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TU TENS UM MINUTINHO?
Sérgio Clos

Era uma típica tarde de outono, a praça estava cheia. Mães empurrando seus carrinhos de bebê. Jovens passeando grudados em seus celulares. Outros sentados nos bancos olhando o movimento. Eu era um deles. A mente relaxada, recuperando o fôlego depois de uma breve caminhada. No mesmo banco que eu, um senhor de cabelos brancos sentou-se e me perguntou: - Tu tens um minutinho? Eu respondi prontamente que sim. Ele começou: - Só quero que o senhor me ouça, se eu não estiver lhe importunando. (Aceitei de pronto) Fechei oitenta e cinco anos esse mês e tenho me questionado o que é a vida afinal de contas. Sou viúvo há dez anos e ainda sinto falta da minha companheira de longo tempo. Casamos muito jovens. Ela teve essas doenças de mulher, embora ela tenha se cuidado bastante. Foi tudo muito rápido. Eu me envergonho até hoje, pois quando tive uns probleminhas na próstata, depois da operação fiquei deprimido por diversos motivos, e, eu acho que o senhor sabe quais são. Achava que não era mais homem. Ela não. Lidou com o seu destino de maneira serena até o fim. Era muito religiosa, acho que isto ajudou bastante.
A conversa unilateral fluiu bastante naquele dia e nos outros seguintes. Eu até já tinha me acostumado a ir à praça naquele determinado horário, ele aparecia logo em seguida e continuava a sua história. Contava dos tempos de juventude, do trabalho e de seus feitos. Sempre o ouvi atentamente sem interrompê-lo. Teve dias que eu não pude ir e sentia falta da conversa daquele senhor. Só nos apresentamos formalmente lá pelo décimo dia. Depois de um mês aproximadamente, ele não apareceu mais. E toda vez que me encontrava sozinho naquele banco eu me lembrava dele, pensava na sua história e algo chamou a minha atenção: ele falou pouco em doença, embora elas tenham marcado profundamente a sua vida. Falou de tristezas e alegrias. Falou sobre o sentimento das pessoas e disse que não queria outra companheira. Que a vida, agora na velhice, trouxe-lhe outros prazeres. Depois de dias passados, estava eu absorto em meus pensamentos quando se aproximou uma linda senhora e perguntou: - O senhor é Sérgio?
- Sim.
- Sou filha daquele que conversava com o senhor aqui na praça. Meu pai escreveu uma carta que era pra ser entregue pro senhor caso algo acontecesse com ele. Foi o que me pediu antes de ir.
Abri a carta e estava escrito:
“ MEU CARO AMIGO, POSSO TE CHAMAR ASSIM, POIS TU OUVISTE-ME O TEMPO TODO, FOI UM PRAZER TE CONHECER.”
Indaguei sobre o pai e ela tristemente falou que ele tinha ido pra junto da mãe dela.
É isto: AMIGO é aquele que ouve o tempo todo. TODOS NÓS QUEREMOS SER OUVIDOS POR ALGUÉM, pois este é um dos capítulos mais importante de nossas existências.
A propósito, tu tens um minutinho?
Sérgio Clos
    


Biografia:
Cronista e articulista. 64 anos
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