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O infinito amor de John e Maria
Dilcimar Ribeiro Fonsêca

Resumo:
Romance

O INFINITO AMOR DE JOHN E MARIA

    Todos os amores ao existirem deveriam ser vividos, pois não há nada mais cruel que dois corações que se amam, serem tolhidos de contemplar a felicidade juntos.
    Existiu um casal que se apaixonou desde outras vidas, porém não puderam viver sua paixão em uma época que o preconceito predominava e os paradigmas da sociedade eram praticamente impossíveis de serem quebrados.
    Dentro da visão padronizada pela cultura da época, havia um abismo entre os dois, sendo assim, a vida não deu chance para que vivesse juntos sua história de amor. John era cristão e Maria judia, no entanto os obstáculos não cessavam por aí.
    Maria nasceu em vilarejo da província, foi a primeira filha de onze irmãos de uma família muito pobre. Dez anos depois no coração da província, John nasceu de uma família de nobres, apesar de não ser um príncipe, tinha sangue azul, era filho único de um Duque muito bem conceituado na região. Maria cresceu tornando-se uma bela moça, em virtude da sua beleza, desde cedo foi cortejada por inúmeros pretendentes e consequentemente casou-se muito jovem, diminuindo a responsabilidade de seus pais, que tinham mais dez filhos para criar.
    Apesar das circunstancias, ela se sentia laureada, pois se casou com um homem trabalhador e construiu uma linda família. O esforço do seu marido rendeu frutos, logo arrumou um trabalho melhor e mudaram-se para a província. A dona prendada sentia-se uma mulher privilegiada, sua vida era feliz e estável. No entanto nem imaginava o que o futuro lhe reservara. Quando seus dois filhos já estavam quase adultos, Maria viu John pela primeira vez, o encontro se deu de repente em um dia que Maria achava que seria um dia comum.
    Naquele dia, enquanto Maria terminava de sair da feira, quase foi atropelada por uma carruagem, ela não se conteve com o susto e exaltada começou a reclamar da falta de atenção do condutor, ele se desculpou alegando que os cavalos se descontrolaram, dizendo que parecia algo sobre natural, pois os cavalos sempre foram muito obedientes. De repente, em meio a discussão, saiu da carruagem um formoso rapaz pedindo desculpas, era John, que quando viu Maria pela primeira vez sentiu-se muito fascinado, os olhares se cruzaram e eles viajaram sem saber mais quem eram ou onde estavam, só conseguindo ver um ao outro, apos alguns minutos de transe cada um teve que acordar e seguir o seu caminho.
     Os dias passavam e a bela dona com aquele momento em sua mente, ela não entendia como nunca havia conhecido aquele rapaz, haja vista, que já conhecia outros membros de sua família, pois seu marido trabalhava no palácio dos pais de John e também eles passeavam a pé pelas ruas da província ou naquela mesma carruagem. Ela já havia ouvido falar que a família tinha um filho que estudava fora e ao retornar, tornou-se o solteirão mais cobiçado da província, diziam que ele era galanteador, mas ela nunca imaginou que ficaria tão encantada com ele.
      Perdida em suas reflexões, Maria não entendia porque aquele rapaz mexia tanto com ela, sabia que os dois nunca poderiam ficar juntos, pois muitas eram as diferenças entre os dois, por outro lado, ela tinha uma linda família, filhos que a endeusavam e um marido que a amava, carência nunca foi o seu problema. Então porque todas as noites sonhava com aquele rapaz? Porque será que sentia por ele algo que nunca havia sentido por ninguém? Em meio a tantas duvidas, ela rezava e pedia que Javé o tirasse da sua cabeça, parece que Adonai não ouvia suas preces e embora durante o dia se ocupasse com os afazeres e fugisse daqueles pensamentos, durante todas as noites, o rapaz vinha lhe visitar em seus sonhos.
   No transcorrer dos dias, chegou a época de final de colheita e a família de John iria dar um grande baile, quando Maria soube, logo se candidatou ao trabalho na festa, só para deixar de ver aquele homem somente enquanto sonhava, ela queria vê-lo pessoalmente, quem sabe conversar com ele.
   Chegado o grande dia do baile, enquanto ela já desenvolvia o seus afazeres na festa, viu John, ele estava muito ocupado conversando com muitas pessoas, pois vivia rodeado de mulheres, mas nenhuma delas jamais conseguiu conquistar seu coração.
   No entanto ao ver a bela dona trabalhando na festa, sentiu-se extremamente atraído por aquela beleza madura e lembrou que já a conhecia do incidente da carruagem, ele chegou a perguntar aos criados quem era aquela mulher e qual o seu nome, Maria não saia de sua cabeça, ele nem imaginava que a encontrava todas as noites, enquanto ela dormia.
