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A VACA FOI PARA O BREJO
Saulo Piva Romero

A VACA FOI PARA O BREJO
HOUVE UM TEMPO EM QUE AFONSO CELESTINO E SUA ESPOSA MARIA EUGÊNIA GANHOU UMA VAQUINHA LEITERA DE PRESENTE DE CASAMENTO.
MIMOSA, A VAQUINHA FOI DADA AO CASAL GRAÇAS AOS SEUS PADRINHOS QUE A COMPRARAM EM UM LEILÃO.
ENTÃO A PARTIR DAQUELE DIA MIMOSA, A VAQUINHA PASSOU A SER O SUSTENTO DO CASAL.
MAS, PASSADOS ALGUNS ANOS COM A CHEGADA DOS TRÊS FILHOS, A SITUAÇÃO FINANCEIRA DE AFONSO CELESTINO PIOROU MUITO.
A VACA MIMOSA TINHA ENVELHECIDO E JÁ NÃO PRODUZIA A QUANTIDADE DE LEITE SUFICIENTE PARA QUE AFONSO CELESTINO E MARIA EUGÊNIA PUDESSEM FABRICAR QUEIJOS, DOCES DE LEITE E IOGURTES PARA VENDER NA FEIRA.
ESSA SITUAÇÃO FOI FAZENDO COM QUE AFONSO CELESTINO FICASSE CADA VEZ MAIS REVOLTADO COM A BAIXA PRODUÇÃO DE LEITE DA VAQUINHA MIMOSA.
A GOTA D'ÁGUA PARA QUE AFONSO CELESTINO PERDESSE A PACIÊNCIA COM A VAQUINHA FOI DURANTE O JANTAR, POIS, QUANDO MARIA EUGÊNIA SERVIU A COMIDA, ELE PERCEBEU QUE ESTAVA ESCASSA, POIS, NÃO DAVA NEM PARA ALIMENTAR UMA PESSOA.
NESSE MOMENTO AFONSO CELESTINO OLHOU PARA MARIA EUGÊNIA E OS TRÊS FILHOS COM UM OLHAR FURIOSO E DISSE:
- VOCÊS ESTÃO VENDO A NOSSA VACA PREGUIÇOSA LÁ FORA? DELA TIRAMOS O LEITE QUE CONSUMIMOS E FAZEMOS QUEIJO. O POUCO DE LEITE QUE SOBRA, TROCAMOS POR OUTRAS MERCADORIAS NA CIDADE. ELA É NOSSA FONTE DE RENDA E DE VIDA, MAS JÁ NÃO CONSEGUIMOS VIVER COM O QUE ELA NOS FORNECE.
O FILHO MAIS VELHO VENDO O DESESPERO DO PAI QUE JANTAVA DE CABEÇA BAIXA E EM SILÊNCIO COMEÇOU A CHORAR E SE LEVANTANDO DA MESA TENTOU SEM SUCESSO ANIMÁ-LO COM PALAVRAS DE ENCORAJAMENTO.
AFONSO CELESTINO FICOU REMOENDO A RAIVA QUE ESTAVA SENTINDO DA VAQUINHA MIMOSA DURANTE TODA A NOITE.
ENTÃO PELA MANHÃ, ELE ACORDOU MUITO CEDO ANTES QUE A FAMÍLIA ACORDASSE E FOI CAMINHANDO ATÉ O CURRAL ONDE A VAQUINHA MIMOSA SE ENCONTRAVA.
AFONSO CELESTINO AO CHEGAR AO CURRRAL OLHOU COM SANGUE NOS OLHOS PARA A VAQUINHA QUE POR MUITOS ANOS HAVIA GARANTIDO O SUSTENTO DA SUA FAMÍLIA ATRAVÉS DO SEU LEITE E DISSE:
- VOCÊ JÁ NÃO ESTÁ ME SERVINDO MAIS, POIS, NOS ÚLTIMOS ANOS SÓ ESTÁ ME DANDO PREJUÍZO.
ENTÃO AFONSO CELESTINO PEGOU UMA CORDA E DEU UM LAÇO PARA AMARRAR A VAQUINHA.
EM SEGUIDA SAIU DO CURRAL PUXANDO A MIMOSA PELA CORDA E PARTIU NA DIREÇÃO DE UM BREJO.
AFONSO CELESTINO ESTAVA DISPOSTO A SE LIVRAR DA VELHA VAQUINHA O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL, POIS, HAVIA DEIXADO A RAIVA TOMAR CONTA DO SEU CORAÇÃO.
ASSIM QUANDO ELE SE APROXIMOU DO BREJO, EMPURROU A VAQUINHA PARA O FUNDO DO BREJO QUE ESTAVA CHEIO DEPOIS DA CHUVA QUE HAVIA CAIDO DURANTE A MADRUGADA SELANDO ASSIM O TRISTE FIM DA VAQUINHA MIMOSA QUE EM POUCOS MINUTOS FOI TRAGADA PARA O FUNDO DO BREJO.
