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Uma árvore como testemunha
Mario Bourges

Então pousou uma pomba ao lado de outra, entre as milhares de pombas existentes nas inúmeras árvores espalhadas pela rua.

-- Ei! O que está fazendo aqui? Perguntou uma outra pomba com a cara levemente lambuzada por alguma fruta lambuzenta.
-- Estou aqui, oras. Qual o problema? Todas as outras pombas estão aqui, então eu também quero ficar aqui. Disse a pomba intimada pela pomba lambuzada, que aliás, era a maior de todas entre as pombas lambuzadas e as ainda não lambuzadas.
-- Como você é audaciosa, heim. Aqui só ficam as pombas que escolho para ficar... Este mundo é meu! Disse assim a pomba enfurecida e com a cara pingando à fruta, além de dar uma cagadinha básica lá para baixo.
-- Tudo bem, este mundo é teu, mas... Você comprou isto aqui? Como foi que conseguiu o direito de cagar por todos os lugares? Percebeu que o sujeito que estava passando em baixo desta árvore no momento em que você largou sua bomba não gostou nem um pouquinho? Indagou desta maneira a pomba que chegou por último na árvore.
-- Tô vendo que você quer apanhar... Vou te dar um cacete para te ensinar a não tirar sarro de mim ou duvidar de minha autoridade, digo, da autoridade de nosso superior. Esbravejou assim a pomba que estava com a cara seca, porém grudada pelo doce da fruta grudenta. E para completar as outras pombas, não menos grudadas ou menos estúpidas que o dita pomba líder e dona da tal árvore onde todos estavam, começaram a entoar gritos de guerra, ou talvez fossem gritos de que estavam gostando da melequeira da fruta melenta.

Então penas e pedaços e melecas de frutas começaram a voar para todos os lados. Foi um alvoroço só. Ninguém sabia quem era quem naquela bagunça toda. As poucas paradas que deram foi para descansar e para fazer seus tradicionais cocôs. Lá pelas tantas, a pomba novata que acabara de chegar havia se cansado de toda aquela besteira de chefes e subordinados e do mar de sim senhor e de não senhor que era dito a todo instante, e também, dos tapas e bicadas e unhadas que umas davam nas outras com a idiotice de todo ótimo subordinado por excelência costuma demonstrar ser, resolveu alçar vôo.

Como ela não tinha a cara melada pelas frutas melequentas, seu vôo foi leve, solto, primaveril até. Voou e pousou em outra árvore mais alta, mais tranqüila, com mais folhas verdes e com sombras mais agradáveis. Pôde escolher da melhor larva para comer e tudo mais. Até seu cocô foi mais gostoso fazer. Enquanto isso as outras se gladiavam sem parar, pelo menos até o momento que perceberam que a novata boca-dura, digo, bico-duro não estava mais entre elas. Então, diante desta circunstância inusitada, todas elas, com suas caras doces e meladas, ficaram bravas umas com as outras, assim sendo, pegaram inadvertidamente a pomba mais fraca para descontarem suas iras tolas e sem explicações.

Agora vem a moral da história... Veja; não tem moral coisa nenhuma... Não! Não precisa de moral para terminar uma história Mas, se assim mesmo resolver extrair alguma moral deste escrito peço, então, para que leia de novo. E se por um acaso se sentir tocado pelo que acabou de ler direi: ótimo. Então me despeço, pois nada mais nem menos tenho a lhe dizer.


Biografia:
Sou jornalista de formatura, fotógrafo na prática e escrevo sempre que me é possível, pois vejo nesta atividade uma válvula de escape do cotidiano.
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Publicações de número 11 até 18 de um total de 18.

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