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O DOMADOR DE BURROS XUCROS
João carlos de oliveira

Sentados no grande banco de Pau preto, lá pelo meio do terreiro da casa da fazenda da nossa avó, a meninada, ansiosamente, aguardavam, pela presença do nosso velho e bom amigo, Zé de tiririca, que ao início da noitinha, chegava dos seus afazeres diários.Como sempre, nos surpreendia. Não sei como, mas nosso velho amigo contador de causos, sempre tirava da manga, uma nova historia para nos contar, e naquela noite, não foi diferente. Tão logo tomou seu banho, apanhou um bule de café quentinho, e alguns biscoitos que a Dona Zefa havia acabado de assar, e foi se assentar no meio da meninada. Ele já sabia de cor e salteado, o que a meninada esperava dele. Tão logo tomou o seu assento, escolheu ficar lá pelo meio do banco, de forma, que ficasse cercado pela meninada. Entre um gole de café e outro, disse para os meninos: Pois bem meninos! Hoje, eu vou contar para vocês, a historia de um homem que se dedicava a uma tarefa ingrata - a doma de burros bravos. Pois bem. Meus avós, já nos contavam, quando ainda eu era menino, uma história, que sempre fora tida como verdadeira, pois era relativo a fatos verdadeiramente acontecidos, lá pela região de origem deles. Nos contavam eles, que numa certa região, conhecida como passagem de cima, lá pelas bandas da serra da Capivara, aqui mesmo no Estado de Minas, morava um certo sujeito, conhecido pela alcunha de Noraldino. Filho de pequeno fazendeiro daquela região, residia com a mãe, que era viúva. Noraldino, tomava conta das lides da fazenda, pois era um homem muito trabalhador, embora fosse, relativamente jovem. Mantinha fama de destemido, era homem nervoso e de palavras ásperas, que não tinha medo de nada. Foi até então, o maior amansador e acertador de burros bravos, que já se tinha ouvido falar em toda aquela região, e já tinha amansado, prá lá de 40 burros xucros. Foi assim, montando a um burro e outro, que a fama dele mais se estendia. Ocorria, entretanto, que os métodos dele, para doma, impunha muito sofrimento aos animais, e ele comentava abertamente, e sem arodeios, que até aquela data, nunca tinha encontrado um burro que ele não domasse, que jamais, burro algum, o tinha retirado da sela e o derrubado. Estaria ele, pois, ainda por conhecer aquele animal, que o desafiasse, e o derrubasse do seu lombo, mesmo que tivesse este animal, que surgir dos infernos. Pois bem meninos. veja uma blasfêmia dessas! A vida dá muitas voltas né? Passado algum tempo, Noraldino teve que fazer uma breve viagem, regressando à fazenda da sua Mãe, somente à noite. No dia seguinte, logo pela manhã, ao acordar, deu pela presença de velho burro no quintal da casa sede da fazenda, e se dirigiu para a sua Mãe, indagando? Mãe! Que animal é esse Mãe? Eu nunca o vi por aqui! Será de quem é este pangaré velho? Até me parece, doente! A mãe de Noraldino, respondeu-lhe, lá da cozinha mesmo, que não sabia de nada , e que envolvida com os seus afazeres da casa, não havia prestado atenção, e que não observou, a presença de ninguém de fora montando à Cavalo, que tivesse chegado a fazenda. Noraldino, que havia chegado de viagem na noite anterior, havia amanhecido à pé, e lembrou, que aquele burro velho, estava ali em boa hora, pois pelos menos serviria, para que montado nele, pudesse dar um pulo até as pastagens da fazenda, para trazer os outros animais de montaria, para o curral. E, assim foi feito. Apanhou a um cabresto, se dirigindo ao quintal da casa, onde num recanto de cerca, laçou o velho animal, conduzindo-o, até o seu curral, onde foi arreado. Até aí, tudo bem. Veja bem, o velho animal, parecia até então, não se importar com nada, afinal, estava muito magro e fraco. Uma vez selado o animal, Noraldino, num movimento rápido, levou o seu pé esquerdo ao estribo da sela, e num impulso do seu corpo, sem mesmo, terminar de passar a sua perna direita sobre a sela, percebeu algo de errado com animal, que assoprava estranhamente. Em seguida, ainda mal agasalhado à sela, foi surpreendido, por uma série de saltos do animal. Sim meninos! aquele burro velho, magro e feio, agora saltava, como nenhum outro animal. Os saltos eram tão altos, que mesmo acostumado a doma de mais de 40 burros bravos, Noraldino agora, tinha