LOGO EM SEGUIDA AFONSO CELESTINO VOLTOU AO SEU SÍTIO E SE SENTOU NA SUA CADEIRA DE BALANÇO CONTINUANDO A REMOER A RAIVA QUE SENTIA PELA FINADA VAQUINHA.
PASSADO ALGUM TEMPO, ELE COMEÇOU A SENTIR REMORSO PELO QUE HAVIA FEITO E DECIDIU CONTAR TUDO PARA MARIA EUGÊNIA E SEUS FILHOS.
ENTÃO A ESPOSA E OS FILHOS MESMO NÃO CONCORDANDO COM O QUE ELE HAVIA FEITO DECIDIRAM PERDOÁ-LO.
MAS COM A PERDA DA VAQUINHA, ELES FICARAM TÃO POBRES E DESESPERADOS QUE TIVERAM QUE VENDER A PROPRIEDADE PARA ALGUÉM MAIS RICO.
DEPOIS DISSO AFONSO CELESTINO SE TORNOU UM HOMEM VOLTADO MAIS PARA DEUS E ASSIM ELE ABENÇOOU ESSA FAMÍLIA.
UM DIA MAIS TARDE UM DE SEUS FILHOS QUE HAVIA CASADO FOI VISITAR OS SEUS PAIS E OS IRMÃOS.
AO CHEGAR AO SÍTIO APROXIMOU-SE DA CASA E, ENTRANDO PELO PORTÃO, VIU UM CRIADO E LHE PERGUNTOU:
– VOCÊ SABE PARA ONDE FOI À FAMÍLIA QUE VIVIA NO CASEBRE QUE HAVIA AQUI?
– SIM, CLARO! ELES AINDA MORAM AQUI, ESTÃO ALI NOS JARDINS. – DISSE O CRIADO, APONTANDO PARA FRENTE DA CASA.
O FILHO CAMINHOU NA DIREÇÃO DA CASA E PÔDE VER UM SENHOR ALTIVO, BRINCANDO COM TRÊS JOVENS BONITOS E UMA LINDA MULHER. A FAMÍLIA QUE ESTAVA ALI NÃO LEMBRAVA EM NADA OS FAMILIARES DE TEMPOS ATRÁS.
QUANDO O PAI AVISTOU O FILHO QUE NÃO VIA HÁ MUITOS ANOS, RECONHECEU-O DE IMEDIATO E O CONVIDOU PARA ENTRAR EM SUA CASA.
O FILHO QUE HÁ MUITOS ANOS TAMBÉM NÃO VIA O SEU PAI, QUIS SABER COMO TUDO HAVIA MUDADO TANTO DESDE A ÚLTIMA VEZ QUE ELE VIU A FAMÍLIA.
O PAI ENTÃO FALOU:
– DEPOIS QUE A NOSSA VAQUINHA SE AFOGOU NO BREJO E MORREU. COMO NÃO TÍNHAMOS MAIS NOSSA FONTE DE RENDA E SUSTENTO, FOMOS OBRIGADOS A PROCURAR OUTRAS FORMAS DE SOBREVIVER. DESCOBRIMOS MUITAS OUTRAS FORMAS DE GANHAR DINHEIRO E DESENVOLVEMOS HABILIDADES QUE NEM SABÍAMOS QUE ÉRAMOS CAPAZES DE FAZER.
E CONTINUOU:
– QUANDO PERDEMOS AQUELA VAQUINHA FOI HORRÍVEL, MAS APRENDEMOS A NÃO SERMOS ACOMODADOS E CONFORMADOS COM A SITUAÇÃO QUE ESTÁVAMOS. ÀS VEZES PRECISAMOS PERDER PARA GANHAR MAIS ADIANTE.
SÓ ENTÃO ELE PERCEBEU QUE O SACRFÍCIO DAQUELA VAQUINHA TINHA COMO PROPÓSITO MUDAR A VIDA DA SUA FAMÍLIA.
ASSIM O FILHO DE AFONSO CELESTINO AJOELHOU-SE OLHANDO PARA O CÉU E AGRADECEU A DEUS PELA TRANSFORMAÇÃO QUE ELE HAVIA FEITO NA VIDA DA SUA FAMÍLIA.


Biografia:
Saulo Piva Romero, professor de Língua Portuguesa e Poeta, 49 anos. Nasceu em São Paulo no dia 9 de março de 1972. Começou a escrever poesias aos 18 anos. É formado em Letras pelas Faculdades Associadas do Ipiranga com Licenciatura Plena em Língua Portuguesa, Inglesa e Literatura.Em 2000 publicou seu primeiro livro Vida, amor e esperança.
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