   John ficava a pensar, porque será que com tantas moças belas e requintadas a sua disposição, ele só conseguia querer aquela mulher madura, tão simples e ainda por cima comprometida, apesar da disparidade, o seu intimo a achava perfeita e sentia como se já pertencessem um ao outro.
    A festa prosseguia cheia de muita alegria e fletes, mas ninguém podia imaginar que entre todas aquelas pessoas havia uma casal com uma paixão avassaladora e apesar de todas as proibições explodiam de desejo, então no meio da festa, Maria viu John subi para o quarto, ela largou seu trabalho e o acompanhou sem que ele visse. Ao chegar a porta do quarto, John quase se assustou com a presença dela e surpreso com sua presença lhe perguntou: - Em que posso ajuda-la? O que queres belíssima Maria?
   Diante daquela calorosa pergunta, ela quase respondeu que o queria, porém ficou calada e no silencio os olhares se encontraram, dizendo um ao outro toda a emoção que sentiam. Maria tentou dizer que tinha subido somente para conhecê-lo, pois a tempos o admirava, mas ele nem deixou que terminasse de falar e levado por um forte impulso, tomou-a nos braços e a calou com um ardente beijo.
   A bela dona sabia que não poderia se entregar a um homem que mal conhecia, porém de tanto sonhar com ele todas as noites, tinha a impressão que o conhecia a muito tempo, seu corpo feminino estremeceu com aquele beijo, o coração falou mais alto e ela se entregou e fez amor se desdobrando em carinhos, o momento foi pequeno para caber tanto amor, porém foi intenso e tornando-se inesquecível. O quarto do rapaz se encheu com o cheiro de Maria, deixando em sua memória a melodia da paixão. Parecia tudo um sonho, ela queria que aquele momento nunca terminasse, no entanto após um curto intervalo de tempo tiveram que voltar a realidade.
   Voltando a vida real, Maria foi embora, sabendo que jamais voltaria, ela sabia o quanto era ariscado, seu marido trabalhando como chefe de segurança do palácio, se descobrisse os mataria. Além do mais se a sociedade soubesse do seu delito a apedrejariam, traição era algo imperdoável naquela época.
   Transtornada e surpresa consigo mesma, Maria, não entendia por que estava acontecendo aquilo tudo, chorou de tanto remorso, pois jamais imaginou que de trairia sua família, isso a consumia, pensava: como teve coragem? Se até para seu marido corteja-la, levou meses. Ela não entendia aquele emaranhado de emoções, como conseguia está feliz, após cometer tão grande delito, que não se comparava na dimensão do prazer de ter tocado o corpo daquele homem que ela tanto desejava.
   Apesar de todo arrependimento, sabia que faria tudo de novo, mas não podia voltar novamente, tinha muita gente envolvida, seu marido cometeria uma loucura, pois a amava, ela também gostava dele não queria magoa-lo, era um homem maravilhoso, muito trabalhador e correto, não merecia ser traído, também os seus filhos não entenderiam, jamais queria decepciona-los.
    Entre tantos empecilhos, Maria pensava principalmente no futuro de John, ele teria que construir sua família com alguém da mesma idade que ele, numa família de nobres precisavam de herdeiros, ele era filho único e teria que ter filhos, os quais Maria imaginava que não pudesse lhe dar, pela sua avançada idade e também quando se comparava as outras mulheres da época, não era tão fértil, haja vista que só tinha dois filhos, enquanto era de praxe as famílias terem muitos filhos. Ah...Como ela queria fazer John feliz, mas não podia... Seu peito dilacerava, tendo que sufocar aquele amor.
    John por sua vez no seu silencio guardava o segredo e também um grande sentimento, que as vezes quase o levava a cometer loucuras, tinha vontade roubar Maria e leva-la a um lugar bem longe, contudo não conseguiria dá a segurança e a paz que ela merecia, tinha muito receio que uma atitude sua, colocasse a vida de sua amada em risco, por isso teria que permanecer inerte diante daquele enorme amor.
    Diante da realidade, ele sabia que o fazer era esquecê-la, pois deveria construir a sua família e não iria ser com Maria, John ainda tentou encontra-la inúmeras vezes, mas quando a observava de longe, via o quanto era feliz ao lado de seus filhos e marido.
E assim ele se sentia perdido a procurar em muitas bocas o sabor do beijo daquela que tanto amava, nunca a encontrou e terminou se casando com uma bela e prendada moça, filha de um marques da província vizinha.