dificuldades para se manter na sela, e foi ao final, de uma série de muitos pulos, que o velho burro, fez aquilo que os burros mais sabem fazer : fez que prosseguia pulando para a frente, mas de repente, negou-se de lado, ou seja, furtou o seu pulo, e o pobre do Noraldino, que não esperava por esta atitude do animal, se desequilibrou nos arreios da montaria, e saiu em vôo pela cabeça da sela e pelo pescoço do animal, se espatifando no chão, com todo o peso do seu corpo. A mãe de Noraldino, que assistiu a tudo da varanda da sua casa, correu em seu socorro. Mas Noraldino, que era taco duro, levantou-se, rapidamente. Meio atordoado pela queda, contorcia o seu corpo, como se estivesse machucado. Sacudiu a poeira, enfurecido, encaminhou-se, para um canto do curral, onde existia um pé de goiabeira, e com o seu facão, ceifou-lhe, uma galha, ou seja, muniu-se, de um pedaço de madeira roliço e pesado. Mesmo, contra à vontade da sua mãe, disse-lhe, que ia montar ao burro novamente. Tornou a repetir para a sua mãe, uma frase célere, a que ele já havia falado: “ Estava para surgir o animal que ele não domasse, mesmo que ele viesse dos infernos”. Foi assim, que ele agora munido do pedaço de madeira da goiabeira, que ele se acercou do animal, e com muito custo, novamente, conseguiu montá-lo. O que se viu em seguida, foi a mesma cena anterior, ou seja, mal ele havia passado a sua perna sobre a sela, o burro velho, iniciou novamente, a uma nova série de saltos, tão alto, que Noraldino, novamente, se viu em desvantagem, e percebeu, que o animal, novamente, iria derrubá-lo. A esta altura dos acontecimentos, o pobre do animal, estava sendo duramente espancado. Num grito de fúria, quando novamente, quase era jogado ao chão, Noraldino, gritou bem alto: Vou matar este burro velho Mãe! Assim, ele, não mais vai derrubar a homem algum! Logo em seguida, num gesto rápido de uso da força, levantou com toda veemência, o pedaço de madeira que mantinha na sua mão direita, empunhando-o, com toda a sua força, para desferi-lo, diretamente no centro da cabeça do animal – a intenção era mesmo a de matar o velho animal -, foi quando, talvez movido por uma força superior, daquelas, para as quais, não existem uma explicação plausível, que ao desferir impiedosamente, o golpe fatal sobre a cabeça do animal, ao atingi-lo, viu-se, de repente, no meio de uma nuvem de poeira, e não podia ver nada. Em seguida, despencou do alto para chão, percebeu, que o animal ao qual montava, não havia caído ao chão junto com ele. O velho burro, havia desaparecido. O pátio da fazenda, estava sereno e limpo, e podia-se, enxergar, alguns passarinhos saltitando sobre as cercas como se não houvesse acontecido nada. Observou a tudo com muito susto, ao perceber, que ele havia caído ao chão, descanchado somente sobre sela. Passados mais alguns dias, a Mãe de Noraldino, que era muito católica e havia assistido àquela cena toda, ficou bastante chocada e deprimida, convidando a um Padre da Paróquia mais próxima, para que rezasse uma missa na fazenda, pois todos estavam certos de uma verdade, por mais difícil fosse acreditar: Noraldino, com a sua ira, blasfêmia, e destempero verbal, havia montado a um capeta – espírito do mal.

Moc, 08/08/2013.

João Carlos de Oliveira
E-mail: zoo.animais@hotmail.com








Biografia:
Nem mesmo cairá uma unica folha de uma árvore, se caso não exista uma razão para tal!
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