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Texto selecionado
| Vozes do tempo - Carta para um vovô feliz! |
| Memórias com a vovó - Junho violeta |
| Cherli da Silva |
Resumo: Resumo
Vozes do Tempo – Carta para um Vovô Feliz, é uma carta autobiográfica de autoria de Cherli da Silva que resgata memórias afetivas vividas ao lado de sua avó. Por meio de lembranças marcadas pelo cuidado, pela proteção e pelos gestos de amor, a autora homenageia a importância das pessoas idosas na formação de valores, na construção da identidade e na transmissão de saberes entre gerações.
A narrativa estabelece uma reflexão sobre o envelhecimento, a valorização da pessoa idosa e a necessidade de combater todas as formas de violência, negligência e abandono. Integrando memória, afeto e conscientização social, o texto reforça a mensagem do Junho Violeta e convida a sociedade a reconhecer, respeitar e proteger aqueles que carregam histórias, experiências e legados que enriquecem a vida coletiva.
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Vozes do Tempo – Carta para um vovô feliz!
Quando fecho os olhos, ainda posso sentir o cheiro do bolo de laranja saindo do forno. Era sempre nas tardes mais simples que minha avó me fazia sentir como princesa com vestidos bem passados, laços de fita no cabelo e aquele cuidado que só o amor de vó sabe oferecer.
Ela era uma mulher idosa, de gestos delicados e força silenciosa. Sua presença era colo e abrigo. Lembro do pão caseiro quentinho, derretendo com manteiga, das vezes em que caminhávamos até a praça, onde jogávamos farelo de pão para os pombos, como se cada migalha fosse uma sementinha de carinho lançada ao mundo. Como lembro desse pão. Será que alguma vovó aqui saberia fazer esse pão? Se souber me convide para um chá.
Minha avó me ensinou que afeto mora nos detalhes. Nas mãos que penteiam os cabelos com ternura. Na paciência de ouvir pela quinta vez a mesma história. E eu ouvia, porque se alguém te contar a mesma história várias vezes é porque você ainda não ouviu tudo, e cada vez uma história tem várias histórias.
Minha vó, me deu tardes com cheiro de bolo e sabor de eternidade. E foi nessas tardes que meus cabelos de criança ganharam fios brancos fios de memória. E que nossas tardes ganhem sempre cabelos brancos. É a voz da sabedoria.
Foi ela quem me salvou tantas vezes das surras de meu pai seu próprio filho, com braços pequenos e alma gigante, intervinha como um anjo e me escondia atrás do seu corpo frágil, e com voz doce, desarmava a brutalidade. Ela era minha trincheira de amor em meio às tempestades familiares.
Era meu anjo protetor e quando o meu grito ecoava debaixo da mesa, onde eu sempre a esperava sempre, sempre, me salvava. Ela era o toque que sarava onde o medo morava.
Hoje, quando falo sobre a importância de respeitar e proteger as pessoas idosas, eu falo por ela, pela mulher que me ensinou a olhar com doçura para a vida. Mas falo também por todas as vovós os e vovôs dessa casa, que não têm quem os defenda quando o tempo os torna mais frágeis.
Falo por aqueles que vivem sozinhos, que são esquecidos, feridos, calados. Falo por todos vocês e alerto, não permitam nenhum tipo de violência seja ela: Violência Física; Violência Psicológica; Violência Patrimonial; Violência Sexual; Violência por Abandono ou qualquer outra forma de violência, denuncie As denúncias de violência contra a pessoa idosa podem ser feitas pelo Disque 100 (Disque Direitos Humanos). O atendimento é realizado diariamente, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana, baixe o aplicativo Proteja Brasil, procure a Delegacia Online do seu estado, ou ligue para o 190 – Polícia Militar, e para a Defensoria Pública do Estado de São Paulo – 0800 773 4340, pois o amor também se manifesta na coragem de proteger. Junho Violeta não é apenas uma campanha. É um apelo por cuidado, é um lembrete de que ninguém deveria envelhecer com medo, com dor ou em abandono.
Você pessoa idosa é casa. Você é raiz. Você é história viva. E Você não está sozinho. Seu valor não se mede em força física, mas na imensidão da sua jornada.
Tenho saudade, até nas despedidas, minha avó era amorosa, eu uma Pérola — dizia: “Você volta logo, vovó?”
E ela respondia: “Antes dos pássaros cantar.”
E hoje… eles cantam no céu, trazendo essa melodia que me faz amar tanta gente idosa. Que possamos ser como minha avó, semente de afeto, mãos que acolhem, memórias que nunca morrem.
Com amor e reverência a todos vovô e vovós da casa do vovô feliz. Foi lindo está com vocês!!!
Autora e idealizadora:
Projeto Pérola Barroca – Literatura, Acolhimento e Transformação.
Roda de Leitura “Vozes do Tempo – “junho Violeta” – “Casa do vovô feliz!”
Instagram: vozesdepérola
Com carinho, Cherli da Silva em 12/04/25.
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Biografia: Cherli da Silva é professora, psicopedagoga e especialista em Transtorno do Espectro Autista (TEA), atuando na área da educação com foco no desenvolvimento humano, inclusão e aprendizagem. Apaixonada pela escrita e pela transformação social por meio da educação, dedica-se à promoção de reflexões sobre temas relevantes para a sociedade.
É autora da obra *Pérola Barroca*, livro que aborda questões sensíveis e de grande impacto social, como abuso sexual infantil, luto, assédio moral no ambiente de trabalho, aborto, violência doméstica, entre outros temas que permeiam a realidade de muitas pessoas. Por meio de uma narrativa envolvente e reflexiva, a autora busca dar voz a experiências frequentemente silenciadas, incentivando o diálogo, a conscientização e a superação.
Seu trabalho une educação, acolhimento e literatura, contribuindo para a formação de uma sociedade mais empática, consciente e comprometida com a proteção dos direitos humanos.
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Publicações de número 1 até 4 de um total de 4.
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