Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
MEU CRISTIANISMO ANTICRISTÃO
Sandra Soares Sarmento

Resumo:
Denominar-se cristão exige de nós uma responsabilidade descomunal, pois é, antes de qualquer coisa, uma apropriação das virtudes de Jesus e a adoção de sua filosofia para o discurso e para a prática. Professar as ideias de Jesus vai muito além de ir à missa aos domingos, de acender velas, de ouvir louvores, de pagar promessas, de cultuar, de realizar todos os sacramentos que a igreja ordena. Não que essas coisas não façam parte do pacote “ser cristão”, mas é uma pequena e quase insignificante parte do processo.

MEU CRISTIANISMO ANTICRISTÃO


Para iniciar nossa conversa é importante que entendamos Jesus como sendo o homem e Cristo como sendo a condição atingida somente por esse homem. A condição de sagrado, de alguém que atingiu o estado máximo da perfeição humana e divina. Dessa maneira podemos pensar o cristão como sendo aquele indivíduo cerzido pela influência de Jesus, o cristo. Esse entendimento deve nos conduzir a uma análise íntima de nossa postura enquanto cristãos.

Denominar-se cristão exige de nós uma responsabilidade descomunal, pois é, antes de qualquer coisa, uma apropriação das virtudes de Jesus e a adoção de sua filosofia para o discurso e para a prática. Isso implica que devemos estar em batalha com as nossas más inclinações, essas por vez inerente ao humano.

O homem cristão é, sem dúvida, aquele que batiza e consagra sua consciência, seu caráter e seus atos ao que é de Cristo. É certo que na condição de humano, que estamos, é bastante difícil viver um cristianismo tão puro, mas o pouco que podemos realizar já é algo significativo e dignificante. Só não podemos nos contentar com isso e cair na armadilha de nos nomear cristãos enquanto temos práticas anticristãs. Professar as ideias de Jesus vai muito além de ir à missa aos domingos, de acender velas, de ouvir louvores, de pagar promessas, de cultuar, de realizar todos os sacramentos que a igreja ordena. Não que essas coisas não façam parte do pacote “ser cristão”, mas é uma pequena e quase insignificante parte do processo. É necessário ficarmos atentos a essas práticas, pois elas podem nos tornar anticristãos se as realizarmos com a consciência anestesiada, se praticarmos uma religião excludente e descompromissada com a ética, com a moral e com a verdade.

A história nos mostra que muitas atrocidades foram realizadas por pessoas que se denominavam adeptos das ideias de Cristo e se intitulavam cristãos. Muitas improbidades ainda são cometidas, mas com novas roupagens. Se antes usávamos pedra, espada e fogo para matar em nome de Jesus, hoje podemos ser anticristos mais disfarçados. Não encravamos espadas no coração de homens nem queimamos mulheres na fogueira, mas inebriamos cérebros com discursos vazios e capazes de cegar o espírito e assassinar a fé verdadeira. Criamos discursos que produzem fé indigente e sem compromisso com a verdade. E como consequência temos uma sociedade cheia de fé e vazia de princípios morais e éticos.

Parece que a sociedade caminha para uma descristianização! Cristo pregava o amor, mas esse é o sentimento menos cultivado nos dias atuais. Cristo pregava a paz e muitos que se dizem cristãos fazem guerra e praticam a discórdia e violência em nome de Jesus, porque o desejo inicial não é pregar a paz e o amor, mas sim impor dogmas.

É muito difícil ser cristão verdadeiramente enquanto estamos no abismo da degradação moral e sem passar pela reforma íntima. A visão que temos de cristão é sempre, e muito vinculada à religião, mas envolve principalmente caráter moral e ético.

Dizemos ser cristãos, mesmo sabendo que tem muitos irmãos nossos em estado de extrema miséria. Diante desse quadro ainda somos capazes de jogar alimento fora, de pagar um valor surreal em uma marca, de comprar o celular mais potente, de pendurar cordões de ouro em nossos pescoços. Somos cristãos, mas somos capazes de matar por dinheiro, seja direta ou indiretamente. E ainda julgamos Judas um traidor! Somos cristãos e mudamos tudo em nossa vida, mas nossa alma continua sem mudança. Mudamos a casa, o carro, as sandálias, a roupa, as pessoas, e tantas vezes continuamos sendo algoz. E a sociedade está nessa moda de comportamentos desprovidos de alteridade.

Ser cristão sem cair nas manobras do anticristianismo, exige de nós discernimento e fé adulta, fé racionalizada, avaliada e refletida.




Biografia:
SANDRA SOARES SARMENTO, natural de São João do Rio do Peixe – PB, graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Campina Grande - Campus V. Especialista em Psicopedagogia Institucional e Educação Especial pelo Instituto Superior de Educação de Cajazeiras. Especialista em Psicanálise Aplicada à Educação e Saúde pela Faculdade Anchienta. Mestre em Psicanálise Aplicada à Educação e Saúde pela UNIDERC.
Número de vezes que este texto foi lido: 4439


Outros títulos do mesmo autor

Artigos MEU CRISTIANISMO ANTICRISTÃO Sandra Soares Sarmento
Artigos Almas prostituídas Sandra Soares Sarmento


Publicações de número 1 até 2 de um total de 2.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2018
 
  Textos mais lidos
A Dama e o Valete - Talita Vasconcelos 185963 Visitas
PÃO E CIRCO - Tércio Sthal 165781 Visitas
Era uma casa grande - helena Maria Rabello Lyra 165293 Visitas
E assim foi a nossa história... - Nandoww 131094 Visitas
ENTENDA DE UMA VEZ POR TODAS O HINO NACIONAL - Fabbio Cortez 118151 Visitas
Transgressão do Dever - helena Maria Rabello Lyra 81451 Visitas
Esse mês de Julho... - Nandoww 70183 Visitas
Carta a um amor impossível - Carla (Fada) 65774 Visitas
Fazendo amor - Milena Marques 60889 Visitas
Há uma urgência do amor.. - Sabrina Dos Santos 56170 Visitas

Páginas: Próxima Última