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A história do frango Mike
Sergio Ricardo Costa




Que viveu mais de um ano sem cabeça:


Reticente em si, também presumiria natural e consistente,
Que coubesse no corpo uma trajetória sublime e formidável
Imprevista, contudo,
Em toda natureza possível na memória     
Ordinária (que já não quero nem saber),
Que se achou degolado,
Por instante de uma pena em vão, imposta por facas de cozinha,
Estenderam-lhe a mão,
Deixando-o cair incapaz de entender
Sua cabeça pendida e cheia de esperança noturna e miserável:
A estrada, tão fria, não compreender,
Assim é a natureza
Ponderada a ferir a única inocência do cúmulo da perda.

Assim foi insultado e toda humanidade abriu-se majestosa
Através de seus olhos raros de carinhos e dias duvidosos,
Os terríveis gracejos frívolos,
A dança da luz asfixiante;
Feito para morrer,
Noturno e miserável — sozinho no silêncio
Generoso e bizarro em nosso coração, divertido,
Complacente...
Levantou-se de sua casa na semana escura
E o perfume
Piorado inundou o mundo e não se fez duvidoso do terrível
Sentimento de morte,
Único critério em sua caminhada
Apressada e que ele viu em sua vida contar o incontável
Atributo de si, sozinho, nem nasceu por completo,

Nem morreu

Por inteiro, dezoito meses em estado de morte,
Caminhando
Desastrado.

Por uma noite a cabeça dormiu sob a asa
E talvez acordasse cheia de pudor,
Se não fosse devorada
Por um gato atrevido: rente ao chão não mais a cabeça original
Convencida que sonha ainda até os dias de hoje com os prantos
De seus cantos apenas feitos na garganta,
Sem olhos para os dias
Divididos por duas vidas, sem cantar, entretanto,
O mais estranho
Borbulhar repentino sobre um pequeno arbusto no quintal,
Balançar em um galho, que a ave não morreu,
Se espantem, nada fácil
Aceitar, através dos poros se alimenta e,

Então,

Equivalente
A um prêmio ao azar, talvez; a anunciar novos mundos,
Pois levado
Às cidades e feiras entre bizarrices notáveis,
Foi ficando
Bem famoso, cobrada a glória de estar vivo,
A vinte e dois centavos
E mais três de impostos, pela natureza do ser,
Ou por suspeita
De não ser,
Dos boatos ou da carapuça vazia e um conta-gotas,
Água e gotas de leite,
Poucos grãos de milho (pequenos) para a vida e
Por não ser mais boato o fato confirmado:
Que mesmo após perdida
A cabeça (ainda novo), aumentou de tamanho e
Triplicou
O volume e o seu peso.

E ainda que, às vezes,
Ficasse engasgado
Ou ainda que às vezes, finas,
Diluídas migalhas partilhassem
Vagamente a sua vida descarnada de puro labirinto
Involuntário ou certa dor desamparada, restaram muitas fotos:

Sim, Mike era feliz.

Festivo em sua alma, histéricos espasmos
(Lembrado é ainda, como é esperado diante do que morre,
Agarrado na sorte como é a funesta tragédia dos que vivem) ...

Uma noite, contudo, Mike começou, na surpresa do engasgo,
O seu último dia: Olsen, o seu dono (ou dono do destino)
Esqueceu a seringa usada sempre para limpar as impurezas
Que ficavam, por certas vezes, presas dentro da curta cavidade
Que restou de garganta, pronto, dessa vez, incapaz de reabrir-se
A passagem de ar, enfim Mike morreu de uma vez.

E dessa vez
Os lugares no mundo foram caminhando, da morte que floresce
No silêncio das noites para as estradas ao longe separadas
Pelos campos vazios, como se uma mão — no destino — procurasse
Lentamente, algum afago:

Era a oxitocina, a partir dali, por pouco tempo, intrigante.


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