   Passava o tempo e John ainda não havia realizado o sonho de ser pai. Ele teve casos com algumas jovens, todas queriam ser mãe do filho dele, uma até forjou estar gravida, mas ele descobriu a verdade. A mulher de John fazia de tudo para engravidar de promessas a simpatias.
   Ao tempo em que o jovem casal lutava por um herdeiro, Maria em seu modesto e aconchegante lar, começou a passar mal, ter desmaios constantes. Chamaram então uma curandeira para consulta-la, que constatou que a bela dona estava gravida, Maria não acreditou, disse que por sua idade, até já não vinham as suas regras. A curandeiras perguntou a quanto tempo havia faltado e ela respondeu que a três meses, então a medica popular diagnosticou que era de três meses o tempo de gestação da bela dona.
    Após uns meses, em um dia ensolarado, Maria passeava com a sua família quando deu de cara com John e sua esposa. Ele ficou impressionado ao vê-la com aquele barrigão, a achou linda, se apaixonando mais ainda, tudo que ele queria era que ela estivesse esperando um filho seu, pois se tornaria o homem mais feliz do mundo.
   A vida continuava e a gravidez da bela dona ocorreu normalmente até o dia em que entrou em trabalho de parto, Maria passou muito mal e foram chamar o seu marido no trabalho, quando o mensageiro chegou pra avisar ao futuro papai, John estava a dar uma ordem ao marido de Maria e o mensageiro disse que ela estava mal e correndo risco de morte.
Assim que John ouviu isso, disse ao marido de sua amada que estava preocupado com ele, por ser um ótimo funcionário, trabalhando na casa dos seus pais a muito tempo e com esse argumento lhe ofereceu ajuda, indo rapidamente buscar o melhor médico da região para atender a mulher de sua vida.
   O Médico foi atendê-la e fez de tudo que estava ao seu alcance para salva-la, mas infelizmente não conseguiu. Um dos derradeiros pensamentos de Maria foi o medo de deixar seu bebê sem proteção e o ultimo foi em seu grande amor, por ela ser judia acreditava em outra vida, no entanto ela queria mesmo era reencarnar em uma vida terrena em que John revivesse também, para que pudesse viver o amor que não puderam e assim ela partiu com a esperança de ser feliz com John em outras vidas. Quanto ao bebe, ele por milagre e ajuda do bom medico sobreviveu.
    Quando John soube da morte de Maria não pode conter-se e se esvaio em pranto, ninguém entendia o porquê de John ter se sensibilizado tanto com aquela morte, haja vista que não eram parentes nem tão amigos, ele falou que era por causa do bebe que iria ficar sem mãe, também porque estava consternado com a perda que o marido de Maria havia tido, afinal ele era um funcionário de longas datas.
    O jovem nobre não conseguia conter a dor e para ameniza-la, ofereceu ajuda à família de sua amada e deu todo apoio ao bebe. O marido de Maria em pouco tempo se casou de novo com uma prima de segundo grau, que tinha a idade para ser sua filha, era aceitável que homem mais velho se casasse com mulheres bem mais jovens, ela disse-lhe que sempre fora apaixonada por ele e nunca havia se declarado pelo fato de ele ser casado.
   Desde o falecimento de Maria, John nunca mais se distanciou da sua família, e por está sempre em contato, se apegou muito ao recém nascido. O pai do bebe via o quanto John e sua esposa amavam aquela criança, dando-o para eles serem os padrinhos. John queria muito estar perto daquele menino, chegando ao ponto de colocar a proposta de cria-lo e fazer dele o seu herdeiro.
     Perante um pedido tão bem intencionado, o marido de Maria pensando no futuro da criança, aliado ao fato de que sua nova mulher não se mostrava muito animada em ser madrasta da criança, deu o menino para John criar juntamente com a sua esposa. Assim John II cresceu cercado de amor e proteção e se tornou Duque.
    John nunca esqueceu o seu grande amor e via Maria naquele menino, que agora era seu filho. A mulher de sua vida não pode ficar ao seu lado, entretanto deixou pra ele um precioso presente.
   Todas as histórias de amor são incontestáveis, mesmos sendo impossíveis, não importa os padrões e sim a sinceridade e a intensidade com que se ama.
    Diante do amor, tudo se torna perfeito, mesmo que o amor desta historia seja inconvencional, foi um dos maiores amor que já existiu, um amor capaz de renunciar a si mesmo para proteger o outro, um amor tão forte que os manteve unidos até após a morte e eles permaneceram amando-se, assim como no ultimo pensamento de Maria, mesmo que em alguma vida não possam estar juntos, estarão unidos para sempre até o mundo acabar, por que quando o amor uni dois corações eles jamais se dispersam.



















Biografia:
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