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Que sentido que faz, querer morrer e ir para o céu?
Sergio Ricardo Costa




Se rápido e justo
Tão logo morra e já passado o susto,
Silenciosamente aceita ser
                          Depositado

Sob o chão
Sem ter
De si mesmo ciência comprovada:
Tornar-se a quinta parede instalada
Junto à metafísica;
Um hotel
Pedregoso, onde a morte é troféu.

Mas alguma coisa se mostra errada.


Não é bem que planejava e começa
Por atrapalhar o processo.
É o dia
Primeiro dos falicidras,
Harpia
Ascensorista,
Enfim visível peça
            De mobília

Para quem tem na pressa
Do décimo terceiro mês simétrico,
Primeiro do calendário herético,
Primeiro daqui para lá,
Novas datas
Que chegam,
Nada que menos exatas

Pois algo no plano não só é tétrico:


É também no sepulcro que abre os olhos
E percebe um clarão; vê,
É um saguão
O fundo do túmulo! E por um vão
Percebe luz e barulhos de molhos
                                          De chaves

E engrenagens sem óleo:
A claraboia de um elevador se abre
E despenca sem nem supor
Que uma vez no chão,
Só há descida
Ao pátio profundo da outra vida,

Chão,
Salas e cada vez mais calor


A terra tem incontáveis escadas
Para baixo.
A terra é oca o bastante
Para formar um cenário aberrante
Diante dos mortos,
Portas, entradas
        Hidráulicas

Sequer convém, fechadas:
São alçapões por onde se despenca,
Uma eterna ampulheta de encrencas
Em que se é jogado nos andares
Que antecedem o chão fundo dos mares,

Pois é Terra: e é ampulheta e elenca


Os seres,
Dispostos em intercâmbios:
Quem morre no Brasil, nasce na China,
Sempre a cada vez que a terra se inclina,
E "torce, aprimora, alteia e lima" a ambos
                                   Que nem é possível

Supor mais bambos
Ver tais mortos trocando de lugar:
É um "sobe-e-desce danado!", falar
Que sejam escalas logarítmicas
Sim, você já ouviu.

Por certa mímica

Cultural pretende acreditar

Mas, ledo engano de novo, há só
Certa aproximação da verdade,
De viver, supondo uma cidade
Que emerge da semeadura do pó
                                           Agarrado

Nas pedras como um nó
Insuportavelmente apertado.

Olá, mundo! Adeus, mundo! De um lado
A percepção se tornou real,
Arduamente recomeçar: nem mal,

Nem bem pior, não seria, empedrado,


Pior seria, não poder ter fim
Sua cópia da vida ou país
Ocorrer de ser na terra infeliz
Empedrar-se em um destino ruim
               Mais que a mulher de Ló,

Um manequim
De sal junto a fabulosos castelos
Feitos à mão, pressa em partir os elos
Da vida, ou pressa dos mesmos dedos
A empresa é a mesma mão que, cedo

Ou tarde, contribui com paralelos


Entre a comida e, junto, alguns socos
Na boca, pois não consegue contê-los,
Nem para confundir, pelos cabelos,
Configurações para estar no oco
                                  Mundo louco

Das casas sem reboco,
Por oitenta planos, mais trinta enganos,
Às voltas com mundos kafkianos,
Por que faz surgir a transformação
Inesperada na vida, a ação

De não mais abrir os olhos e o ânus.


Não, nenhum sentido faz, pouco importa
A ideologia dominante,
Dor sempiterna no mundo, gigante
Excluída, interna, a rainha morta
                                       Enfadonha

Tenta abrir a porta
Perdida e entender como impedir,
Afastar, de si, como elixir
De vida, a vida reutilizada,
À revelia, e de forma organizada,

Pois é hora de partir, não de vir.

[.... Pois é hora de voltar, não de ir]

Pois é hora de chorar, não de rir,

Quem passa o dia pensando no ser...

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