Login
E-mail
Senha
|Esqueceu a senha?|

  Editora


www.komedi.com.br
tel.:(19)3234.4864
 
  Texto selecionado
O Mito de Prometeu
Rafael da Silva Claro


“Nada de grandioso entra na vida dos mortais sem uma maldição”.
(Sófocles)

É com esse tom alarmista que começa o documentário O dilema das redes, e até o final o catastrofismo só recrudesce, seguido por uma trilha sonora aterrorizante.

O documentário tem no enredo ex-colaboradores do Google, Facebook, Twitter, Instagram e Pinterest e atores interpretando a família de um viciado no seu celular, como um viciado em heroína ou um zumbi. Os ex-funcionários “com peso na consciência” depõem como alguém muito arrependido do mal que fez. O núcleo dramático exagerou na interpretação. O garoto lembra um “noia”, em situação irrecuperável, na Cracolândia.

A utilização extremamente exagerada de redes sociais é identificável, bem como a enxurrada dos neurotransmissores dopamina, noradrenalina e adrenalina desencadeada por “curtidas”, “joinhas” “coments”, “compartilhamentos”, “retweets” ou “likes”. Porém tudo em excesso ou utilizado de maneira errada é prejudicial. Como explicar um sujeito que reclama que o Twitter é uma “rede de ódio”, utilizando-o compulsivamente?

Outro “efeito colateral” lamentado pelos supostos ex-funcionários “arrependidos” é a influência do acesso às redes sociais nos resultados das eleições pelo mundo. É só conhecer um pouco de história para concluir que o processo eleitoral sempre foi controlado e definido por “alguéns”. Os celulares, tablets, notebooks e desktops não agem sem as pessoas. Esse é o sentido original, e tão deturpado, da palavra “democracia” (poder do povo).

A conclusão fácil de chegar é que até Google e Facebook, e arrisco, todo o Vale do Silício estão assustados com o que isso virou e, pelos prognósticos, onde tudo isso irá chegar. Todo o filme, obedece uma narrativa que mais parece um desesperado pedido de socorro das mídias tradicionais: desligue esse aparelho do demônio, e volte a ver TV e ler jornais.

São mostradas pessoas brigando, protestos e vídeos (internet) com as mentiras mais deslavadas (Terra Plana e outras teorias absurdas) - ditas em clima alarmista por moleques sem nenhuma credibilidade. O clima de fim de mundo chega ao paroxismo quando o locutor vaticina que o uso desenfreado das redes sociais poderá culminar numa guerra civil. Eu lembro que guerras civis são inerentes ao ser humano. Exemplos: Guerra Civil dos Estados Unidos, 1861 e Guerra Civil Espanhola, 1936.

No final, quando falam de eleições, caem as máscaras, ficam explícitas as reais intenções do tardio alerta ao uso exagerado das redes sociais. Esse warning (aviso) não veio quando o Obama foi eleito usando com alarde as redes. No que parece uma ação coordenada, a palavra “democracia” foi, muitas vezes, torturada, para ser usada sem sentido e apavorar até quem não tem a mínima ideia do que o termo significa, afinal “a democracia está em perigo”.

A peça toda vai aumentando o inimigo e botando mais medo, chegando ao ponto de expor o “homem rico” (o malvado capitalista) como o grande algoz por trás de toda a trama. A solução sugerida: regulamentação e taxação.

O documentário acerta quando alerta quanto ao uso exagerado das redes sociais, propondo um “detox” (desintoxicação) aos dependentes; erra pelo tom catastrofista, um tanto quanto infantil, esquecendo-se que fala, principalmente, com adultos.




Biografia:
Ensino secundário completo. Trabalhei em várias empresas, fora da literatura. Tenho um blog, onde publico meus textos: “Gazeta Explosiva” Blogger
Número de vezes que este texto foi lido: 33810


Outros títulos do mesmo autor

Crônicas Negócio da China Rafael da Silva Claro
Crônicas *FUTEBOL ⚽️ Rafael da Silva Claro
Músicas Inseto Insípido * Rafael da Silva Claro
Crônicas Pedro, apenas mais um youtuber ? Rafael da Silva Claro

Páginas: Primeira Anterior

Publicações de número 81 até 84 de um total de 84.

  Envie este texto por e-mail
Digite seu nome:
Digite seu endereço de e-mail:
Digite o nome do destinatário do e-mail:
Digite o endereço de e-mail do destinatário:

escrita@komedi.com.br © 2021
 
  Textos mais lidos
Apenas Saudades - Fakihi D'larua 33758 Visitas
O Livro do Coração - Matheus Costa 33757 Visitas
A FESTA DAS BORBOLETAS - Alexsandre Soares de Lima 33757 Visitas
Isso ou Aquilo? - Julia Mariana da Silva 33757 Visitas
PREDADOR HUMANO - João Bosco Monferron Pires da Silva 33757 Visitas
VOCÊ NATUREZA - Daniele Soler 33757 Visitas
Retratos da Alma - Silvio Dutra 33757 Visitas
De repente Chorei - Carolina Pereira Dos Santos 33757 Visitas
Súplica Da Vida - Maria 33757 Visitas
MISSÃO - Alexsandre Soares de Lima 174 Visitas

Páginas: Primeira Anterior Próxima Última