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O Açougue das Maminhas
Bia Nahas

O açougue abriu
Como todo o dia que permitiu
O cliente achar que deve escolher
Qual maminha é melhor de comer.

Contra-filés muito gordurosos
Ou com muitos ossos
São rotulados
Como mal fabricados.

A sensação de ser avaliada como bife
Por homens machistas que insistem
Deixar as mulheres destinadas
à função de serem alcatras grelhadas.

Qual maminha escolho para casar?
Qual linguiça escolho para assar?
É triste o aspecto humano ser reduzido
E à função na sociedade já ser atribuído.

Por uma razão estúpida como destino,
Há homens machistas sem sentido
Que condenam a mulher a uma refeição
Sem escolhas, sem coração nem opinião.

O machismo
Pode deixar sozinho
O homem que insiste
Em ver a mulher como seu bife.

O amor sobrepõe a um carnal açougue
Que o respeito come e engole
Desde os romanos na idade média
Até hoje já que muitos ainda reproduzem essa merda...

É vergonhoso!
É triste e doloroso
Disseminar o desrespeito
Negando ver além de um peito...

O açougue deverá ser ressignificado
Na mente do cara tarado
Que fica comparando mulheres na rua desconhecidas
Porque acha que elas seriam gratas já que seriam assim reconhecidas
se forem por ele para casar escolhidas.

As mulheres são comparadas como picanhas ou patinhos,
Colchão mole ou durinho,
Filé ou contra filé
Como se fosse o mesmo do que dizer: eu sou mulher.

As mulheres são categorizadas como bacalhau ou frango gratinado,
mau ou bem passado,
Carne moída ou mignon filé
Sem poderem dizer: eu sou mulher!

Mas o papel social é um social deturpado ditado!
Por isso, no presente, não é um fato incontestado.
As mulheres precisam e devem dizer
Que não são comida que se possa comprar e vender.

As mulheres não devem estar presas
Ao frigorífico esperando a venda
Pela aprovação do cliente
Porque ela se amar é o que mais a tornará valente
E permitirá que ela siga em frente!

Aceite não inferiorizando nem superiorizando quem é
Seja homem ou mulher
Com qualquer gênero que tiver!
A aceitação dará a libertação do açougue para quem quiser...

A aceitação negará a rivalidade
entre mulheres da sociedade
porque não são picanhas numa vitrine a competir
quem vai mais rápido dali sair.

O empoderamento libertará o corpo e a mente
do açougue constantemente e pacientemente
Para acabar com todas as tiranas sentenças
De compras e vendas limitantes da aparência.


Biografia:
Oi, gente! Sou a Bia. Tenho 22 anos. Moro em São Paulo capital. Estou fazendo faculdade de psicologia. Cada poema é muito especial e único, pois expresso alguma inquietação social ou pessoal. Faço encomendas de poesias. Quem quiser me conhecer, será um prazer. Mande um e-mail que eu respondo. Email para contato: nahasbeatriz@gmail.com Meu blog pessoal de poesias: www.rumoaminhamente.blogspot.com.br Twitter: @Bia__Nahas
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