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O SEGUNDO OLHAR
n-
SUELI COUTO ROSA

Resumo:
Uma reflexão sobre o auto amadurecimento em uma perspectiva de mudanças da vida.

O SEGUNDO OLHAR

Descobri, na velhice, que podemos desenvolver a sabedoria do segundo olhar! Os mesmos lugares, as mesmas pessoas, os mesmos sabores, os mesmos odores, as experiências, podem ser reinterpretados e reavaliados!
Esta sabedoria nem sempre é alcançada por todos! Algumas pessoas não se abrem à possibilidade de reavaliar-se, à possibilidade de fechar o próprio livro auto interpretativo e abrir-se a um outro, que pode revelar algo diferente do que acreditava ser. Estes, não admitem a o princípio da mudança dos humanos, em permanente transformação, tanto física como emocional e mentalmente. Acreditam mais que eles são o que são!
Assim como na natureza, do momento do nascimento até a morte, nada permanece igual em nenhum dos nossos processos vitais! Somos como uma fonte de água que constrói o leito do nosso rio, porém cada gota de água passará apenas uma única vez no mesmo lugar. A cada gota de água o leito é alterado .Ele já não será o mesmo.
Assim somos nós, humanos. Cada momento vivido não passa de um momento, que somados, pode revelar apenas o que vivemos e nem sempre o que realmente somos. A cada momento somos e participamos de um processo maior, sempre em mutação. O desafio está em aceitar este Ser em permanentes mudanças, principalmente aquelas impostas pelo tempo.
O tempo é sempre externo e incontrolável. Ele apenas confirma que aquela gota ou corrente de água da fonte passou uma vez por aquele lugar. O tempo é o espelho da realidade. Mas como todo espelho, só nos revela quando nos colocamos diante dele. Contudo, a cada vez que nos colocamos diante dele, podemos nos ver diferente. Uma ruga aqui, uma mancha que não havia percebido, um novo fio de cabelo branco. Tudo é resultado de quanto leito de rio percorremos.
Da mesma forma que formamos o leito de nosso rio também criamos uma história sobre nós mesmos. Na maioria das vezes acreditamos que formar aquele leito nos deixou cheio de experiência e sabedoria e acreditamos que a única forma de construir um leito de rio é fazer como fizemos! Supomos que esta experiência é que devemos passar para nossos filhos! Desejamos que sigam os nossos passos para alcançar o mesmo que nós. Ou, que a partir de onde chegamos, eles possam seguir sua vida e serem felizes e exitosos. Seguindo o mesmo leito.
O que aprendemos na velhice é que o leito de rio revela uma verdade mais complexa e profunda. Revela que cada leito de rio possui sua singularidade, sua própria história e que está nunca mais poderá ser repetida. Cada ser humano, filho ou não, deverá construir o seu próprio leito.
Em percepção geocêntrica, nos autos referenciamos apenas nos rios de uma mesma bacia hidrográfica. Não nos damos conta de que o tempo já construiu outras bacias e até outras formas de se construir leitos de rio. Se olharmos de cima, de uma visão mais panorâmica, podemos ver que a maior parte das bacias já fazem parte de um sistema integrado com todos os oceanos. As bacias foram mudando de tamanho e de função, no processo de construção do mundo hídrico. Portanto, elas revelam a reinterpretação da história de cada rio, da própria bacia e até do oceano.
Acreditar que a nossa história pode ser recontada de outra forma, diferente do que acreditamos é, portanto, um desafio. Assumir que a forma como nos interpretamos, como construímos nossos valores e princípios pode não ser a forma mais adequada de como se construiu o leito do rio.
Enquanto estamos dentro deste processo não percebemos que as margens não dependeram de nós, que as pedras e cascatas à frente, que nos fizeram desviar muitas e muitas vezes, não foram colocadas por nós. De uma forma ou de outra, moldaram nosso leito. As chuvas e as secas nos afetaram, desviando nosso rumo. Mas nada disto foi dado por nós. Somos resultado e protagonistas!
Atribuímos unicamente a nós mesmos a capacidade de criar e de superar os obstáculos. Ou, às vezes, culpamos os obstáculos por não chegarmos à foz. Nem sempre nos olhamos com bons olhos. Esquecemos que a soma de tudo que passamos é que definiu realmente quem somos. Muitas vezes, somos apenas um afluente, embora fundamental para aquela bacia.
Portanto, para nos vermos, temos que nos colocar no espelho do Agora. Apenas este olhar nos revelará realmente quem somos. Precisamos nos abrir para um segundo olhar sobre nós mesmos. Dar a oportunidade para nós mesmos de nos reinterpretarmos.
Para tanto, precisamos começar a olhar a nossa volta, sob um segundo olhar. Identificar quais pessoas em nossas vidas nos ajudaram a construir o nosso leito. Quais foram as margens que nos ajudaram a seguir, de quais afluentes passamos a fazer parte, quais pedras e cascatas nos enriqueceram com real aprendizagem.
Precisamos nos ver sob a perspectiva de que fomos, talvez, apenas uma pequena fonte, ou um pequeno riacho, ou mesmo um rio importante. Porém, o relevante, é nos autorizarmos a nos ver como parte de um todo, onde nossos valores, princípios, desejos, não passam de algo construído com a ajuda de muitos!
Ao abrirmos para a possibilidade de um segundo olhar, aprendemos que, ao nos olharmos no espelho, não estaremos mais tão sozinhos! Podemos nos amar e respeitar mais, mas também aprendemos a ser mais humildes e gratos ao universo ao nosso redor!
Sueli Couto Rosa
Março de 2019


Biografia:
Socióloga, professora universitária aposentada, escreve poesias, crônicas e contos, aproveitando seu tempo livre.
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