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O Menino de Azul
Carlos Correa

Das noites sobre aquele castelo
Cada uma das cinco luas trazia
Lembranças e saudades...

Vozes muitas vozes
Sorrisos gargalhadas e choro...
Só de alegria
O mar esperava ansioso o anoitecer
Sorria só em saber que chegaria
Quase a poder tocar as suas escadarias
Mal sabia que a culpa dele seria

Se existiram sereias acredite
Ali elas se reuniriam
As ondas quebravam
E as gotas eufóricas ao alto da colina subiam
A maresia que ao cruzar os portões
Trazia com ela o aroma da fruta paixão

E o céu brilhava

Mas o mar vítima temporária
De uma tortuosa alucinação
Invadiu cego em triste destruição
E levou embora algo ou alguém

O homem-menino que ali vivia
Conhecedor de uma doce magia
Não suportou a dor
E vestiu-se de azul

Ordenou o fogo convocou o vento
As labaredas a seu exemplo deixaram
O vermelho e queimaram em golpes azulados
Daquele castelo sobraram ruínas e uma fotografia
Um menino de azul

O mar arrependido retornou
Só não secou completamente
Porque suas lágrimas nunca permitiram
Não havia mais gaivotas não havia vento
Nem as luas nem as estrelas conseguiam
Enxergar através de tão intensa neblina

O mar levou algo ou alguém

O menino acordou nobre pobre
Cigano pintor ou escritor
Mas todas as vezes que despertava
Sentia que um pedaço lhe faltava

Mas num tempo qualquer
Dois anjos desceram do céu
Do som de suas asas grandes harpas
O vermelho do fogo renascia
E a cada nota o som preenchia
E reerguia o castelo em ruínas

O vento soprava inquieto
E o mar chorava toda sua maresia
Ouvia-se agora o som das ondas
Milhares de libélulas a trazer de volta a magia

Do outro lado do tempo algo se desprendia
E o menino de azul pôde sentir o toque que lhe faltava
Vindo das asas sonoras dos anjos que se entreolhavam
Satisfeitas com sua harmonia

O que o mar levou ele não sabia
Mas agora podia continuar sólido em sua jornada
Porque por vezes precisamos que o passado seja libertado
Para que possamos realmente seguir em frente
Mesmo que não saibamos
O que realmente o mar levou embora...

Carlos Correa

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