva, com escolhas responsáveis ou utiliza a revolta como bússola para a sua vida e ai,... tudo se complica.
Valores éticos morais, família, vai deixando para o último plano, quer viver a vida ou se torna apática, antissocial, revoltada.
Utiliza a classe social como desculpa para determinadas atitudes.
Classe abastada, utiliza das facilidades que o dinheiro concede, para realizar abortos, não levar com responsabilidade a faculdade que os pais querem que ela faça, experimenta drogas pesadas, deixa-se levar sem se impor, não se importa com os valores éticos e morais e familiares, não cumpre deveres e exige direitos, a todo custo.
Classe menos favorecida, utiliza os rótulos e os preconceitos que enfrenta para justificar as suas escolhas irresponsáveis, se posicionando como vítimas da sociedade.
Relacionamentos são uma loteria, como ouvimos dizer, ela teve sorte, conseguiu uma pessoa boa!
Será que é sorte ou merecimento de cada um?
Vamos caminhando e definindo os nossos caminhos e atraindo para nós aquilo que merecemos, pessoas que não se conhecem interiormente e não tem o hábito de pesar os possíveis resultados de suas escolhas, não se atenta as suas afinidades, as suas aptidões, fatalmente sentirá o peso dos seus atos e arrastará as pessoas a sua volta, principalmente as que diz amar.
O ser humano escolhe o seu parceiro por alguma coisa que lhe chamou a atenção e que coincide com as suas afinidades. Investe nesta escolha, não ouve ninguém, a vida é minha, eu sei o que é melhor para mim, ninguém tem nada a ver com isso,..
Em nome do amor que diz sentir, realiza atos que nem imaginava que iria realizar, se envolve porque ele é chefe de alguma gang, tem poder, é bonito demais, todas querem, mas só ela conseguiu, é sensual, tem poder, dinheiro, influência, carinhoso, melhor homem do mundo, ...
Quando percebe já está envolvida, com filhos e frequentando um ambiente prisional e agora?
Pois bem, a vida é minha , sei o que é melhor prá mim, prá ela tudo bem, é a sua escolha, mas e os filhos, esses não tiveram escolhas, foram colocados dentro de uma rotina que os deixa tristes, sofrem preconceitos, são enganados, escutando que é o serviço do papai, e agora?
Famílias inteiras envolvidas em uma situação em que o autoconhecimento, a autocrítica, os bons conselhos, os valores éticos , morais não foram levados em conta para pesar as consequências de suas escolhas.
A jovem vai vivendo, perdendo os seus sonhos, juventude, profissão, em nome do amor que ela confunde com submissão, pois o amor não anula ninguém, ele ajuda a crescer, a ficar bem, quando não realizam contravenções também, em nome do amor e acabam também encarceradas, os conselhos que não quis ouvir, hoje tem que obedecer a pessoas estranhas e dividir uma cela com mulheres violentas e totalmente desconhecidas para ela.
A atração que alguns seres possuem por situações perigosas, poder, é algo que incomoda a sociedade e sempre vem a pergunta, porque fez isso, não precisava?
O ser humano tem afinidades natas, precisa aprender a observá-las, porque senão pode se tornar uma pessoa influenciável, só o autoconhecimento é o antídoto para livrá-lo de caminhos difíceis de retorno.


Biografia:
Sou assistente social e gestora do terceiro setor, trabalho com autoconhecimento direcionado a crianças, adolescentes e suas famílias.
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